Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

Centralização e assimetria entre os portos são discutidos com deputados federais em Itajaí

02 de outubro de 2015 1
Foto: Victor Schneider, Divulgação

Foto: Victor Schneider, Divulgação

 

 

A centralização na tomada de decisões e a assimetria entre portos públicos e terminais privados, sintomas das mudanças impostas pelo marco regulatório de 2013, foram os principais assuntos tratados durante a passagem da Subcomissão de Portos e Vias Navegáveis da Comissão de Viação de Transportes de Câmara Federal a Itajaí, nesta sexta-feira.

As consequências das mudanças para o Porto de Itajaí _ e para a economia da cidade _ foram relatadas sem meias-palavras aos deputados federais Milton Monti (PR/SP), João Paulo Papa (PSDB/SP), Juscelino Filho (PRP/MA), Alexandre Valle (PRP/RJ) e Edinho Bez (PMDB/SC). Inclusive em um manifesto, entregue aos parlamentares pela Intersindical dos Trabalhadores Portuários:

“Não há como confrontarmos a situação econômica atual por meio de uma derrocada perda de movimentação portuária, o que certamente fará sucumbir não só uma categoria de trabalhadores, mas uma cidade que lastreava economicamente SC” _ afirmam.

A morosidade do governo na apreciação do pedido de extensão de contrato da APM Terminals por mais 25 anos _ como passou a autorizar o novo marco regulatório _ é apontada como uma das principais causas para a crise no Porto de Itajaí. A empresa, de origem holandesa, é o maior operador portuário do mundo. Anunciou ter R$ 160 milhões para investir em Itajaí, mas não vai fazê-lo sem que ocorra a extensão por entender que não conseguiria recuperar o investimento nos sete anos que tem pela frente de acordo com o atual contrato. O pedido está há quase quatro anos em Brasília.

Paralelo a isso, a ampliação das atividades dos Terminais de Uso Privado (TUPs), favorecidos pelo marco regulatório de 2013 com modelos de fiscalização e operação menos burocráticos e mais baratos do que o dos portos públicos, tornou o modelo do Porto de Itajaí quase que inviável frente à pujança da Portonave, terminal construído na margem em frente que se tornou em pouco tempo um gigante no mercado, respondendo sozinho por 60% da movimentação de contêineres em SC.

 

Foto: Marcos Porto

Foto: Marcos Porto

Os resultados apareceram com maior gravidade nos últimos meses. A APM Terminals perdeu 50% das movimentações, demitiu 110 funcionários e devolveu a área dos berços 3 e 4 que era alugada para armazenagem de carga. A autoridade portuária perdeu receita e, para sair do vermelho, suspendeu a dragagem permanente, subiu tarifas em 21% e acaba de lançar um novo plano de demissão incentivada (PDI).

Demandas ouvidas

Antônio Ayres dos Santos Junior, superintendente do Porto de Itajaí, sintetizou os pedidos:

O que queremos é gerir nosso porto de forma a possibilitar investimentos da iniciativa privada, ganhar competitividade no mercado e também tratamento igualitário com os demais portos atrelados à SEP”.

Na noite anterior ao encontro com autoridades de Itajaí a comitiva de deputados jantou com o diretor-superintendente da APM Terminals, Ricardo Arten, que apresentou os números recentes do terminal. Os deputados afirmaram que as mudanças propostas no marco regulatório já eram preocupação desde a época da discussão, mas o governo teria sido pouco aberto a intervenções.

_ Falei, dois anos atrás, que a médio prazo isso seria o fim dos portos públicos. Nada contra a livre iniciativa, mas é preciso que ambos os modelos possam sobreviver. O marco regulatório deixou um rastro de problemas econômicos e sociais _ disse o deputado João Paulo Papa, que foi prefeito de Santos.

No encontro, a portas fechadas, os deputados comprometeram-se a tentar reverter situações do marco regulatório que classificaram como “grave equívoco”.

Edinho Bez, único deputado catarinense a acompanhar as reuniões _ vale lembrar que Itajaí não tem representante no Congresso Nacional _ se disse “satisfeito, mas preocupado”, e completou afirmando que será necessário tomar uma iniciativa para reverter o quadro.

_ Vamos apoiar porque as demandas são justas _ disse à coluna.

Falta infraestrutura

A apresentação do Porto de Itajaí aos deputados federais teve uma longa lista de demandas de infraestrutura. A começar pela bacia de evolução, que precisará de recursos do governo federal para a segunda etapa.

O assunto mais debatido, entretanto, foi a novela da Via Expressa Portuária. O secretário de Urbanismo de Itajaí, Amarildo Madeira, fez um breve relato de como uma empreitada que começou em 2006 segue parada e sem data para terminar.

Os deputados federais afirmaram que a falta de infraestrutura de acesso é problema que se repete em todos os portos visitados por eles no país.

Comente e compartilhe

comentários

Comentários (1)

  • Rodrigo Paladino diz: 5 de outubro de 2015

    Mais uma vez contando estórias o Sr. Superintendente. Quer dizer que é tudo culpa do governo federal a crise e a situação caótica que deixaram se instalar no Complexo Portuário de Itajaí? Tá bom, aham…. Não me faça rir.

    A Dona APM preocupada com seus interesses pleiteia a renovação de seu arrendamento – o que é justo e legítimo. Contudo, está obrigada ao cumprimento de todo o período remanescente de seu contrato de arrendamento e inclusive a realizar quantidade X DE movimentações de contêineres, sob pena de penalização. Se, por opção comercial objetivando maximizar seus lucros, precisou demitir funcionários, paciência, que tenha vergonha na cara e assuma a responsabilidade pelos seus atos não queira terceirizar a culpa elegendo como “Cristo” o Governo Federal.

    O Sr. Superintendente, por seu lado, que vá cumprir suas atribuições de fiscalização da operação portuária (que não o faz, diga-se: a relação entre a Superintendência e APM beira ao absurdo da complacência e “parceria” como gostam de dizer…) e atue como verdadeiro gestor de finanças públicas, separando o que é público do que é privado.

Envie seu Comentário