Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Luan desequilibra lá na frente

27 de maio de 2016 34

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

Perto do gol, Luan fulminou o Galo. Perto do gol, apanhou duas vezes a bola pela esquerda, avançou e finalizou com toque elegante e cirúrgico no canto de Victor. Roger Machado deve manter o guri onde ele é decisivo. O Grêmio vai agradecer.
Luan despertou, foi o cara da vitória por 3 a 0 sobre o Atlético, fora de casa, em uma partida atípica. Perdemos três jogadores por lesão no mesmo primeiro tempo em que marcamos os três gols. O Grêmio arranca com sete pontos no Brasileirão, tendo a chance de ser líder na rodada do fim de semana.
Desde o 3 a 2 sobre a LDU que o Grêmio não tinha uma performance de alto nível contra uma equipe de peso. É verdade que o Galo era reserva, mas os desfalques não eram problema do Imortal, que foi competente.
A defesa foi bem outra vez, segue sem levar gols, comandada por Geromel. Edilson melhorou o lado direito e Marcelo Oliveira marcou um belo gol ao ingressar na área como elemento surpresa, em uma tabela perfeita com Henrique Almeida.
A arbitragem ajudou ao não marcar falta na roubada de bola que originou o segundo gol. Luan recebeu e liquidou com uma toque de chapa letal. No final da primeira etapa, o guri puxou contragolpe, gingou e matou o jogo.
Insisto para que Luan continue mais à frente, na ideia do falso 9. Quando recua demais, ele apenas cisca na intermediária e desperdiça talento. Mesmo quando Bolaños voltar, a posição de Luan é mais adiantado, perto da zona de definição dos lances.
Quando Roger completou um ano na casamata azul, o Grêmio reencontrou virtudes de 2015. Tirou espaços, blindou sua área, avançou com toques precisos e verticais. Esse modelo deve ser repetido. Agora, é concentrar para domingo diante do Coxa, que costuma nos complicar em casa. Nada de salto alto. Em um Brasileirão sem bicho papão, temos condições de assumir a liderança.

Geromel terá de reabilitar Wallace

24 de maio de 2016 45

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

Pedro Geromel reabilitou Erazo, de passagem pífia pela Gávea. Geromel também terá de reabilitar Wallace, outro ex-flamenguista que tentará reencontrar seu futebol na Arena.

Em 2016, Geromel é o melhor jogador do Grêmio. Disparado. O cara azul no Brasileirão passado, Luan está fora de posição, cisca longe da área e não consegue emplacar gols ou assistências com a regularidade exigida. Selecionável, Marcelo Grohe vive temporada de falhas juvenis, já não passa segurança ao torcedor. Logo, Geromito está em alta.

Erazo chegou à Arena desacreditado, debochavam no Rio de Janeiro da opção tricolor. De fato, o gringo acha que tem mais técnica do que realmente possui, mas sabe se impor. Quando enfeita, Erazo entrega, vide o Gre-Nal do returno do Brasileirão.

Ao longo do campeonato, com a saída de Rhodolfo, o Elegante deu conta do recado ao lado de Geromel. Endureceu na renovação, foi embora e o time sentiu, já que a direção trouxe substitutos inferiores. A contratação de Wallace busca preencher uma lacuna no elenco.

O Grêmio quer repetir a história de Erazo com o baiano Wallace, 28 anos. De líder a renegado no Fla, Wallace é um zagueiro mediano, com virtudes e defeitos. Está longe de ser uma contratação aplaudida pelo torcedor, fica no campo da aposta, aliás, uma aposta cara.

O Grêmio enriqueceu e não me contaram. Quem contrata Wallace por R$ 3,2 milhões deve ter saído da política de contenção de gastos. Mesmo parcelado, é um valor acima do mercado para um atleta que passou o último ano em atrito com o torcedor e cometendo falhas.

