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Posts com a tag "The Band"

Rumores: Robbie Robertson, do The Band, fala sobre a oficialização dos outtakes de Basement Tapes de Bob Dylan

03 de outubro de 2013 0

Robbie-Robertson-27-09-13#

Após o lançamento de “Another Self Portrait “, Volume 10 dos Bootleg Series de Bob Dylan, começaram a rolar fortes rumores de que o próximo volume da série de oficializações do material proscrito do músico norte-americano será dedicada ao álbum “The Basement Tapes”, lançado em 1975 , gravado com a companhia do The Band. Robbie Robertson, guitarrista do grupo e sideman de Bob em vários trabalhos de peso, falou o seguinte a revista Billboard:

“Eu tenho ouvido falar sobre isso por um bom tempo e sabemos que há muito material gravado não lançado desse período. (…) Depois de tantos anos, ainda me agrada o lance de compartilhar esse material com o restante mundo. Havia tanta liberdade para a criação que na época chegamos a pensar que nunca alguém iria se interessar por aquelas canções”.

Robertson, também falou sobre o recente lançamento de “Live at the Academy of Music 1971”, que contém as gravações completas do álbum ao vivo da banda “Rock of Ages” (1972).

“Sempre achei que aquele disco poderia ter soado melhor. Então, há alguns meses, o pessoal da gravadora me contatou e falou que haviam encontrado grande parte das fitas originais do show na Academy of Music. Daí eles me perguntaram se eu gostaria de trabalhar naquele material. Respondi que nunca fiquei completamente satisfeito com o que foi lançado na época. Foi uma honra mexer naquelas fitas com mais calma, algo que eu deveria ter feito desde o princípio”.

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Box reúne apresentações do The Band no final de 1971

31 de agosto de 2013 0

1157417_646332802052534_518268259_nVia Collectors Room

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Novidades sobre uma das bandas mais cultuadas da história do rock. A sensacional The Band terá uma de suas performances ao vivo mais emblemáticas lançada em um box com quatro discos.

“Live at the Academy of Music – 1971″ traz a íntegra dos quatro shows realizados pelo grupo na casa que dá nome à caixa, localizada em Nova York, no final de 1971. Como cereja do bolo, a apresentação de ano novo contou com a participação mais do que especial de Bob Dylan.

Algumas das faixas desses shows haviam sido lançadas no duplo ao vivo Rock of Ages (1972), mas agora será a primeira vez que os concertos serão disponibilizados oficialmente em todo o seu esplendor e glória.

Os dois primeiros discos trazem todas as músicas tocadas pela banda durante os quatro shows, enquanto os discos três e quatro vem com a íntegra do show da virada de 1971 para 1972 que contou com a presença de Dylan. Acompanha o pacote um DVD com as faixas dos dois primeiros discos em mixagem 5.1, mais vídeos das versões ao vivo para “King Harvest (Has Surely Come)” e “The W.S. Walcott Medicine Show”.

O box vem com um livro de 48 páginas com capa dura que traz fotos inéditas, a reprodução do review original da Rolling Stone para Rock of Ages, um texto escrito por Robbie Robertson e comentários escritos por Jim James e pelos músicos do Mumford & Sons.

Além do box, os dois primeiros discos serão disponibilizados também em uma edição mais magra, em CD duplo.

Abaixo o tracklist completo de Live at the Academy of Music 1971:

CD 1

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The W.S. Walcott Medicine Show (Friday, December 31)
The Shape I’m In (Friday, December 31)
Caledonia Mission (Thursday, December 30)
Don’t Do It (Wednesday, December 29)
Stage Fright (Friday, December 31)
I Shall Be Released (Thursday, December 30)
Up On Cripple Creek (Thursday, December 30)
This Wheel’s On Fire (Wednesday, December 29)
Strawberry Wine (Tuesday, December 28) [previously unreleased]
King Harvest (Has Surely Come) (Friday, December 31)
Time To Kill (Tuesday, December 28)
The Night They Drove Old Dixie Down (Wednesday, December 29)
Across The Great Divide (Thursday, December 30)

CD 2

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Life Is A Carnival (Thursday, December 30)
Get Up Jake (Thursday, December 30)
Rag Mama Rag (Friday, December 31)
Unfaithful Servant (Friday, December 31)
The Weight (Thursday, December 30)
Rockin’ Chair (Wednesday, December 29)
Smoke Signal (Tuesday, December 28)
The Rumor (Thursday, December 30)
The Genetic Method (Friday, December 31)
Chest Fever (Tuesday, December 28)
(I Don’t Want To) Hang Up My Rock And Roll Shoes (Wednesday, December 29)
Loving You Is Sweeter Than Ever (Wednesday, December 29)
Down In The Flood (The Band with Bob Dylan) (Friday, December 31)
When I Paint My Masterpiece (The Band with Bob Dylan) (Friday, December 31)
Don’t Ya Tell Henry (The Band with Bob Dylan) (Friday, December 31)
Like A Rolling Stone (The Band with Bob Dylan) (Friday, December 31)

CD 3

 

New Year’s Eve At The Academy Of Music 1971 (The Soundboard Mix)
Up On Cripple Creek [previously unreleased]
The Shape I’m InThe Rumor [previously unreleased]
Time To Kill [previously unreleased]
Rockin’ Chair [previously unreleased]
This Wheel’s On Fire [previously unreleased]
Get Up Jake [previously unreleased]
Smoke Signal [previously unreleased]
I Shall Be Released [previously unreleased]
The Weight [previously unreleased]
Stage Fright

CD 4

New Year’s Eve At The Academy Of Music 1971 (The Soundboard Mix)
Life Is A Carnival [previously unreleased]
King Harvest (Has Surely Come)
Caledonia Mission [previously unreleased]
The W.S. Walcott Medicine Show
The Night They Drove Old Dixie Down [previously unreleased]
Across The Great Divide [previously unreleased]
Unfaithful ServantDon’t Do It [previously unreleased]
The Genetic MethodChest Fever [previously unreleased]
Rag Mama Rag
(I Don’t Want To) Hang Up My Rock And Roll Shoes [previously unreleased]
Down In The Flood (with Bob Dylan)
When I Paint My Masterpiece (with Bob Dylan)
Don’t Ya Tell Henry (with Bob Dylan)
Like A Rolling Stone (with Bob Dylan)

DVD

Live At The Academy Of Music 1971 in 5.1 Surround Sound
The W.S. Walcott Medicine Show
The Shape I’m In
Caledonia Mission
Don’t Do It
Stage Fright
I Shall Be Released
Up On Cripple Creek
The Wheel’s On Fire
Strawberry Wine [previously unreleased]
King Harvest (Has Surely Come)
Time To Kill
The Night They Drove Old Dixie Down
Across The Great Divide
Life Is A Carnival
Get Up Jake
Rag Mama Rag
Unfaithful Servant
The Weight
Rockin’ Chair
Smoke Signal
The Rumor
The Genetic Method
Chest Fever
(I Don’t Want To) Hang Up My Rock And Roll Shoes
Loving You Is Sweeter Than Ever

Archival Film Clips – December 30, 1971
King Harvest (Has Surely Come) [previously unreleased]
The W.S. Walcott Medicine Show [previously unreleased]

Confira abaixo uma apresentação do Band em 1971, em Paris.

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Primeira audição: Another Self Portrait - Bootleg Series Volume 10

25 de agosto de 2013 0

imagemEm primeiro lugar, muito me agrada essa encarnação pai de família de Bob Dylan, meio que dando uma de pequeno fazendeiro e criador de galinhas em Woodstock. Gosto de quase tudo que foi gravado entre 1967 e 1971, época em que Dylan apostou nas tintas do country music e buscou um som mais conectado as raízes do cancioneiro norte-americano. Por isso,  “Another Self Portrait”, volume 10 dos Bootleg Series do homem, tem todas as credenciais para se tornar uma das minhas compilações favoritas. Muitas dessas canções já circularam de forma ilícita na internet, ou em lançamentos não oficiais ao redor do mundo. Bom, esse é um dos objetivos da série de Bootlegs: oficializar (e capitalizar) o melhor dessas “sobras” da carreira do artista.

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O pacote completo traz 53 músicas, grande parte delas são outtakes de “Nashville Skyline” (1969), “Self Portrait” (1970) e “New Morning” (1970), mais material excluído (ou não incluído) nestes álbuns, além do show de Dylan no Festival da Ilha de Wight, acompanhado do The Band, em 31 de agosto de 1969, e também takes das sessões com George Harrison em Nova York, em 1970.

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bob_sara_jesse_1968#

O maior número dos temas se trata de releituras de clássicos do ideário musical do seu país, uma das poucas vezes que Dylan se arriscou como intérprete. Na época, soou como desastroso pela crítica. Hoje, parte da imprensa musical o elogia, e muitos de seus fãs adoram essa época “crooner caipira”.

