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Posts com a tag "Felipão"

O excesso de bruxos afunda o Grêmio

04 de maio de 2015 99
Fellipe Bastos, o bruxo que entregou o Gre-Nal. Foto: Marcelo Oliveira

Fellipe Bastos, o bruxo que entregou o Gre-Nal. Foto: Marcelo Oliveira

Por Guilherme Mazui / @guilhermemazui

Felipão é o técnico mais vitorioso da história do Grêmio. Mas é um técnico que também erra, algo que o presidente Romildo Bolzan teima em não ver. E o treinador multicampeão tem muita responsabilidade na perda do Gauchão. Inclusive, morreu abraçado em uma convicção chamada Fellipe Bastos. Morreu com seu bruxo.

Há uma série de atenuantes para o trabalho de Felipão. Falta dinheiro, o elenco é limitado em número e qualidade, a seca de títulos conturba o ambiente. Porém há outra série de fatores que são erros do treinador: armou um time devagar e óbvio, indicou reforços fracos (Braian Rodríguez) e insistiu no displicente Fellipe Bastos que entregou um gol no Gre-Nal.

O padrão de jogo quem define é o técnico diante de suas possibilidades. E Felipão optou por um time lento, com infindáveis toques de lado, o futebol tico-tico que a Seleção já apresentava, o futebol que toca bola até a providência divina abrir a defesa rival. No Brasileirão, o elenco era maior e a obviedade a mesma. Por mais limitado que seja o grupo, o treinador opta por velocidade ou lerdeza. No caso tricolor, optou-se pela lerdeza.

O Grêmio precisava de um gol no segundo tempo do clássico de domingo e quase não chutou, cavou poucos escanteios, apenas rondou a dois por hora a área vermelha com toques para trás e tabelas que não saem do lugar. Esse erro é do técnico que monta a equipe com essa filosofia. E Felipão usa a crise financeira como escudo.

Se quisesse um time mais veloz, Felipão teria indicado à direção contratações diferentes. Quem indicou Douglas, apagado nas finais? Quem indicou Braian Rodríguez, o centroavante de um gol no Gauchão? Quem manteve Braian em campo? Quem indicou Galhardo, o lateral que era reserva do Bahia? O Grêmio tem moedas contadas e buscou reforços lentos.

Felipão também errou com Fellipe Bastos, sua paixão. Há meses afirmo que o titular é Walace, garoto da base que protege bem a defesa e joga simples. Pois o técnico opta pelo seu bruxo, um volante carimbador e displicente. Fellipe Bastos errou um passe ridículo na final por ser confiante demais, por excesso de soberba. É um estilo boleirão que só atrapalha o time.

Observem jogos de exímios passadores, como Xavi, Iniesta e Kross. Sem comparar a qualidade técnica do trio com a do volante gremista, chamo atenção apenas para o estilo do passe, sempre rasteiro e firme. É passe simples e certeiro, passe para acertar, passe sem firula. Já Fellipe Bastos escora o pé na bola com leveza, patinha virada, fazendo mãozinha. A bola rola devagar e Nilmar a rouba. Se os melhores simplificam, por que nosso pseudo craque inventa? E quem escala este gênio que foi rifado do Vasco? Felipão.

Se Felipão tem poderes absolutos no clube, o erro é do presidente Romildo Cortando Despesas Bolzan. Romildo chancela os erros de avaliação da montagem do elenco, logo, naufraga junto com seu treinador. Romildo parece não entender que dirigir o Grêmio é mais complexo do que Osório ou o PDT-RS. No Grêmio não deveria haver espaço para camaradas em funções estratégicas.

Até hoje ninguém sabe ao certo as funções de Murtosa e Ivo Wortmann na comissão técnica, que mais lembra um grupo de carteado, uma confraria de amigos do Felipão. Pela produção do time, seus trabalhos pouco acrescentam.  Portanto, se o presidente quer tanto sanar as contas, poderia começar cortando peças que não justificam sua permanência.

