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O fim da Era Pará

10 de dezembro de 2014 70
Pará se despede do clube. FOTO: Lucas Uebel/Grêmio

Pará se despede do clube. FOTO: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui | @guilhermemazui

A confirmação da saída de Pará é o primeiro reforço oficial para 2015 (Douglas ainda não foi confirmado). É o fim de uma era de muita transpiração e rara inspiração na lateral-direita.

Pará arrancou muitos aplausos por ser voluntarioso, marcador aguerrido, nego veio. Quando só precisava fechar o seu lado, resolvia o problema. Mas ficava por aí. É pouco para um lateral titular do Grêmio por três temporadas. É pouco para um lateral bem remunerado. Se ganhasse feito um lateral de Gauchão, estaríamos no lucro. O que não era o caso.

Os números demonstram que Pará pode ser substituído. Em três temporadas, fez um gol. Conforme o Footstats, nos últimos dois anos ele atuou 116 vezes, marcou o mísero gol (de falta contra o Flamengo) e deu nove assistências. É um passe para gol a cada 12 jogos! Um deserto de eficiência. Um zagueiro improvisado na lateral teria desempenho similar.

Logo, acredito que não vamos sentir saudades do Pará. Fico aliviado por saber que existe a possibilidade de um respiro técnico na direita. É preciso tentar. O garoto Tinga pode ser observado no Gauchão, quem sabe outro jovem da casa. O São Paulo pretende negociar Luís Ricardo, que fez um bom Brasileirão 2013 pela Portuguesa. Patric do Sport também agradou, vale observá-lo.

Pela produção, Pará era um dos nomes que infla a folha de pagamento tricolor. Ganhava demais para produzir de menos. Zé Roberto, eleito melhor lateral-esquerdo do Brasileirão pela Placar, sai também em um contexto de custo benefício. E o Grêmio acerta. Abre a possibilidade de tentar um novo jogador.

O quarentão Zé fez 44 jogos na temporada, marcou um gol e deu sete assistências. No ano anterior, ainda como meio-campista, foram 42 jogos com 10 gols e cinco assistências. Em 2012, 33 jogos, quatro gols e sete assistências. Em suma, o lateral Zé Roberto dá qualidade ao passe, melhora a saída de bola, mas não marca gols ou dá assistências. Não melhora o poder ofensivo do time.

Confesso que não acharia ruim a permanência do jogador, desde que aceitasse reduzir bastante o salário. Não vejo algum clube, dentro da situação dos demais times do Brasil, bancando um salário de R$ 200 mil mensais para um jogador de 40 anos.

Fico atento com a reposição. Breno já demonstrou que não dá conta do recado. Juninho do Palmeiras? Não me emociona. A direção foi eleita para resolver a pendência. Espero que ela seja competente.

Os medíocres versáteis

27 de outubro de 2014 36
Ramiro: 87 jogos, dois gols e quatro assistências. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Ramiro: 87 jogos, dois gols e quatro assistências. Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Por Guilherme Mazui

Tostão: “Pior que o medíocre é o medíocre versátil”.

Li a coluna de domingo do Tostão na Folha de São Paulo. Titular da seleção do tri, o comentarista tem propriedade para falar e criticar, pois jogou demais. E Tostão saber ser preciso e eficaz sem firulas. Sabe clarear uma discussão cheia de rococós, como um armador que faz um passe açucarado entre os zagueiros. Assim foi no caso dos “medíocres versáteis”, que, por sinal, estão presentes no Grêmio.

Tostão traz a frase ao criticar cacoetes do futebol brasileiro. Uma mania é transformar em meia o volante bom de passe. O craque defende jogadores versáteis, mas sem forçar a mão. Éle é fã do alemão Toni Kross, que executa todos os movimentos do jogo com precisão: sabe marcar, se posicionar, acerta passes laterais e verticais, é bom na bola parada e sabe finalizar.

Kross é um fora de série, jogador raro no planeta.Tostão sabe disso. E Tostão gosta dos jogadores versáteis, desde que saibam fazer executar os movimentos do jogo. Sua crítica é contra escalar como armador um volante que uma vez ou outra na vida marcou um gol. Lembra Tostão, que os grandes armadores são lembrados mais pela assistências do que pelos gols. Por isso a frase, que considero emblemática.

Diz Tostão que existem cada vez mais jogadores que atuam bem em várias posições (não são decisivos), o que agrada todo treinador. Algo que vejo explícito no Grêmio. Assim, um jogador mediano na técnica e esforçado ao quadrado, como Pará, pipoca entre uma lateral e outra sem jamais deixar o time titular. Pará tem 49 jogos na temporada e três assistências, a última no sábado. Não cumpre com primor, sequer, a exigência básica de sua posição, a precisão no cruzamento.

