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Projeto de Balneário Camboriú para receber transatlânticos avança e cidade poderá ter um porto turístico

26 de março de 2015 12
Foto: Marcos Porto

Foto: Marcos Porto

 

O debate sobre a abertura de Balneário Camboriú para o mercado de transatlânticos chegou a um novo e ousado patamar. A Secretaria de Turismo do município protocolou ontem junto à Marinha o projeto de um porto completo para navios de cruzeiro, com estrutura para receber os maiores transatlânticos do mundo.

A proposta é diferente da ideia inicial, que propunha fundear as embarcações em alto-mar e oferecer um atracadouro para os tênderes, pequenos barcos que trariam os turistas do navio até o molhe. A ideia, agora, envolve estender o molhe da Barra Sul 370 metros e dragar o canal para permitir a atracação de até dois navios ao mesmo tempo, um na parte interna e outro na parte externa da estrutura.

O maior atracadouro, na parte interna do canal, permitiria até a parada do Allure of the Seas, navio da companhia Royal Caribbean que é hoje o maior do mundo em atividade, com 362 metros de comprimento, e que ainda não pode ser recebido em nenhum porto turístico do país por falta de espaço _ Santos, por exemplo, tem limite de 335 metros.

O autor do projeto é André Guimarães Rodrigues, bacharel em Ciências Náuticas e prático em Itajaí, que afirma com veemência que a atracação em Balneário é possível e viável e classifica as condições na baía de “quase perfeitas”.

Segundo ele o local escolhido fica protegido de ventos e ondas e tem pouca influência de correnteza, já que o Rio Camboriú tem baixa vazão se comparado, por exemplo, ao Itajaí-açu _ onde manobram os navios que atracam nos terminais de Itajaí e Navegantes.

O custo do projeto ainda não foi estimado.

Voltou à tona

A proposta inicial havia sido feita a pedido do empresário Rogério Rosa, do Grupo Embraed. Com a morte do construtor, em 2013, a ideia acabou sendo deixada de lado e voltou à tona agora, com o anúncio feito pela prefeitura e pelo Grupo Tedesco, há cerca de duas semanas, de que há intenção de ativar o mercado de cruzeiros na cidade.

No último fim de semana executivos da operadora de cruzeiros Pullmantur estiveram em Balneário para conhecer a Barra Sul e o projeto, e teriam sinalizado positivamente. Via de regra, os operadores se interessam por destinos em que possam atracar durante o dia para seguir viagem à noite.

A estimativa é que mais de 100 escalas hoje passem pelo Sul em direção ao Uruguai e à Argentina, sem parar em nenhum dos terminais turísticos.

Longo prazo

O protocolo do projeto junto à Marinha é o primeiro de uma série de longos passos que a prefeitura de Balneário Camboriú terá que transpor se quiser que a cidade receba os transatlânticos. Os trâmites incluem desde estudos de navegabilidade e simulações de atracação, passando pela avaliação profunda das condições naturais e, enfim, o licenciamento ambiental.

Feito isto o projeto, para ser viável, precisará também de uma estrutura de embarque e desembarque de passageiros _ como existe hoje em Itajaí _ e também de espaço para alfandegamento da Receita Federal.

André Guimarães Rodrigues, autor do projeto, diz que após terem sido emitidas todas as licenças a dragagem, que é a principal benfeitoria a ser feita não levaria mais do que oito meses.

Por enquanto nem a Marinha nem a praticagem se manifestam a respeito do projeto.

 

Foto: Marcos Porto

Foto: Marcos Porto

Ganho de um lado, perda de outro

Se Balneário Camboriú levar adiante a ideia de receber transatlânticos o Estado terá três pontos de parada de cruzeiros entre Itajaí e Porto Belo, num trecho que, em linha reta, não chega a 30 quilômetros _ e num mercado que retraiu nos últimos anos em decorrência do alto valor das taxas no país, que levam os operadores e escolher outros destinos pelo mundo.

Uma concorrência que, para o secretário de Turismo de Itajaí, Agnaldo Hilton dos Santos, traria mais perdas que benefícios: uma “concorrência desnecessária”. Itajaí tem hoje um modelo parecido com o pleiteado por Balneário, mas com limitação no tamanho de embarcações.

Já o presidente da Fundação de Turismo de Porto Belo, Claudio Souza, acredita que a inclusão de Balneário traria novo fôlego ao mercado na região:

_ Para nós não é concorrência, é mais uma ferramenta para explorar a propaganda do mar catarinense.