Falando em bruxismo e camaradagem, chego ao diretor remunerado Rui Costa. O que fez em duas temporadas e meia? Nada. Rui Costa recebe polpudo salário de executivo de multinacional para errar, errar e errar. Fracassou em três Gauchões, duas Libertadores, dois Brasileirões e duas Copas do Brasil. Com dinheiro, montou equipes desequilibradas. Sem dinheiro, que serve de escudo para qualquer tropeço, só Romildo sabe a sua utilidade. Em uma empresa séria, teria sido demitido há anos.

Rui Costa é um camarada do grupo político de Fábio Koff. Ganhou o cargo por ser correlegionário. Com a política como analogia, levou um excelente cargo comissionado por ser do partido que venceu as eleições. Rui Costa não foi buscado em outro clube porque fez um excelente trabalho, ajudou a montar uma equipe enxuta e eficiente. Seu currículo não justifica o salário gordo. Então, se Romildo pretende sanar as finanças, é bom parar de rasgar dinheiro em um dirigente remunerado que não produz.

Faço este desabafo como gremista frustrado por um novo tropeço, chateado pela falta de perspectiva. O torcedor deve acreditar, desejar que o impossível seja possível, incentivar. Mas fica difícil com tanto bruxismo dentro do clube. Ou o Grêmio cobra eficiência, ou seguirá anos na fila.

Walace deve ser titular do Grêmio

26 de fevereiro de 2015 47
Walace virou reserva de Oliveira e Bastos. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Walace virou reserva de Oliveira e Bastos. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui | @guilhermemazui

Algumas coisas juro que tento, mas não consigo entender no Grêmio. O clube tem Walace, um volantão de 19 anos, 1m88cm de altura, boa técnica e titular da seleção brasileira sub-20. Uma promessa que o Imortal não pretende vender por menos de 8 milhões de euros. Pois Walace é reserva de Felipão. Viu os últimos jogos do banco, enquanto Fellipe Bastos erra um passe atrás do outro.

Walace voltou da seleção, foi titular contra o Xavante e desde então amarga um banco. Entrou contra o Passo Fundo e apenas aqueceu ao lado do gramado diante de Veranópolis e Juventude. ​O Grêmio é o único clube do mundo que valoriza suas promessas deixando-as sentadas na casamata. Douglas Costa foi um eterno reserva. Ronaldinho foi reserva de Itaqui.

Walace é titular deste Grêmio, deve ser titular no Gre-Nal. Walace pode proteger a defesa com a qualidade que ela necessita. Walace tem futuro. Walace precisa jogar. Mas nosso técnico pensa diferente. Para Felipão, o jovem Araújo é titular. Walace, nome de seleção sub-20, fica no banco. É louvável a oportunidade para Araújo, mas Walace joga mais.

Para Felipão, Walace está atrás na disputa por posição com o“polivalente” Marcelo Oliveira, um esforçado jogador, nada além disso. Marcelo chegou ao seu ápice técnico. Já Walace tem potencial para crescer, afinal, seria uma promessa de 8 milhões de euros.

Para Felipão, Walace deve permanecer no banco, observando Fellipe Bastos, a patada sem direção da Arena. O ex-vascaíno atrapalha a dinâmica de jogo do Grêmio. Ele recebe, domina e devolve a bola em câmera lenta. Ele retarda o jogo. Ele erra passes curtos. Ele erra lançamentos longos. Ele isola todo chute de longe. Ele jamais acerta uma cobrança de falta.

Alguém mentiu, e Fellipe Bastos acreditou que sabia cobrar faltas de longa distância. O Grêmio também crê nesta lorota. O volante fez 21 jogos pela equipe em 2014. Nenhum mísero gol, apenas duas assistências. Em 2015, são sete partidas, nada de gols e uma assistência.

Se o Grêmio analisasse as estatísticas com seriedade, Fellipe Bastos seria proibido de chutar de longe – com bola parada ou rolando. Nosso “batedor de faltas” tem 28 jogos pelo clube sem jamais ter acertado o alvo. Contra o Juventude, os petardos paravam quase fora da Arena. Pois Fellipe, que pertence ao Vasco da Gama e já rodou um bocado sem se firmar, é dono de posição no Grêmio.

Juro, colegas, que tento entender algumas decisões do Grêmio. Juro que tento entender como um reserva de Marcelo Oliveira e de Fellipe Bastos será vendido por mais de 8 milhões de euros.

