“Blonde On Blone”, LP lançado por Bob Dylan em 16 de maio de 1966, primeiro álbum duplo de estúdio da história do rock chega aos 47 anos de seu lançamento exatamente hoje (16/05).
Dylan declarou em 1978: "o mais perto que eu já cheguei ao som que eu ouço na minha mente”. Depois de várias sessões feitas em Nova York, entre o outono de 1965 e janeiro de 1966, já trabalhando com sua banda de estrada , o The Hawks (futura The Band), o músico registrou "One of Us Must Know (Sooner or Later)". Depois dessa tomada inicial o artista partiu Nashville, capital mundial da música country, onde se internou no estúdio da Columbia com músicos locais. Era fevereiro de 1966.
O ritmo de gravação ecoou com a velocidade da anfetamina. Dylan levou consigo apenas o organista Al Kooper e o guitarrista Robbie Robertson. Junto a sessionmen locais como o baterista Kenneth Buttrey e o pianista Hargus “Pig" Robbins forjou canções como "Rainy Day Women # 12 & 35" e "Stuck Inside of Mobile with the Blues Memphis Again", "Leopard-Skin Pill-Box Hat" e "Just Like a Woman.
Destaques para a epopeia de 11 minutos “Sad-Eyed Lady of the Lowlands”, gravado em apenas um take às quatro da manhã, depois de um período de oito horas sessão, e "I Want You", canção que quase virou faixa título do álbum.
Segue um trecho de "I'm Not There", filme de Todd Haynes que explora as várias encarnações do bardo norte-americano. "I Want You" ilustra esse take.
Na última sexta (20/04) falei aqui no blog de um misterioso banner publicado no site oficial de Bob Dylan. Mistério revelado. Trata-se de Americanarama, como foi batizada a extensão da atual turnê do bardo americano, que terá a presença das bandas Wilco e My Morning Jacket. Além disso, haverá participações alternadas de nomes como Richard Thompson (Fairport Convention) ou Wild Feathers, do Tennessee, chamados por muitos de “o novo Wilco”.
Eis as datas da digressão:
06/26 – West Palm Beach, FL @ Cruzan Amphitheatre 06/27 – Tampa, FL @ Live Nation Amphitheatre 06/29 – Atlanta, GA @ Aaron’s Amphitheatre at Lakewood 06/30 – Nashville, TN @ The Lawn at Riverfront Park 07/02 – Memphis, TN @ AutoZone Park 07/05 – Noblesville, IN @ Klipsch Music Center 07/06 – Cincinnati, OH @ Riverbend Music Center 07/07 – Columbus, OH @ Nationwide Arena 07/10 – St. Paul, MN @ Midway Stadium 07/11 – Peoria, IL @ Chiefs Stadium 07/12 – Chicago, IL @ Toyota Park 07/14 – Clarkstown, MI @ DTE Energy Music Theatre 07/15 – Toronto, ON @ Molson Canadian Amphitheatre 07/18 – Darien Center, NY @ Darien Lake Performing Arts Center 07/19 – Bridgeport, CT @ The Ballpark at Harbor Yard 07/20 – Mansfield, MA @ Comcast Center 07/23 – Columbia, MD @ Merriweather Post Pavilion 07/24 – Virginia Beach, VA @ Farm Bureau Live at Virginia Beach 07/26 – Hoboken, NJ @ Pier A Park 07/27 – Wantagh, NY @ Nikon at Jones Beach Theater 07/28 – Camden, NJ @ Susquehanna Bank Center 07/31 – Denver, CO, @ Fiddler’s Green Amphitheatre 08/01 – Salt Lake City, UT @ USANA Amphitheatre 08/03 – Irvine, CA @ Verizon Wireless Amphitheatre 08/04 – Mountain View, CA @ Shoreline Amphitheatre
A sugestão deste post veio via amigo Sergio Pinho Alves. Em junho de 1970, Bob Dylan lançou um de seus discos mais porreteados de todos os tempos. Tanto que a famosa crítica do jornalista da Rolling Stone, Greil Marcus, começava assim: “Que merda é essa!”. O LP duplo trazia uma colcha de retalhos de canções folclóricas que ora flertam com o country, folk ou blues. Além disso, algumas faixas ao vivo gravadas meses antes no Festival da Ilha de Wight, acompanhado do The Band, também ganharam luz nessa obra. O resultado final foi um verdadeiro saco de gatos musical. A impressão de muitos na época, era de que a fonte criativa de Dylan havia finalmente secado. E esse lance de recorrer ao repertório e aos músicos de Nashville, além de soar oportuno, para alguns também dava pinta de ser “o passeio de um intruso pelo terreno sagrado do cancioneiro americano”. Dessas sessões na primeira metade de 1970, saíram 24 canções que assinaram o trabalho. Segundo o próprio Dylan, ele apenas “aquecia a banda com algumas dessas canções”, e talvez no mínimo uma meia dúzia de números tenha sido registrada de forma equivocada. Outra dúzia de temas ficou devidamente arquivada. E nada dessas sobras foi utilizada no álbum posterior – “New Morning” – lançado quatro meses depois de "Self Portrait", também em 1970. Vale lembrar que mais rebarbas de covers foram usadas para os ensaios de “New Morning”, e também foram (supostamente) jogadas direto dentro de uma gaveta escura da Columbia, de onde (teoricamente) nunca teriam saído.
