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Em busca de mais nove vitórias

30 de setembro de 2014 27
Felipão pode voltar à Libertadores 20 anos depois do bi. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Felipão pode voltar à LA 20 anos depois do bi. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui

Outubro bate à porta com o Grêmio firme na disputa por vaga na Libertadores. Imaginem a mobilização provocada por ver Felipão na casamata tricolor 20 anos depois do bicampeonato da América. Seria épico.

Com os últimos meses de futebol de 2014, chega o momento de fazer contas e secar rivais - sem esquecer do principal, ganhar os próprios jogos. Desde que o Brasileirão é disputado por 20 clubes, jamais um classificado à Libertadores, mesmo em anos com G-5, somou menos de 60 pontos. Quem ultrapassou os 65 jamais ficou de fora.

O Grêmio tem 43 pontos, em quinto lugar, mesma marca de São Paulo e Atlético-MG, terceiro e quarto colocados. Pela comparação com outras temporadas, teríamos de somar mais 23 pontos. Logo, com oito vitórias nas 13 rodadas que restam, estaremos na Libertadores. Nove vitórias e a chance de vaga direta é enorme. Desejo os nove triunfos para não deixar margens de erro.

A performance exige a manutenção da regularidade dos últimos jogos, algo difícil. Porém, a missão pode ser facilitada. Sou Cruzeiro desde criancinha na Copa do Brasil. Melhor, desejo uma final mineira, diante do Galo. Quem sabe contra o Corinthians. Se algum postulante ao G-4 vencer a Copa do Brasil, teremos G-5.

Já na Sul-Americana é prudente secar os Brasileiro: São Paulo, Bahia, Vitória e Goiás. Além de toda secação, o mais importante é o Grêmio ganhar seus jogos. A começar pelo São Paulo, sábado, na Arena. Bora lotar o estádio!

>> Último classificado à Libertadores
2013 – Botafogo 61p (quinto Vitória 59)
2012 – São Paulo 66p (quinto Vasco 58)
2011 – Inter 60p (sexto São Paulo 59)*
2010 – Grêmio 63p (quinto Atlético-PR 60)
2009 – Cruzeiro 62p (quinto Palmeiras 62)
2008 – Palmeiras 65p (quinto Flamengo 64)
2007 – Cruzeiro 60p (sexto Grêmio 58)*
2006 – Paraná 60p (sexto Vasco 59)*
* Brasileirão com G-5

O discurso Obino

02 de maio de 2014 79
Fibra para agir, presidente, sem enrolar. FOTO: Mauro Vieira

Fibra para agir, presidente, sem enrolar. FOTO: Mauro Vieira

Por Guilherme Mazui

Para Enderson Moreira, ser goleado no Gre-Nal não é vexame. Para Fabio Koff, o time leva surra no Gauchão e cai nas oitavas da Libertadores, mas o saldo do ano não é tão negativo. E, para Rui Costa, com certeza o atual grupo vai conquistar um título. Uma estratégia discursiva que lembra Flávio Obino. Estou com medo do Brasileirão.

Todos lembram do nada saudoso presidente Flavio Obino, correto? O gado atolando e o mandatário falando em melhor ônibus e site. Em suma, em vez de agir, ele sempre buscava algo positivo, uma forma de amenizar a triste realidade. Estratégia que parece guiar os discursos recentes (incluo aqui a imortalidade de Paulo Odone).

Tenho todo respeito e gratidão por Koff, mas as entrevistas recentes terminam com a paciência. Koff pede “perdão ao torcedor”, um acerto, e depois coloca a culpa da queda na Libertadores no Gauchão. O Grêmio se desgastou no “cafezinho”, o que seria um erro. Discordo do presidente.

Em 2013, com o mesmo Koff, o Grêmio deixou o Gauchão de lado, caiu fora cedo e foi eliminado na Libertadores pelo limitadíssimo Santa Fé. Logo, não fez diferença ignorar o regional. O que fez diferença foi a falta de qualidade no elenco, pagar muito para quem pouco entrega. Faltou critério nas contratações.