Em Itajaí o atual píer deve ser desmontado na segunda etapa das obras da nova bacia de evolução, que ainda não tem data para começar (a primeira fase teve a ordem de serviço assinada na semana passada e começa em 90 dias).

A cidade deve ganhar um novo píer, mais moderno e com maior capacidade, que deve ser construído junto à Vila da Regata. A proposta prévia foi apresentada ao Ministério do Turismo, mas ainda não tem data para sair do papel.

Na temporada 2013-2014 o píer turístico de Itajaí arrecadou R$ 1,3 milhão com a passagem dos cruzeiros.​

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comentários

Comentários (12)

  • Willian diz: 26 de março de 2015

    Arrecadou R$ 1,3M.
    Gostaria de saber é qual foi a despesa e o prejuízo do mesmo.

  • Armando Nascimento de Jesus diz: 26 de março de 2015

    gostaria de saber mais detalhes sobre esse 1,3 milhao arrecadado com a passagem de cruzeiros,seria alguma taxa de desembarque cobrada?

  • Andrey Matheus Rawietsch diz: 26 de março de 2015

    Interessante, porém em nenhum momento as questões ambientais parecem ser levadas em consideração… conseguir licenças ambientais no brasil é facil para quem paga bem, agora, mensurar de verdade os impactos que uma modificação como esta pode provocar no meio ambiente parece ser irrelevante para os membros envolvidos.

  • Emiliano diz: 26 de março de 2015

    Fiz um Cruzeiro a bordo do Zenith. A bordo vendiam pacotes para Beto Carreiro World, Blumenau e Balneário Camboriú. Perguntei sobre a imagem e o destino turístico de Itajaí, eles me informaram que Itajaí não tem nada a oferecer (praias, patrimônio, turismo ornitológico, porto comercial, parque da atalaia e outros monumentos). Era o 10 cruzeiro, imagina o restante.

  • Daniel Ramos De Oliveira diz: 26 de março de 2015

    Penso que é desnecessário tal investimento por parte de Balneário Camboriú, por que ao invés de construir um lá, não se pensa em uma parceria com Itajaí? Nós temos um Porto Organizado, tal investimento que seria necessário para todas as obras, poderia ser investido em outras áreas (como a Construção da Nova Rodoviária, que é uma vergonha na Temporada, melhores atrativos para a chegada dos Turistas, novas ruas e melhorar o acesso da cidade, que é tudo precário em Balneário Camboriú em questão de mobilidade urbana), Penso que Balneário Camboriú têm que pensar mais em se unir do que trabalhar sozinho, a AMFRI têm que se unir, e Balneário Camboriú têm que fazer parte disso.

  • David diz: 27 de março de 2015

    Eles não querem o píer aqui em BC, mas me diz qual cidade vai atrair mais turista uma cidade a qual é turistica ou uma cidade com um PORTO.

    kkkkk

  • pantaneiro diz: 27 de março de 2015

    Com a construção do atual píer, a praia de laranjeiras acabou, um lixo só! Era a melhor praia para crianças e pessoas de idade tomarem banho, aguas límpidas, areias soltas; hoje só lama, plásticos! Ah, com o avanço do píer, poderemos ter a companhia dos “amigáveis” tubarões, podem crer, mirem no exemplo da praia de Boa Viagem, no Recife, com a construção do Porto de Suape! Pronto, falei a verdade, contrariando (?) interesses outros, fui C E N S U R A D O, né!

  • Marcos diz: 3 de abril de 2015

    Sempre imaginei o quanto seria glamouroso para Balneário se tivessem transatlânticos estivessem ancorados ali (na barra sul). Porém, agora que há um projeto, sei que haverá muitos do contra. Mas, felizmente, BC não se deixa manipular pelos retrógrados!
    Aliás, quando sairá a duplicação da AV. Atlântica?

  • Secretaria de Turismo de Balneário vai discutir demanda para transatlânticos | Guarda-sol diz: 8 de maio de 2015

    […] Balneário Camboriú está levando a sério a oportunidade de receber transatlânticos. […]

  • Pipou diz: 8 de julho de 2015

    dificil colocar um botao “compartilhar nas redes sociais” nas materias?

  • Sergio Kochepki diz: 13 de julho de 2015

    Já não tem lugar na terra. Agora vão ocupar o mar. Talvez resolvam retirar a Ilha das Cabras.

  • Alessandro diz: 13 de julho de 2015

    Queria que tivesse estacionamento na cidade, que tá mais apertada que rato em guampa!

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