Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Encerrado o jejum, só pensamos no Palmeiras

25 de setembro de 2016 43

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

Passou longe de ser a atuação dos sonhos, mas, enfim, voltamos a vencer. Era o mais importante no momento. A partir de agora, só pensamos no Palmeiras.

Com o 1 a 0 sobre a Chapecoense, o Grêmio alcançou 40 pontos no Brasileirão, distante do Z-4 e mirando o G-4. Regressou à metade de cima da tabela, quebrou a seca de vitórias e de gols. Espero que a situação ajude a devolver a confiança, vital para a batalha de quarta-feira pela Copa do Brasil.

Mesmo dando o devido desconto em razão dos desfalques, não gostei do desempenho tricolor diante da Chape. O time teve menos posse de bola, foi controlado em parte do jogo, quase sofreu o empate e desperdiçou lances claros para liquidar a fatura. Walace, apesar da assistência, teve outra jornada distante do seu melhor futebol.

Pedro Rocha guardou o gol da tarde, Luan muito tentou e pouco conseguiu. Henrique Almeida acertou apenas um chute de longe. É pouco. Em certos momentos, parecia um corpo estranho ao time. Guilherme entrou e melhoramos. O piá só não coroou a atuação porque não encaçapou duas boas oportunidades.

Estou curioso para ver se Renato manterá Henrique Almeida ou se apostará em Guilherme na quarta-feira. Na volta do treinador, o ataque é o ponto que mais preocupa. Vamos precisar de força e eficiência diante do Palmeiras. É o caminho para abrir vantagem na Copa do Brasil.

Briguinhas políticas não explicam que jogador seja displicente em campo

23 de setembro de 2016 27

Por Léo Gerchmann

Vamos combinar uma coisa? Vestiário blindado, com um comando que esteja se refletindo nos jogadores, não permite que briguinhas infames de dirigentes influenciem no rendimento dentro de campo. Se você estiver falando em atrasos salariais e outras (faltas de) motivações, ah bom, aí é outra conversa. Mas, definitivamente, não é o que parece. Escrevo este texto para contestar o raciocínio que identifica nas brigas de dirigentes o motivo do péssimo rendimento gremista dentro de campo. Farei isso pontuando meus argumentos:
1) Roger Machado manifestou, depois de uma sequência de resultados vexatórios, que deixava o clube não porque queria, mas porque precisava fazê-lo. Sei a opinião do Roger. Ele queria ser no Grêmio o que o Ferguson foi no Manchester, décadas dirigindo o clube do coração. Não estou fazendo ilações, estou dando informação.

2) O inteligente e sensitivo Roger percebeu que o grupo não estava respondendo ao seu comando, infelizmente. Problema dele? Muito provavelmente não. Gremistas como eu, na sua grande maioria, querem vê-lo novamente um dia na casamata, quem sabe para dar uma de Ferguson. E isso sim, por ora, é uma ilação.

3) Este jornalista, assumidamente gremista e até com livros lançados sobre o Grêmio, tem ojeriza a politicalhas internas num clube de futebol e acha que, de alguma forma, elas prejudicam e muito a instituição. Logo, a intenção deste texto não é a de livrar a cara de quem, por vaidade ou ambição, faz do clube uma trincheira.

4) Roger, a quem admiro e tenho até como amigo, claramente sentiu que não estava dando conta de um vestiário que, de uma hora para outra, desandou. Mas é necessário que se diga: não são os dirigentes brigões e autofágicos que fazem um jogador ser displicente na hora de concluir, tirar o pé na dividida ou dormir em campo.

5) As divisões internas na política dos nossos clubes explicam muito do contexto geral. Mas a apatia de um time que vinha bem e que até parecia ser um grupo fechado não se explica por fatores políticos, de dirigentes. Talvez Roger tenha enxergado o que ocorria e raciocinado como o gremista que é: o momento não era mais para ele. O comando do clube aceitou sua demissão relutantemente e viu em Renato o cara que vai blindar o vestiário e, por assim dizer, injetar sangue a mais nas veias dos jogadores _ é o que todos sonhamos que ocorra.
Tomara que dê certo e que tanto um quanto o outro, Renato e Roger, ainda venham a conquistar muitas glórias pelo clube que tanto amamos. Tenho a impressão de que ambos agiram como gremistas desprendidos nesse episódio todo.