Procura-se um volante que saiba marcar e atacar

23 de janeiro de 2015 38
Ramiro é titular absoluto há dois anos. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Ramiro é titular absoluto há dois anos. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui | @guilhermemazui

Os primeiros amistosos da temporada pouco indicam, apenas arrancam sorrisos ou apupos do torcedor. O desempenho tricolor não foi alvissareiro. E despertou dúvidas sobre a vocação ofensiva ou defensiva para 2015.

Felipão acerta ao tentar livrar o time dos grilhões dos três volantes. Canso de dizer que, em trios de volantes, pelo menos um deve ter condições de chegar à frente e concluir com regularidade. O oposto dos tricolores. Riveros fez seis gols em dois anos. Pouco. Ramiro fez três gols na temporada passada. Quase nada.

A tarefa de Felipão não é simples. Ele tentou em meio ao Brasileirão e desistiu. Há dois anos o time acostumou-se a jogar por uma bola, a política do meio a zero. A defesa se destaca pela proteção excessiva, que impacta nos números tristes do ataque.

Felipão terá de mudar uma cultura impregnada no clube e no atual elenco. Mudança que pode expor demais lá atrás, como ocorreu na vitória magra sobre o Gramadense e no empate com o Novo Hamburgo. O Bigode saca um volante, o meio-campo ainda ganha Douglas e o poder de marcação se foi. E agora? Fecha o time de novo ou segue mais aberto? Como o Brasileirão só começa em maio, há tempo para resolver o problema.

Se a equipe têm dificuldades em rever o esquema, seria prudente a direção buscar no mercado o tal volante moderno (nem tão moderno assim, na verdade, um volante completo). É um estilo Tinga na mocidade, Elias do Corinthians, Ramires do Chelsea. É um meia que chega na área e que sabe marcar feito volantão. Fica até difícil defini-lo.

É uma peça difícil de se encontrar, mas a direção existe para resolver. Precisa ir ao mercado, nacional e latino, em busca de um jogador capaz de marcar e atacar com eficácia. Do contrário, se Felipão não conseguir equilibrar o time, ficaremos mais um ano dependendo de volantes que só sabem marcar e que são apenas esforçados na frente.

Repito que é um jogador difícil de se buscar, mas vale procurá-lo. Caso alguém conheço um, por favor, indique-o a Romildo Bolzan, Rui Costa e Luiz Felipe Scolari.

Sobre arbitragem e conformismo

25 de novembro de 2014 84
Felipão tem motivos para reclamar. Mas também pecou. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Felipão tem motivos para reclamar. Mas também pecou. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui

Felipão reclama da arbitragem, fala em complô contra o Grêmio. Evidente que há exagero na fala, mas o técnico não perde toda a razão. O Grêmio foi, de fato, prejudicado nesta reta final do Brasileirão. E o prejuízo veio em ajuda ao rival.

Praticamente classificado à Libertadores, o Inter agradece o apito amigo. Levou quatro dos últimos sete pontos com ajuda da arbitragem. O Grêmio foi severamente prejudicado, teve 2015 comprometido pelos erros indiretos.

A direção colorada deveria mandar uma farta cesta de Natal para a comissão de arbitragem da CBF. Cesta recheada com panetone, castanha, chocolate suíço, espumante e um cartão com a seguinte mensagem: “Obrigado pelos valiosos préstimos. Que a parceria continue em 2015. Boas festas”.

Um gol em impedimento de Paulão contra o São Paulo, dois pênaltis sonegados do Atlético-MG. Quatro pontos, que derrubariam os rivais do quarto para o sexto lugar, de 63 para 59 pontos. O Inter ficaria atrás do Grêmio sem os erros recentes de arbitragem.

É muita parceria na hora derradeira do campeonato, são erros em série que desequilibraram a disputa por G-4. Se você fosse o técnico do Grêmio, conseguiria não reclamar?

Vamos além, vamos ao Corinthians. Se você tivesse de engolir o Corinthians jogar com o Goiás em Belém, logo, em campo neutro, não reclamaria? Se você presenciasse o Corinthians escalar um jogador de forma irregular e ser poupado pelos STJD de uma punição, ficaria quieto?