“Another Self Portrait” chega às lojas na próxima quinta-feira dia 29/08.

downloadEm uma primeira audição, aponto alguns destaques:

“Pretty Saro”, canção tradicional da época da Guerra Civil norte-americana, não foi incluída em “Self Portrait” e nos deixa cabreiro com os critérios que determinaram sua exclusão do álbum. Disparado uma das melhores músicas do pacote.

“Annie’s Going To Sing Her Song”, tema do folk singer Tom Paxton parece ter sido feita sob encomenda para a voz do bardo. No solo, o violão nos lembra aqueles acordes das serenatas mexicanas.

“Spanish is the Love Tongue” foi incluída no álbum “Dylan”, de 1973, primeira leva de sobras de “Self Portrait”. O LP saiu contra a vontade de Dylan, devido a uma pendenga contratual entre ele e a Columbia. Entre as canções apócrifas desse período, ‘Spanish’ sempre foi uma das minhas favoritas. Também foi lançada em compacto (em outra versão) como Lado B de “Watching The River Flow”. Já o take de “Another Self Portrait” apresenta apenas a voz de Bob e o piano, como se fosse apenas um aquecimento, no clima de ensaio mesmo, nesse número onde ele mistura espanhol e inglês.

“I Threw It All Way”, aparece em duas versões. A primeira ‘tá linda e macia de doer, com Dylan cantando um tanto mais relaxado que o take que conhecíamos de “Nasville Skyline”. Na versão ao vivo, “I Threw It All The Way”, com o Band, surge diferente, um pouco mais ao estilo daquilo que está na gema de “Basement Tapes”.

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“All The Tired Horses” lembra meu filho. Ele adorava ouvir esse som quando ele era pequenino. Lembro-me dele de xupeta na boca, sentado no sofá da sala ouvindo comigo. Deu saudade. Essa tomada sem overdubs é um novo sopro nessa canção de ninar em que Dylan não participa como cantor, há somente vozes femininas repetindo duas frases: “All the tired horses in the sun / How am I supposed to get any riding done?”.

“If Not For You” e sua rabeca caipira é um momento exuberante. Como ele pode fazer isso? É outra música, tão boa quanto às versões que já conhecíamos.

“Wigwam”, ‘tá menos pomposa que a original, sem overdubs e os metais. O piano salta aos ouvidos e o “la-ra-la-lá, la-ra-li” de Bob funciona como uma melodia sem letra embalada apenas por violões e teclas.

“I’ll be your baby tonight” (ao vivo), canção que encerra “John Wesley Harding (1967), conta com os backings do Band. Sai de cena o country do take original: – rock and blues na veia.

“Highway 61 Revisited” em duas versões. Primeiro como um blues caipira. Depois ressurge explosiva com o Band no show da Ilha de Wight.

“Bring Me a Little Water”, tema tradicional das sessões de “New Morning”, é música ecumênica pra tocar do domingo, antes do culto.

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Se não fosse a letra que acena para o fim do sonho dos anos 1960, “Sign on the Window” se enquadraria perfeitamente na trilha sonora de um western. Essa tomada de uma das melhores canções de “New Morning”, resurge com orquestrações e até uma harpa no final.

“New Morning” com metais. Surpreendente e mais quente que a versão do álbum.

Diferente e bacana o take de “Time Pass Slowly” com pegada rock and roll.

“When I Paint My Masterpiece” é uma das mais belas poesias de Dylan. Versão voz e piano demo 1. Impossível não se lembrar da releitura do Band, em “Cahoots”, com Levon Helm no vocal.

“One Too Many Mornings” traz Dylan e o Band mudando o andamento do som o tempo todo. Demais.

“I Pity The Poor Immigrant” ganhou um acordeon de Garth Hudson. Música pra festa junina. Diliiiicia.

Parte das canções você ouve aqui

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Há 38 anos, chegava às lojas Basement Tapes, álbum de Bob Dylan e The Band

26 de junho de 2013 0

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Por Ismael Calvi Silveira

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Hoje, dia 26 de junho, é dia de festa. Estamos todos nós, fãs daquilo que veio a se convencionar como “Americana”, cheio de motivos para estarmos celebrando: hoje completam 38 anos do lançamento de “The Basement Tapes”, o registro oficial da primeira colaboração entre Bob Dylan e The Band, um encontro que mudaria o rumo da música norte-americana. Apesar de ter sido lançado apenas em 1975, as sessões que geraram “The Basement Tapes” ocorreram em 1967 e já circulavam, por baixo dos panos, como bootlegs. Vejamos, então, do que se trataram estas sessões e qual a importância deste disco chamado “The Basement Tapes”.

Depois de uma extensa turnê mundial entre 65 e 66, apoiado pelos The Hawks (era assim que eles eram chamados antes de virarem The Band), Bob se encontrava cansado e havia caído em certa desgraça com seu público, que até o chamava de “Judas” por ter abraçado uma sonoridade mais próxima ao rock’n’roll. Quando retornou aos EUA, seu agente havia marcado mais inúmeras apresentações através do país, que acabaram sendo todas canceladas por um grande infortúnio. Em 29 de julho de 66, Dylan sofreu um acidente de moto que mudaria tudo. Como o próprio Bardo declarou, em entrevista cedida em 69: “Eu tive um pavoroso acidente que me deixou fora da ativa por um tempo, e eu não percebi a importância daquele acidente pelo menos até ter se passado um ano. Eu percebi que havia sido um acidente real. Quer dizer, eu pensei que eu apenas me levantaria e voltaria a fazer o que eu fazia antes… mas eu não podia mais fazer isso”.

Em sua casa, próxima a Woodstock, Dylan mudou seu estilo de vida durante o ano de 67. Os Hawks foram chamados para comparecer à cidade para gravar com Dylan, e alugaram a Big Pink (casa que os rapazes tornariam famosa dois anos depois, ao lançar seu disco de estreia, “Music From Big Pink”). Nesse tempo que estiveram juntos, por vários meses, Dylan se reaproximou da música norte-americana de raiz e apresentou os caras da The Band a esse universo, já que até ali, eles eram estritamente músicos de rock. Entre a gravação de versões para antigas canções tradicionais e a composição de novos temas, uma certa sinergia surgiu entre mentor e alunos. O porão do Big Pink fornecia o pano de fundo caseiro, intimista, para o disco; a banda trabalhava para deixar Bob à vontade; e Dylan, por sua vez, destilava seu humor através da genialidade na composição. Havia algo ali de cunho bastante familiar, caseiro. E é disso que trata “The Basement Tapes” e os demais bootlegs: um ambiente rural, quieto e profundamente familiar.

É claro que o lançamento oficial, tão afastado das sessões originais, gerou polêmicas e controvérsias. A seleção de faixas, 24 ao todo, não representam todo o material composto em 67 e, na verdade, tem 8 músicas que nem sequer contam com a participação de Dylan. De acordo com Robbie Robertson, principal responsável pela seleção das canções que entraram no álbum, isso aconteceu porque nem ele, nem Bob Dylan e nem Garth Hudson tinham acesso a todas as gravações originais. Criou-se um clima tenso, também, ao redor do disco: alguns críticos acreditavam que a inclusão das oito músicas da The Band era a forma de Robertson afirmar que o grupo fora tão ativo nas Basement Tapes quanto o Bardo. Para os mesmos críticos, isso era um sacrilégio, já que as faixas da The Band “atrapalhavam a unidade do material de Dylan”.

Mas polêmicas à parte, o álbum é, na minha singela opinião, sensacional. Há, nele, algumas de minhas canções favoritas da parceria Dylan/Band. “Goin’ To Acapulco” certamente seria minha escolha primária, mas “Clothes Line Saga”, “Too Much Of Nothing”, “You Ain’t Goin’ Nowhere” e, é claro, “This Wheel’s On Fire” não podem ficar muito pra trás. Acredito, inclusive, que essas canções servem muito bem para dar uma amostra geral da unidade do álbum. As temáticas mais frequentes foram o nada, sinalizando para o caráter descompromissado das sessões de gravação: eram apenas amigos se divertindo. E, nesse meio tempo, Bob Dylan pôde se reinventar e, também, se redescobrir. De certa forma, “The Basement Tapes” ia à contramão de outros álbums gravados em 67, como, por exemplo, o “Sargeant Pepper Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles. Como afirmou Bob em uma entrevista datada de 78: “Eu não sabia como gravar da mesma forma que as outras pessoas fazem, e eu nem queria. Os Beatles tinham recém lançado Sgt. Pepper, que eu não curti nem um pouco. Achei ele um álbum bastante indulgente, apesar de as músicas neles seram realmente boas. Eu não achava que toda aquele produção fosse necessária.”

De qualquer forma, o que surgiu a partir disso foi o princípio de um novo jeito de se fazer (e mesmo de se pensar) música. Uma abordagem mais direta, sem tanta produção, que mergulhava em um universo ancestral de sonoridades que formaram a identidade musical norte-americana. “The Basement Tapes” e os outros bootlegs foram instrumentais na construção do “roots rock” e do “americana”, eles materializaram um som tornado uníssono, que até então era uma multiplicidade enorme de estilos. Country, folk, blues… tudo foi jogado dentro do caldeirão, temperado com um rock suave e mexido até ferver e formar algo novo e único – algo genuinamente americano. E isso fica claro se nós dermos uma ouvida na discografia da The Band, por exemplo. Como explicou Joanna Colangelo, do site No Depression, no seu artigo “The Weight: Quando uma canção se torna um hino”, o som da The Band, ou mais especificamente a canção “The Weight”, representam a própria essência daquilo que é genuinamente americano.