E os dirigentes? Precisam urgentemente parar com as briguinhas infames, porque isso mina uma instituição. Mais: se havia críticas ao trabalho do Roger, os elogios eram muito mais numerosos. Roger não deve se preocupar, porque unanimidades, como dizia Nelson Rodrigues… Mas, neste caso específico, por mais que as briguinhas de vaidade sejam reais e infames, certamente não é isso que faz um jogador tirar o pé da dividida.

Saaaaaaaai, uruca!

21 de setembro de 2016 46

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

Estou sem voz. Ela se foi nos pênaltis. O Grêmio faz isso com seus apaixonados torcedores. Depois de perder por 1 a 0 em casa para o Furacão, a suada classificação na Copa do Brasil veio com três defesas de Marcelo Grohe em um festival de pé torto. Na volta de Renato, o 4 a 3 precisa ter o poder de virar a chave na Arena. É reencontrar o bom futebol e despertar líderes do elenco que estão dormindo.

É preciso admitir que foi um sofrimento desnecessário, baseado em pura incompetência. O Grêmio fez muita força para ser eliminado. Começou com Henrique Almeida que, sozinho de frente para Weverton, não conseguiu acertar a goleira. Ainda saiu irritado com o torcedor quando, na verdade, deveria pedir desculpas por uma conclusão tão constrangedora. Defendo que seja multado pela direção.

Herói ao final da noite, Grohe cometeu falha juvenil. O chute veio no meio do gol, sem perigo, mas o arqueiro deu rebote. O erro virou o gol do tempo normal. Grohe repetiu a sina de falhas graves em jogos decisivos ao longo da temporada. Foi assim no Gauchão, Libertadores e, agora, na Copa do Brasil. Desta vez, ele teve as penalidades para reescrever a história.

Sem ultrapassagens, lento e nervoso, o Grêmio tinha posse sem mostrar eficiência. Guilherme lutou muito, porém não tem qualidade para atuar no lado contrário ao do pé de conclusão. Mata todos os lances ao trazer para o meio, aumentando a obviedade tricolor. Luan ainda rasgou chance clara na etapa final, comprovando que, ao lado de Walace, segue em alfa depois da Rio 2016.

Nas penalidades, mais sofrimento e falhas. Erramos três cobranças seguidas, todas por balaca. Poderíamos ter liquidado a fatura nos cinco chutes, mas Walace, Douglas e Luan bateram como se fosse um treino. Não pegaram distância, tentaram demonstrar categoria e chutaram sem força, o que aumenta chance de fracasso. Weverton saltou e buscou os três.

A displicência dos três batedores foi salva por Grohe e pelo pé torto do Atlético. Nosso goleiro buscou dois chutes e viu um terceiro ir pelo alto. Quando Kannemann isolou, Grohe catou no canto o petardo que nos eliminaria. Ainda contou com a sorte na bola na trave de Paulo André.

Torço para que tanto sofrimento desperte a indignação do elenco, pois até o momento o único indignado é o torcedor. O Grêmio precisa jogar mais, não pode se enganar ao confiar que a classificação apagará os problemas. Renato terá muito trabalho pela frente. Saaaaaai, uruca!

Renato chega para impedir a derrocada azul

18 de setembro de 2016 71

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

O Grêmio faz uma campanha de Chapecoense no Brasileirão. E vamos ouvir conformistas do atual time falando em qualidade do elenco. É doído para o ouvido de qualquer gremista. Renato terá muito trabalho pela frente para impedir a derrocada azul.

O presidente Romildo Bolzan merece cada cobrança e vaia do torcedor. É o comandante de uma nau que naufraga no momento decisivo do segundo semestre, que já afundou no primeiro. Estar abaixo de Chape e Ponte Preta é inadmissível.

Homem da economia interna, Romildo corre o risco de encerrar o mandato vibrando apenas por superávit, lembrando que um bom contador faz milagre.

Depois da derrota para o Flu na Arena, com outra atuação modorrenta, o Grêmio mira a parte debaixo da tabela do Brasileirão. E corre o risco de ser eliminado na Copa do Brasil. Quarta-feira não é favorito contra o Furacão, mesmo jogando em casa e com a vantagem do 1 a 0.

Renato chegará com a missão de acordar um time acadelado, que derrete e soma sete jogos sem vitória no Brasileirão. O Grêmio não foi capaz de criar uma mísera chance de gol diante do Flu. Luan e Walace seguem na Rio 2016, os cascudos nada fazem de útil. A zaga falhou de novo. Edílson tem uma atuação comum em cima da outra, Marcelo Oliveira segue a avenida de sempre.