Wallace é um jogador cascudo, com perfil de liderança no vestiário. Quem sabe ajude a desfazer a molenguice azul, decisiva nos tropeços em jogos quentes. Darei um voto de confiança ao novo zagueiro. E fico na torcida para que Geromel reabilite mais um renegado da Gávea.

Vitória na conta da defesa

22 de maio de 2016 39

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

Sofrido até o final, o Grêmio venceu a primeira no Brasileirão. Bateu o Flamengo por 1 a 0, iniciou o campeonato no pelotão de quatro pontos. É a boa notícia para uma equipe que tenta reencontrar a confiança.

O sofrimento dos minutos finais foi desnecessário, criado pela incompetência azul nas finalizações. Nosso ataque acumula quatro jogos sem uma mísera conclusão nas redes. Contra o Fla, quase comprometeu.

Depois dos 40 do segundo tempo, Pedro Rocha aprontou das suas. Driblou o goleiro e acertou a trave. Liquidaria a partida e sairia de bem com a torcida. Pedro Rocha é jovem, tem tempo para deixar de ser um exímio perdedor de gols.

O piá falhou como seus colegas. Giuliano perdeu duas chances e Luan uma, ao chutar em cima do goleiro. Everton também parou no arqueiro flamenguista. Bobô mandou para fora uma passe agudo de Bolaños.

O equatoriano ficou a tarde impedido. No primeiro tempo, entrou livre pela segunda vez no Brasileirão e errou de novo. Um atacante de milhões de dólares deve retribuir o investimento com bola na rede. Prejudicado pela fratura do maxilar, voltou sem o brilho esperado. Agora, parte para a Copa América do Centenário. Só voltará na metade do turno do Brasileirão. Espero que não repita Vargas.

Na ausência de Bolaños, Roger terá de escolher entre Douglas e Everton. Penso que está na hora de repensar Bobô, sem intimidade com o gol em jogos difíceis. Em 2016, só deixou um
contra LDU. No mais, marcou diante de equipes pequenas.

A entrada de Everton na vaga de Bobô no intervalo fez o Grêmio crescer diante do Fla. Em 10 minutos, Paulo Victor protagonizou duas defesas cara a cara, viu Giuliano acertar a trave e Fred guardar o gol do jogo.

Responsável direta pelas eliminações do primeiro semestre, a defesa resolveu. Não levou gol pelo segundo jogo seguido e garantiu lá na frente. Fred cabeceou com força na cobrança de escanteio. Fez o que o ataque não consegue. Apesar do bom desempenho inicial, necessitamos de reforços na cozinha.

Diante do Fla, Grohe não teve trabalho direto, mas quase levou um gol ridículo em outra falha em lance fácil. Geromel teve jornada de Geromito e Fred foi decisivo. Marcelo Oliveira sofreu na marcação com Rodinei. Edilson reestreou bem, acertou boas pifadas, cruzou com perigo em chance de Giuliano. Walace e Maicon já viveram dias melhores. Walace entregou passes fáceis por abusar das firulas. Aliás, erros em passes bobos do time ajudaram a levar o Fla para cima no final.

Com quatro pontos, o Grêmio arranca bem, reduz a pressão para os quatro jogos em série que virão no ritmo quinta-domingo. Ainda temos uma equipe inconstante, com virtudes e defeitos, na média do Brasileirão. Neste início sem favoritos, a ordem é acumular pontos. Começamos bem.

Posicionamento prejudica Luan

19 de maio de 2016 34

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

A falta de gols de Luan também passa pelo seu posicionamento. Ele flutua muito longe da área, longe da zona de definição do lance. Logo, cisca, cisca e vez por outra arranja uma assistência. É pouco para um dos melhores jogadores do time.

Roger Machado responde por parte da equação que afundou a performance de Luan. Para acomodar Giuliano, Douglas e Bobô, posiciona mal o guri. Bobô demonstrou que é um reserva útil. Só. Vai acabar jogando nas ausências de Bolaños, porém manter Luan longe da área para acomodar o centroavante é um erro.

