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"A farra que eu vi"

23 de abril de 2014 3

Diretora da escola municipal Manoel Henrique de Assis, em Penha, Maria do Carmo Ramos Krieger colecionou relatos de mil crianças e adolescentes de 9 a 17 anos sobre suas experiências com a farra do boi. Os dados, coletados em 2006, 2011 e 2013, revelaram uma realidade preocupante: 40% dos meninos e meninas não só já viram a farra, mas também já participaram da “brincadeira” criminosa com pais, tios ou avós.

As experiências foram descritas em redações e motivaram um trabalho de conscientização dos alunos. Maria do Carmo, que se surpreendeu com os relatos, levou para a sala de aula imagens da farra “original”, nos Açores, e discutiu com os alunos os maus-tratos aos animais.

A maioria dos garotos e garotas via a prática como “cultural”. Maria do Carmo acredita que tenha conseguido mudar esse pensamento.

Dados e relatos foram reunidos em um livro,”A farra que eu vi – A farra do boi no banco escolar”, lançado no início do mês. Pelo projeto, a professora recebeu homenagem do comando estadual da Polícia Militar.

Os relatos vêm à tona num momento em que a Cidasc observou aumento nas ocorrências de farra do boi na região e a presença cada vez maior de crianças entre os farristas (leia mais na edição de hoje). A experiência da professora é prova de que a mudança de comportamento – e de entendimento sobre o assunto – está diretamente relacionada à conscientização.

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comentários

Comentários (3)

  • Michelle Porto Neumann (professora de geografia) diz: 23 de abril de 2014

    Muito importante este trabalho da professora, pois leva a reflexão sobre um tema polêmico e pouco abordado no âmbito escolar.

  • Cleber Neumann diz: 23 de abril de 2014

    “A Farra que eu vi” e vivi em Penha passou por dois momentos distintos e era visto como uma tradição pela população, num primeiro momento o boi era solto, perseguido e maltratado e num segundo momento foi organizado como uma grande festa, (onde não era permitido que se maus tratos ao boi) com comissão organizadora, arena, barracas, shows musicais, enfim um evento no calendário municipal na quaresma. A farra do boi e qualquer tipo de mau trato á animais é crime e deve ser combatido pela Policia Militar

  • Maria do Carmo Ramos Krieger diz: 23 de abril de 2014

    A prática da farra do boi, presente em alguns municípios litorâneos de Santa Catarina, chamou-me a atenção quando, em sala de aula, os comentários a respeito eram ‘lugar comum’ entre muitos de meus alunos. Curiosa, busquei perguntas como: Quem leva para a farra? Onde ela acontece? De que maneira ela acontece? resultando num universo único de respostas – pertinentes à quem, como muitos dos educandos, participaram de uma.
    Assim, o destaque ao meu trabalho que a jornalista Dagmara Spautz faz, não deixa de ser também um reconhecimento pelo “A Farra que eu vi – o boi da farra no banco escolar”.
    Ele está disponível em http://www.eebmanoelhenrique.blogspot.com
    Maria do Carmo Ramos Krieger

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