Vale o mesmo para Ramiro, queridinho e intocável para todos os treinadores. Um volante que corre, corre e corre, que acerta passes de lado e que ninguém sabe direito sua posição. Felipão repete Enderson e Renato: adianta Ramiro, na esperança de que concilie marcação e criação, quiçá um bom arremate. Só que Ramiro tem 87 jogos pelo Grêmio em duas temporadas, com dois gols marcados e quatro assistências. Ramiro é um medíocre versátil.

Estou com Tostão: insistir na polivalência manca não ajuda um time. O atleta fica fora da posição e não agrega muita coisa ao coletivo. Se o futebol exige jogadores versáteis e eficientes, tente formá-los, contrate-os com critério. Não force a mão. Na reta final do Brasileirão, Felipão deveria pensar nisso.

PS: a coluna do Tostão está aqui.

A rara oportunidade de substituir Pará

15 de agosto de 2014 49
Pará após uma rara assistência. (Foto: Ricardo Duarte)

Pará após uma rara assistência. (Foto: Ricardo Duarte)

Por Guilherme Mazui

Pará está suspenso. Um momento raro, raríssimo. O lateral é disparado um dos mais assíduos do time, uma figura onipresente no Grêmio. Não se machuca e leva poucos cartões. Logo, está sempre em campo, na direita ou na esquerda.

A partida de domingo, contra o Criciúma, é uma das raras oportunidades de ver como o Grêmio rende  desfalcado do esforçado e limitado lateral. Felipão ensaia utilizar Ramiro ou Matías Rodriguez. Prefiro o argentino, afinal, veio da Europa para jogar, quero vê-lo em ação. Do contrário, já é mais um bolo de dinheiro fora todos os meses.

Assim como são poucos os jogos sem Pará no time, é igualmente raro um lance do lateral que termine em gol. Em 2013, ele participou de 61 das 72 partidas da equipe, com seis assistências e um gol. Pará conseguiu dar um passe para gol a cada 10 jogos. Desfalcou o Grêmio em apenas três das 38 rodadas do Brasileirão, disputou todos os confrontos da Copa do Brasil e da Libertadores.

Em 2014, a frequência segue estável, os lances de gol despencaram. Em 41 partidas, disputou 34, com duas assistências, uma a cada incríveis 17 jogos. Penso que Marcelo Grohe na lateral seria mais eficiente no apoio. Até a suspensão pelo terceiro amarelo no Gre-Nal, o lateral só ficou de fora quando os titulares foram poupados.

Como é um dos líderes em desarmes e em passes certos (a imensa maioria de lado), Pará permanece no time. Sempre.  Trocam os treinadores e o lateral jamais perde a condição de titular. É tão onipresente, que, por vezes, chego a cogitá-lo para a presidência ou para a vaga de Rui Costa. Seria uma forma de tirá-lo de campo.

Muita gente aplaude a entrega de Pará, sua raça, dedicação. Pará ganha bem, faz sua obrigação ao correr. Só que os números expressam como sua limitação impacta no baixo rendimento do ataque tricolor. Um lateral que leva 17 jogos para acertar um passe ou cruzamento de gol, não pode ser titular de uma equipe do tamanho do Grêmio.

Por isso, domingo, temos a rara oportunidade de tirar a febre de como o time rende sem Pará, se existe substituto real no atual elenco, ou se os técnicos apostam no rapaz por incompetência dos demais. Estou ansioso para ver Grêmio x Criciúma.

***

Gurizada, o aplicativo Gremista ZH e o site do jornal estrearam hoje o Gre-Nal no Fone. Diogo Olivier e Zini Pires analisaram o momento do Grêmio no Brasileirão. Confiram aqui. Em breve, Caue e eu vamos gravar também.

Acreditamos até o final! E a pontaria foi perfeita

29 de agosto de 2013 44

Claaaassificados! Justinho, com gol no final, quase enfartando, com um Santo Expedito na mão, com a cara do nosso Grêmio. Fizemos o 2 a 0 necessário, viramos pra cima do Santos, estamos nas quartas de final da Copa do Brasil. Agora é o Corinthians.

A exibição na Arena passou longe de ser estupenda, porém o Grêmio não se desesperou, manteve a tranquilidade e a pegada até os minutos finais. Desta vez, a pontaria foi perfeita. As duas chances claras morreram na rede. Ambas de homens mais defensivos (Souza e Werley), que tiveram tranquilidade e precisão para concluir. Werley, por exemplo, finalizou sem esforço, com carinho, como o pai que embala um berço.

Não fomos um vertedouro de criatividade, mas, diferente do que ocorreu na Vila Belmiro, as oportunidades viraram gols. Na verdade, quem teve pontaria zirolha foi o Santos, que rasgou três chances claras, a principal queimada por Gabriel, com a goleira vazia após a lambança do Bressan. O Peixe errou e nos deu sobrevida. Fomos competentes e classificamos.