Depois dessa experiência de levar bordoada de todos os lados, seja da crítica e do seu público, Dylan virou gato escaldado do artifício de revisitar canções típicas. Como já dissemos, a intenção dele era de que esses temas fossem sepultados para sempre, e que nunca mais vissem a luz da humanidade. Infelizmente para ele e, talvez, felizmente para nós, não foi o que aconteceu.
O fato curioso, é que essas sobras foram usadas como moeda de chantagem pela Columbia, quando seu disputado ex-menino dourado dos anos 1960 negociava um novo contrato com um selo concorrente. E como a Columbia detinha o direito sobre essas sobras malditas (malfadadas pelo menos na visão de seu criador) resolveu as lançar em novembro de 1973. Em suma: Dylan foi obrigado a engolir esse sapo. Depois de passada a turbulência, quando o artista renovou seu contrato com a Columbia (onde está até hoje), ele exigiu que o disco fosse retirado do catálogo da gravadora. E foi o que aconteceu. O renegado álbum “Dylan” (como foi batizado o LP) virou peça de colecionador. Lembro que no início dos anos 1990, importei esse título em k-7 (via Japão), já que fora a única forma que havia encontrado de comprar o item que faltava na minha coleção. Atualmente ele pode ser facilmente encontrado em LP (via mercado de usados). Já em CD, o álbum continua sendo muito valorizado. Quem quiser adquiri-lo terá de pagar uma soma considerável para colocá-lo na estante.
Saiba sobre o novo item da série "Bootleg Series", com previsão de lançamento para abril. Mais músicas das sessões de 1969/1970 serão lançadas. Clique aqui.
Assim como “Self Portrait”, o disco “Dylan” parece ter melhorado com o passar do tempo. Sob esse verniz, muitos perceberam que havia adjetivos no contexto dessas sessões. Alguns artistas, inclusive, citam essa leva gravada na virada de 1969/1970 como influência nas suas respectivas obras. É o caso de Ryan Adams, por exemplo. Ouça o álbum de Ryan Adams & The Cardinals – “Jacksonville City Nights” (2005) e comprove.
Ainda sobre o álbum “Dylan”, que chega aos 40 anos de seu lançamento em 2013, uma das grandes críticas ao produto final que foi colocado nas prateleiras, passa pela mixagem, que realmente soa ruim em algumas faixas. Diversos dos backings femininos, por exemplo, parecem sobrepor a voz do protagonista. E das canções que figuraram no setlist do LP, há algumas autênticas “bolas fora”. Caso de “Mr Bojangles” (Nitty Gritty Dirty Band) e “Big Yellow Taxi” (Joni Mitchell) e “Ballad of Ira Hayes”, canção que se tornou conhecida na voz de Johnny Cash. Essas três versões não passam de meras alusões empalidecidas das originais.
Mas separando o joio do trigo, como não gostar de “Lilly of The West", “Can’t Help Falling in Love” (conhecida na voz de Elvis Presley), “A Fool Such As I” e a minha preferida: “Spanish is The Love Tongue”. Essa última inclusive saiu em compacto como lado B de “Watching The River Flow”, (1971) numa versão mais intimista da lançada dois anos depois. Na música, Dylan arrisca em cantar parte da letra em espanhol.
Nota 5 para o disco. Mas um nota 5 num LP de Bob Dylan tem peso maior.
Para ler tudo que foi publicado sobre Bob Dylan no blog, clique aqui.
O atacante do Santos Neymar é o oitavo brasileiro a cair na capa da prestigiada revista norte-americana Time. O designer gráfico Gonza Rodriguez aproveitou o fato para ilustrar o jogador como um ícone pop do Brasil, assim como Bob Dylan na música. Deus do céu!
Como referência, o famoso pôster criado nos anos 1970 por Milton Glaser, foi o ponto de partida para a recriação.
Como diria Raul Seixas: "Pare o mundo que eu quero descer!".
Bob Dylan irá lançar um compacto de sete polegadas no Record Store Day de 2013. O disco terá no Lado A um take alternativo (demo) de “Wigwam”, canção lançada originalmente no LP “Self Portrait” (1970), e no Lado B conheceremos um tema inédito (pelo menos na voz do bardo), a canção do folk singer Eric Andersen - “Thirsty Boots”. As duas músicas também devem fazer parte do tracklist da série “Bootleg Series”, que chega nesse ano a edição n° 10.
Onde há fumaça, há fogo. Em outubro do ano passado, um site especializado na obra de Dylan, relatou rumores de que as sessões de gravação que ocorreram entre 1969/1970, em particular os registros de “Self Portrait”, estavam sendo consideradas para o volume 10. Parece que a lebre corre a favor do vento.
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A edição mais recente da série Bootleg, o volume 9, “Whitmark Demos: 1962 – 1964”, foi lançada em outubro de 2010.
O site oficial do Record Store Day vai publicar uma lista completa de lançamentos deste ano no próximo dia 21 de março. Lembrando que o evento acontece todos os anos em algum sábado no mês de abril. Em 2012, o Record Store Day foi realizado no dia 21 desse mês.
