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"Devo apoiar Balneário" - entrevista com Edson Piriquito

11 de julho de 2014 6

Depois de uma tentativa frustrada de concorrer a governador, Edson Piriquito considera pela primeira vez sair do PMDB. Ontem, o prefeito de Balneário Camboriú reuniu-se mais uma vez a portas fechadas com a cúpula do partido no Estado para negociar seu apoio à reeleição de Raimundo Colombo. Decisão que, segundo ele, vai demorar a fazer. Em entrevista à coluna, antes do encontro, Piriquito revelou os motivos de seu descontentamento: disse que a cidade é preterida pelo governo do Estado e admitiu até a hipótese de se filiar ao partido dos eternos rivais, o PSDB.

 

Foto: Rafaela Martins

Foto: Rafaela Martins

Houve formatura de novos policiais militares e a região de Balneário Camboriú ficou com 15 deles. Outras cidades, com menos violência, ficaram com mais. Está faltando representatividade política?
O Estado tem discriminado Balneário Camboriú e a região. Sou do partido do vice-governador, eles me querem como coordenador regional dessa campanha, mas estou muito chateado. Não é possível que o governo do Estado desmereça tanto uma região como a nossa. Será que é por falta de força política? Temos deputado em Itajaí, em Balneário Camboriú. Temos prefeitos que têm uma relação com o governo, que reivindicam, mas que acabam não levando. O instrumento de pressão, será que está sendo bem exercido? Agora eles querem nosso apoio político. Partidariamente me obrigo a ajudá-los, mas tenho minha posição pessoal. Como vou trabalhar na campanha de um governador que não me dá um centavo para manter um hospital aberto?

O governo anunciou esse repasse. Não veio?
Ficou tudo no vale-esperança. Tiveram a competência de não pagar o convênio assinado da ponte da Vila Real. Eram R$ 3,2 milhões, aprovados pela regional. Acabei a ponte e não veio até hoje nenhuma parcela. Tive que tirar dinheiro de outra obra para poder destinar o recurso.

E a redução do Centro de Eventos?
Sorte nossa que elaboramos o projeto no município, fomos à reunião com o ministro Gastão Vieira e conseguimos garantir o repasse de R$ 55 milhões do governo federal. Graças a esse repasse o Centro de Eventos vai sair. Se não houvesse, ficaríamos sem o Centro de Eventos de novo. O projeto é retangular, elaboramos com 38 mil m² e o governo do Estado teve dificuldade para fazer o orçamento do total. Tiveram que reduzir o tamanho e dividiram em duas etapas, o que eu achei muito inteligente. Desde que se assumam as situações, tudo bem. Só que a gente fica sabendo pela imprensa, pelas conversas de corredor.

O senhor teve desavença com o governador?
Eu sou apoiador, Eduardo Pinho Moreira é meu padrinho político. Na primeira vez em que concorri à prefeitura, em 2004, o PMDB estava sob intervenção por parte do governador Luiz Henrique da Silveira. Não queriam me deixar ser candidato, peitei essa situação e quem me avalizou foi dr. Eduardo. Criamos um laço muito forte, quase todos os dias nos falamos, e ele não consegue resolver os meus problemas.

O senhor vai sair do PMDB?
Eu tenho um compromisso com Balneário Camboriú. Com os partidos são acordos políticos. Não desejo sair do PMDB. Agora, se o PMDB não me dá a condição que necessito para apresentar à sociedade o que ela precisa… Por que saí da Amfri? Porque a Amfri não resolve os problemas regionais como se propõe. É uma entidade privada, que trabalha com dinheiro público. Estou deixando de enviar à Amfri R$ 2 milhões por ano e não perdi nada com isso. Não sou obrigado a ficar num formato que não fui eu que criei. Com o partido, se ele para de se identificar com a sociedade, se ele não dá as condições, por que vou ficar preso?

A hipótese é considerada então…
Eu considero o que for para fazer com que o projeto venha a se tornar realidade. Eu desejo? Não. Paulo Bauer me visitou esta semana e adorei a conversa que tive com ele, quer que eu assuma a campanha dele. (O senhor considerou a conversa?) Considerei não, considero. Meu entendimento político-partidário não pode ser maior do que a atenção para o cidadão.

O senhor pode apoiar Paulo Bauer?
Devo de fato apoiar Balneário Camboriú. A discussão (com LHS) poderá ser decisiva. Vão me dar um vale-esperança de novo? Se tenho divergência pessoal com Colombo, com Eduardo, com Luiz Henrique? Muito pelo contrário. Tenho divergência hoje com o PSDB. Mas se o PSDB passar a dar as garantias que não tenho com o grupo ao qual pertenço, vou ter que refletir. Se o PT me der essas garantias, vou ter que refletir. Reafirmo que não quero sair do PMDB, não estou botando ninguém na parede, mas quero saber o que faço nesse cenário. Tentei ser governador porque eu tinha um projeto, porque não estava contente com o modelo de gestão. Não tive merecimento para ser candidato, não tive competência para conquistar a vaga internamente. Houve um movimento muito forte do LHS, que mostrou a força que tem. Os vale-esperanças naquela ocasião foram todos renovados, só que não aconteceram.

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comentários

Comentários (6)

  • Cortaram Asas do Periquito diz: 11 de julho de 2014

    a região arrecada milhoes em tributos mas nos repassam migalhas… não é falta de força política, é safadeza o nome disso… temos que nos virar, trabalhar 12, 14, 16 horas pra pagar nossas contas e infelizmente não temos o retorno merecido… em outubro temos que colocar novos governantes, alguém ainda tem esperança?

  • Roberto diz: 11 de julho de 2014

    Piriquito só se queima com esse tipo de entrevista. Pra se conseguir recursos dos governos estadual e federal é preciso praticar a política da boa vizinhança. Gosto do governo dele mas essas manobras dele são um tiro no pé. Colombo vai ser reeleito.

  • Rogério diz: 11 de julho de 2014

    Esse retorno que o prefeito está tendo é fruto de sua arrogância, seu desprezo pelas lideranças e por suas atitudes de pensar como se ele fosse o centro das atenções. Para ele, todos tem que ser serviçais. Gastou 30 milhões com uma passarela e agora reclama que não tem dinheiro. Pergunta quantas vezes ele atendeu o governador quando ele esteve aqui?

  • Herival Weise diz: 11 de julho de 2014

    Sujeito não confiável, falso e arrogante, que conjuga verbo só na primeira pessoa do singular, “eu sei, eu faço, eu posso, eu mando, eu minto, eu engano,”, Acreditar no que prega, é pura e absoluta perda de tempo.

  • Visitante diz: 11 de julho de 2014

    Rogério, não é a questão dele ter gastado 30 milhões numa passarela, e sim fechar um acordo com o governo e o governo não cumpri-lo. E quem sai perdendo com isso tudo? Simples, a própria população. Exemplo: obras pela metade (redução do Centro de Eventos), falta de pagamento para obras essenciais, e assim vai.

    Se ele é arrogante ou se ele se acha isso é outro assunto. Esse papo político as vezes enche o saco.

  • Marcelo diz: 11 de julho de 2014

    Piriquito defenda a cidade que o elegeu e o reelegeu! Tá certo em cobrar apoio para a nossa sociedade. Vai finalizar os seus oito anos com muito sucesso e muitas obras, marcando uma nova era na cidade. Falam, falam, mas fez mais de 60% votos contra Rubens, Pavan, Fabrícioo e Dado juntos! Segue como está que o povo está contigo.

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