Sem títulos e querendo se reeleger, Romildo buscou três cabos eleitorais. Renato, Espinosa e Adalberto Preis foram campeões em 1983. O Brasil vivia uma ditadura, a Guerra Fria existia, contrato era batido na máquina de escrever. Torço para que a magia se repita, apesar de estar cético.

Apesar de ter colocado o Grêmio duas vezes no G-4 (mais do que Roger fez), Renato não treina ninguém há dois anos. Espinosa não faz um trabalho relevante há décadas, Preis é do grupo político de Koff-Romildo, que soma tropeços em quatro anos. O tal conselho político é uma piada.

Os gremistas estão irados. E com razão. Devem cobrar time e direção. Como só bater não adianta, também teremos de apoiar Renato. Afinal, agradando ou não, é o nosso novo treinador.

Roger caiu por um 2016 decepcionante

15 de setembro de 2016 68

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

Roger Machado pediu o boné e a direção aceitou. Foi a consequência de uma derrota decepcionante para a Ponte Preta, o reflexo de uma afinada no Brasileirão. Roger caiu porque o rendimento do time despencou. Em 2016, a continuidade do trabalho não rendeu os frutos esperados. Pelo contrário. O desempenho piorou.

Sensação ao chegar em meados de 2015 substituindo Felipão, no início do Brasileirão, Roger surpreendeu ao classificar para a Libertadores uma equipe desacreditada e limitada. Não se falava em qualidade de elenco. O lateral multicampeão cerrou os dentes e trabalhou. Só que o excelente resultado serviu de escudo permanente.

A queda de rendimento começou em outubro do ano passado. Terminamos o Brasileirão na banguela, jogando mal fora de casa. Imaginei que o cansaço havia pesado e que viria uma postura vencedora em 2016, a exemplo de Mano Menezes na virada de 2006 para 2007. Tive um engano doloroso.

Fracassou o Grêmio com Roger badalado, trabalho mantido e reforços no elenco. A equipe não chegou à final do Gauchão. Foi eliminada pelo Juventude, um time de terceira divisão. Roger viu Argel levar o Estadual e ficou pelo caminho na Primeira Liga. Na Libertadores, levou um totó do Rosario Central. Fez um belo primeiro turno de Brasileirão e afinou no segundo.

Em setembro de 2016, Roger tinha virtudes e defeitos. Havia um conceito definido de futebol, organizado, com mecânica encaixada, espaço para os jovens e apreço dos jogadores. Por outro lado, o técnico não encontrava alternativas táticas, tinha dificuldades nas substituições e apostava em bruxos, vide Marcelo Oliveira. Ainda fracassou na missão de estancar a sangria pelo alto. Desde o amistoso com o Danubio a bola aérea é um drama.  No ataque, a bola parada não servia para nada.

Roger também derrapou nas contratações. Indicou William Schuster, Fred e Negueba. Sofreu com a saída de Giuliano sem reposição. Adepto de frases modernas e educado nas entrevistas, o técnico recebeu a mesma simpatia concedida a Paulo Autuori na década passada. Caiu repetindo o treinador, que montou um Grêmio imbatível em casa e modorrento fora.

Roger deixa o Grêmio com uma vaga na Libertadores de saldo. Era um time desacreditado que chegou ao G-4. Renato fez o mesmo duas vezes, Caio Jr levou o Paraná à Libertadores, Wagner Mancini classificou o Furacão. Os feitos não transformaram ninguém em Guardiola. Creio que Roger foi supervalorizado. É um treinador promissor. Só. E recebeu tratamento de técnico com títulos no currículo.

A saída também é uma resposta do presidente Romildo Bolzan à torcida. Ele pretende se reeleger e, sem títulos em dois anos e saudando apenas superávit, não conseguirá. Diante do turbilhão, terá de mostrar aos gremistas que tem pulso e entende de futebol. Seu trabalho também está no divã.

Romildo tem pouco tempo para escolher o substituto de Roger. Confesso que Renato é um nome que não me anima. O mercado oferta poucas opções. Vamos aguardar os próximos capítulos. O Grêmio reage ou terá um fim de ano melancólico.

E segue o choro do elenco

15 de setembro de 2016 14

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

O tempo passa, o tempo voa e cabecear na área do Grêmio continua uma boa. Até uma freia faz gol de cabeça na defesa treinada por Roger Machado. A fragilidade, somada à postura sem ambição no ataque, determinou outro fiasco longe da Arena. Levamos 3 a 0 da Ponte Preta.