Ser poupado no Gauchão melhoraria o futebol do Pará? Deixar o Estadual de lado faria brotar outro zagueiro confiável, um armador clássico ou um reserva competitivo para Barcos? Sabemos as respostas.

Outro bode expiatório é o tripé Arena-contrato-OAS. Colocar a culpa no regional e no estádio é tirar a responsabilidade da direção, das falhas da comissão técnica e jogadores. E ainda dizer que o saldo do ano não é tão negativo é dar uma de Obino. O que seria negativo, então? Ser rebaixado (batendo na madeira)?

Já Rui Costa insiste na confiança no técnico, na conversa do grupo na mão. Depois de perder para o misto do Furacão, largou a pérola de que Enderson deu padrão de jogo interessante ao time, mas que o trabalho era relativizado pelos resultados ruins. Precisamos avisar Rui Costa que futebol é resultado, que o resto é perfumaria.

Enderson, por sua vez, vem com aquela história de que “se” o clube tivesse títulos recentes, a torcida aplaudiria o elenco derrotado pelo San Lorenzo. Ora, se meu pai fosse mulher, eu não teria nascido.

Enderson deveria treinar variações táticas, caprichar na bola parada, oferecer alternativas ao time. Cansamos de ver equipes limitadas e bem treinados darem certo.  O Atlético de Madri é a bola da vez na Europa, por exemplo.

Com todo este relato quero frisar o seguinte: o Grêmio acumula derrotas por não agir na hora certa, por esperar as eliminações para fazer mudanças, por empurrar a situação com um discurso água morna. Somente agora, depois das tragédias, leio que Pará deve perder espaço no time. Não poderiam ter trazido um lateral antes?

Estamos todos irados com a eliminação, com a seca de títulos, não vemos no horizonte uma chance real de conquista. E não sabemos mais o que fazer, já testamos e sugerimos várias alternativas. A seca parece sem fim no angustiado coração tricolor.

Se eu soubesse como resolver o problema do Grêmio, juro, seria dirigente, não seria blogueiro. Agora, uma coisa sei:  só pensar positivo e fazer um discurso otimista, como tentava Obino, não resolve. A realidade exige competência, ação, dispensas e contratações.

Fico temeroso pelo Brasileirão. Se as derrotas se acumularem, se o time estacionar na tabela, vão manter o discurso Obino? Sinceramente, não sinto poder de reação no vestiário, algo ruim em um campeonato longo. Espero estar completamente errado.

Obino, o cara do melhor site. FOTO: Arquivo ZH

Obino, o cara do melhor site. FOTO: Arquivo ZH

Mais uma

01 de maio de 2014 89
Barcos: nem gol de pênalti, nem de mais perto ainda. (Foto: Mauro Vieira)

Barcos: nem gol de pênalti, nem de mais perto ainda. (Foto: Mauro Vieira)

Por Caue Fonseca 

Mais uma eliminação para a nossa coleção. A história desta é a seguinte.

Passamos muito tempo flertando com a tragédia, ontem. Salvo aquela jogada em que Barcos encobriu o goleiro adversário, o Grêmio atacou pouco. Era um time intranquilo, sentindo o peso do jogo do ano, diante de público recorde e diante de uma equipe muito mais matreira do que ele.

Eu estava errado sobre Luan. Não foi o cara. Foi um guri. A reação diante de um jogo gigante foi a da apatia. Uma pena.

No segundo tempo vimos o Grêmio que deveria ter entrado desde o início. Zé Roberto, que fez jus a todas as críticas que recebe aqui na caixa de comentários, saiu para entrar Rodriguinho. Se não é tão técnico quanto o substituído, ao menos teve a decência de dar um chute forte e cruzado em direção ao gol. Encontrou a têmpora de Dudu, outro jogador com algum sangue nos olhos, pelo menos.

Se pudesse salvar alguns jogadores da tragédia de ontem, salvaria Dudu, Edinho e Riveros. Deles, não faltou futebol e nem hombridade. Mas eles não bastaram para sairmos do 1 x 0.

Barcos ontem parecia que calaria seus críticos. Estava bem no jogo, chutando de todas as formas possíveis. Parecia fazer o papel de um bom centroavante. Se não der, vai dar. Mas ficou nas aparências mesmo. Barcos encerra este playoff perdendo um gol na linha da pequena área e um pênalti, além das conclusões defendidas nos 180 minutos.