Distante da área e sem explosão para enfileirar adversários, Luan se torna inofensivo. Seu posicionamento favorece o adversário. Perto da área, Luan tem mais chances de acertar um drible, clarear o lance e definir. Tem mais chances de acertar um chute, já que sua conclusão carece de potência.

Luan também tem sua parcela de responsabilidade. Hibernou nos jogos decisivos. Luan é o cara diferenciado que não resolve jogos de vida ou morte. Assim, fica no rascunho do craque. Na hora quente do semestre, ficou acanhado.

Sumir em partidas de mata-mata é um defeito de Luan, melhor jogador do Grêmio no último Brasileirão. Ele tem qualidade, dribla fácil, tem visão e sabe cobrar faltas frontais. Em 2015, foi fundamental na ótima campanha em um torneio com raras partidas com cara e cobrança de decisão.

A grande atuação de Luan pelo Grêmio foi no inesquecível Gre-Nal do 5 a 0. Foi uma vitória maiúscula, um capítulo da história do clássico, porém em mais um jogo de três pontos. Em 2016, no Gre-Nal que valia classificação na Primeira Liga, Luan perdeu um gol feito e fácil, que nos custou a vaga.

Alguém lembra de um gol de Luan em jogo decisivo de mata-mata? Nas finais de Gauchão que disputou passou em branco. Contra o Fluminense na Copa do Brasil nada de gols, diante do Juventude nada de decisivo, contra o Rosario só ciscou longe da área.

A retomada do bom futebol de Luan dependem da revisão de seu posicionamento e por uma postura mais incisiva do guri em campo.

Empate morno na estreia

16 de maio de 2016 60

Por Guilherme Mazui / @guilhermazui

A defesa segurou o Corinthians, que já não tem a força de 2015. E o ataque passou em branco ao perder chances claras. O Grêmio da estreia do Brasileirão teve papéis invertidos. Ficou no zero em Itaquera. O torcedor segue cabreiro sobre o futuro do time.

O poder de fogo tricolor é duvidoso. Bobô teve duas oportunidades, uma cara a cara com o goleiro. Bateu para fora. Considero que Bolaños, de boa atuação, rasgou a chance mais clara. Cometeu um pecado imperdoável ao atrasar a conclusão até o zagueiro chegar. É inadmissível para qualquer atacante pipocar na hora da conclusão. Se fosse mais ousado ou qualificado na frente, o Grêmio teria vencido.

Luan hibernou outra vez. Difícil lembrar da última atuação destacada do guri, que resolveu ciscar longe da área. Luan é decisivo quando se aproxima da área de definição do jogo. Assim como Giuliano. O meia é um cara esforçado que perdeu agilidade e explosão. Giuliano ficou forte demais, está pesado. Não consegue dar dois dribles em sequência para entrar na área. Ainda não justifica o investimento.

Passado o olé da Libertadores, o Grêmio foi mais valente contra o Corinthians. Ponto positivo. A moleza ficou de lado. Na mecânica, Roger Machado mudou pouco no estilo do time, que segue com a bola parada fraquinha. Desisti de esperar do Grêmio faltas e escanteios como armas no ataque. Roger fará um ano de Grêmio sem encaminhar um atributo básico de qualquer equipe vencedora.

Como terá mais uma semana cheia para trabalhar até a segunda rodada, torço para que venha um Grêmio mais ajeitado, com repertório de jogadas treinadas, com variações. Não há mais a desculpa de falta de tempo. Roger precisa mostrar trabalho, ir além das entrevistas com palavras da moda.

Não sei o que esperar do Grêmio no Brasileirão

14 de maio de 2016 39

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

Não sei o que esperar do Grêmio no Brasileirão. Falo pelo time que naufragou e pela qualidade dos adversários. O campeonato começa sem um favorito, com um amontoado de equipes em formação, muitas com escalações paupérrimas. O Grêmio de Roger Machado pode brigar no meio da tabela ou postular G-4. É difícil fazer alguma previsão.