Aquilo que foi alguns meses na vida de seis amigos acabou se tornando eterno na história da música. Horas de gravação se transformaram em um legado extenso de influência e de celebração. E é exatamente por isso que comemoramos hoje, 38 anos depois do lançamento da versão oficial daquelas gravações, as “The Basement Tapes”.

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Veja o trailer oficial de Ain't In It For My Health, documentário sobre Levon Helm, do The Band

10 de abril de 2013 0

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Acaba de ser divulgado o primeiro trailer do documentário “Ain’t in It for My Health”, filme dirigido por Jacob Hatley que resgata a vida e a obra do baterista do The Band. O doc será lançado ainda esse mês nos Estados Unidos, em 19/04, mesmo dia que o mundo da música lembrará o primeiro ano de falecimento de uma lenda do nosso tempo.

Mais informações no link.

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Levon Helm, baterista do The Band, ganhará documentário e show em memória ao primeiro ano de seu falecimento

05 de abril de 2013 0

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Documentário e tributo ao vivo acontecem no próximo dia 19 de abril

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Atenção fãs de Levon Helm. Um documentário sobre a vida do baterista do The Band será lançado ainda esse mês nos Estados Unidos.  ”Ain’t in It for My Health:  A Film About Levon Helm”, foi dirigido por Jacob Hatley, que ficou na cola de Helm por dois anos, principalmente na época das gravações do álbum “Electric Dirty” (2009).

Em entrevista a Rolling Stone, o guitarrista Larry Campbell, diretor musical e guitarrista de Helm, rasgou elogios ao cineasta: “Jacob foi a perfeita mosca na parede que observou os altos e baixos de uma banda e seu líder por muitos meses, durante uma época maravilhosa de nossas vidas”.

O documentário irá estrear no  New York’s Cinema Village no 19 de abril –    data  que marca o primeiro aniversário do falecimento do músico. Logo  depois o filme ganhará exibição em diversas cidades americanas. Não há  informações sobre a distribuição na Europa e Brasil (provavelmente não seja  lançado por aqui).

Ainda no dia 19, o ex-The Band, Garth Hudson, parceiro de vários anos do  baterista, além de outros nomes não revelados, realizarão um show em  tributo ao músico no Tarrytown Music Hall, também em NY. O evento,  batizado de  ”Songs Of The Band”, também homenageará outros membros falecidos do Band (Rick Danko e Richard Manuel).

Mais informações no link. Veja o trailer.

Eis um trechinho do doc.

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Bob Dylan & The Band em novo documentário

17 de agosto de 2012 3

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DVD será lançado no dia 25 de setembro

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Novidade Dylanesca via Collector’s Room, blog so amigo Ricardo Seelig.  Que a parceria entre Bob Dylan e a The Band produziu alguns dos momentos mais importantes da carreira do compositor norte-americano, todo mundo sabe. Desse choque causado por abordagem elétrica em uma sonoridade até então acústica às gravações que se transformariam no antológico “The Basement Tapes”, a relação foi sempre muito produtiva. As famosas fitas do porão da Big Pink, casa localizada em West Sugerties, NY (pertinho de Woodstock), foram gravadas entre junho e outubro de 1967. Na época, os integrantes do The Band, e Bob Dylan registraram mais de 50 canções. Apenas 25 temas entrariam do LP duplo, que foi lançado oficialmente em 1° de junho de 1975.

A ideia original era fazer algumas demos para oferecer a outros artistas, e não fazer delas um álbum. Só que essas canções registradas em fitas rolos com a ajuda de mesas valvuladas Altech e microfones Neumann acabaram vazando, virando um prato cheio para a pirataria no final dos anos 60. Foram dezenas de bootlegs circulando pelos quatro cantos do mundo, sendo que, que praticamente oito anos depois, ao ser lançado oficialmente, o disco já era de domínio público. Toda essa história é abordada no documentário “Down in the Flood”, que será lançado em DVD no dia 25 de setembro. O filme narra desde o primeiro encontro de Dylan com a futura The Band, quando o grupo ainda se chamada The Hawks, até as sessões de gravação e composição que geraram “The Basement Tapes, tudo complementado com cenas de arquivos e novas entrevistas. Depoimentos de Garth Hudson, Mickey Jones (baterista da turnê de 1966), Ronnie Hawks (líder e vocalista dos Hawks), Charlie McCoy e John Simon, produtor do disco de estreia da The Band, o clássico “Music From Big Pink” (1968).

Um trabalho arqueológico digno de elogios, “Down in the Flood tem tudo para se tornar muito mais do que apenas um documentário musical, transformando-se em um verdadeiro documento sobre uma das parcerias mais influentes da história do rock.

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Aos 71 anos, morre Levon Helm, da The Band

19 de abril de 2012 3

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Acabo de ler no site da revista Rolling Stone americana. Levon Helm se foi aos 71 anos. Valeu pelo aviso Pedro Couto. De acordo com Larry Campbell, guitarrista que integrava sua banda, Levon morreu cercado de amigos, parentes e de seus músicos. “Por mais triste que tenha sido, ele foi em paz”, afirmou. Sua vida foi repleta de glórias e reconhecimento. Como disse a jornalista Ana Maria Bahiana em seu réquiem: “Ele valsou da bateria para a tela… E além”.

A notícia de que ele não estava bem caiu como uma bomba na última terça-feira. O toque veio via Sérgio Alves, amigo on-line de Recife. A nota falava que Levon Helm havia perdido sua batalha para o câncer.  A família apenas esperava sua morte. Estava viajando e fiquei contaminado pela tristeza do recado. Procurei nos arquivos de áudio do meu telefone se tinha algo do Levon. Tinha. Ouvi várias vezes “Forever Young”, canção gravada em 1974 por Dylan and The Band (tá no disco “Planet Waves”). Ao lado do Band, banda que entrou na lista do 100 Melhores Artistas de Todos os Tempos da Rolling Stone em 2004, Helm chegou ao topo do sucesso como músico. Ele era a alma da banda. “Eu não me preocupo muito com coisas que não podem me dar prazer. Não se tira nada de bom de algo assim”, disse certa vez em uma entrevista”.

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Ontem sua família agradeceu as milhares de declarações de solidariedade e apoio vinda dos fãs, que não paravam de chegar via Twitter Facebook.

“Obrigado a vocês, fãs e amantes da música que tornaram sua vida tão cheia de alegria e celebração.”, agradeceram sua esposa Sandy, e a filha Amy, ainda no comunicado, para expressar o quanto Helm gostava de fazer o povo dançar – do jeito que ele sempre fazia a cada vez que subia no palco”

Levon Helm foi músico de apoio de Ronnie Hawkins, passou pro time de Bob Dylan, fez história como integrante do The Band, um dos grupos mais importantes do final dos anos 60, início dos 70, e também excursionou com Ringo Starr e sua All Stars Band. Em 1998, Levon parecia ter chegado ao fim da linha, isso após ser diagnosticado com um câncer na garganta que dava pintas de ser mortal. Não foi. Ele se recuperou e ensaio sua volta. Parcialmente recuperado, a grave enfermidade lhe roubou parte da potência vocal.

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E Levou um bom tempo para Levon  retornar “valendo” às atividades. Isso aconteceu em 2007 com o bom álbum “Dirty Farmer”. Para celebrar sua volta à ativa, em 17 de setembro de 2008, o texano e sua banda subiram ao palco do Nashville Ryman Auditorium (show que virou DVD), tradicional casa de espetáculos da música Country. A noite foi especial, Helm valorizou sua volta ao circo da música revisitando alguns de seus clássicos e ainda recebendo vários amigos e convidados. E Levon Helm não parou por aí. Tanto que no ano seguinte lançou “Electric Dirty, álbum que lhe deu um Grammy (Melhor Álbum de Americana) e definitivamente mostrou sua recuperação artística.

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O ex- guitarrista da The Band, Robbie Robertson, manifestou apoio ao ex-colega de banda (com quem tocou entre 1964 e 1976) no último sábado (14), durante a cerimônia do Hall da Fama do Rock and Roll. E mais, nesta quarta-feira (19) Levon recebeu a visita de Robbie, que resolveu sobrepujar vários anos de discussões e estranhamentos para visitar o antigo parceiro no hospital. Robertson disputava com Helm um dos feudos mais prolongados de música, briga que se estendeu por mais de 35 anos. A pendenga era referente aos direitos autorais de “Last Waltz”, show de despedida da formação original que aconteceu em San Francisco, em 1976. O concerto virou um filme dirigido por Martin Scorcese. Helm se queixava de desigualdade nos pagamentos de royalites da obra. Lembrando que Robertson era o principal compositor da banda, e na época, se valeu disso para abocanhar as fatias mais generosas de arrecadação. Helm nunca o perdoou. Até ontem, quando a dupla fez as pazes.