Ouça "Wigwam", da forma que foi lançada no álbum original (1970).
Longa que terá première no Festival de Sundance, chega aos cinemas dos EUA no próximo dia 8
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O novo filme de Joele Ethan Coen(E aí Meu Irmão Cadê Você?O Grande Lebowski e Bravura indômita) conta a história de um cantor fictício chamado Llewyn Davis, inspirado na vida real do artista folk Dave Van Ronk (falecido em 2002). Ronk estava no olho do furacão da cena folk nova-iorquina no início dos anos 60, e foi referência para vários artistas de peso da época, como por exemplo Bob Dylan, brother com quem frequentemente trocou figurinhas nos primeiros anos na Big Apple.
"Inside Llewyn Davis" estreia nos cinemas norte-americanos no dia 08 de fevereiro. Antes disso, o filme será exibido no Festival de Sundance. O longa traz Oscar Isaac interpretando o protagonista Llewyn, além de Carey Mulligan e John Goodman. O cantor pop Justin Timberlake também aparece no filme, no papel de Jim, um cantor folk que contracena com Llewyn."
Confira o trailer oficial.
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Uma curiosidade: Voltando a amizade entre Bob Dylan e Van Ronk, na primeira metade dos anos 1960, o jovem e ainda desconhecido Dylan, colocou no seu set uma versão de certa canção esquecida de domínio público. House Of The Rising Sun entrou no repertório do baixinho depois dele ouvi-la em um café nova-iorquino na voz de Dave Van Ronk. Esse tema chupado contra a vontade de Van Ronk, pouco tempo depois acabou entrando no primeiro disco do bardo em 1961. Van Ronk, demonstrou sua mágoa em No Direction Home, documentário dirigido por Martin Scorsese, quando o cantor declarou publicamente que Dylan se apropriou da releitura que Ronk tocava há um bom tempo como carro chefe de suas apresentações. Depois o grupo inglês The Animals regravou e eletrificou 'Rising Sun', e então, foi cortada a fita simbólica do anonimato da música... Mais detalhes cliqueaqui.
No vídeo abaixo, pinçado de No Direction Home (sem legendas) Van Ronk conta a história citada no texto acima.
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Em 2004, em uma cerimônia que reuniu vários de seus amigos, Dave virou nome de rua em sua querida NYC. Veja imagens da inauguração clicando aqui.
Trilha sonora traz participações de Bob Dylan, Patti Smith, Eddie Vedder, entre outros
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Chega hoje às lojas (15) a trilha sonora de “West Of Memphis”, documentário que narra diversos fatos obscuros sobre o caso que ficou conhecido como “West Memphis Three”. Saiba mais sobre o episódio aqui (em inglês).
Entre os colaboradores estão Bob Dylan, Nick Cave, Johnny Depp, Lucinda Willians, Henry Rollins, Nick Cave, Marilyn Manson, Band Of Horses, Eddie Vedder, e Patti Smith. Muitas das canções não são inéditas.
Essa notícia não dá para comemorar. O novo disco de Bob Dylan irá sair na Europa em edição limitada... Mas bem, bem limitada! A Sony decidiu lançar apenas cem cópias do álbum empacotado em quatro CDs, intitulado "The Anniversary Collection 50". A explicação da gravadora me soa duvidosa: o álbum será limitado com o objetivo "de manter o controle das músicas sob regras de direitos autorais da União Europeia" [seja lá o que exatamente isso signifique] (?)
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De acordo com o tabloide britânico "The Sun", o disco será "quase um bilhete dourado de Charlie para a Fábrica de Chocolate", em referência ao livro infantil de Roald Dahl. O álbum conta com 86 faixas ao vivo e músicas gravadas em estúdio por Dylan entre 1962 e 1963, incluindo uma versão inédita de "Blowin' in the Wind". As cem cópias foram enviadas para lojas especializadas na Grã-Bretanha, Alemanha, França e Suécia, e o disco raro já está sendo comercializado por cerca de R$ 3,2 mil no eBay.
Em primeiro lugar: “Time Out of Mind”, foi o disco que rendeu a Bob Dylan três Grammys e esse é o trabalho que o colocou novamente da ciranda dos “Grandões” que não vivem apenas sob a sombra de um passado glorioso. E TOoM não foi só mais um X em sua extensa discografia. Tive a sorte de assistir ao tour do álbum em 1998, no Opinião, em Porto Alegre. Saiba mais sobre o show clicando aqui
Ele queria que o disco pudesse ser “mais sentido do que pensado”, que fosse “uma performance em vez de uma mera sacada literária”. Inspirado em parte por sua própria mortalidade, em outro viés baseado por sua própria mitologia e, principalmente, inspirado pelo o que se passa dentro da cabeça de poeta, "Time Out of Mind" é um marco em uma carreira que teve muitos épicos discográficos ao longo das últimas cinco décadas.
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Depois de tropeçar valendo em grande parte dos anos 80, Dylan resolveu ouvir um conselho de Bono do U2, e se uniu com o produtor Daniel Lanois. O ano era 1989, foi quando trabalharam juntos em "Oh Mercy”, o melhor álbum de Bob em pelo menos uma década. Depois vieram “Under the Red Sky", disco que oscila bons e maus momentos, e - ”Good As I Been to You" e "World Gone Wrong" – álbuns compostos de canções tradicionais (folk/blues) arranjado por Dylan.