Centroavante significa gols. Não dá pra isentar quem não cumpre o único grande objetivo do seu trabalho.

Naquilo que eu adoraria estar errado, infelizmente acertei. Na hora dos pênaltis, Marcelo Grohe tomou mais quatro gols sem culpa para sua lista. Pulou em direção à bola em somente um deles. Foi 4 x 2 nos pênaltis para o limitado San Lorenzo.

Com a cabeça um pouco mais fria falaremos mais sobre este assunto, mas o que aconteceu ontem, na Arena, foi o fracasso de duas grandes convicções de Rui Costa. Foi nosso diretor de futebol que, mesmo com pouca munição, gastou todos os seus cartuchos na contração de Barcos. Outra convicção dele foi de que Marcelo Grohe dava conta do gol do Grêmio. Estava tão convicto que esses dois, hoje, não têm sequer reservas.

Também é uma boa hora de recorrer ao Procon a respeito de Fábio Koff. O presidente se elegeu nos prometendo o Mundo. Sabia que lidava com uma torcida tão carente que bastava vender feijões mágicos que compraríamos. Hoje é dia de ligar para o SAC do Grêmio, pois a promessa de campanha não será cumprida.

É duro, companheiros, mas a Libertadores de 2014 foi mais um buraco neste eterno jogo de Ludo que virou o Grêmio nas últimas décadas. Hora de voltar para o início do tabuleiro e rolar os dados outra vez.

Não podemo se entregá pros home!

30 de abril de 2014 33
Guarda três hoje, Barcos! Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Guarda três hoje, Barcos! Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui

Gremistas de todas as querências, eu acredito! Nossa missão é acreditar, é empurrar – na Arena ou mandando boas vibrações de qualquer rincão – o Grêmio para classificação na Libertadores. Não podemo se entregá pros home”, como diz a canção nativista. Lutar é a marca do campeiro, é a marca do gremista. E queremos (demais) essa Copa.

Confesso que já estive mais pessimista, em especial depois da derrota na Argentina. Uma semana depois, cabeça fria, acredito no nosso Grêmio. Sou obrigado a acreditar. Querer é poder. Temos time para superar o San Lorenzo, contamos com a Arena rugindo, a estreia do verdadeiro caldeirão azul.

Perder de véspera é um erro. Lembrei da música nativista para definir o espírito de hoje: “não tá morto quem luta e quem peleia”. O Grêmio não pode se entregar, o Grêmio tem time para virar.  Espero que essa confiança passe para o campo, aditive o time que precisa reverter o 1 a 0.

A mentalidade é entrar para fazer, pelo menos, três gols. É a busca pela classificação segura, pelo apetite ofensivo que há semanas não encontramos no Grêmio. Jogar pela vantagem mínima atrairá a tragédia. Pé no acelerador, faca nos dentes. Se em uma decisão como a de hoje o time não entrar ligado, mordendo, é melhor mandar meia dúzia embora.

Confio que o espírito e o futebol serão vencedores. O Grêmio tem Luan em melhor forma, não enfrenta um Real Madrid do Prata, logo, tem plenas condições de passar. Tenho restrições ao esquema tático e ao desempenho de certos titulares, mas, minha missão como torcedor, é acreditar, é incentivar.

Grandes equipes também são forjadas com grandes viradas, superando adversidades. Chegou a hora do Grêmio de Enderson Moreira virar uma decisão, mostrar poder de indignação e reação. Não há como adiar. A noite é hoje, o local é a Arena. Avante, Grêmio! Não podemo se entregá pros home!

 

Luan é o cara

29 de abril de 2014 42
Luan está de volta, e com ele a esperança de um craque decisivo para a taça (Foto: Fernando Gomes)

Luan está de volta, e com ele a esperança de um craque decisivo para a taça (Foto: Fernando Gomes)

Por Caue Fonseca

A seca de títulos é longa, mas é verdade que o Grêmio nunca deixou de beliscar. 2007, 2009, 2011, 2013 e agora 2014, ano sim, ano não, o Grêmio está na Libertadores tenteando. Em diversas dessas vezes, eu deparava com outro gremista angustiado. O diálogo, com poucas variações, era o seguinte:

– Acha que dá esse ano?

