Conheça as histórias por trás das canções
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No último dia 8 de novembro chegamos aos 40 anos do lançamento de um dos álbuns mais celebrados da história do rock mundial. E tem muita gente se ligando na data. Essa semana ele voltou a figurar no TOP 200 da revista Billboard (isso não acontecia há mais de 20 anos). Led Zeppelin IV não é apenas considerado o melhor LP do Led Zeppelin, como também se tornou um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos (os últimos números contabilizados beiram quase 40 milhões de cópias comercializadas em todo mundo).
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O trabalho foi capturado em Headley Grange (overdubs e mixagens foram feitos no Basin Street Studios, Island Studios, e finalizações no Olympic Studios, em Londres e no Sunset Sound Studios, Los Angeles, além de um retoque final do bom e velho Abbey Road Studios na capaital inglesa), uma casa transformada em estúdio localizada em East Hampshire, na Inglaterra, um lugar idílico (construído em 1795), onde várias bandas de rock gravaram álbuns importantes do gênero, entre elas o Humble Pie, Bad Company e o Genesis. Jimmy Page, Robert Plant , John Paul Jones e John Bonhan se mudaram para lá em janeiro de 1971, mês em que o inverno inglês estava se manifestando da forma mais intensa e rigorosa. O aquecedor central da casa da década vinte se mostrou ineficiente para combater os dias e noites geladas por lá. No final das contas o alto astral da residência e o bom momento da banda solidificaram as gravações e toda a feitura do trabalho, assim como o processo foi cercado de acasos felizes. A engenharia de som ficou a cargo de Andy Johns (que um anos depois trabalharia em outro clássico, Exile On Main Street, dos Stones).
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Em "It Might Get Loud" Page relembrou algumas histórias na lendária casa-estúdio.
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A posterior foto da capa mostra um velho eremita dobrado pelo feixe de galhos que carrega nas costas. Quando abrimos a capa do LP, podemos ver algumas casas antigas, e além dela, um edifício, símbolo da modernidadena Grã-Bretanha dos anos 70. O quadro foi comprado em uma loja de quinquilharias em Reading, Berkshire, por um roadie do Led. Na capa ela está pendurada em uma parede que está descascando, dentro de uma casa parcialmente demolida. Na capa não temos o nome da banda, algo ousado para a época (o Pink Floyd fez isso uma no antes com Atom Heart Mother, o LP da vaca), e além disso, cada um dos integrantes do LZ escolheu um símbolo cabalístico para sí. Tá lá no encarte e em milhares de camisetas nos quatro cantos do mundo.
Vamos as canções:
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Black Dog - Abrindo o Lado A temos uma criação baseada em um riff de John Paul Jones desenvolvido depois de ouvir “Tom Cat”, canção de Muddy Waters que saiu no álbum “Electric Mud (1969). “Black Dog” tem em sua origem em uma brincadeira que buscava homenagear um cão labrador que perambulava pelo quintal de Headley Grange. O tema repleto de mensagens subliminares ganhou letra de Robert Plant que demonizava entre outras coisas, força sexual de uma “mulher de pernas grandes (big-legged woman)” e a luxúria masculina.
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Rock and Roll – Tudo começou quando durante um ensaio Bonhan brincou em cima da abertura de “Keep A-Knocking” de Little Richard. E como que surgido do nada, Jimmy Page emendou o riff que conhecemos hoje. Em uma noite a canção estava pronta. A letra foi escrita por Plant.
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The Battle of Everymore – Outra letra de Plant. Essa foi inspirada do livro “O Senhor dos Anéis” (uma das paixões do vocalista), também em uma história militar da idade média e na mitologia celta. Para cantar em dueto no tema, Plant teve a ideia de convidar Sandy Denny, uma das vozes do grupo inglês Fairport Convention. Funcionou. Enquanto o vocalista desenrola os eventos da história, Denny surge como uma resposta do povo que participava das batalhas, uma voz que incitava as pessoas a se desfazer de suas armas. Um folk épico que virou marca registrada da banda.
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Stairway To Heaven – Plant conta parte da história de como surgiu a música: “Jimmy e eu sentamos em frente da lareira, o ambiente era incrível”, ele lembrou anos depois. “Eu estava segurando um lápis e um papel, e por algum motivo estava muito de mau humor. Então, de repente, minha mão estava escrevendo as palavras “There’s a lady who’s sure all that glitters is gold / and she’s buying a stairway to heaven”. Eu fiquei lá sentado e olhei para as palavras e quase caí. A letra, ele explicou, “falava de uma mulher que conseguia tudo o que queria sem dar nada em troca”. Page compôs a base do som em alguns minutos com um cigarro preso entra as cordas junto da cravelha. Em contas recentes (2009), “Stairway To Heaven” havia sido tocada mais de 5 milhões de vezes nas rádios americanas.
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Misty Mountain Hop – a influência de Tokien (autor de "O Senhor dos Anéis) sobre Plant também está presente no momento mais pop do álbum. No tema que abre o Lado B do vinil, são estabelecidos laços alegóricos entre a nação hippie, da qual o cantor se considerava membro devoto, e os heróis mitológicos do Hobbit. Na verdade a letra tira inspiração de uma batida policial atrás de drogas e o conseqüente desejo de fugir de algum lugar “over the hills where the spirits fly”.
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Four Sticks – Foi baseada em uma ideia de Page de criar uma música em cima de um raga indiano. John Bonhan criou o solo de bateria batucando em latas de cerveja vazias, isso logo depois de assistir um concerto do baterista Ginger Baker com a Ginger Baker’s Airforce.
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Going To California – Essa sempre será a minha preferida do álbum. Um hino de louvor a estrada e devotada homenagem de Page e Plant a cantora canadense Joni Mitchell. Um dos LPs que rolavam insistentemente no toca-discos de Headley Grange era “Ladies of The Canyon”, lançado por Joni em 1970. Plant disse depois “quando você se apaixona por Joni Mitchell você realmente precisa escrever sobre ela”.
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When The Levee Breaks – uma velha canção de Memphis Minnie McCoy e Kansas Joe McCoy que a banda reinventou com uma mantra hinótico rock-blues, que ultrapassa de longe a original, gerando uma obra completamente nova. A grande diferença ficou a cargo da bateria. Gravada com dois microfones Beyer M160 no saguão da casa, batixado de “Galeria dos Trovadores”, esse take acabou definindo o som de bateria dos anos 70. O hall possuía a altura de cercade três andares e por isso, assemelhava-se ao som de uma catedral. A harmônica de Plant também empresta cores blueseiras ao tema. Jimmy depois descreveu como uma de suas mixagens favoritas, especialmente o momento perto do climax, quando "tudo começa a se mexer, menos a voz, que permanece estacionada".
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Fontes: Quando os Gigantes Caminhavam sobre a Terra e A Arte no Rock.


























