Melhor elenco do país, o Galo poderia ser favorito. Vejo o Santos com uma boa equipe, que tem seu goleador. Quem sabe Cuca ajeite o Palmeiras e Levir encontre um Fluminense competitivo. O Corinthians de Tite deve incomodar. Aliás, nossa estreia com o atual campeão, fora de casa, é pedreira.

Estou curioso para ver se o Grêmio virá com outra postura, sem o perfil molenga dos jogos com o Rosario Central. Pressionado pelos fracassos do primeiro semestre, Roger indica mudanças na escalação. Teve tempo para treinar, experimentar, achar soluções e reencontrar um estilo intenso.

No papel, o elenco tricolor fica na média nacional. A defesa é de quem briga na metade debaixo  da tabela. Com reforços, conseguindo estancar a sangria lá atrás, tem condições de encorpar. No Brasileirão, arrancadas definem destinos. Equipes medianas, como o próprio Grêmio de 2015, ganham quatro ou cinco partidas em série e entram na briga por Libertadores.

Falando em reforços, a gestão Alberto Guerra começou derrapando. Espero estar errado, mas a contratação do lateral Edílson tem tudo para fracassar. Dispensado pelo próprio Grêmio, o lateral foi campeão brasileiro pelo Corinthians. Era um reserva que cumpria bem sua missão. Não se pode esperar protagonismo dele.

Edílson estava em um time ajeitado, com dois meias que chamavam de verdade a responsabilidade, com um volante que entrava na área, com bons zagueiros e um goleiro confiável. Ou seja, era um coadjuvante. No Grêmio, a turma do meio para frente se escondeu nos jogos da Libertadores.

Se já considero duvidosa a contratação, fiquei estarrecido com o período do vínculo: três anos. Pelas próximas temporadas teremos de engolir Edílson e Marcelo Oliveira, torcendo para que ambos tenham lampejos, jogando acima da média de suas carreiras.

Três missões para Alberto Guerra

10 de maio de 2016 48

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

Alberto Guerra assume o cargo de vice de futebol do Grêmio com três missões urgentes: encontrar um executivo competente, reforçar a defesa e mudar a postura molenga do elenco. Todas são complicadas.

Buscar um novo executivo remunerado, que entrará na vaga de Rui Costa, é a base da reforma tricolor. Identificar essa figura é um desafio em um mercado com poucos nomes. Apadrinhar um aliado político do clube será insistir no erro.

O executivo vai atrás dos reforços. Em tese, contratar zagueiros e laterais parece uma tarefa mais afável do que virar o estilo de uma equipe. Contudo, é complicado encontrar reforços de verdade em período de carestia financeira e janela de transferências fechada. Dando voto de confiança aos que chegam, imagino que seja factível buscar nomes melhores do que Bressan, Fred ou Wallace Oliveira.

A questão da postura é a mais difícil. Até o momento, o Grêmio de Roger Machado reage apenas no discurso depois dos tropeços. As entrevistas têm palavras bonitas. Só. Foi assim nos dois jogos contra o Rosario Central, por exemplo. A moleza tricolor foi o que mais revoltou o torcedor nos dois jogos da Libertadores.

A intensidade que tanto agradou no início do trabalho do nosso técnico foi arrefecendo. O Grêmio de Roger precisa reencontrar seus melhores momentos, rever titulares absolutos e criar alternativas. Auxiliado por dirigentes mais experientes, Roger tem condições de se recuperar.

Roger é melhor do que Argel?