– Estou torcendo, mas não sei não.

– Por quê?

Falta um cara.

A Libertadores sempre tem um protagonista. A história da conquista da América gira em torno de um grande nome. Em 2007, Riquelme era um monstro. Em 2009, Verón reescrevia a bonita história do pai. Em 2011, o ano do amadurecimento de Neymar. Em 2013, Bernard fazia a diferença entre um bom time e um time campeão.

Este ano, pode que falte algumas peças para termos um time impecável, mas já temos aquele nome. Se forem um dia fazer um filme sobre a história do terceiro título sul-americano gremista, ele começa com Luan arrebentando no Gauchão nas atuações do time sub-23, tranquilo, enquanto Kleber, milionário, era contestado no time titular.

Se foi por acidente que Luan terminou titular absoluto e fiador de nossas esperanças, pouco importa. Daqui um tempo, ninguém vai lembrar disso. Tampouco lembrará se o Grêmio jogou com três ou dois volantes. Ou se Enderson Moreira estava ameaçado. Ou se o lateral não sabia cruzar. Se o centro-avante errava gols feitos.

O assunto do dia sempre parece bobo quanto a história é vista de cima. O que fica na memória da torcida é o craque que resolveu o jogo quando a coisa encrespou. Já dizia Quincas Borba: “ao vencedor, as batatas.”

O atacante de 21 anos volta no segundo jogo contra o San Lorenzo com a mão enfaixada. Quero acreditar que a lesão não foi crueldade do destino, mas um daqueles percalços que o herói enfrenta até triunfar no final.

Se Luan brilhar, fazer mais algumas daquelas apresentações que só quem não sabe o quanto está em jogo consegue fazer, temos chance não só de ir às quartas de final, mas de erguer a taça.

No Grêmio, gosta-se muito de enfatizar o grupo. Soa bonito no microfone, mas não resolve. Todo time campeão, ao menos em um campeonato de sucessivas decisões em mata-mata, precisa de um cara. Luan é o cara. O resto é contabilidade de volantes.

O inferno do San Lorenzo

25 de abril de 2014 58
Queremos mais de 50 mil pessoas na Arena. FOTO: Lucas Uebel

Queremos mais de 50 mil pessoas na Arena. FOTO: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui

Ainda resmungo quando penso na derrota para o San Lorenzo. Não aceito um revés com falhas na defesa e no ataque. Penso a todo instante em como trazer de volta aquela aura copeira do nosso Grêmio. Vamos precisar da Arena lotada, rufando, imponente. Aquele caldeirão que o Olímpico sabia ser e que a nova casa ainda não é. Acredito que será na próxima semana.

Lembrando de tantas batalhas do Olímpico, encontrei a frase que deve ser transferida para o Humaitá. Corria dezembro de 1996, o Grêmio precisava reverter o 2 a 0 da Portuguesa para ser bicampeão brasileiro.  Estádio tomado, atmosfera de decisão. Antes dos cinco minutos, um escanteio para o Grêmio e Pedro Ernesto Denardin soltou a frase antológica (25seg do vídeo):

- Quem pensava que isso aqui fosse o inferno da Portuguesa, acertou!

Paulo Nunes fez o primeiro gol no lance seguinte. O Grêmio foi campeão, o Grêmio se impôs, a torcida empurrou. Este é o espírito. Na volta das oitavas da Libertadores, a Arena precisa ser o inferno do San Lorenzo. Azar do Papa.

O primeiro passo a direção já deu. Acerta ao baixar o preço dos ingressos. Passado quase um ano e meio da sua inauguração, a Arena ainda não foi o alçapão que todo gremista sonhava. Pois chegou a hora de ser. Sem adiamentos.

