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Dono de pátio alega impedimento legal e recusa-se a responder perguntas na CPI da Codetran

28 de setembro de 2015 0
Nelson Abraão foi o único a prestar depoimento completo à CPI

Nelson Abraão foi o único a prestar depoimento completo à CPI

 

O mais esperado depoimento da CPI da Codetran, nesta segunda-feira à tarde, foi marcado pelo silêncio. Julio Cesar Fernandes, dono do pátio de veículos apreendidos que prestava serviço à prefeitura de Itajaí e testemunha-chave da Operação Parada Obrigatória 2, não respondeu aos questionamentos dos vereadores alegando impedimento técnico: o acordo de colaboração premiada que o empresário firmou com o Ministério Público Estadual ainda não foi homologado pela Justiça. Até lá, ele não vai comentar os fatos investigados.

Fernandes compareceu à Câmara de Vereadores acompanhado do advogado e respondeu apenas as formalidades que antecedem os questionamentos sobre a investigação, como a confirmação de nome, local de nascimento e profissão. Ao confirmar ser empresário, porém, revelou que é sócio de Jefferson Ferreira em uma loja de embarcações.

::: Atual chefe da Codetran é chamado a depor

Jefferson é filho do vereador licenciado José Alvercino Ferreira (PP), preso desde 14 de julho, quando foi deflagrada a operação pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Embora a relação profissional dos dois seja em uma empresa que não tem relação com os fatos investigados pela Operação Parada Obrigatória 2, Jefferson também está entre os denunciados à Justiça, acusado de retirada de peças de veículos do pátio.

Julio Cesar Fernandes comprometeu-se a voltar à CPI assim que tiver autorização para falar o que sabe. Presidente da comissão, o vereador Thiago Morastoni informou que iria questionar a Justiça sobre o prazo para que a homologação do acordo aconteça.

“Presentinhos”

Diferente de Fernandes, o ex-secretário de Administração de Itajaí, Nelson Abraão de Souza, chegou à CPI disposto a falar.

_ Graças a Deus estão chamando para poderem me ouvir e desvendar mal entendidos. Até então não fui ouvido nem pela inicial nem pelo Ministério Público _ afirmou.

Abraão negou conhecer Julio Fernandes, disse que sequer ocupava o cargo de secretário na época do processo licitatório para contratação do pátio e disse que nunca fez acordo para abertura de um segundo pátio para servir à prefeitura _ o que, segundo ele, já era previsto em edital como obrigação da empresa.

Questionado sobre ter recebido alguma vantagem ilícita, disparou:

_ Estou na administração pública há 23 anos e conheço bem as leis. Não posso cair numa balela de aceitar “presentinhos” _ afirmou.

Sobre a fiscalização do recolhimento de 17% da renda do pátio à prefeitura, Abraão afirmou que o acompanhamento cabia ao fiscal determinado no contrato, que não teve o nome revelado:

_ É quem tem que falar por que não estava sendo repassado _ disse.

Faltaram

Outros dois depoimentos que deveriam ter ocorrido nesta segunda-feira foram cancelados. Willian Gervasi, ex-coordenador técnico da Codetran, apresentou um laudo médico que o mantém afastado da prefeitura para justificar a ausência. O atestado tem data de 18 de setembro e é válido por 30 dias.

Já Sadi Pires (PMDB), ex-secretário de Habitação e suplente de vereador, apresentou documento informando que estaria impedido judicialmente de falar. Sadi está ente os investigados da Operação Dupla Face, também deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que segue em andamento. A Câmara de Vereadores deve pedir informações ao Judiciário sobre a possibilidade de ele se manifestar.

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