09 de maio de 2016 50

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

Roger Machado viu do sofá Argel comemorar o hexa gaúcho. Por meses, imaginávamos que o estudioso Roger era mais treinador do que o peleador Argel. Será? Tenho minhas dúvidas, com base base no desempenho em campo. Vamos aos fatos:

- Roger classificou para Libertadores e Argel ficou no quase pelo Brasileirão
- Roger e Argel foram eliminados na mesma fase da Copa do Brasil
- Roger não ganhou Gre-Nal de Argel. Com equipes mais badaladas, perdeu um clássico e empatou outro
- Roger foi eliminado por Argel na Primeira Liga em um Gre-Nal na Arena com cara de mata-mata
- Roger caiu na semi do Gauchão para o Juventude, abatido por Argel na final.

Acredito que Roger deve permanecer à frente do Grêmio. Mas sou claro: a fase do paparico precisa ter fim. Felicitado pela campanha surpreendente em 2015, Roger ganhou merecidas manchetes pelo Brasil. Só que seu trabalho, que em outubro deu sinais de parada, definhou em 2016.

Polido nas entrevistas, adepto de termos da moda, Roger ganhou a simpatia da imprensa e da torcida, num repeteco do que aconteceu com Paulo Autuori, um técnico que foi um Rolando Lero no Grêmio. Não ganhou nada, sua equipe era inofensiva fora de casa, mas sempre tinha “conceitos” para encontrar a trilha das vitórias. Era um técnico poupado da responsabilidade pelos fracassos.

Argel, nada polido e muitas vezes grosso nas falas, lidou com a desconfiança geral e contou com erros juvenis no planejamento azul, que teve o aval de Roger. Contestado, montou uma defesa mais forte do que a tricolor e trabalhou a bola parada. Não levou um mísero gol do Juventude, que nos meteu três, e marcou duas vezes em lances de faltas laterais nas finais do Gauchão. O time de Argel tem a fome por vitórias que falta ao Grêmio.

Se achamos Argel limitado, o que devemos pensar sobre Roger? Faço a pergunta com dor no peito, porque não considero Argel um técnico de ponta. Só acho que ele é daqueles caras limitados, que não aceitam as derrotas.

Indo por outra comparação, o primeiro semestre de Roger foi abaixo do executado por Enderson Normal Moreira no Grêmio. Enderson classificou em primeiro no Grupo da Morte da Libertadores, caiu nas oitavas, chegou à final do Gauchão e levou um sacode.

Roger começa o Brasileirão com muitas interrogações sobre seu trabalho. A pressão é merecida pelos resultados, pela obviedade no estilo de jogo e pela falta de tesão da equipe que patinou em decisões. Alguns dirão que cobranças só atrapalham o clube, mas questiono: qual seria a solução? Aplaudi Roger por três fracassos? Erguer um busto para ele por não chegar à final do Gauchão?

Roger demonstrou uma vez ter potencial. Agora, ele precisa ser cobrado. Ao trabalho, Roger. Confirme a expectativa criada em 2015.

Dunga acertou ao preterir Marcelo Grohe

07 de maio de 2016 63

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

Dunga acertou. Marcelo Grohe não faz um 2016 que lhe garanta vaga na Seleção. Não pode ser considerada uma surpresa a ausência de um goleiro que acumula falhas na temporada, que não consegue sair do gol sem deixar o torcedor apreensivo.

Contra o Rosario, aos quatro minutos, nosso goleiro selecionável falhou. Rebateu para dentro do arco uma finalização em cima dele, uma bola defensável. Em uma decisão, um dos pilares da equipe errou de saída.

Em má fase técnica, Grohe tem responsabilidade no naufrágio tricolor do primeiro semestre. Errou o soco em uma cobrança de escanteio, erro juvenil que resultou no primeiro gol do Juventude em Caxias do Sul. Falhou na decisão. E ainda levou um gol defensável na partida de ida com o Rosario.

A saída furada do gol já havia chamado atenção na derrota para o São Paulo de Rio Grande, quando soltou uma bola num gol e levou um olímpico em outro. Essa performance não coloca ninguém na Seleção. Se o esquadrão verde e amarelo deve reunir os melhores em cada posição, no momento o camisa 1 gremista não está bem.