Também foi nesse período que Dylan lançou a Never Ending Tour, onde o artista buscou a reinvenção de sua obra a cada noite, uma nova guinada em suas apresentações ao vivo e que por sua vez - o inspirou no estúdio. No início de 1997, ele novamente chamou Lanois, e com um punhado de veteranos de estúdio, burilou aproximadamente 15 músicas, das quais 11 acabaram em "Time Out of Mind" (os outtakes pode ser encontrado em “ The Bootleg Series Vol. 8 - Tell Tale Signs: Rare and Unreleased 1989-2006 ").
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Antes do lançamento de TOoM, Dylan acabou no hospital com um problema cardíaco sério. Quando o álbum finalmente saiu, em 30 de setembro daquele ano, canções como ”Not Dark Yet " e “I Can’t Wait” pareciam ácidas reflexões sobre sua experiência de quase-morte, mesmo embora as músicas foram escritas e gravadas antes de adoecer.
As letras são geniais. “Standing In A Doorway”, por exemplo, parece um filme: "Don't know if I saw you / If I would kiss you or kill you / It probably wouldn't matter to you anyhow / You left me standin' in the doorway cryin' / I got nothing to go back to now" (Se eu encontrar você / Não sei se vou beijá-la ou matá-la / Provavelmente isso não lhe importaria / Você me deixaria na porta lamentando / E eu não tenho mais para onde ir). E Nesse trabalho Dylan veste a tradição com roupas contemporâneas, no que pode ser visto como um dos discos que marcam o fim do século XX.
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Basta a primeira frase de “Love Sick” – e o modo como o intérprete a canta – para sabermos que estamos diante de uma obra-prima: “I’m walking… Through streets that are dead (caminho pelas ruas mortas)”. Ele fala de amor, mas de um tipo amor cascudo onde as flores murcham, onde os buquês nunca são entregues e acabam sendo jogados em latas do lixo. E não é apenas o mérito do conteúdo escrito das canções, há muita sombra e pouca luz entrecortando a interpretação, e isso faz a excelência desse álbum. É um disco que fala da exiguidade da vida e que nos faz sentir o bafo da besta fungando no cangote. E só então podemos concluir que, apesar dos 'bangornaços', ainda estamos vivos!
"Time Out of Mind” é o melhor álbum de Dylan em décadas. O LP/CD imediatamente ganhou aclamação de críticos e fãs, e em pouco tempo chegou ao Top 10 das paradas, além de levar o Grammy de Álbum do Ano, tapando a boca de sua crescente lista de cínicos e opositores.
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E o legado do álbum continua. Dylan quebrou o pau com Lanois durante a feitura do disco, e depois disso, resolveu que apenas ele produziria seus novos trabalhos. Assim nasceu Jack Frost, alter-ego do artista que assina a produção de seus álbuns.
E novos frutos vieram, depois lançaria "Love and Theft" (2001), "Modern Times" (2006), "Together Through Life" (2009) e recentemente “Tempest" (2012).
Os últimos 15 anos foram o período mais fértil de Bob desde os anos 60, deixando na poeira muitos artistas de seu naipe que preferem apenas tocar antigos hits. Além disso, "Time Out of Mind" também mostra o ressurgimento de Dylan como vocalista, promovido tanto pela forma dos novos temas, quanto pelo desgaste natural de sua voz ao longo dos anos. E de certa forma, o som rouco que surge da garganta de Bob, uma voz ancestral e catarrenta, é o símbolo quase perfeito para o seu álbum quase perfeito.
Faz tempo que saiu, mas ainda não tinha visto. Peguei essa com a amiga Carolina Andrade. Chumlee, um dos caras da série norte-americana “Pawn Stars”, saiu à procura de Bob Dylan pelas ruas de Las Vegas. Ele acaba encontrando Bob e pede um autógrafo em um exemplar do LP “Self Portrait”.
ÁUDIO: Em entrevista, Eduardo Bueno fala de “Tempest”, 35° álbum de Bob Dylan
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O último Super Sábado Cultura da Gáucha SM teve como tema o cantor e compositor norte-americano Bob Dylan – que completou, em 2012, 50 anos de carreira. Sem demonstrar indícios de senilidade criativa, aos 71 anos, Dylan lançou essa semana, “Tempest”, seu 35° trabalho de estúdio.
E para descrença de muitos, nos últimos 15 anos, desde que colocou nas prateleiras o multiplatinado “Time Out of Mind”, álbum ganhador de três Grammys em 1997, o artista reencontrou sua veia artística.
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Em 2000, Dylan levou o Oscar de Melhor Canção Original, por “Things Have Changed”, tema composto sob encomenda para o filme “Garotos Incríveis”, de Curtis Hanson. Depois vieram “Love & Theft”, “Modern Times” e “Together Through Life”, discos laureados por crítica e público, além do álbum natalino “Christmas in theHeart”.
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E para destrinchar o novo álbum, rolou por telefone uma entrevista com Eduardo “Peninha” Bueno, que falou sobre os 10 temas do disco, que segundo resenhas dos principais veículos do gênero dos dois lados do Atlântico, já ganhou status de um dos melhores álbuns de 2012.