E nesta quinta-feira (19) foi anunciado que Levon Levon finalmente partiu, as 13h30min de hoje, no Memorial Sloane-Kettering Cancer Center, em Nova York. Levon merece nossas orações e sentimentos. Afinal, um gigante da música do nosso tempo acaba de dar seu adeus.

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White Light, a obra prima de Gene Clark

17 de setembro de 2011 1

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Passados 40 anos, álbum do ex-The Byrds ainda permanece desconhecido do grande público

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Na verdade esse lance de rótulos é uma grande idiotice. Entretanto, vamos a eles em busca de um norte ao nobre leitor. Poucas vezes, o folk rock nos deu um filho tão promissor quanto o cantor e compositor Gene Clark. E não podemos falar apenas de folk rock, Clark também transitava no country com a propriedade de um veterano do gênero. Tanto que logo que saiu do The Byrds, banda que ajudou a formatar nos dois anos que ficou por lá (1964-1966) Gene lançou dois trabalhos espetaculares de country ao lado do instrumentista Doug Dillard. Só que em 1971, aos 27 anos, o vocalista e compositor voltou à estrada que havia deixada abandonada quando saiu dos Byrds.

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Há 40 anos Gene Clark lançava sua obra prima, um LP que ainda continua obscuro ao grande público, contudo se trata de um dos melhores trabalhos de todos os tempos quando o assunto é folk, pop, rock (com ares californianos) e country. É difícil de acreditar, mas o ex-Byrds não conseguiu obter sucesso comercial com White Light (lançado em agosto de 1971), e nem com qualquer outro de seus trabalhos solo. No entanto, quem disse que há justiça nesse mundinho de artistas e rádios cheio de esquemas para colocar na roda música de segunda linha. No caso de White Light, o fracasso comercial talvez se deva mais as idiossincrasias e à forte personalidade do protagonista do que a falhas do disco. Por exemplo, na época ele se negou a excursionar na promoção do novo trabalho, apesar do LP fazer um sucesso na Holanda, onde os críticos o escolheram como Álbum do Ano por lá.

Ouça a obra completa aqui

Das nove canções do disco,  apenas uma não foi escrita por Gene, Tears of Rage,  música composta por Bob Dylan e o pelo pianista do The BandRichard Manuel, que ganhou uma melancólica versão mais amaciada que o tema original que saiu no primeiro álbum do Band. Quanto as temas originais, In A Spanish Guitar ganhou elogios do próprio Dylan, que disse na época que gostaria de ter composto a canção. Minhas preferidas são The VirginBecause  of You e With Tomorrow e a espetacular One In A Hundred. Esse é um daqueles discos em que o violão e a harmônica (instrumentos a cargo do compositor) são onipresentes em grande parte da textura sonora. Não há oscilações, ele gravou uma obra prima acústica ao lado de Chris Ethridge (baixo) Gary Mallaber (bateria), Mike Utley (teclados), Ben Sidran (piano), John Selk (guitarra) e Bobbye Hall (percussão). A produção foi assinada por Jesse Ed Davis.

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Por razões desconhecidas o título do disco, escolhido por Clark e a gravadora A&M não aparece na capa junto ao seu nome, mas o projeto gráfico austero está em perfeita sintonia com a atmosfera melancólica do álbum.   Até sua morte precoce em 1991, com apenas 47 anos, Gene Clark lançou outros bons discos, mas White Light permanece como sua gema de maior brilho, uma aula para qualquer cantor-compositor.

Um dos meus preferidos desde sempre.

Saiba onde foi fotografada a capa do seu álbum favorito

24 de agosto de 2011 4

interface do cover albuns map: clique no balão azul e veja qual capa foi realizada nesse lugar /divulgação

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Você sempre teve curiosidade de saber em que lugar foi fotografado seu álbum favorito? Pois bem, agora essa dúvida já pode ser sanada. Basta acessar Word Magazine`s World: Album Covers. Lá o internauta poderá passear por cenários e lugares onde foram concebidos vários álbuns do pop mundial, de Engenheiros do Havaí (por enquanto a única banda brasileira no site) a The Clash. Saiba quem fez a foto (a capa ou contracapa), curiosidades e outros detalhes.


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Animals, do Pink Floyd

O clássico ‘Big Pink’ de 1968 do Band foi feito em Woodstock, NY.

Há 42 anos, começava o Festival de Woodstock

15 de agosto de 2011 4

Visão aérea de Woodstock/divulgação


Retrospectiva relembra os três dias do maior festival de rock de todos os tempos

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15 de Agosto é dia de o mundo relembrar o maior festival de todos os tempos. O evento aconteceu em uma fazenda na cidade rural de Bethel, Nova York, de 15 a 18 de agosto de 1969, e reuniu parte dos mais importantes artistas do cenário musical da época. Um dos grandes lances de Woodstock é o fato de que pela primeira vez, o público passa a ser protagonista em um evento pop, ganhando tanto destaque quanto os artistas. Para comprovar: basta ver o filme. O que seria de Woodstock sem toda aquela massa humana que causou um dos maiores congestionamentos da história de Nova York? Liberdade sexual e política, o espírito contestatório da época, o livre consumo de drogas ainda no viés messiânico e toda a apoteose hippie foi documentada durante os três dias de paz, amor e música (Peace, love & Music) – frase promocional que foi impressa nos cartazes de divulgação.


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o cartaz original Foto: reprodução


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Reprodução


Confira, em ordem cronológica, quem passou pelo palco na abertura de Woodstock.

Sexta–feira, 15 de agosto de 1969:


Ritchie Havens

Swami Sactchidananda

Country Joe McDonald

John Sebastian

Sweetwater

Bert Sommer

Tim Hardin

Ravi Shankar

Melanie

Arlo Guthrie

Joan Baez


Pontualmente às 17h, o primeiro dia de apresentações começa com o magnetismo de Richie Havens. Ele não estava na “rela” como o cara que faria a abertura. Isso aconteceu porque o Sweetwater, grupo destinado a fazer essa tarefa, continuava preso no monstruoso engarrafamento na estrada de acesso ao festival. Tim Hardim se trancou nos camarins e recusou-se a pisar no palco. Richie topou abrir os trabalhos! Sua mistura de folk & soul ganhou o público em canções como Freedom, que acabou se tornando um dos emblemas da carreira de Havens. Logo depois, o guru indiano Swami Sactchidananda, lançou sua benção nas quinhentas mil cabeças “ripongas”. O Sweetwater não chegava, Country Joe McDonald foi convidado a fazer o seu debut como artista solo (ele só se apresentaria oficialmente no domingo com sua banda, pelo menos isso é o que estava no script). Com um violão emprestado a tiracolo, McDonald coloca o público pra cantar na música, I Feel Like I’m Fixing To Die, uma inteligente sátira a guerra do Vietnã. John Sebastian estava lá apenas para curtir. Seu nome não constava no cartaz. Chip Monk (gerente de palco e locutor oficial de Woodstock) perguntou a Sebastian se ele gostaria de entreter o pessoal com algumas canções. Ele topou. Com o violão de Tim Hardin, Sebastian fez sua parte como genuíno representante da geração flower power. Falando pausadamente entre uma música e outra, o músico conta histórias e projeta um mundo onde as pessoas vivem em tendas e são felizes. E da-lhe blá blá blá hippie! O público adora! Afinal o Sweetwater chega, não antes de John Sebastian ser ovacionado. A audiência curtiu essa leva inicial de atrações sem ter a mínima ideia do sufoco que rolava nos bastidores.


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O carismático Richie Havens


Nesse dia reservado ao folk, nomes desconhecidos ou de cunho secundário também se apresentaram. O próprio Sweetwater, Bert Sommer – ex-vocalista do Left Banke e Melanie estiveram lá apenas como tapa-buracos, praticamente aquecendo o pessoal antes dos grandes nomes. Ninguém reclamou, pois nessa mesma noite, não podemos esquecer-nos dos talentosos e ‘mucho-loucos’, Tim Hardin, (morto no início dos anos 80 de overdose) com seu folk poético e Arlo Guthrie (filho do lendário Woody Guthrie – um dos grandes ídolos de Bob Dylan). No filme, é muito engraçada a seqüência de imagens durante a execução de Comin’ Into Los Angeles. Intercalados com imagens de Guthrie, visivelmente “numa boa” e muito a vontade no palco, também são mostrados vários takes de público fumando marijuana a céu aberto, enquanto um policial observa a galera na maior tranqüilidade, chupando seu inofensivo picolé. A presença do simpático e carismático músico indiano Ravi Shankar, ajuda a manter o espírito transcendental do festival. A noite termina com a apresentação da cantora Joan Baez. Grávida de seis meses, a musa do folk de protesto, fala de seu marido, David Harris, um importante opositor da guerra do Vietnã, que na época estava preso. Entre várias canções, dispara pérolas como Drugstore Truck Driving Man, ode de Gram Parsons contra a caretice.