Entendo a raiva de Felipão, pois o gringo fez trabalho para chegar ao G-4. E foi derrubado, em parte, pelos erros de arbitragem nas rodadas decisivas do campeonato. Não vi erros graves em jogos do Grêmio, mas em jogos que interessavam ao Grêmio. Isso é inadmissível, pois quebra a isonomia do certame. Pode não ser complô, pode ser ruindade da arbitragem mesmo. Mas é dose acreditar em ruindade seletiva.

Digo que Felipão foi derrubado “em parte” do G-4 pelos erros indiretos de arbitragem, porque há parcela de culpa no técnico e nos seus jogadores. Ao longo do Brasileirão, reclamei demais do conformismo tricolor. Pois aceitar empates contra adversários fracos nos tirou da Libertadores.

Fiquei furioso com os empates diante de Goiás e Coritiba, perdemos quatro pontos. Fluminense, Inter, Corinthians. Todos visitaram e venceram o Goiás, um time que passeava no campeonato. O Grêmio empatou em um jogo sem graça e bateu palmas. E não adianta falar que o histórico é ruim no Serra Dourada. É questão de postura, de perfil vencedor, de querer ganhar. O conformismo freou o time na tabela.

É o mesmo conformismo das derrotas em casa para São Paulo e Cruzeiro. Diretoria, comissão técnica e jogadores elogiam a qualidade do elenco adversário, lamentam com meias palavras e seguem a vida serenos. “É do jogo”, dizem alguns. “Faz parte”, emendam outros. Não! Perdemos seis pontos em casa no momento quente do Brasileirão, uma tragédia que também nos tirou da Libertadores.

Achar um tropeço em casa normal é postura de Enderson Moreira, é postura de quem não quer ganhar, de quem se contenta em continuar no emprego bem remunerado.

Bueno, retornando ao início do texto, concordo que o Grêmio foi severamente punido pela arbitragem. Porém, o Grêmio pecou em sua parte, não soube se precaver dos erros. Foi conformista quando não poderia ser. Pagou por seus erros e pelos erros (bem ou mal intencionados) dos outros.

Cinco vitórias ou nada

29 de outubro de 2014 38
Faça alguma coisa, Felipão. Sem conformismo (Foto: Lucas Uebel, Facebook do Grêmio)

Faça alguma coisa, Felipão. Sem conformismo. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui

ZH faz projeções para as sete rodadas finais do Brasileirão. Indica a vaga na Libertadores entre 61 e 66 pontos. Creio que o passaporte ficará em 64. Se o Grêmio é sétimo colocado com 51 pontos, precisa de cinco vitórias para classificar sem sofrimentos. Desempenho acima da média da equipe.

Por ser acomodado, o Grêmio vai ficando para trás na tabela. Bate palmas para empates contra os fracos Goiás e Coritiba, enquanto rivais vencem jogos verdadeiramente complicados fora de casa. A fase amiga da tabela termina no próximo sábado, quando recebemos o Vitória. Depois, quatro grandes em seis rodadas, a começar pelo Gre-Nal.

O desempenho atual será insuficiente. Com sorte, será viável se um dos mineiros levar a Copa do Brasil, o que assegura G-5. Para erguer o desempenho, será preciso amassar mais, ser mais incisivo. É o mesmo dilema da temporada passada: atacar mais ou manter o ferrolho que só chega ao G-4? A nova Era Koff fica notabilizada pela política do meio a zero dentro de campo.

É o momento de bancar Alan Ruiz no time, de arriscar novas chances para Erik. Se Luan ressona em campo, banco. Não gosto do trio de volantes, mas será complicado revertê-lo de imediato. O problema é ter três volantes medianos em campo. Fellipe Bastos, que começou bem, ficou molenga, não agrega muita coisa.

Além das limitações verificadas ao longo da temporada, o que mais me preocupa é o postura. Não vejo o Grêmio com a faca nos dentes, com a mobilização necessária para encarreirar vitórias na reta final. Felipão manifesta que, se elas vieram, ótimo. Caso contrário, começamos sem Libertadores em 2015, é da vida. É o conformismo impregnado.