Voltando à criação, o esquema com três zagueiros e três volantes teve a dificuldade esperada. O Grêmio ficava com a bola, contudo o lance não fluía, o jogo parecia amarrado, o perde e ganha prevalecia. Tanto, que Aranha pouco trabalhou, não chegou a executar uma defesa brilhante. As conclusões bem endereçadas entraram.

Nossa dificuldade em criar acomodou o Santos, que não sofreu um massacre, uma sucessão de chuveirinhos na área, de arremates de média e longa distância. Assim, Barcos – de boa atuação – surpreendeu a todos quando girou feito ponta na marcação e deu o gol ao Souza. No lance redentor de Werley já pressionávamos mais, porém chegamos com lucidez, bola de pé em pé até o destino final, o gol da classificação. Jogada puxada pelo Pará, vale registrar.

Sigo com a dúvida sobre a condição de atacar, de propor o jogo do esquema com três zagueiros e três volantes. Mas isso a gente pensa daqui a pouco. A ordem é degustar a virada, o bom momento do time, os resultados em série, o trabalho do Renato que vai dando resultados. É comemorar, aplaudir nosso Grêmio. Na Ponte Preta, adversário de sábado, a gente começa a pensar na tarde de quinta-feira.

 

O mérito do Pará

26 de agosto de 2013 13

Pará marcou no sábado seu primeiro gol com a camisa do Grêmio. Belo gol. Cobrança de falta precisa, deixou o arqueiro flamenguista Felipe parado debaixo das traves. Palmas para o tão criticado Pará. Ele teve méritos, pediu para treinar.

Logo após o jogo, o lateral contou que começou a treinar cobranças de falta na véspera do jogo. Treinou, logo, acertou. Protagonizou algo que o Grêmio faz pouco na temporada: gols de falta. Foram apenas quatro em 45 jogos. Em média, nosso Grêmio marca um gol de falta a cada 11 jogos. É pouco.

Tirei os números do aplicativo SuperDupla ZH, que disseca o desempenho tricolor na temporada. Números que mostram o quão deficiente é nossa bola parada. Pará fez o segundo gol de falta do Grêmio no Brasileirão. Antes dele, quem balançou o barbante foi Elano, no distante 5 de junho. É um desempenho pífio.

Se levarmos em conta os escanteios, a conta segue triste. São sete gols de escanteio. Assim, na soma da falta e do escanteio, 11 dos 63 gols vieram da bola parada – ainda temos mais sete de pênalti. É pouco. Denuncia falta ou má qualidade do treino.

Equipes mais limitadas do que a atual marcavam mais gols de bola parada. Bola parada ruim – ofensiva ou defensiva – é falta de treino. Pará pediu para treinar. É simbólico o gesto. O Grêmio precisa treinar mais faltas e escanteios, melhorar o aproveitamento. É fundamental para novas vitórias.

 

Nunca antes na história deste país o Pará fez um golaço assim

25 de agosto de 2013 26

Estamos na briga! Quatro vitórias seguidas, 28 pontos, Cruzeiro e Botafogo na alça de mira. Fruto da vitória sobre o Flamengo, presente para os gremistas do DF que ocuparam as arquibancadas do Estádio Nacional de Brasília. O 1 a 0 foi magro, teve uma defesa segura e sólida, um meio-campo combativo e um ataque brigador, mas sem precisão. Resultado justo. Jogamos mais do que o Flamengo.

Tivemos uma vitória que era possível, mas conquistada de maneira improvável. Aos sete minutos, os gremistas se beliscavam, esfregavam os olhos. Não parecia verdade: 1 a 0, gol de falta do Pará. Gol ao estilo Arce, Anderson Lima. Perna direita precisa, cirúrgica, aproveitando o vão da barreira. Inacreditável. Um gol que só poderia ocorrer em Brasília. Parafraseando o ex-presidente Lula, “nunca antes na história deste país” o Pará fez um golaço assim.

O gol nos deu tranquilidade, o esquema de três zagueiros e três volantes deu solidez atrás, Dida só foi fazer uma defesa de verdade no final. O adversário ajudou. Agradeço ao Flamengo por bancar a multa e escalar o Marcelo Moreno. E outro sincero obrigado por ter contratado o André Santos.

Voltando ao Grêmio, os volantes morderam muito, assim como o ataque. Barcos fez um bom jogo, porém errou o principal, o gol. Dois. E dois imperdíveis. Tivemos o mesmo problema do jogo com Santos: criamos as chances e não as aproveitamos. Em Brasília não fez falta. Na Vila Belmiro, fez. Não podemos deixar de matar o jogo, de sacramentar o resultado. Um gol bobo do Fla nos tiraria dois pontos preciosos.

Temos de corrigir a pontaria com urgência, afinal, na quarta-feira vamos precisar marcar gols no Santos. No mínimo dois. Nosso desafio vai ser propor o jogo, agredir, ser criativo no meio, letal no ataque. Temos o dever de curtir a vitória sobre o Flamengo, bater palmas para o gol do Pará, descansar e focar no Santos. Todos na Arena!