Morto há 36 anos,Jimmy Reed, um dos grandes nomes do blues de todos os tempos faria hoje (06) 87 anos. Nascido em Dunleith, no Mississipi, esse gaitista, guitarrista, cantor e compositor de mão cheia, influenciou diretamente artistas e bandas dos dois lados do Atlântico. Nomes como Elvis Presley, Bob Dylan, Eric Clapton, Brian Jones, Keith Richards, e tantos outros, podem ter certeza, caros amigos - beberam nos riffs e licks do homem em dado momento de suas carreiras, além de regravarem dezenas de canções do bluesman. Temas como “Big Boss Man”, “Bright Lights Big City”, “Shame Shame Shame”, “Baby What You Want Me to Do”, “Honest I Do”, “You Don't Have to Go”, estão entre os seus grandes sucessos.
Assolado pelo alcoolismo, Jimmy não conseguiu dar sequência aos anos de glória do seu trabalho (década de 50) e declinou na segunda metade dos anos 60. O músico morreu em Oakland, California em 1976, por insuficiência respiratória. No entanto, seu legado ainda o mantém vivo como um dos principais compositores do blues, sendo perfilado ao lado de baluartes como Robert Johnson, Willie Dixon e Muddy Waters.
Com comentários, impressões e citações extraídos da comunidade do FB Bob Dylan Brasil (Agradecimento: Doofy Mostarda, Sergio Alves, Carolina Andrade, Thiago Joey, Fábio Feldman, Thiago Ramires, e muitos outros dylanescos de plantão). Agradecimento especial: Denise B. Lopes.
Em primeiro lugar: aos 71 anos, ninguém, mas ninguém mesmo - toca Dylan como Dylan. E falo principalmente das canções dos últimos três álbuns – não incluindo o natalino “Christmas in the heart” (2009). Colocando no saco as novas músicas que acabamos de conhecer, essas faixas também foram compostos sob medida para a irregular voz catarrenta do cantor e compositor norte-americano. Inclusive, a voz de Bob é a única que ouvimos nos 58 minutos do álbum, não há backings nos 10 temas. Quanto a banda, a levada dos últimos trabalhos foi mantida: nada de virtuosismos e excessos - o disco tem apenas dois solos de guitarra - e o time que trabalha pro Chefe se contenta em apenas ser a escuderia do Homem.
E mais: profetizo sem medo de errar: ”Tempest”, lançado no dia 11, sem dúvida irá postular em todas as listas dos melhores de 2012. O título já e o recordista do ano no quesito pré-venda no site Amazon. Sobre o nome do álbum, especulou-se que seria uma referência “A Tempestade”, última obra de William Shakespeare. Em entrevista à revista Rolling Stone, Dylan laconicamente refutou a referência. Agora prepare-se - as letras, estão sim, shakespearianas e quilométricas: amor, tragédia, júbilo, traição, muitas referências bíblicas, a busca do amor e da vingança, violência, morte - e tantos outros temas comuns à humanidade há milênios. O conteúdo intelectual do novo trabalho incomoda, instiga. Nosso herói continua atormentado por seus fantasmas e afiado com a pena na mão. Confira as letras de "Tempest" no link
As primeiras resenhas norte-americanas do álbum apontam para a aclamação. Leia essa. A britânica Mojo e a norte-americana Rolling Stone deram cotação máxima ao disco. Já a Spin destrinchou com um toque de senso de humor a faixa título de "Tempest".
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Segundo o blog Dylanesco, a imagem da capa mostra um detalhe da fonte Palas Atena, localizada em Vienna, Áustria. Atena é, na mitologia grega, a deusa da guerra, da civilização, da sabedoria, da estratégia, das artes, da justiça e da habilidade. John Smith, um morador de Duluth, onde Dylan nasceu, afirmou no Facebook que na escola da cidade havia uma estátua parecida.
O bardo gravou o álbum em março, no Groove Masters, estúdio de Jackson Browne, em Santa Monica (Cal), com a banda que atualmente o acompanha na estrada (mesma trupe que passou pela Brasil em abril), mais a ajuda de David Hidalgo (Los Lobos). O disco foi produzido por Jack Frost, ou seja, pelo próprio Bob Dylan, já que Frost não passa de um alter ego do artista.
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“Tempest” começa com a satírica “Duquesne Whistle", escrita em parceria com Robert Hunter (letrista do Grateful Dead), começa como um foxtrote em fade-in que nos deixa com a sensação de estarmos ouvindo um radinho de pilha ao longe, como um som opaco vindo da cozinha. Piano, violão e guitarras fazem um empolgante esquenta jazzy de 43 segundos. Na sequência surge uma melodia repetitiva empurrada pela pulsação do contrabaixo acústico de Tony Garnier, em conjunto com a bateria de George Receli e a guita' rítmica de Stu Kimball. Donnie Heron, um dos responsáveis pela paleta country do álbum (ele também manda ver no banjo ao longo do trabalho) pontua sua steel guitar pelo tema. Dylan canta: “You say I’m a gambler/ You say I’m a pimp/ But I ain’t neither one” [Você diz que eu sou um jogador/ Você diz que eu sou um cafetão/ Mas eu não sou nenhum desses]. A banda soa como uma velha locomotiva passeando num desenho animado. “Duquesne Whistle” ganhou vídeo clipe e também foi escolhida para figurar como primeiro single do álbum (veja no final do post).