Alguns amigos aqui do blog vão argumentar que não se pode baixar preço de ingresso em véspera de jogo decisivo, que desvaloriza a mensalidade do sócio. Tudo bem, é um raciocínio válido, porém, o momento exige um estádio tomado até o talo, um estádio rugindo, um estádio com aquela aura da caldeirão. Não interessa quanto cada torcedor vai pagar para ver o jogo, o que interessa é fazer da Arena o inferno do San Lorenzo.

As médias de público da nossa nova casa são boas, mas a Arena é grande demais. Jamais tivemos 50 mil pessoas em jogos oficiais, o adversário não se sente intimidado no Humaitá. Chegou a hora de ser pressionado, de temer o binômio Grêmio-torcida. Quero mais de 50 mil imortais na cancha, quero aquela cumplicidade que o vídeo de 1996 mostra. Ela existe, tenho certeza.

O Grêmio tem muitas coisas para melhorar – falhas da defesa, bola parada, os três volantes, a criação deficitária, o pé torto na frente -, mas Libertadores também é um torneio de espírito. Nem sempre o mais forte ganha, todo ano uma surpresa chega à final.  Em 2007, beliscamos com um time tecnicamente mais do que mediano. Saja, Patrício, Tuta…

Aquele time, além de bem treinado por Mano Menezes, tinha indignação quando jogada em casa. Deu motivos e foi abraçado pelo torcedor. Fomos de mãos dadas até a decisão.  Grêmio, torcida e Arena anseiam por essa parceria. E a volta contra o San Lorenzo pode ser a única chance de provar que a nova casa sabe intimidar.

Vivo a reclamar dos problemas do Grêmio, quase crio uma úlcera sofrendo, maz, azar. Vamos mandar os três volantes para o espaço, vamos colocar a faca entre os dentes, time e torcida. Conclamo cada gremista a gastar os ouvidos com o vídeo de 1996, a se inspirar, a inflar o peito para gritar na semana que vem.

Vamos fazer da Arena o inferno do San Lorenzo. Avante, Grêmio! Queremos a Copa!

Dos males, o menos pior

24 de abril de 2014 116
Edinho x Correa: o Grêmio se impôs, mas quem marcou foi o San Lorenzo (Foto: Juan Mabromata, AFP)

Edinho x Correa: o Grêmio se impôs, mas quem marcou foi o San Lorenzo (Foto: Juan Mabromata, AFP)

Por Caue Fonseca

Houve um tempo em que dormiríamos tranquilos após um resultado como o de ontem. O que é um golzinho a ser revertido em casa, não é mesmo? Ainda mais contra um time que, todos vimos, é pior tecnicamente do que o nosso.

Problema é que um passado recente de mata-matas contra Milllonarios, Santa Fé, Atlético-PR, Palmeiras e afins nos deixou traumatizados. De tanto levar na cabeça, a torcida do Grêmio aprendeu que um time ser inferior ao nosso não é garantia de que não vá se classificar contra nós.

O raio-x deste primeiro jogo das oitavas de final em Buenos Aires tem coisas boas e ruins. Mostrou que o Grêmio mesmo desfalcado, se absolutamente concentrado (o que nos faltou na estreia do Brasileiro, por exemplo), pode se manter competitivo mesmo em situações adversas.

Problema foi que, em cinco segundos de desatenção após um lateral, tomamos um gol. No final, em um vacilo de Geromel (muito bem até aquele momento, diga-se), quase tomamos o segundo. Fica a lição: não há margem de erro. É preciso estar atento sempre.

O ponto negativo foi a ineficiência do ataque. O lance da falta em dois tempos é bastante simbólico. Nosso ataque não consegue empurrar uma bola pra dentro nem a cinco metros da linha. De nada adianta ter posse de bola, domínio de jogo, se não houver oportunidades de gol.

A diferença para o San Lorenzo ter vencido por 1 x 0 ontem foi ter tido competência para criar duas chances de gol e converter uma.

Mas, cá entre nós, confesso que eu temia coisa pior. Achava que o Grêmio, desentrosado e com a confiança abalada, corria um sério risco de se ver no mesmo inferno em que o Botafogo sucumbiu e voltar com um placar irreversível em Porto Alegre. Embora não tenhamos obtido um grande resultado, voltamos vivos contra um San Lorenzo de futebol que não assusta.