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No primeiro dia de festival. Sebastian, violão & voz.


Abaixo, dois momentos de Woodstock, na sexta, 15 de agosto de 1969. Primeiro Country Joe McDonald e seu coro de milhares de vozes, em I Feel Like I’m Fixing To Die. Depois veja o famoso “drug take” ao som de Arlo Guthrie, em Come Into Los Angeles.


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2º dia

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uma das imagens definitivas do festival/divulgação


Sábado, 16 de agosto DE 1969:


Quill

Keef Hartley Band

The Incridible String Band

Santana

Canned Heat

Mountain

Janis Joplin

Sly & The Family Stone

Grateful Dead

Creedence Clearwater Revival

The Who

Jefferson Airplane


Tarde de muito calor. O a abertura fica a cardo do desconhecido Quill, grupo apadrinhado por Michael Lang (um dos realizadores do festival), mas que acabou não empolgando. A plateia mostrou-se desinteressada com a mistura de blues, rock e pitadas de jazz. Em 40 minutos, eles saltaram do tablado. Na sequência chega o esoterismo da Incridible String Band, que deu uma arrefecida ainda maior nos ânimos. Naquele pasto escaldante de Bethel, foram a única banda a não dar bis nos três dias. Logo depois seria a vez dos britânicos da Keef Hartley Band, comandados pelo baterista Keef Hartley, músico egresso das fileiras do bluesman inglês John Mayall. Eles tinham recém lançado o elogiado álbum HalfBreed, e deram uma aquecida de leve na audiência.


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A aura & o carisma do Reverendo Sly


Mas a tarde começou a esquentar de verdade na apresentação da banda do guitarrista Carlos Santana. O músico vinha colocando as garras de fora no Filmore West, lendária casa de espetáculos do empresário Bill Grahan, em San Francisco. Curiosamente, ele e seus partners foram os primeiros artistas a encabeçarem o cartaz em uma noite no Filmore. Isso sem ter ao menos um disco lançado! No debut da banda na costa leste, eles praticamente enfeitiçaram a plateia com sua mistura de temas latinos, rock and roll e soul, uma somatória de estilos e promiscuidade musical que encontrou ressonância na Nação Woodstock. Prova disso é a perfomance da banda em Soul Sacrifice. Destaque para o jovem baterista Michael Shrieve. Santana deixou o festival consagrado.


carlos santana woodstock 69 Pictures, Images and Photos

Santana.


Mantendo a chama, logo depois chegou a vez de um dos bons representantes do blues branquelo. O Canned Heat fez um dos melhores shows do 2°dia, confirmando-os com um dos grandes nomes da cena dos anos 60. No filme, veja o vocalista Bear, sendo filado de seus cigarros por um fã que amistosamente invade o palco e bate um papo com o líder do Heat. Tudo isso no meio de um solo de guitarra! Na esteira vem o rock pesado do Mountain. O peso pesado da guitarra Leslie West se encarregou de lacrar o volume do amplificador. Temas como, Theme from Imaginary Western caíram como uma luva naquele início de noite.


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Janis, a mais querida das rockers.


Janis Joplin estava no epicentro para onde convergia o final daquela década: bebidas, drogas, música, sexo e talento. Favorita das multidões e dos músicos, a cantora começa ditando o tom da sua apresentação: “Como estão vocês… (…) Vocês estão doidões e tem água suficiente?“. Logo depois despejou no mar de rostos grande parte de seus clássicos.  Showzaço! Para manter os motores em alta rotação, nada melhor que a música negra do reverendo Sylvester Stewart à frente de sua banda Sly & The Family Stone. A barulheira mais alegre do festival. Quem não se emocionou no filme com a melhor tradição “pergunta e resposta”, ao estilo dos cultos de igreja em I Wanna Take You Higher. Quem vem depois? Simplesmente uma das mais queridas bandas da América, que infelizmente teve um azar danado no festival. O Grateful Dead foi atrapalhado por problemas técnicos, incluindo um pedaço do chão defeituoso e também dois dos integrantes da banda - Jerry Garcia e Bob Weir, afirmaram levar choque quando se encostavam aos seus instrumentos. Em resumo: a performance do Dead foi segregada a versões piratas dos registros, tanto no filme, quanto na trilha sonora.


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The Who. Uma das sensações da 2° noite.


Madrugada de domingo, sob os holofotes, uma das bandas mais populares da época, o Creedence Clearwater Revival. Infelizmente os problemas técnicos que assolaram o Dead continuaram com John Fogerty e os seus. Eles não se importaram e dispararam sua coleção de hits. Um sucesso atrás de outro. Com o público em ponto de bala, o The Who entra no palco as 4 da matina e solapa todo o resto. Um dos melhores momentos daqueles 3 dias de som. Tocaram praticamente toda a ópera rock Tommy e lá foi pedrada. Foram mais de duas horas de espetáculo, em uma das maiores apresentações de todo o evento. Como resultado, O Jefferson Airplane entra no palco com o sol nascendo, passado das 6 horas da manhã. A vocalista Grace Slick saudou a platéia dizendo: “Ok, amigos, vocês já viram os grupos pesados; agora vocês verão música maníaca da manhã!” O show foi curto, direto e eficiente. O rock lisérgico da velha Frisco foi o final perfeito para uma noite daquelas.

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3° dia

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cerca de 500.000 mil pessoas estiveram lá/Henry Diltz

Domingo, 17 de agosto de 1969:


Joe Cocker & The Grease Band

Country Joe & The Fish

Ten Years After

The Band

Blod, Sweet & Tears

Johnny Winter

Crosby, Stills, Nash & Young

Paul Butterfield Blues Band

Sha-Na-Na

Jimi Hendrix


Chegamos ao último degrau da escalada woodstockiana. A prova de resistência passaria pelo seu capítulo mais rigoroso. Os eventos do domingo acabariam atrasando a agenda do festival em várias horas. Ao nascer do sol do dia seguinte, na segunda-feira,  os concertos ainda continuariam apesar da maioria do público já ter ido embora. Voltando ao início do 3°dia, Joe Cocker e a Grease Band sobem ao palco às 14 horas. O tempo começava a fechar assustadoramente anunciando um temporal (veja na foto abaixo). Falando do show, bom… Eis um dos momentos mais sublimes de todo o festival. Cocker ainda não era conhecido nos Estados Unidos. Isso antes daquela tarde. “Ele deve ter tido uns três enfartes quando cantou With A Little Help From My Friends”, declarou Dave Bell, um dos produtores do filme que seria lançado em 1970. O tema em questão era uma reinvenção do ábum Sgt Peppers dos Beatles. Virou clássico absoluto! Além de ter inventado o Air Guitar (uma simulação imaginária de como tocar guitarra), o desleixado, rouco e audacioso cantor inglês deixou a multidão boquiaberta com sua mistura de soul, rock, blues e sabe-se lá mais o quê.


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Antes da chuva: Cocker e a Grease Band. Eles arrasaram.


Final do primeiro show e a chuva vem com tudo! Por longas duas horas, o torrencial aguaceiro virou um dos acontecimentos mais marcantes da tarde de domingo. A chuva foi tirada de letra pela moçada, que aproveitou para relembrar a infância, chapinhando na lama. De início se tentou afastar a chuva com a força do pensamento positivo, todo mundo gritando “No rain! No rain!”. Depois, o jeito foi se aliar a ela, brincando de tobogã e cantando como selvagens. No álbum Woodstock há dois registros disto: no disco I, o improvisado Canto da chuva; e no II, a multidão entoando em coro o refrão Let The Sunshine In (Deixa o sol brilhar!), da peça Hair.


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A galera na chuva.


18h00min, os equipamentos parecem okay, enfim, o palco dá sinais que novamente está seco, ou quase isso. Começa a apresentação de Country Joe & The Fish. É importante dizer que muita gente começou sua debandada pra casa depois que o terreno virou um lamaçal. Quem aguentou o tranco assistiu uma banda disposta a flertar com várias correntes musicais e combinações. Depois veio a massa sonora do guitarrista Alvin Lee e o seu Ten Years After. Com recriações de material básico do rock, rhythm & blues e muito peso. O set começa com uma versão chumbada de Good Morning, Little School Girl. E foi seguindo… Lenha em cima de lenha! Com a platéia eletrocutada, a explosão sonora atinge seu ápice em Going Home, último som do list. A canção já era empolgante no disco ao vivo Unleaded, mas 0 desempenho em Woodstock elevou o nível de excitação, entusiasmo e pura energia a proporções inimagináveis. Quem não se lembra da cena em que Alvin Lee se despede com um aceno da multidão, levando uma melancia as costas? Falando em frutas, entrar depois de um momento desses, seria o verdadeiro abacaxi a ser descascado pelo The Band.


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O Band no palco.