Felipão precisa agir mais. Tem desempenho inferior ao de Renato. O mito não vive apenas de passado, do que fez um dia. Precisa de novos feitos no currículo. O discurso conformista, comungado pelo treinador, desanima. Felipão voltou para fazer o Grêmio voltar a vencer. Não para aplaudir empates insossos contra Goiás e Coritiba.

Vai acontecer novamente (assim espero)

16 de setembro de 2014 32

Por Guilherme Mazui

Gurizada, escrevo na edição desta terça-feira de ZH na coluna De Fora da Área. Tratei do primeiro mês de Felipão no comando do Grêmio. Reproduzo o texto aqui no blog para debatermos.

***

Felipão tem começo promissor. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Felipão tem começo promissor. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Corria uma preguiçosa e chuvosa terça-feira de julho em Santa Cruz. Dia de férias, desfrutava da sesta dos justos. Acordei, espreguicei-me, ouvi a chuva, apanhei o celular. Pipocavam mensagens. Só precisei ler a primeira.

- Ôô, o Felipão voltoou!

Deixei o quarto emocionado, anunciando pela casa a boa-nova. Quase matei do coração minha santa abuelita, tão tricolor quanto eu, que tricotava na sala. Azar do 7 a 1, os críticos do gringo não pagam minhas contas. Passei a recordar lances épicos, como a patada de Aílton contra a Lusa, quando quase pulei da sacada na comemoração.

Na apresentação do técnico dos técnicos, olhos marejados por rever, 18 anos depois, o ídolo outra vez no clube. O primeiro jogo, apesar do resultado, foi emocionante, assim como a primeira vitória, 2 a 0 no Criciúma. Triunfo que amanhã completa um mês.

Já vivemos boas e más e jornadas, além de polêmicas na arquibancada e nos tribunais. Passados nove jogos, desponta um trabalho promissor: cinco vitórias, um empate e três derrotas.

Felipão definiu um padrão que nasce da defesa. Reabilitou Zé Roberto na esquerda, substituiu a trinca de meias que só troca passe lateral por um trio de volantes. Bancou Fellipe Bastos e dá chances a Biteco. Ainda teima com Ramiro, mas acredito que o rapaz terá o mesmo destino de Werley. O Bigode insistiu no zagueiro, que costuma falhar pelo alto. Tomou na paleta e escalou Geromel. Já são quatro sem ser vazado.

Felipão também despertou Barcos, que fica mais na área e faz menos firulas aos finalizar. Logo, recuperou o prumo. Mesmo com a boa fase do argentino, ataque, criação e bola parada precisam melhorar. São sete gols em nove partidas.

A bola parada é frustrante, não acertamos um cruzamento. A criação não cria, Giuliano patina, Ruiz foi esquecido, Luan oscila. A produção ofensiva vive da correria de Dudu e da busca por Barcos na área. Vive mais do esforço do que da inspiração.

É evidente que gostaria de ver um repeteco instantâneo das conquistas dos anos 1990, mas a realidade exige trabalho e repetição. Felipão já colou nos calcanhares do G-4, voltou a cerrar os dentes do time, reanimou o torcedor.

A cada jogo, é como se os tricolores mentalizassem: “vai acontecer de novo”. Pelo desempenho atual, digo: é possível. Só teremos de ter paciência.

Fellipe Bastos é titularíssimo

17 de agosto de 2014 73
Fellipe Bastos foi muito bem na Arena. Foto: Ricardo Duarte

Fellipe Bastos foi muito bem na Arena. Foto: Ricardo Duarte

Por Guilherme Mazui

Fellipe Bastos foi o melhor em campo na boa vitória sobre o Criciúma, 2 a 0. Fez algo raro para um volante tricolor nos últimos tempos: marcou com intensidade, conseguiu roubar bolas, trocou passes curtos e, o que considero um avanço, acertou lançamentos. Ajudou a tornar mais vertical um Grêmio que apresentou melhoras.

A boa atuação no Gre-Nal e o partidaço contra o Criciúma garantem a condição de titular a Fellipe Bastos. O volante é uma escolha de Felipão, que começa a acertar a mão, que consegue, aos poucos, dar sua cara ao time. Bastos, um refugo do Vasco, tem a cara de jogador renegado que Felipão sempre soube fazer render.

