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Enfim, a verdade

31 de maio de 2014 0
Foto: Rafaela Martins/Arquivo

Foto: Rafaela Martins/Arquivo

 

Os últimos dias têm sido tensos para Eliana Barontini. Dividida entre a ansiedade e o medo das informações que vai receber, a filha de Higino Pio, primeiro prefeito de Balneário Camboriú, aguarda a leitura do laudo feito pela Comissão Nacional da Verdade sobre a morte do pai, em 1969. A audiência está marcada para segunda-feira, a partir das 16h. Eliana, emocionada, não sabe se estará presente. Ainda é doloroso, para ela, tocar no assunto.

– A gente já foi tão enganado, tudo foi tão escondido, que a gente não sabe o que vai encontrar. Tenho certeza de que mataram meu pai, de um jeito ou de outro – diz.

Higino Pio estava sob custódia da Marinha, na Escola de Aprendizes Marinheiros, quando faleceu enforcado, e é o único preso político catarinense morto em uma dependência pública no Estado durante a ditadura militar. Eleito pelo PSD quatro anos antes, o prefeito havia sido detido na quarta-feira de cinzas de 1969 pela Polícia Federal, junto com outros funcionários da prefeitura. Somente ele permaneceu preso, e sua morte ocorreu poucos dias depois, em 3 de março. A versão oficial é de que ele teria cometido suicídio.

Eliana, embora tensa, diz que saber o que ocorreu, depois de tantos anos, será um alívio. Ela tinha 19 anos quando o pai morreu. Um de seus irmãos, João Jorge, faleceu sem saber os detalhes sobre a morte do pai. Higino, que jamais deixou de ser história na família, terá sua verdade enfim revelada.
– Não vou dizer que estou sofrendo, porque já faz tanto tempo… mas a gente lembra dele a vida inteira. A dor sempre fica.

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