Embora Bob Dylan tenha recusado o convite de tocar em Woodstock, muita gente achava que ele podia dar uma de Bob Dylan e aparecer. E o momento perfeito para isso, seria quando a banda que o acompanhou na sua última turnê, em 1966, estivesse no palco. Essa expectativa fez eco ainda mais reberberante ao longo do 3º dia. Mas como sabemos, não aconteceu. De qualquer forma, o Band, banda que o acompanhava na época, era uma presença legítima no festival. Afinal, assim como Dylan, eles moravam em Woodstock. O quinteto entra no palco às 22h30min e logo de cara cativa a multidão com aquela velha receita caseira de rock tipicamente americano. No final das contas, Bob não fez tanta falta assim e o The Band teve o seu momento de glória aquela noite. Emocionante foi assistir Crosby, Stills & Nash mandando ver no clássico Suite: Jude Blue Eyes. Nos primeiros instantes, o público já delira. “Muito obrigado, caras”, reverberou a voz de Stills pelo superequipamento do festival, ao final da execução. “A gente precisava disso. Estávamos com o rabo entre as pernas. Esta é a segunda vez que nos apresentamos em público. Na esteira, ao fim da parte acústica, veio chumbo grosso com a sequência elétrica do espetáculo. No palco, a presença da quarta potência do recém formado quarteto. Neil Young entrou de canto e tasca de cara o rock turbinado Sea Of Madness. No ano seguinte o novo grupo lançaria dois álbuns fantásticos.


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CSN, Young entraria no palco na parte elétrica.


O Blood Sweet & Tears tinha status de ser uma das grandes bandas de 1969. Sua passagem pela noite de domingo era muito esperada. Mas o público não entrou no clima no blues elétrico & jazz com camadas de metais. Tudo no lugar, tudo perfeito, mas eles pareciam mornos, sem empolgação. O nome de Johnny Winter começava a circular com propriedade no final daquela década. Acompanhado do brother Edgar (em duas músicas), Winter estava na ponta dos cacos. Johnny Winter Progressive Blues Experiement, obra gravada em 1968, em Austin, no Texas, era o seu cartão de visitas. Recém saído da gaveta, desse LP ele dispara,  Mean Town Blues, marca registrada do albino do blues em suas apresentações. Seguindo no mesmo trilho blueseiro, o veterano gaitista branquelo de Chicago, Paul Butterfield, coloca sua harmônica pra roncar nos alto-falantes. Everything`s Gonna Be All Right entrou com méritos na a trilha sonora do disco. O Sha Na Na e sua sátira ao rock dos anos 50 causou certa estranheza com coreografias descompassadas e uma bagunça premeditada no palco. É quando então, senhoras e senhores, chegamos ao grand finale dos 3 dias e noites de paz, música & amor.


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O melhor de todos.


Manhã de segunda-feira, Jimi Hendrix toca para cerca de trinta e cinco mil resistentes espectadores. O guitarrista tá de bem com a vida. Quase 9 da manhã, o público restante se aglomera em frente ao palco e vibra com a “volumêra” batendo no peito. O músico aos poucos vai destrinchando um hit atrás do outro. Chega um momento que a guitarra de Hendrix se transmuta no grito de socorro dos soldados americanos no Vietnã. O tema em questão, Star-Spanged Banner, não passa de uma reinvenção lisérgica do hino americano. Soava (e ainda soa) como um tiroteio, como helicópteros, como metralhadoras fuzilando inocentes em um campo de batalha. Jimi levantou a bandeira branca e comandou o toque de recolher do evento. No final do set, quando vemos o filme, a cena lembra uma terra de ninguém com andarilhos vagando num mar de lixo.


É difícil fazer um resumo de algo tão monstruoso e que ainda baliza a indústria de entretenimento dos nossos tempos. Impossível não colocarmos um marco zero: antes de Woodstock, depois de Woodstock. O mundo nunca mais seria o mesmo, mas o espírito do festival insiste em permanecer. Um sentimento que resiste, parece bater asas e permanece revigorado quando assistimos ao filme, ouvimos a trilha-sonora, ou quando nos deparamos com relatos de quem esteve lá.


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Fim de festa.


A Nação Woodstock precisa ser lembrada como um fenômeno de inocência, apesar da venda aberta de drogas e de ser possível? “Ficar doidão só respirando sentado”, como um estudante admitiu alegremente, e noticiou o New York Times. Logo depois, em dezembro de 1969, viria o desastroso concerto organizado pelos Stones no circuito de Altamont, na Califórnia. Antes disso, 5 dias antes, Sharon Tate, atriz e mulher do cineasta Roman Polanski foi assassinada em sua casa por seguidores de Charles Manson, pregador que transitava em um ambiente flower power. Para muitos, essa foi a pá de cal no sonho hippie. Mas quando falamos de Woodstock, acima de tudo, pense no festival como um acontecimento de paz, amor, solidariedade e música da melhor qualidade. E que som!


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13 álbuns para ouvir em alto e bom som no Dia Internacional do Rock

13 de julho de 2011 5

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Essa lista é minha. Totalmente afetiva. Tratando-se de rock and roll, eis 13 discos que sempre terão um lugar de luxo na estante lá de casa. Todos mudaram minha vida. Anos 60 (4),  anos 70 (8), anos 80 (zero!!!) e anos 90 (01).

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The Beatles – Revolver (1966)

The Beach Boys – Pet Sounds (1966)

Bob Dylan – Blonde On Blonde (1966)

The Band  - Music From The Big Pink (1968)

Led Zeppelin – IV (1971)

The Rolling Stones – Exile On Main St (1972)

Deep Purple – Machine Head (1972)

Elvis Presley – Live At Madison Square Garden (1972)

Secos & Molhados (1973)

AC/DC – Jailbreak (1974)

Neil Young – On The Beach (1974)

Eric Clapton – 461 Ocean Boulevard (1974)

Bob Dylan – Time Out Of Mind (1997)


Gibson elege as 10 maiores Heroínas da Guitarra

03 de junho de 2011 4

Adivinha quem é a n°1 da lista? Divulgação BH Records


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Ninguém discordaria se eu dissesse que o mundo do rock é um território essencialmente masculino. E quando as mulheres seguram quele icônico objeto de seis cordas (seja um violão ou uma guitarra), temos a impressão que elas precisam ralar muito para serem reconhecidas como grandes instrumentistas.
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A Gibson resolveu topar essa encrenca e fazer um Top 10 das melhores instrumentistas que já empunharam o símbolo máximo do rock and roll. No Blog Volume também está acontecendo uma enquete que tem as mulheres guitarristas como tema, você ainda pode votar clicando aqui.
E  ‘tá bonita essa lista da Gibson.
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Posição n° 10 – Joni Mitchell
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Ela é a feiticeira das afinações abertas e sempre gostou de flertar com o jazz. Prova do talento da moça é esse som que Joni coloca o pavor em Robbie Robertson e todo o The Band. Repare como Robbie não tira os olhos das mãos da moça “Putz, que posição é essa?”. O selinho e o carinho no rosto do amigo são só um pequeno engodo pra disfarçar a armadilha. Êta, mulherzinha complicada essa Joni! Quase estragou a festa de despedida do Band em 1976.
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9 – Bonnie Rait

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Além de sua voz melíflua essa ruiva faz o diabo com a guitarra slide, onde transita pelo folk, pop, blues, soul e Rhythm and Blues. Apesar dela ser uma das favoritas da indústria dos anos 70, Raitt não atingiu o sucesso comercial até a seu décimo LP de estúdio, Nick of Time (1989). Depois de conquistar vários Grammys, álbuns de platina e de ganhar uma merecida inclusão no Hall da Fama do Rock and Roll, hoje ninguém duvida que Bonnie está nessa lista com todos os créditos.

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8 – Nancy Wilson

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Os licks de Nancy Wilson ajudaram a definir o classic rock dos anos 70 e 80. Junto com sua irmã, Ann, Nancy fundou o grupo canadense Heart. Dá pra dizer que ela sabe oscilar peso e volume no talo, como um típico instrumentista do rock arena, assim como, essa menina também usa suavidade e sutileza na medida certa quando dedilha uma balada ao violão. Wilson Foi casada 24 anos com Cameron Crowe, cineasta de quem ela se divorciou em 2010.

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7 – Kaki King

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Nascida na Georgia, Kaki King traz uma fusão entre punk, jazz e folk, para não mencionar uma rara técnica de percussão, além do uso de afinações inusitadas. Essa originalidade lhe rendeu o primeiro título feminino “Guitar God” da revista Rolling Stone. Ela já fez parcerias com Eddie Vedder (para atrilha sonora do filme Into the Wild), Dave Grohl e co-produziu uma faixa para Miley Cyrus com Timbaland. O som dessa mulher é inacreditável. Veja ela no programa de David Lettermann.

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6 – Orianthi

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Elogiada por Carlos Santana e protegida de Michael Jackson, a australiana Orianthi iria cair na estrada como guitarrista do Rei Pop na turnê de This Is It, isso caso Michael não tivesse batido as botas. Mas como “se” não existe, a menina de vinte e poucos anos voltou a apostar as fichas no próprio taco. Ela tem três discos lançados, e Believe, álbum do ano passado, teve a faixa título atingindo o top 100 da Billboard.