Confira a tabela de classificação do Brasileirão

Resmunguei com a escalação antes do jogo, em especial pela ausência de Giuliano (que entrou sem brilho e perdeu um gol feito) e pela volta da trinca de volantes. Pois Felipão acertou. Inclusive, joguei a toalha: o Grêmio fica melhor com um trio de volantes do que com um trio sonolento de meias (com as mais variadas escalações), que pouco marca e pouco cria, que passa a tarde a trocar passes sem apetite de gol.

Neste contexto, Fellipe Bastos qualifica o trio de volantes. É diferente da formação antiga com Edinho, Riveros e Ramiro. O novo titular passa melhor e conseguiu municiar o ataque. Avançou junto com Riveros em muitos lances, tendo Ramiro mais recuado (penso que Wallace faz melhor essa função). Espero que Fellipe Bastos consiga manter a performance.

Felipão pediu alma e teve um time aguerrido, liderado por Rhodolfo na defesa. E, além de alma, o Grêmio teve uma postura mais vertical, sem aquelas trocas de passe intermináveis e modorrentas. Luan teve uma jornada mais feliz, marcou gol. Ainda pode melhorar.

A equipe usou a velocidade de Dudu,autor do passe que resultou no pênalti em Lucas Coelho, que, por sinal, aproveitou bem sua oportunidade. Atacante emergente vira titular por entrar e fazer gols, como Lucas fez em um lance de pura personalidade, ao optar por um chute, quando o melhor seria um passe. Mérito seu.

Outro acerto de Felipão foi a escolha de Zé Roberto na lateral-esquerda. Aos 40 anos, Zé joga mais do que Breno e Marquinhos Pedroso. Discreto, acertando passes e colocando os guris para correr, parece ser mais útil ali do que no meio-campo. Já Matías Rodriguez foi discreto no apoio e teve dificuldades na marcação. Pelo visto, volta Pará.

Apesar dos devidos descontos em virtude da qualidade do Criciúma, um postulante ao Z-4, gostei do Grêmio. O mesmo Criciúma complicou São Paulo e Cruzeiro. Agora, teremos duas pedreiras pela frente, Cruzeiro fora de casa e Corinthians na Arena. Dois jogos que darão mais clareza sobre o real nível do time.

Em suma, gostei do que vi na Arena. O Grêmio começa a ter a cara de Felipão.

Esqueçam a Copa do Brasil (também)

11 de agosto de 2014 111
Felipão estreou com derrota. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Felipão estreou com derrota. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui

Passada a nova derrota no Gre-Nal, vejo a torcida esperançosa com a Copa do Brasil, mirando uma campanha de meio de tabela no Brasileirão e uma taça no torneio de mata-mata, especialidade do clube (um dia foi) e de Felipão. Fácil, um roteiro pronto. Que só falta combinar com os outros 15 classificados às oitavas da Copa do Brasil.

Com a atual bola furada do Grêmio, título é utopia, é discurso populista e diversionista, uma forma de fugir das carências do time, típico do companheiro Rui Costa. Hoje, nossa principal preocupação deve ser a fuga do Z-4.

Nossa curva atual é para baixo. Desde o término da Copa, o Grêmio tem desempenho de rebaixado. Em 15 pontos disputados, somou quatro. Recebeu a barbada de encarar em série Goiás e mais três habitantes do Z-4. Desperdiçou a chance.  Já acumula três derrotas seguidas, estacionou nos 19 pontos, a seis do Botafogo, primeiro time da zona da degola.

Vencer o Criciúma domingo, na Arena, virou primeira necessidade. Depois, visitamos o líder Cruzeiro, missão ingrata até nas melhores fases do Grêmio, recebendo na sequência o Corinthians. Portanto, se o clube não fincar os pés na realidade, se continuar a crer na magia de Felipão/Koff com a Copa do Brasil, manterá a queda livre na tabela.