O Grêmio afina de maneira impressionante no returno do Brasileirão. Pegando o jogo atrasado com o Botafogo, temos seis partidas sem vitória, sendo quatro derrotas fora de casa. Em Campinas, o Imortal jamais pensou em ganhar. Não adiantou a marcação, não trocou passes rápidos, não concluiu. Aceitou o resultado.

Desde o Gauchão qualquer time faz gol de cabeça no Grêmio. Larguei de mão. O que Roger faz nos treinamentos? Vê os erros ao longo de nove meses e não consegue corrigi-los. Falhando em série, o Imortal já está a cinco pontos do G-4.

Se a frustração de levar três da Ponte não é suficiente, o chororô da falta de elenco tira qualquer tricolor do sério. Depois de Edílson, foi a vez de Geromel sair reclamando das opções ofertadas da Roger. Comentário conformista, de quem aceita a derrota.

Palmeiras, Flamengo, Atlético-MG, Corinthians e Santos têm grupos melhores. Vão brigar pelo título. Mas e a Ponte Preta, que na rodada anterior empatou em casa com o América-MG? Caso tenha um elenco superior ao tricolor, estamos diante de um caso de interdição dos dirigentes, pois nosso time custa bem mais.

O Grêmio perdeu para uma equipe com Douglas Grolli e Fábio Ferreira na zaga. Com Aranha no gol. Com Clayson e Roger do meio para frente. Será que Grohe, Geromel, Walace, Luan e Bolaños jogam menos do que essa turma toda? E América-MG, Santa Cruz, Botafogo e Coritiba? Todos com elencos recheados de opções? Por favor!

Espero o mínimo de negoveismo dos gremistas para assumir as falhas de frente e resolvê-las. Desculpinhas não corrigem nada. O Grêmio do presidente Romildo Bolzan, que pretende se reeleger, passou da hora de reagir.

Grêmio não sabe matar o jogo

11 de setembro de 2016 78

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

A falta de pontaria apareceu de novo. Uma pena. O Grêmio jogou mais do que o líder Palmeiras, produziu o suficiente para vencer sem contestações. Não ganhou porque errou três chances claras. Teve de se contentar com o empate.

O desperdício transformou a briga por título em miragem, congelou a disputa azul na vaga no G-4. Em sexto, com 37 pontos, estamos a três do Corinthians, quarto colocado. Já a distância para o Palmeiras segue em 10 pontos.

Roger Machado desfez o esquema de três volantes e acertou. Pedro Rocha, apesar de ter perdido um gol mais do que feito, melhorou o time. A entrada de Kannemann na zaga também funcionou.

Gostei de ver o Grêmio com postura mais agressiva, típica das atuações na Arena. No segundo tempo, empurrou o Palmeiras, que só foi assustar no final. É de se lamentar mesmo os gols rasgados por Pedro Rocha, Luan e Guilherme. É mais um ano sem um matador, o que atrasa a busca por títulos.

Contratação mais cara da temporada, Bolaños teve outro jogo apagado. Nenhuma chance clara caiu nos seus pés, porém não conseguiu ser perigoso. É um caso urgente acordar o equatoriano.

Como a vitória ainda não veio, estacionamos na tabela. O desafio, na quarta-feira, é vencer fora de casa. E terminar com a rotina de dupla personalidade no Brasileirão.

 

Postura diferente contra o Palmeiras

09 de setembro de 2016 26

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

Em um jogo duríssimo na Arena, o Grêmio tem a oportunidade  de mostrar ao torcedor que realmente pensa grande no final da temporada. Amargurado com os tropeços recentes, o gremista espera, no mínimo, uma atuação de entrega e bom futebol contra o Palmeiras.

A letargia das últimas derrotas tirou os tricolores do sério. Dormento no primeiro tempo contra o Fla, o Grêmio foi dominado com facilidade pelo Botafogo. Quem pensou que a moleza do Rio de Janeiro garantiria um time indignado contra o Coxa, cometeu um tremendo engano. O Imortal levou quatro gols em 17 minutos.

Com Roger Machado questionado nas arquibancadas, a história precisa ser diferente diante do Palmeiras, atual líder do Brasileirão. A reação é urgente. Bater o Verdão, além de encerrar a turbulência, devolverá a confiança, mostrará que é possível, encontrando a regularidade, brigar por G-4 e pelo título da Copa do Brasil.

A vitória passa por uma postura diferente do elenco, comissão técnica e diretoria. A sina de encontrar desculpas conformistas para todo revés precisa ter fim. Edílson veio com a pérola de que Roger Machado faz “milagre” com o atual elenco. Seria um milagre ser eliminado pelo Juventude no Gauchão? Seria um milagre empatar com América-MG e Santa Cruz? Seria um milagre perder em casa para o Vitória ou levar quatro do Coritiba?