“Soon After Midnight” reza na cartilha country/soul. Também rememora Buddy Holly, parece algo familiar, antigo e deslocado no tempo. Steel guitar mandando ver, entrecortado por uma guitarra à lá James Burton. Dylan avisa que logo depois da meia noite, ele irá se encontrar com a Rainha das Fadas: "Charlotte's a harlot / Dresses in scarlet / Mary dresses in green / It's soon after midnight / And I've got a date with the Fairy Queen".
“Narrow Way" é um hipnótico blues pesado com riff de guitarra repetitivo que nos deixa em ponto de bala #MississippiShakesFeelings. Sim, caros senhores, ele surrupiou mais uma dos negões. A música nunca muda, e isso, acreditem - não é irritante! 7 min e 28 seg de pura festança, uma guitarra tapeando de leve a outra. Como galos de rinha reconhecendo o terreno e mostrando as esporas. Logo no início ele diz: "I won't even think about what I left behind" [eu não vou nem pensar naquilo que deixei para trás]. Quando estamos no meio do caminho, não tem outro jeito. Receli dá show na bateria. Alguém disse que “Narrow Way” poderia ter sido gravada em 1965, quem sabe seria uma boa faixa em “Bringing It All Back Home” ou “Highway 61 Revisited”. Não tenho dúvida que entrará no setlist de suas futuras apresentações. Outra constatação: acredito que Dylan tenha encontrado sua melhor banda, ou no mínimo a que mais raciocina na sua batida atual.
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“Long and Wasted Years” trata-se de outro tema chamuscado com influência caipira. Na introdução os músicos atuam como uma banda de quermesse com equipamentos de segunda mão. Quando Dylan canta, o lance fica mais sofisticado. Dá vontade de “tirar” a prenda e sair dançando de rosto colado pela casa. A melodia lembra “I'm tired Joey Boy”, de Van Morrison, tema que Dylan tocou no Theme Time Radio Hour, seu extinto programa de rádio. Outra balada valseada de lascar. A letra sugere um amor proibido e arrependimento. Em dado momento, Dylan confessa: "I wear dark glasses to cover my eyes / there are secrets in them i cant disguise [Eu uso óculos escuros para cobrir meus olhos / Há segredos neles eu não consigo disfarçar". Revelador.
Se buscarmos comparações com "Love & Theft, álbum lançado em 2001 (um dos preferidos de Bob), eis a "Mississippi" de "Tempest": "I pay in blood, but not my own" [Eu pago eu sangue, mas não com o meu]. Como um "outlaw" fumegando seu Colt ou na pele de um Caçador de Recompensas de um velho (novo) oeste apocalíptico, a sanguinária "Pay in Blood" tem o dito vocal catarrento e desgastado, tipo “recém acordei, fumei um charuto e vou cantar uma canção?!”. Desde já é minha preferida. Eu percebo resquícios de Stones nas guitarras, e nesse caso, abriria um exceção imaginando Keith Richards como vocalista. Imaginem como iria ficar?
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Bom, chegamos em “Scarlett Town”. Numa primeira audição, não tinha gostado da música. Violão na linha de frente, banjo no meio campo, piano minimalista e violino a lá "Scarlett" Rivera. Uma triste bonita melodia que poderia ser trilha sonora de um faroeste de Sam Peckinpah (eu já vi esse filme?!). A canção lembra vagamente o clima sombrio de “Nettie Moore”, de Modern Times. O solo de guitarra de Charlie Sexton emula Mark Knopfler, músico no qual o Boss já trabalhou. A letra se baseia nos versos de John Greenleaf Whittier, poeta abolicionista do século 19, além de (segundo a RS americana) fazer alusões a Lois Armstrong e Isley Brothers. E essa "Scarlett Town" que Dylan nos narra, pode ser qualquer pequena cidade cinzenta do mundo. Voltei ao bairro, a rua, relembrei muitas pessoas com as quais convivi. Quando adentramos o cerne do tema, Bob SEMPRE nos convence.
“Early Roman Kings” não passa de um blues descarado encardido que emula “I'm a man”, de Bo Didley. "Mais uma daquelas que o velho pega emprestado". Exato. Dylan aprecia recauchutar canções antigas. Algo que ele fez com mais frequência nos últimos álbuns. E esses empréstimos melódicos são comuns na história do blues. Como bem lembrou o amigo Sérgio Alves no FB:” I'm a Man” também foi inspirada em “Hoochie Coochie Man”, de Dixon. Por sua vez, serviu de ponto de partida para a criação de “Manish Boy”. Ou seja, ninguém é de ninguém. Destaque para o acordeão de David Hidalgo, fazendo as vezes de Little Walter e transformando a música numa espécie de Texmex Blues. Aparentemente, os “Roman Kings” a que se refere, não são os verdadeiros reis romanos de outrora, mas uma gangue nova-iorquina do início do século XX, formada, basicamente, por carcamanos.
