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"Acidentes ocorrem por comportamentos inseguros" - entrevista com Anaelse Oliveira

17 de outubro de 2014 0

anaelse

A Volvo apresentou aos transportadores catarinenses, em Balneário Camboriú, a proposta de zerar os acidentes envolvendo caminhões através de medidas preventivas. Anaelse Oliveira, resposável pela comunicação da marca, falou ao blog sobre o programa e o lançamento do Atlas de Acidentalidade no país.

Qual a intenção com a criação do Atlas?

Uma média de 10 pessoas morrem em acidentes envolvendo caminhões por dia no país, nas rodovias federais. Se considerarmos o universo das demais rodovias, esse número vai muito além. Usamos os dados da PRF, que tem um banco de dados extremamente confiável, porque segue a mesma metodologia de dados, e com isso foi lançado o Atlas. Nossa intenção é não só atualiza-lo, mas também ampliar a abrangência. Num paso seguinte, também com as rodovias estaduais. Esses dados evidenciam que o setor de transporte rodoviário de cargas demanda uma atenção bastante forte em relação à segurança. Há 27 anos a Volvo tem o Programa Volvo de Segurança no Trânsito, que tem o objetivo de sensibilizar para a busca de soluções relacionadas à segurança de trânsito. Desde o ano passado, o grupo Volvo mundial estabeleceu uma meta extremamente audaciosa, de zero acidentes envolvendo veículos do grupo. Zero acidentes é o ideal de futuro. A Suécia já adota isso como política pública há bastante tempo. Nos últimos 10 anos, eles reduziram em 50% o número de mortes nos acidentes.

Como conseguiram essa redução?

Primeiro o governo estabelece isso como uma política pública, segundo o envolvimento de todos os setores da sociedade _ a Volvo e outras empresas da indústria automotiva foram convidadas a integrar o Zero Acidentes, isso em 1997. Tem também a àrea de educação… é um envolvimento social com todos os setores da economia, da sociedade, e cada um fazendo seu papel. São questões que ajudam a evitar os acidentes e, se acontecem, para que tenham o menor impacto possível. Na Suécia, anualmente 400 pessoas morrem em acidentes. No Brasil, segundo dados do Denatran, 45 mil. Entretanto esses dados contabilizam somente as mortes no local do acidente. Aqueles casos em que a pessoa é hospitalizada e morre, acabam não entrando na estatística do Denatran. Resolvemos direcionar nossos esforços na área de segurança de trânsito no setor de transporte de cargas justamente em razão desses números. Em termos de comparativo entre transporte rodoviário de passageiros e cargas, é um cenário totalmente diferente. Até em termos de relação de trabalho. A lei do descanso tem sido muito discutida, em 2012 foi aprovada e ainda não se estabaleceu. A categoria de motorista profissional de caminhão não é regulamentada, já o motorista de ônibus tem uma regulamentação específica. Uma das coisas que mais pegam é a jornada. Motoristas têm a jornada muito extensa, impacta na fadiga, sono, e o número de acidentes em função de sonolência tem aumentado bastante. E isso tem um viés econômico extremamente grande também, com a falta de motorista profissional.

Acaba sendo uma profissão não muito atrativa?

Não muito atrativa, até pelas dificuldades. São duas situações que acabam caminhando de maneira oposta.

Essas exigências vêm das transportadoras ou o problema maior são os motoristas autônomos, que para aumentar renda acabam estendendo a jornada?

A grande questão são os autônomos. A grande maioria das transportadoras tem acompanhamento de jornada, e o autônomo é o único responsável pelos rendimentos, acaba se estendendo. Mas é uma realidade que existe entre os dois. É preciso treinamento comportamental, não só técnico. As estatísticas indicam que os acidentes ocorrem muito mais por comportamentos inadequados, inseguros. O seminário em SC é o segundo, começamos em Curitiba, e ainda este ano temos mais dois, em MG e RS. A escolha é pelo volume de transportadoras. A ideia é sensibilizar para que adotem essa filosofia do zero acidentes, com planejamento que inclui gerenciamento de risco das rotas, treinamento, jornada adequada, e por aí vai. Outro tema é a ISO 3901, de 2012, norma internacional voltada à segurança viária. Fizemos um resumo indicando um passo a passo, que será disponibilizado para os transportadores.

Por que os dados do Atlas são de 2012?

Começamos o Atlas no ano passado, e quando estávamos com ele praticamente pronto a PRF ainda não tinha consolidado os dados de 2013. Eles disponibilizaram somente em abril. Decidimos, por ser o primeiro, lançar assim até porque a atualização dos dados vai acontecer na sequência.

É possível reduzir de forma significativa os acidentes que envolvem caminhões?

Sim, com um bom planejamento de segurança. Ninguém quer ter perda de vidas, e nem econômica. Queremos sensibilizar a ter esse ideal, e como chegar lá. Tem que ter envolvimento da alta direção, planejamento de longo prazo, olhar atento a todas as rotas que a empresa faz.

Qual a maior dificuldade de adaptação das empresas?

São muitas variáveis, tem a jornada, idade e manutenção da frota, treinamento. É uma somatória de fatores, e avaliando as causas, que estão no Atlas, no maior número de acidentes a causa é o comportamento. Por exemplo, em termos de número, o maior número de acidentes é por falta de atenção _ uso de rádio, celular. Entretanto, os acidentes são mais graves em razão em 1º lugar de ultrapassagem indevida, 2º ingestão de álcool, 3º velocidade incompatível, 4º dormir ao volante, e por aí vai.

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