O elenco azul tem limitações reconhecidas, porém tem qualidade mais do que necessária para superar América, Santa, Vitória, Botafogo e Coxa. Assim, no momento em que admitir seus erros e parar de terceirizá-los, a equipe ficará mais perto dos triunfos.

Feito isso, o Grêmio já demonstrou bom futebol no Brasileirão. Confio que, isolando o conformismo, poderá repetir aquele padrão arrasador visto contra São Paulo e Corinthians. Está na hora de o Grêmio reconquistar o torcedor.

 

O maior fiasco desde a chegada de Roger

08 de setembro de 2016 69

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

O Grêmio conseguiu a proeza de levar quatro gols no primeiro tempo de uma equipe cujo único objetivo é escapar do rebaixamento. Eis o resumo do fiasco tricolor diante do Coritiba, o mais estrondoso da Era Roger.

Virão desculpas esfarrapadas, reclames contra o calendário, frases de efeito, mas, conhecendo o atual elenco, comissão técnica e direção, será difícil esperar alguma mobilização extra para compensar o vexame. A indignação com o 4 a 0
fica, de fato, com a torcida.

No Paraná, a arbitragem cometeu erros contra o Grêmio, porém seria um derrotismo ímpar colocar o fiasco na conta do apito. O Coxa foi bem e o Imortal buscou o sacode levado. Repetiu-se, foi outra vez modorrento fora de casa, sofreu novamente gol pelo alto. Pensei que não seria possível repetir a jornada naba vista contra o Botafogo. Pois o time conseguiu ser ainda pior.

A goleada confirma que o tempo passa e nosso valorizado treinador não encontra alternativas, o esquema com três volantes vai afundando. Roger Machado também não corrige defeitos vistos desde o Gauchão, quando enfrentávamos equipes que nem da quarta divisão nacional participam. O trabalho de Roger dá sinais de estagnação. Será cobrado pela direção?

Levar 4 a 0 do Coritiba só reforça o rótulo de time caseiro e escancara a derrocada no Brasileirão. A chance de título ruiu, a briga pelo G-4 vai se distanciando. Haverá humildade interna para reconhecer e corrigir os erros? Marcelo Oliveira continuará com sua cadeira cativa na esquerda? Ramiro seguirá como “alternativa” eterna para cada ausência?

Muita gente no Grêmio caiu de produção. Douglas hibernou, Edílson tem ficado mais na firula, Jaílson caiu. Walace e Luan ainda estão com a cabeça na Olimpíada. Acumulam atuações apagadas. Pelo visto, esquecem que só terão oportunidades na seleção principal se jogarem algo pelo Grêmio. Os dois acordam ou serão esquecidos.

Como o Brasileirão continua, no fim de semana o Grêmio recebe o Palmeiras. Costuma ser um leão em casa, porém será o suficiente para vencer o líder? Para bater o Galo não foi. Para bater o Corinthians foi. Com a performance recente, confesso que não estou nada otimista.

Hora de encerrar a dupla personalidade

06 de setembro de 2016 21

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

Em Curitiba, o Grêmio tem outra vez a oportunidade de provar que não se converteu em um time apenas caseiro. Vencer o Coxa dá a chance de voltar ao G-4 do Brasileirão. Quem sabe, será possível ficar mais próximo do líder Palmeiras.

Se quiser beliscar algum título na temporada, o Grêmio terá de encerrar a irritante sina de dupla personalidade. O torcedor vibra e sofre com o pêndulo tricolor, que vai de atuações vigorosas na Arena a jornadas decepcionantes longe dela.

Depois da apresentação modorrenta diante do Botafogo, o mínimo que o torcedor espera é uma postura diferente. Um Grêmio mais concentrado, compacto e propositivo. Que adiante a marcação, pressione o adversário, use os lados do campo e conclua. Que tenha o real desejo de ganhar.

O Grêmio mostrou recentemente que pode ir bem fora de casa. Ainda em agosto, bateu no Paraná o Atlético pela Copa do Brasil. É possível repetir a dose diante do Coritiba, anfitrião historicamente amargo para o Imortal.

A lesão de Maicon deve recolocar Ramiro entre os titulares. Confesso que não me agrada a escolha, mas é a convicção de Roger Machado. Aliás, o treinador vê seu ibope cair perante os torcedores com as patinadas recentes. Uma boa atuação nesta quarta-feira pode devolver a confiança para todos os azuis.