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Eis o bando: Donny Heron, Tony Garnier, o Chefe, George Receli, Stu Kimball e Charlie Sexton
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“Tin Angel”, fala sobre um homem em busca de um amor perdido. Musicalmente é um dos pontos menos impressionantes do disco. De todo o modo, a banda fica apenas tiquetaqueando e fazendo a cama para que o narrador possa contar uma das mais enigmáticas e trágicas histórias de amor da biografia dylanesca. Desde “Isis” ele não incursionava por um tema tão brutal: “You died for me / I’ll die for you". [Você morre por mim / E eu morro por você]. Ela coloca a lâmina no seu coração e parte para a eternidade ao encontro do amante. E ao chegar ao céu, existem tochas brilhantes que iluminam noites e dias. Alguém tem dúvida que Dylan é o Shakespeare da música POP?
“Tempest”, a faixa título do trabalho emula uma das tragédias mais lembradas do século passado, o naufrágio do Titanic. O tema parece ter sido inspirado em uma canção da Família Carter. Dylan resgata uma antiga tradição folk/blues de narrar temas como desastres naturais, tragédias, naufrágios, etc. Essa autêntica epopeia dylanesca em ritmo de valsa que começa puxada por uma rabeca e acordeão, figura entre as três canções mais longas do compositor (13min e 54 seg), e mistura uma série de personagens obscuros com nomes ligados ao tema cinéfilo do filme, como o ator Leonard Di Caprio (mencionado duas vezes, como Leo). No entanto, esqueçam qualquer referência a James Cameron ou Celine Dion, o lance aqui é ancestral, remonta a uma antiga canção de ninar folclórica.
“Tempest” fecha as cortinas homenageando John Lennon. “Roll on John” saúda o velho amigo e narra episódios da carreira do Beatle, com direito a citações de “A Day in the life” cruzando frente a versos de William Blake: "From the Liverpool docks to the red-light Hamburg streets / Down in the quarry with The Quarrymen / Playing to the big crowds, playing to the cheap seats / Another day in the life on your way to your journey then". Novamente steel guitar, violões, um banjo rolando de leve. Belo tributo ao mais turbulento dos Fab Four.
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Simplesmente o Melhor Álbum de 2012. Na minha estante ficará lado a lado com "Time Out of Mind", "Love & Theft" e "Modern Times". Daqui há 20 ou 30 anos, tenham certeza, ainda vamos falar de "Tempest", e das profecias incrustadas nas letras, afinal: "Se a Bíblia estiver certa o mundo vai explodir". Certas vezes ficamos com medo das turbulências que entortam em frente nossos olhos. Eu afirmo: - nada como uma tempestade dessas para nos deixar encharcados de júbilo.
35° álbum de Bob Dylan será lançado no próximo dia 11
Já conhecíamos “Early Roman Kings”,“Duquesne Whistle” e parte de“Scarlet Town”. Agora é a vez de "Narrow Way" e "Pay in Blood", quarta e quinta canção que acabam de vazar na rede de "Tempest", novo álbum de Bob Dylan. "Narrow Way" é blues hipnótico com riff de guitarra repetitivo que nos coloca para dançar. "Pay in Blood" já é candidata a uma das melhores faixas do álbum. Dá pra sentir certo clima stonenano na música, com Dylan cantando como nunca.
A Sony bolou uma interessante estratégia de divulgação do álbum. A gravadora está disponibilizando canções de "Tempest" durante duas semanas em 100 locais do mundo para serem ouvidas em smartphones e dispositivos móveis com geolocalização. No país, o pub The Sailor (localizado em SP) foi escolhido como o ponto oficial.
Informações via Dylanesco. O Brasil está entre os países que receberão a campanha de pré-lançamento do novo disco de Bob Dylan, Tempest.
O álbum com lançamento agendado para o próximo dia 11, ganhou uma interessante estratégia de divulgação. A Sony disponibilizará durante duas semanas as músicas em 100 locais do mundo para serem ouvidas em smartphones e dispositivos móveis com geolocalização. No país, o pub paulista The Sailor foi escolhido como o ponto oficial.
A partir de terça-feira, 4 de setembro, quem estiver em um raio de 50 metros do local poderá ouvir cinco faixas de Tempest por streaming. A Sony Brasil não divulgou o link, mas provavelmente será pelo site ListenToBobDylan.com.
The Sailor está localizado na Av. Brigadeiro Faria Lima, 2776, e funciona de terça a sexta, a partir das 18h, e aos sábados, a partir das 20h.
“Tempest”, 35° álbum do bardo americano tem previsão de lançamento para o próximo dia 11 de setembro
Veja o vídeo de “Duquesne Whistle”, novo single de Bob Dylan dirigido por Nash Edgerton. No clipe da canção co-escrita com Robert Hunter(colaborador do Grateful Dead), um jovem desocupado faz de tudo para conquistar uma garota desconhecida, e como resultado, o cara se mete numa enrascada danada! Dylan aparece como chefe de uma pequena gangue de rua. Entre seus comandados, perceba um clone de Gene Simmons, baixista e vocalista do Kiss.
Um espetáculo!