Não é nada incomum times inferiores vencerem em casa na Libertadores. O Galo mesmo, campeão ano passado, tomou sufoco em cima de sufoco longe de Minas Gerais. É o poder dos times sul-americanos em seus caldeirões enfumaçados, diante de suas torcidas ensandecidas,  que faz a competição tão nivelada e assustadora. Pois essa é a hora de fazermos valer o nosso próprio caldeirão. É levantar a cabeça e retomar os tempos em que, contra o Grêmio, na sua casa, não havia adversário que não pudesse ser batido.

O momento da reação

23 de abril de 2014 48
Dia de reagir, Enderson. FOTO: Lucas Uebel/Grêmio

Dia de reagir, Enderson. FOTO: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui

Chegou o dia. Jogo de ida das oitavas da Libertadores, San Lorenzo na Argentina. Prenúncio de sofrimento. Nada que nós, gremistas, não estejamos acostumados. Sofremos em busca de grandes alegrias. Vamos à luta.

Chegamos em um momento para lá de pessimista, com técnico ameaçado de demissão, atuações ruins em série e desfalques importantes, como Rhodolfo, o único zagueiro incontestável do grupo. Paciência, teremos de superar nossos problemas e a pressão do San Lorenzo.

Ter esperança é um sentimento nato de todo imortal. Nos últimos anos, o Grêmio nos prega tantas peças – para bem e para mal, derrotas inaceitáveis e vitórias improváveis -, que nossa missão é acreditar. Vai que esse grupo mostre o poder de reação tão aguardado. Vai que nosso treinador prova a capacidade de mobilização até então adormecida.

Em condições normais, o Grêmio ganharia bem na Argentina. Contudo, sem Rhodolfo e Wendell, com chance de ir sem Marcelo Grohe e Luan, o cenário complica. A meta é voltar vivo da Argentina. Exigir da Arena uma virada épica será flertar com a eliminação. Portanto, queremos um time mordedor, vibrante, nada da apatia dos últimos jogos.

Repito, a equipe não vem bem, temos desfalques, o rival é tradicional e joga em casa. Tudo contra. Como o Grêmio se acostumou a jogar. Teremos de sentar e torcer.

Que este elenco honre o uniforme que veste. E que Deus nos abençoe, já que o Papa é do San Lorenzo.

Há um líder em Enderson?

22 de abril de 2014 45
Ou Enderson surpreende a todos, ou não é o chefe que o vestiário gremista precisa. (Foto: Félix Zucco)

Ou Enderson surpreende a todos, ou não é o chefe que o vestiário gremista precisa. (Foto: Félix Zucco)

por Caue Fonseca

Acredito que não haja ninguém que torça mais por Enderson Moreira, amanhã, do que Fábio Koff e seu departamento de futebol. Isso porque o Grêmio é um time sem plano B, da casamata ao centroavante. Se Enderson estivesse demitido, quem assumiria o Grêmio neste momento?

Evidente que a torcida também adoraria ver o Grêmio retomar as rédeas da temporada via Libertadores, mas somos uma torcida ressabiada o suficiente por fracassos recentes para perceber de véspera quando a maionese começa a desandar.

Da primeira fase da Libertadores colhemos algumas boas notícias: Enderson é bom treinador no sentido literal da palavra: soube montar e treinar um time sem maiores reforços para a temporada. O time titular, jogando a pleno, arrancou elogios de todo o país. Não foi um nem dois comentaristas que apontaram o Grêmio como o time que começou a temporada apresentando o melhor futebol do Brasil.

Mais uns jogos adiante e vamos chegando às más notícias. A primeira é que o Grêmio sangra a cada titular perdido. Como apontei na semana passado, entre 13 jogadores – oito zagueiros e cinco laterais – temos dois bons jogadores: Rhodolfo e Wendell. Pois os dois estão fora do primeiro jogo das oitavas em Buenos Aires.

A segunda má notícia é que Enderson pode treinar bem, mas até aqui tem sido um comandante condescendente. É bonito o grupo dizer que está unido, decidir junto a música no Fantástico, mas tudo isso é muito lindo quando se ganha. Quando se perde, é a hora do chefe do vestiário sacudir seus jogadores e mostrar quem manda. Motivar, intimidar… Enfim, fazer das tripas coração para energizar seu grupo. Ser líder.