O clássico deixou claro que não há magia no futebol, que a simples volta de Felipão, escoltado por Fábio Koff, não fez o time passar a produzir o futebol que há meses não produz. O gringo na casamata não ressuscitou, feito um Lázaro, a geração de Danrlei, Dinho, Jardel e Paulo Nunes. Acreditar em milagre é diminuir a competência do campo. São raros os retornos com sucesso, vide o próprio Felipão na Seleção, Carlos Bianchi no Boca Juniors e por aí vai.

A nova derrota no Gre-Nal só ressaltou carências e erros mais conhecidos do que a estátua do Laçador. O Grêmio se tornou um arremedo de time, no qual Pará e Ramiro são onipresentes. Felipão estreou errando. Errou ao improvisar Pará e Ramiro, que pouco rendem em suas posições originais. Errou ao escolher Werley, um zagueiro que sistematicamente erra o tempo de bola, a exemplo do que ocorreu no primeiro gol colorado.

Felipão não é infalível, terá muito trabalho pela frente. E falar apenas no estado anímico, que preocupa, é maquiar a realidade. Falta futebol, consistência, lances ensaiados, variações e qualidade técnica a um elenco que cobra muito dos nossos combalidos cofres e entrega pouco em campo. Discutir somente a apatia é um erro.

Antes de sonhar com o fim do jejum de títulos, é preciso preparar o time para erguer uma taça. O Gre-Nal deixou claro que não temos condições de postular, nem sequer, o charmoso Gauchão.

Por ora, esqueçamos a Copa do Brasil. Brigar pelo título será consequência de uma melhora que desejamos, uma melhora gradual e difícil. Mágica, mística e tradição não ganham jogo.

Repito, com o desempenho atual, nossa corrida de momento é pelos 50 pontos no Brasileirão.

Pela volta do Grêmio bom de jogo e bom de briga

09 de agosto de 2014 21
Felipão no comando outra vez. FOTO: Lucas Uebel/Grêmio

Felipão no comando outra vez. FOTO: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui

Buenas, gurizada, voltei da temporada de férias. Duas semanas de um sobe e desce de emoções tricolores, que culminam no clássico deste domingo. Como todo gremista, estou mais do que ansioso para ver Felipão retomar sua história no clube diante do nosso grande rival. De preferência com vitória, que acredito ser plenamente possível.

A volta ocorre em um Gre-Nal no Beira-Rio, 18 anos depois de uma vitória inesquecível, 2 a 1, com direito a gol de bicicleta de Paulo Nunes. Seria mágico outro triunfo daqueles (deixo vídeo lá embaixo para inspirar).

Tenho gravado na memória o clássico do Brasileirão de 1996. Tinha sete anos, morava em São Gabriel e voltava de carro com meus pais de São Francisco de Assis, onde residem meus avós. Sofrendo no rádio, acomodado no banco de trás de um Monza, torcia e rezava pelo meu Grêmio. A narração elétrica acelerava a pulsação e fazia minha mente fervilhar tentando visualizar cada lance do Beira-Rio.

Paulo Nunes marcou de bike um gol antológico, seguido de comemoração também antológica: fez o saci na casa rival, marcou o clássico com sua irreverência, tudo descrito no rádio. Alegria que durou até o empate colorado. Fiz careta, dei soco no banco do carro, resmunguei. Ameaça de choro interrompido por um petardo de Dinho. Vitória, vitória, Grêmio, Grêmio! Cheguei em casa e corri até a TV, só desligada depois de ver e rever os lances em todos os programas esportivos da época, maratona repetida no dia seguinte.

Bike antológica de Paulo Nunes. FOTO: Arquivo ZH

Bike antológica de Paulo Nunes. FOTO: Arquivo ZH

O feito de 1996 serve de motivação, precisamos da irreverência de um Paulo Nunes sem medo de arriscar uma bicicleta, da liderança de um Dinho que jamais aceitava a derrota. Contudo, o calendário correu. O passado inspira, mas é o presente que realiza novas façanhas.

A exemplo de todo torcedor fervoroso, fico na esperança de narrativas épicas (como o Caue descreveu no post anterior) que raramente conseguem se materializar. Mais do que esperançoso, sou convicto do trabalho bem feito. E minha esperança e animação pela volta de Felipão residem na sua capacidade. Felipão ergueu as taças que ergueu pelo Grêmio, venceu os Gre-Nais que venceu por ser capaz. Mesmo questionado, chamuscado no pós-Copa, tem condições de repetir o feito.