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Quanto ao som, "Duquesne Whistle" e sua introdução foxtrote em fade-in nos deixa com a sensação de estarmos ouvindo um radinho de pilha ao longe, como um som opaco vindo da cozinha. Piano, violão e guitarras fazem um empolgante esquenta jazzy de 43 segundos. Na sequência surge uma melodia repetitiva empurrada pela pulsação do contrabaixo acústico de Tony Garnier, em conjunto com a bateria de George Receli e a guita' rítmica de de Stu Kimball e David Hidalgo (Los Lobos). A banda soa como uma velha locomotiva passeando num desenho animado. O tema lembra o clima satírico de “Love & Theft” (2001).
Tempest, 35° album de estúdio do músico norte-americano, será lançado em setembro
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Eis a terceira música disponibilizada para a audição de “Tempest”, novo álbum de Bob Dylan com data de lançamento agendado para 11 de setembro. Ouça as faixas já liberadas há algumas semanas - "Scarlet Town" (um trechinho) e "Early Roman Kings" (na íntegra).
Já "Duquesne Whistle" e sua introdução foxtrote em fade-in nos deixa com a sensação de estarmos ouvindo um radinho de pilha ao longe, como um som opaco vindo da cozinha. Piano, violão e guitarras fazem um empolgante esquenta de 43 segundos. Na sequência surge um clima meio rock’n’roll e ragtime, puxado pela pulsação do contrabaixo acústico de Tony Garnier, em conjunto com a bateria de George Receli e a guita' rítmica de de Stu Kimball e David Hidalgo (Los Lobos), que fazem as vezes de uma locomotiva passeando por um desenho animado. O tema lembra o clima satírico de “Love & Theft” (2001).
"Duquesne Whistle" foi escrita por Dylan e Robert Hunter (letrista do Grateful Dead). O velho 'tá cantando muito naquela levada "vocal catarrento"... E que baita riff de guitarra de Charlie Sexton!
Já falamos aqui no blog de “Early Roman Kings”, primeiro som que veio a tona de “Tempest”, novo álbum de Bob Dylan que chega às lojas no próximo dia 11 de setembro.
A música foi divulgada no trailer da segunda temporada de Strike Back, seriado da TV a cabo norte-americana veiculado no Cinemax e HBO. A nova temporada do seriado estreou na última sexta-feira (17), nos Estados Unidos, e nesta mesma noite o canal a cabo trouxe ao mundo um trecho de Scarlet Town, segunda canção revelada de Tempest.
Novidade Dylanesca via Collector’s Room, blog so amigo Ricardo Seelig. Que a parceria entre Bob Dylan e a The Band produziu alguns dos momentos mais importantes da carreira do compositor norte-americano, todo mundo sabe. Desse choque causado por abordagem elétrica em uma sonoridade até então acústica às gravações que se transformariam no antológico "The Basement Tapes", a relação foi sempre muito produtiva. As famosas fitas do porão da Big Pink, casa localizada emWest Sugerties, NY (pertinho de Woodstock), foram gravadas entre junho e outubro de 1967. Na época, os integrantes do The Band, eBob Dylan registraram mais de 50 canções. Apenas 25 temas entrariam do LP duplo, que foi lançado oficialmente em 1° de junho de 1975.
A ideia original era fazer algumas demos para oferecer a outros artistas, e não fazer delas um álbum. Só que essas canções registradas em fitas rolos com a ajuda de mesas valvuladas Altech e microfonesNeumann acabaram vazando, virando um prato cheio para a pirataria no final dos anos 60. Foram dezenas de bootlegs circulando pelos quatro cantos do mundo, sendo que, que praticamente oito anos depois, ao ser lançado oficialmente, o disco já era de domínio público. Toda essa história é abordada no documentário “Down in the Flood”, que será lançado em DVD no dia 25 de setembro. O filme narra desde o primeiro encontro de Dylan com a futura The Band, quando o grupo ainda se chamada The Hawks, até as sessões de gravação e composição que geraram "The Basement Tapes", tudo complementado com cenas de arquivos e novas entrevistas. Depoimentos de Garth Hudson, Mickey Jones (baterista da turnê de 1966), Ronnie Hawks (líder e vocalista dos Hawks), Charlie McCoy e John Simon, produtor do disco de estreia da The Band, o clássico "Music From Big Pink" (1968).
Um trabalho arqueológico digno de elogios, "Down in the Flood" tem tudo para se tornar muito mais do que apenas um documentário musical, transformando-se em um verdadeiro documento sobre uma das parcerias mais influentes da história do rock.
O colaborador do site da Itapema, cronista do DSM e locutor/apresentador da Rádio Gáucha SM, Márcio Grings, nasceu no dia que Jimi Hendrix fazia seu último show. Nessa mesma semana, Janis Joplin dava seu último suspiro na capa da revista Rolling Stone. Nessa temporada, Elvis era o rei dos palcos em Vegas e o Led Zeppelin tomava de assalto a América. Nesse ano, Syd Barret já tinha pirado faz tempo e os Mutantes ainda eram a melhor banda brazuca, enquanto isso, Dylan ainda estava criando galinhas em Woodstock e o Grateful Dead acabara de vender a alma para a música country.
No despertar da nova década, Lennon decretara o fim do sonho, e poucos meses antes, Jack Keroauc tinha bebido sua última garrafa de vinho