Há desculpas para o mau futebol, entre elas a falta de peças de reposição, mas não para a apatia. Não consigo pensar em um jogo mais fácil de vencer fora de casa do que o time desmontado do Atlético em Florianópolis, onde a torcida do Grêmio era mais barulhenta que a do time da casa. Pois jogamos daquele jeito que nem se tivéssemos mais 90 minutos reverteríamos o placar.

Enderson foi aos microfones enfurecido? Não consigo sequer imaginar essa cena.

O Grêmio tem pela frente o caminho mais difícil que poderia trilhar nesta Libertadores. Pega um dos melhores times argentinos em um bom momento. Se sobreviver, pode bater de frente com o campeão brasileiro, o Cruzeiro. Se o Galo fizer a sua parte até a semifinal, muda de lado na chave da Libertadores forçando novo embate entre brasileiros. O Grêmio de hoje, terça-feira, não me parece ter forças para essa escalada.

Torço, bem como Koff, para que Enderson me surpreenda. Para que cresça diante da dificuldade e mostre uma faceta que ainda não conhecemos dele. Mas, ao mesmo tempo em que torcemos para estar errados a respeito do nosso técnico, é preciso usar a razão mais do que a reza. O Grêmio de 2014 carece de um bom comandante e de um número razoável de bons comandados.

Se não achar este líder em Enderson, será necessário procurar fora dele.

Preparem as rezas, meia defesa reserva na Argentina

21 de abril de 2014 59
Medo: zaga reserva na Argentina. FOTO: Charles Guerra

Medo: zaga reserva na Argentina. FOTO: Charles Guerra

Por Guilherme Mazui

Caprichem nas rezas, preces, orações, promessas e afins. O Grêmio enfrenta o San Lorenzo, na Argentina, com defesa reserva. Rhodolfo e Wendell estão fora por lesão, Marcelo Grohe é dúvida. Ou seja, o time será muito similar ao de domingo, derrotado pelo misto do Atlético-PR.

As notícias da manhã de segunda-feira são tristes, reforçam o pessimismo que toma conta do torcedor. Pessimismo que o próprio time conseguiu instalar, após os fiascos do Gre-Nal e da estreia do Brasileirão.

Teremos uma defesa nada segura na Argentina, primeiro duelo das oitavas de finais da Libertadores. Rhodolfo, o único nome confiável da penca de zagueiros do time, está fora. Werley, que empilha falhas, deve ser titular, ao lado de Geromel ou Bressan. Preparem os corações.

Se Marcelo Grohe não jogar, o titular será Busatto, goleiro que costuma errar na saída pelo alto. Nas laterais, teremos o limitadíssimo Pará e o jovem Breno, que entrará em uma fumaceira. Será um teste de fogo para o garoto, a hora de separar os adultos dos guris.

O alento é o possível retorno de Luan. Desde que ele se lesionou, contra o Nacional-COL, o futebol gremista sumiu. Todos os meias testados, incluindo Zé Roberto, naufragaram.

Fico preocupado ao ver o Grêmio em um jogo decisivo com tantos desfalques e com a confiança abalada. E mais tenso com o discurso do clube, um cacoete da Era Luxemburgo. Os resultados ruins continuam, as atuações não embalam, mas sempre vem um otimista para dizer que “estamos no caminho certo”, que este time vai “ganhar um título”.

Vamos repetir 2012 e 2013? Ficar acreditando no mantra do caminho certo, mesmo com a tragédia batendo à porta?

Já correram quatro meses da temporada e a direção não entendeu que o time titular é competitivo, mas os reservas desanimam. Agora, na véspera do jogo mais importante da temporada, será preciso usar o banco. Que banco?

Alguém precisa acordar no Grêmio, corrigir o rumo enquanto é tempo. A direção precisa entrar de vez no vestiário, cobrar o grupo, em especial os “bem pagos” do time. Ou vamos esperar aparecer mais um Milionários ou Santa Fé? Acorda, Grêmio!