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5 – Sister Roseta Tharpe

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Rosetta Tharpe é o nome de uma talentosa guitarrista e vocalista de jazz e gospel. Tharpe foi uma das primeiras a trazer o catecismo religioso para o pop, se apresentando em grandes teatros e casas de espetáculos. No vídeo abaixo, dá pra perceber de onde o rock veio. Essa véinha entende do cortado!

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4 – Jennifer Batten

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Outra cria de Michael Jackson, Jennifer Batten foi selecionada em uma audição para ingressar na banda do Rei do Pop em 1987, e foi lá que ela ganhou fama de virtuose durante um ano e meio de estrada com o astro. Em 1998, Jeff Beck pinçou a menina para sua banda de apoio. Ao lado do guitarrista inglês, participou de álbuns e turnês. No vídeo podemos conferir a loira oxigenada ao lado de chefe do Estado Maior do Pop.

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3 – Mary Ford

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A cantora e guitarrista Mary Ford e seu marido, o guitarrista Les Paul, formavam uma dupla e tanto.No início dos anos 50, o casal vendeu seis milhões de discos. Uma marca incrível para a época. Ainda mais que o lance deles era os standards de jazz, com How High the Moon, um dos grandes sucessos de Les e Mary. De 1953 a 1960, eles ainda apresentaram um programa de TV. Olha só o casal em ação! Rola até um duelinho ensaiado entre marido e mulher. Côsa linda o amor!

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2 – Lita Ford

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Após abalar as estruturas do rock ao lado de Joan Jett como guitarrista dos Runaways, Lita Ford entrou de cabeça no heavy metal. Em 1988, com Sharon Osbourne como empresária, Lita alcançou seus maiores sucessos, Close My Eyes Forever (dueto com Ozzy Osbourne, marido de Sharon) e Kiss Me Deadly. Lita foi casada com Chris Holmes (da banda W.A.S.P.) de 1986 a 1992 e esteve envolvida com Nikki Sixx (do Mötley Crüe) e Tony Iommi. Corre um boato que seu novo namorado se chama Márcio Grings. Quer casar comigo, Lita?

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Posição n° 1 – Joan Jett

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Sabe aquela música que você apenas insinua para milhares de pessoas, e em segundos toda a audiência repete em uníssono o refrão? I Love Rock ‘n’ Roll,  fez o nome de Joan Jett virar um dos sinônimos de rock dos bons. E ela segue no topo da escala de modelo maior para muitas gerações de roqueiros do sexo feminino. Joan e suas calças de couro, sua postura punk rock autêntica que não tem vergonha de assumir a mágica dos três acordes. Alguém discorda?

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Parabéns, Levon Helm!

26 de maio de 2011 0

Divulgação site oficial LH

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Músico venceu batalha contra o câncer, ganhou um Grammy e acaba de lançar CD/DVD ao vivo gravado em Nashville

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Levon Helm, lendário baterista texano, chega aos 71 anos nesse dia 26 de maio. O músico fez história como integrante do The Band, um dos grupos mais importantes do final dos anos 60, início dos 70. Em meados da década passada, Helm parecia ter chegado ao fim da linha, isso após lutar por vários meses contra um câncer na garganta que dava pintas de ser mortal.

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Veja LH com o Band (1976).

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Não foi. Parcialmente recuperado, a grave enfermidade lhe roubou parte da potência vocal, mas não o impediu de gravar o bom álbum Dirty Farmer (2007). Para celebrar sua volta à ativa, em 17 de setembro de 2008, o texano e sua banda subiram ao palco do Nashville Ryman Auditorium, tradicional casa de espetáculos da música Country. A noite foi especial, Helm valorizou sua volta às atividades, revisitando alguns de seus clássicos e ainda recebendo vários amigos e convidados. Entre eles estavam o virtuose músico country Buddy Miller, a cantora Sheryl Crow, o ator cantor Billy Bob Thornton (que recentemente lançou como diretor um documentário sobre Willie Nelson), entre outros. E Levon Helm não parou por aí. Tanto que no ano seguinte lançou Electric Dirty, álbum que lhe deu um Grammy (Melhor Álbum de Americana) e definitivamente mostrou sua recuperação artística.

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LH com o The Band (1969). Divulgação Capitol


Pontuando o aniversário dessa autêntica personalidade da canção norte-americana, acaba de ser lançado pelo tradicional selo Vanguard – o CD/DVD Levon Helm Ramble At The Ryman. Se você curte country, folk, blues, rock clássico ou é uma daquelas viúvas saudosas que continuam chorando o fim do The Band mesmo após 25 do adeus de sua formação original, bem… Prepare uma boa dose de Bourbon e tire da gaveta aquele velho lenço da mamãe para enxugar as lágrimas.

Parabéns, Levon! Segue uma do velho no show em Nashville (2008) .

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Orelha esquentando com Bob Dylan

04 de março de 2011 0

Dylan e o guitarrista Robbie Robertson. Foto: divulgaçãop Columbia#

Ontem recebi um e-mail do Codevilla com o título: “Orelha esquentando”. E esquentou mesmo, pois além de me citar em seu blog, Mr. Code deu a letra de uma das atrações musicais deste final de semana de carnaval na Itapema. Anote aí no seu caderdinho: sábado, 19 h, o programa Concertos Itapema irá apresentar um show de Bob Dylan realizado em 1966 na Inglaterra.  E não foi apenas mais um show na trajetória do Walt Whitman do século XX, trata-se de uma lendária apresentação de Dylan e o The Hawks (que depois virou The Band) no Free Trade Hall, em Manchester. Gravado no dia 17 de maio, a apresentação durante décadas foi comercializada pelos pirateiros de plantão como sendo em Londres. Dylan brinca com o engano dando nome ao seu bootleg número 4 de The Royal Albert Hall Concert. O histórico climax do final do show, em que alguém da plateia chama Dylan de Judas, está eternizado no obrigatório documentário de Martin Scorsese, No Direction Home, e no CD duplo que contém as duas entradas de Dylan no palco, a primeira acústica (aplaudida) e a segunda elétrica (vaiada).

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Divulgação Columbia*

O CD foi lançado oficialmente pela Sony em 1998, é uma peça fundamental para entendermos a eletrificação do folk e uma das guinadas mais importantes da carreira de Dylan, época em que ele definitivamente se entregou a energia do rock and roll. Ele tinha acabado de lançar o anfetamínico Blonde On Blonde (1966), disco gravado em Nashville, tradicional Meca da música country. Só que Dylan misturou alguns músicos que trabalhavam na cena de Nova York como pessoal residente dos estúdios da Colúmbia em Nasville – o resultado desse cruzamento transformou o LP em um clássico.

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Sobre uma das pernas da turnê de Blonde On Blonde, que acabou resultando nesse álbum duplo, quando o lançamento finalmente viu a luz do dia oficialmente, o famoso apresentador da BBC Andy Kershaw disse: “Não consigo acreditar que finalmente lançaram isso. Não paro de olhar o meu disco”. A edição especial do CD que você ouvirá na Itapema nesse sábado traz o som remasterizado digitalmente e mostra um artista na ponta dos cascos, pouco tempo antes do acidente de moto que o tirou de cena por alguns anos.

Mas aí já é outra história…

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Robbie Robertson sai do limbo

05 de janeiro de 2011 0

Divulgação site oficial RR

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Certamente esse CD vai parar na estante lá de casa. Robbie Robertson, ex-guitarrista do lendário The Band, se prepara para lançar seu primeiro álbum solo em mais de 12 anos sem pontuar um trabalho de inéditas (não incluindo suas trilhas sonoras para filmes, feitas sob encomenda). O disco intitulado How to Become Clairvoyant, ainda tem data incerta – final de março (segundo o site canadense The Globe and Mail), início de abril (segundo a revista americana Rolling Stone). Uma das canções do novo trabalho, Get Off, irá relatar a saída de Robertson do Band, tema nunca antes abordado pelo músico (nem mesmo em entrevistas).
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Robertson com o Band nos anos 70. Foto: divulgação site oficial RR
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Em tempo, o derradeiro show do guitarrista foi registrado pelo cineasta Martin Scorsese em The Last Waltz (1976), documentário carimbado pela crítica como um dos clássicos maiúsculos do rock na década de 70. Quanto ao novo álbum, a lista de convidados trás alguns pesos pesados de várias cepas musicais. Lá estarão os guitarristas Robert Randolph,Tom Morello (Rage Against The Machine), Steve Winwood (Traffic), que toca teclado em duas canções, e Eric Clapton, que co-escreveu três das canções do álbum e toca em seis faixas. Outra participação de nível passa pela faixa instrumental Madame X, que conta com participação de Trent Reznor (Nine Inch Nails). Um preview do álbum, a canção When the Night Was Young, pode ser ouvida no site da gravadora Records 429. (clique aqui e ouça o tema).
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Pra encerrar, é sempre bacana voltar no tempo: Don’t Do It, um clássico de Marvin Gaye na versão definitiva do The Band. Soul music com tempero rock and country.
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A celebração bairrista do velho Garth

19 de dezembro de 2010 0

Divulgação 101 DISTRIBUTION #

O The Band foi o grupo canadense que acompanhou Bob Dylan no final dos anos 60, e primeira metade dos 70, e que lançou uma série de álbuns célebres até The Last Waltz, seu show de despedida em 1976. No início dos anos 80 até rolou uma volta ½ boca (sem Robbie Robertson, guitarrista e principal compositor do grupo), mas tudo o que foi feito até a morte do tecladista Richard Manuel (ele se enforcou em um quarto de hotel na cidade de Winter Park, Flórida, durante uma turnê do Band em 1986) e o baixista Rick Danko (morto em 1999, vítima de um ataque cardíaco) não pode ser comparado a época de ouro do The Band (60/70).

