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Filhotes de cães-guias estão em busca de famílias dispostas a doar amor e disciplina

08 de setembro de 2015 2
Foto: Marcos Porto

Foto: Marcos Porto

Eles ainda são uma brincalhona bolinha de pelos, mas terão uma missão nobre pela frente. Os filhotes de Golden Retriever do Instituto Federal Catarinense (IFC), em Camboriú, estão sendo treinados desde que nasceram para atuarem como cães-guias quando forem adultos. A instituição está em busca de famílias socializadoras que possam, com carinho e disciplina, ajudar os quatro pequerruchos a se tornarem os olhos de quem não pode ver.

São aceitas famílias que vivam em um raio de até 100 quilômetros de distância de Camboriú, para facilitar o acompanhamento. A família tem a missão de, em um ano, apresentar o cãozinho ao mundo _ e isso significa incluí-lo na rotina, com direito a voltinhas em escada rolante, viajar de avião e frequentar a escola ou o trabalho junto com o socializador.

Para que ele saiba comportar-se, a disciplina é rígida: horário e tempo certo para comer, ir ao banheiro e brincar, além da proibição expressa de se alimentar de algo que não seja a ração e esparramar-se na cama ou no sofá.

_ É muito importante que ele seja bem orientado nessa fase, que corresponde à infância _ diz Marcio Pereira Soares, coordenador adjunto do curso de especialização de instrutores de cães-guias do IFC.

Durante o período de socialização o cãozinho recebe ração, acompanhamento veterinário e é visitado frequentemente pelos instrutores. Quando o tempo de um ano acaba, o filhote retorna ao IFC para receber treinamento mais intenso. Só depois será entregue, gratuitamente, ao futuro dono _ um deficiente visual.

 

A noção de que o contato com o animal é temporário, e para uma finalidade maior, é um dos pontos observados pela equipe do instituto antes de entregarem o cãozinho a uma família. Responsabilidade e desapego são essenciais para o trabalho funcione, até porque erros na “educação” do bichinho nos primeiros meses de vida podem impossibilitá-lo de ajudar um deficiente visual.

Uma perda irreparável para o projeto, já que há hoje mais de 400 cegos na fila de espera oficial aguardando por um cão-guia.
A estimativa, porém, é que o número de potenciais beneficiados possa ser muito maior. Os dados carecem de precisão porque ainda há pouca oferta de cães treinados no Brasil.

Pioneirismo

O projeto que funciona no IFC Camboriú é pioneiro no país na formação de instrutores de cães-guias totalmente subsidiada pelo governo federal _ um serviço que, até então, não existia no país. O curso é de especialização e, por enquanto, ofertado apenas para profissionais que já atuam em institutos federais de educação no Brasil. A primeira turma, com cinco alunos, forma-se ainda este ano e uma segunda leva de estudantes já começou o curso, que tem quase dois anos de duração.

Paulo Ricardo Garcia Martins, coordenador do curso, explica que a ideia é ter pelo menos um centro de formação em cada região do país. Camboriú é responsável pela formação de cães para todo o Sul.

Cara de um, focinho do outro

O trabalho é minucioso na escolha do cachorro ideal para acompanhar um deficiente visual. Ao longo do período de treinamento, os instrutores perceberão eventuais problemas físicos ou de comportamento que impossibilitem a adaptação do cão ao trabalho. Em média, só 30 a 40% dos cães que passam pela formação conseguem, de fato, cumprir a missão.

O próximo passo, então, é a aproximação entre o cão e o novo dono. Como o bichinho serve de guia, é preciso que se encaixe à personalidade e ao modo de vida do deficiente visual _ mais pacato ou agitado, por exemplo. Há ainda questões físicas a serem verificadas, como a altura do cão em relação à do deficiente.

 

Feita a escolha, o candidato a dono passa três semanas dentro do IFC, em um alojamento construído especialmente para a adaptação, antes de levar o cãozinho para casa. O acompanhamento dos instrutores será feito ainda por mais cinco anos.
Desde que o projeto foi implementado, em novembro de 2012, 15 cães já foram entregues em cidades como Blumenau, Brusque, Palhoça, São José, Joinville e Balneário Camboriú. Esta será a primeira vez, entretanto, que os cãezinhos em formação são nascidos no próprio instituto _ os quatro pequerruchos à espera de socializador são filhotes de cães do próprio IFC.

Contando o período de formação, cada cachorrinho entregue a um deficiente visual custa em média R$ 30 mil.

Como participar

- Acesse 0 site - camboriu.ifc.edu.br/pos-graduacao/treinador-e-instrutor-de-caes-guia e preencha o cadastro
- Técnicos visitarão a casa e vão entrevistar a família candidata
- É importante, além da boa intenção, oferecer segurança para evitar que o cãozinho fuja ou seja roubado

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comentários

Comentários (2)

  • Linda Pires diz: 8 de setembro de 2015

    Gostaria mto de te-los,pois tenho um que parece ter sido adstrado,mesmo sendo leiga ele é mto obediente,todos meus vizinhos se admiram,se tiverem interesse estou á disposição,gostaria que viessem conhecer o meu Popó,tenho tempo e disponibilidade,obrigada.Moro na divisa de Blumenau/Indaial

  • Marília busnello diz: 16 de setembro de 2015

    Queremos e precisamos de um cão. Minha filha está deficiente há 5 meses. Ela tem 31 anos. Me ajudem por favor

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