Prejudicado por uma defesa fraca, Grohe teve bons jogos, com destaque para grande atuação no empate com o San Lorenzo. Ajudou a evitar a eliminação precoce na Libertadores. O problema é que as falhas cresceram em lances fáceis, que não passam pela ruindade da defesa. Socar um escanteio para trás não depende de Fred ou Bressan.

Talvez Grohe se recupere no Brasileirão, torneio de pontos corridos e com raros jogos com tom de decisão. Nosso arqueiro, um sujeito sério e trabalhador, carrega a sina da falta de títulos e de falhas em algumas decisões, uma espécie de oposto de Danrlei.

Nosso goleiro tem potencial para se recuperar. Tem qualidade, demonstrada em outras temporadas, nas quais teve atuações de gala em série. Considero Grohe um cara humilde, que buscará a reabilitação pelo trabalho e que tem condições de recuperar a boa forma. O fato é que seu 2016 tem muito a melhorar.

Rui Costa vai tarde

06 de maio de 2016 49

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

Rui Costa se despede. Dirigente remunerado, era um jabuti colocado no poste pelo padrinho Fábio Koff. Em três anos e meio de trabalho, fez muitas contratações, investimento alto e não ganhou títulos. Vai tarde. De mãos dadas com César Pacheco, vai sem deixar saudades.

Se o Grêmio pagava o soldo do executivo, a cobrança deveria ser maior, afinal, os parcos recursos do clube eram investidos na função. A manutenção de Rui Costa por três anos e meio como executivo remunerado foi um acinte à eficiência, cicatriz de uma gestão que prega o equilíbrio financeiro. Qualquer dirigente, sem salários, seria desligado ao chegar na metade da quarta temporada sem um mísero título regional.

Confesso que nunca entendi a convicção no trabalho de Rui Costa, herança de Koff que Romildo Bolzan Jr demorou para mexer. Na política, a expressão “jabuti em cima do poste” é antiga. Vale a seguinte lógica: se jabuti não sobe em poste, é porque alguém o colocou lá com determinado objetivo. Esse alguém foi Koff. E Romildo manteve o CC azul na função, com salário de executivo de multinacional, porém sem entregar resultados.

Com experiência limitada de vestiário, mas vivência interna no clube,  o advogado Rui Costa recebeu um polpudo cargo de confiança. Como assessor de futebol, trazia no currículo a excelente arrancada tricolor de 2010, com Renato, quando fomos da zona de rebaixamento ao G-4. Não se pode dizer que Koff e Bolzan buscaram um dirigente experiente e vencedor. Investiram em um correlegionário do mesmo grupo político.

Convidado por Koff para o cargo no final de 2012, Rui Costa não conseguiu formar elencos equilibrados, com ou sem dinheiro. Quando a defesa era forte, o ataque era de asma. Quando o ataque encorpou, como em 2016, a defesa virou uma peneira. Um dirigente que busca Fred, Kadu e Wallace Oliveira para defesa em uma Libertadores deve ter sérios problemas de avaliação.

Rui Costa também acertou, como nos casos de Wendell e Geromel, seu grande trunfo. Trouxe Rhodolfo, então escanteado no São Paulo. Ainda viabilizou contratações difíceis, vide Vargas e Bolaños. Contudo, contratou Cris, André Santos, Welliton, Fred, Kadu, William José e outros.

Caso o Grêmio decida manter o cargo remunerado, espero que mire na competência e na experiência, sem camaradagens políticas. Pagar salários para outro aliado será insistir no erro.

É importante frisar que apenas sacar Rui Costa e Pacheco será insuficiente. Atletas afinaram em 2016, Roger Machado fez um semestre decepcionante, com falhas de seu trabalho de campo. Creio que Roger deva permanecer, mas sem paparicações e com as merecidas cobranças no lombo. O Grêmio também precisa mudar sua forma de jogar e, principalmente, sua postura conformista.