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Quanto aos remanescentes, Robbie Robertson (67) virou um artista bissexto e requisitado compositor de trilhas sonoras para filmes. Ilha do Medo (2009), último filme de Martin Scorsese tem soundtrack dele. O baterista Levon Helm (70) venceu recentemente uma batalha contra o câncer e lançou dois ótimos trabalhos – Dirty Farmer (2007) e Electric Dirty (2009). Já o mais velho dos integrantes, Garth Hudson (73), um dos principais arquitetos do som único do grupo – mestre do órgão Lowrey, além de pianista, saxofonista e acordeonista, nunca protagonizou um álbum solo. Parece que sempre se contentou em ser um coadjuvante de luxo em centenas de participações ao longo dos anos (ele tocou com muita gente, veja a lista completa no site de Garth).

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Nathan Denette/The Canadian Press*

Não estamos falando de um álbum solo, mas pelo menos Hudson saiu da casca e protagonizou uma bela homenagem ao seu ex-grupo ao convidar 18 artistas para reinventar a diversificada produção musical do Band. No álbum, Garth Hudson Presents – A Canadian Celebration of The Band podemos ouvir conhecidos artistas canadenses (viva o bairrismo!) como Neil Young e Cowboy Junkies, e outros ilustres desconhecidos das plagas do norte da América pagando tributo às raízes musicais de uma das mais fantásticas bandas de todos os tempos.

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Confira o tracklist do CD:

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01 Forbidden Fruit – Danny Brooks & The Rockin’ Revelators

02 Out Of The Blue – Mary Margret O’Hara

03 Acadian Driftwood – Peter Katz & The Curious

04 This Wheel’s On Fire – Neil Young and The Sadies

05 Ain’t Got No Home – Suzie McNeil

06 Clothes Line Saga – Cowboy Junkies

07 You Ain’t Goin’ Nowhere – Kevin Hearn & Thin Buckle

08 Sleeping – Bruce Cockburn & Blue Rodeo

09 Yazoo Street Scandal – The Road Hammers

10 The Moon Struck One – Raine Maida

11 The Shape I’m In – The Sadies

12 Tears Of Rage – Chantal Kreviazuk

13 I Loved You Too Much – Hawskley Workman

14 Knockin’ Lost John – Great Big Sea

15 King Harvest – Blue Rodeo

16 Move To Japan – The Trews

17 Genetic Method (Anew) – Garth Hudson

18 Chest Fever – Ian Thornley & Bruce Cockburn

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Aviso ao leitor: descontando a nostalgia (inevitável no meu caso) o disco é muito bom! Abaixo você vê o velho Garth em entrevista recente (sem legendas) falando sobre o álbum.


Remember Rick Danko

09 de dezembro de 2010 1

Foto: Steve Caraway#

Rick Danko foi um dos mentores intelectuais do The Band, grupo canadense que acompanhou Bob Dylan no final dos anos 60 e na primeira metade dos anos 70. Após a separação do The Band em 1976, Danko se dedicou a sua carreira solo, lançando um álbum em 1977 e excursionando sozinho e em colaboração com outros artistas. Voltou com a banda em 1983 – uma volta parcial, já que o principal compositor do grupo, Robbie Robertson, não participou do retorno, fato que para muitos, não legitimou o reagrupamento. Danko morreu no dia 10 de dezembro de 1999, há 11 anos, vítima de um ataque cardíaco.

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Nossa homenagem segue com uma canção e três versões de um clássico - It Makes No Difference. Eu gosto de sacar como uma boa música pode se desdobrar e permacer bela. Veja e ouça Danko em 1976, 1983 e 1997.

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Dylan e as fitas do porão

30 de julho de 2010 1

A capa original do LP, lançado em 1975. Foto: divulgação Columbia/Sony

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exatos 35 anos, viria a tona The Basement Tapes, as famosas fitas do porão da Big Pink, casa localizada em West Sugerties, NY (pertinho de Woodstock) onde entre junho e outubro de 1967 os integrantes do The Band, e Bob Dylan registraram mais de 50 canções. Apenas 25 canções entrariam do LP duplo, que foi lançado oficialmente em 1° de junho de 1975.

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A ideia original era fazer algumas demos para oferecer a outros artistas, e não fazer delas um álbum. Só que essas canções registradas em fitas rolos com a ajuda de mesas valvuladas Altech e microfones Neumann acabaram vazando, virando um prato cheio para a pirataria no final dos anos 60. Foram dezenas de bootlegs circulando pelos quatro cantos do mundo, sendo que, que praticamente oito anos depois, ao ser lançado oficialmente, o disco já era de domínio público.

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Dylan & The Band na estrada (1974). Foto> divulgação Columbia/Sony

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Mas antes de ser lançado oficialmente dezenas de artistas tomaram para sí canções das Fitas do Porão.

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Ainda hoje as canções feitas por Dylan & Band rendem boas versões. Eu curto muito essa releitura recente (vídeo abaixo) do grupo Calexico, bem no clima da gravação original e a cortina perfeita para o final circence-fim-dos-tempos de I’m Not There (Não Estou Lá), filme lançado em 2008 pelo diretor Todd Haynnes.

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Mas as críticas ao produto oficial da Columbia centram-se em duas questões: o que foi acrescentado e o que foi excluído. Os acréscimos são overdubs discretos em parte do material e oito novas canções do The Band. Muitos dylanólogos acreditam que é preciso ouvir as gravações originais para perceber o autêntico som capturado naquela época.

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A capa bem-humorada é uma fotografia de Reid Miles, tirada não na Big Pink, mas na filial de Los Angeles da TMCA. Lá estão retratadas várias dos personagens das canções: engolidores de fogo, anões, a oferecida Mrs. Henry, Quinn, o esquimó, Dylan tocando um bandolim com arco imaginário, a The Band, Ringo Starr, Neil Young, David Blue e – a grande vedete das sessões – o gravador de rolo!

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A foto de Reid Miles em sua plenitude. Divulgação Columbia

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Dylan disse o seguinte sobre o disco: “Foi muito divertido tocar aquelas músicas. Essa é a melhor maneira de se gravar um álbum – num ambiente tranquilo, relaxado, em um porão com as janelas abertas. E um cachorro deitado no chão”.

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Já o jornalista Greil Marcus, autor de dois livros sobre Dylan, relata: “Volta e meia você se depara com uma canção qualquer que parece ser sobre nada, e aí algum elemento apocalíptico em uma inflexão vocal ou verso simplesmente a vira de cabeça pra baixo”.

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Apesar da versão pop de Basement Tapes lançada oficialmente, com seus retoques, omissões ou contestadas adições, vale a pena ter esse álbum na prateleira. É sem dúvida uma das peças fundamentais para se compreender a obra de Bob Dylan. Abaixo fique com o The Band tocando uma das canções que ficaram de fora do álbum oficial, mas que tornou-se um dos cavalos de batalha do grupo na estrada, e que também ficou registrada na estreia do quinteto sem Dylan em LP, o álbum Music For Big Pink (1968)

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Ah, esses maravilhosos álbuns esquecidos! Heads, Hands and Feet - Tracks (1972)

20 de julho de 2010 1

Divulgação See For Miles

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Eu conheci essa banda através de um amigo do Rio de Janeiro. O Heads, Hands & Feet, banda formada na Inglaterra, tinha cinco ingleses e um americano. O representante da América era o vocalista Tony Colton. Nas guitarras, Ray Smith e Albert Lee (talentoso instrumentista que trabalhou com muita gente boa do blues, country e rock, nos dois lados do Atlântico). Completando o time, o baterista Pete Gavin, Chas Hodges no violino, baixo e vocais e o tecladista Mike O’Neil.

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Tracks é o 2° álbum do sexteto, e minha primeira impressão ao ouvi-lo, foi: “Quem são esses caras! Como posso não conhece-los!”. Apesar de inglesa, a banda faz uma mistura de country, blues, rock e as vezes até ensaia uma levada de prog rock, mas sem meter o pé na jaca, ou seja… De leve e na medida certa. A primeira passada até parece uma banda americana ao estilo do The Band, grupo que acompanhou Dylan no final dos anos sessenta e início dos setenta.

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Segue pra você que acompanha o blog, um momento dessa banda interessantíssima chamada Cabeças, Mãos e Pés. O vídeo é de péssimo mau gosto… Mas o som é de primeira!

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