Pode ser mera impressão, uma atenção maior da cobertura esportiva, mas fiquei com a ideia de que Felipão trabalhou muito durante a semana. Treino fechado, testando alternativas para manear os pontos fortes colorados, caprichando na bola parada. Gosto do Grêmio que conversa pouco, trabalha muito e joga mais ainda.

Felipão faz mistério, pode ir com Pará na direita ou na esquerda, pode ir com três volantes ou três zagueiros. Apesar das dúvidas, não teremos um Grêmio faceiro em campo, tampouco apático. Será um Grêmio que marca, que morde, que tira os espaços dos melhores talentos do rival.

Espero que seja um Grêmio que não considere “normal” um novo revés, um Grêmio que faça do Gre-Nal sua cruzada. Se for vibrante e capaz de atacar com qualidade, será como o Grêmio dos anos 1990, o Grêmio bom de jogo e bom de briga, o Grêmio peleador. Será, no presente 2014, como aquele time que me deu tantas alegrias em 1996.

Felipão merece nosso carinho e admiração

15 de julho de 2014 69
Na ruim, Felipão merece nosso apoio. FOTO: Lucas Uebel/Grêmio

Na ruim, Felipão merece nosso apoio. FOTO: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui

O fiasco na Copa do Mundo catapultou Felipão da Seleção. O pai do penta saiu com a imagem vencedora abalada, metralhado por críticas que partem de cada palmo do país. Pois no Grêmio, Felipão tem admiração e carinho. O Grêmio é sua verdadeira casa. E somos gratos por muitas faixas no peito e taças no armário. Na fase ruim, temos de apoiá-lo.

É provável que o gringo seja o maior técnico da história tricolor. Fez dos anos 1990 uma década mágica – Libertadores, Recopa, Brasileirão, Copa do Brasil e dois Gauchões sob a sua batuta.  Se contarmos outros trabalhos por clubes e seleções, é o técnico mais vitorioso do futebol nacional.

Concordo que o Brasil foi um arremedo de time na Copa. Treinou pouco e mal, não tinha variações de jogadas, apresentava alergia à linha de fundo, andava perdido em campo, o que ficou visível nas goleadas para Alemanha (7 a 1) e Holanda (3 a 0). Felipão ainda foi uma tragédia nas entrevistas. Ele é alvo de críticas justas pelo desempenho, porém, merece respeito. E o carinho dos gremistas.

Já que Scolari ganha nosso carinho, poderia voltar a trabalhar no clube? Se Felipão não é mais técnico da seleção brasileira, significa que está no mercado. A família pede para que ele fique um tempo de molho,  mas o gringo, que está mordido, é amigo do presidente Koff. Aceitaria um convite para regressar ou vai se aposentar? Seria uma boa voltar, devolveria o Grêmio ao caminho dos títulos? Teríamos dinheiro para bancá-lo?

Ao analisar a possibilidade, outras dúvidas pipocam. O Felipão atual é um técnico ultrapassado, como definem depois da Copa? Teria espaço no Grêmio em outra função? Tenho minhas dúvidas, pois não vejo no gringo a paciência para encarar a rotina de treinos diários e jogos bissemanais nos clubes. Por isso, consulto vocês. Quero ouvir a gremistada. O que acham?

Temos muitos exemplos de retornos de técnicos consagrados que terminaram mal, a exemplo do próprio Scolari na Seleção. Seu regresso ao Palmeiras teve um título da Copa do Brasil e um rebaixamento. Carlos Bianchi, três Libertadores com o Boca Junior, não repetiu nem de perto a performance.

Cogitando ou não retornar ao Grêmio, Felipão se transforma em fantasma para Enderson Moreira. Caso Tite não feche com a Seleção, serão dois. É salutar que o atual treinador saiba que a pressão aumentou e faça o time jogar. Só com resultados de campo Enderson permanecerá.

>> Felipão no Grêmio
Libertadores 1995
Brasileirão 1996
Recopa 1996
Copa do Brasil 1994
Gauchão 1987, 1995 e 1996