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Demora da prefeitura de Itajaí em enviar documentos trava andamento da CPI da Codetran

05 de outubro de 2015 3
Foto: Davi Spuldaro, Divulgação

Foto: Davi Spuldaro, Divulgação

 

A CPI da Codetran na Câmara de Vereadores de Itajaí chegou nesta segunda-feira à quinta reunião com um saldo de mais perguntas do que respostas. Os depoentes, embora tenham concordado em falar (ontem foi a vez de Sadi Pires e Ewerson Gama), até agora pouco acrescentaram ao que já se sabia sobre as investigações da Operação Parada Obrigatória. Nos bastidores, o trabalho também não avança: mais de um mês após o início da CPI os documentos solicitados pelos membros à prefeitura ainda não chegaram ao Legislativo.

O presidente da comissão, vereador Thiago Morastoni, reconhece que a falta de documentos prejudica o desenvolvimento da CPI. Entre a papelada solicitada há dados sobre o montante de arrecadação do pátio de veículos apreendidos, os contratos vigentes na Secretaria de Segurança, o número de autuações na cidade e os locais onde ocorreram com mais frequência. Informações que poderiam embasar a investigação.

_ São documentos importantes, através deles poderemos fazer os questionamentos. Se não estiverem na Câmara até a próxima sessão, vamos oficiar à Justiça _ diz o vereador.

“Boatos”

O vereador Sadi Pires (PMDB), ex-secretário da Habitação de Itajaí, foi o primeiro a depor nesta segunda-feira à CPI. Negou ter pedido favores ao vereador licenciado Zé Ferreira (PP) para liberação de veículos apreendidos _ como afirma a investigação do Gaeco _ e disse que estava depondo para esclarecer porque “tem muitos boatos”.

Sadi disse que o “jeitinho” a que teria se referido em uma ligação telefônica interceptada entre ele e Zé Ferreira, em outubro de 2013, era um suposto acordo com o filho de Zé, que ele chama de Tinho, para comprar carros de concessionárias e revender. Disse que cada um deles adquiria os veículos de uma empresa, entre as maiores da cidade, e distribuía entre as lojas:

_ O “jeitinho” era que ele (Tinho) comprasse (o carro) e me fizesse parcelado _ afirmou, dizendo ser comum que empresários do ramo se unam para esse tipo de compra. Terminou dizendo que teve contato com Zé Ferreira poucas vezes e não mantinha relações políticas com o vereador licenciado.

A reunião seguiu com a oitiva de Ewerson Gama, que afirmou nunca ter presenciado acordos supostamente ilegais na Codetran e negou que tivesse metas para apreensão de veículos. Também repetiu, por mais de uma vez, que não era atribuição sua a fiscalização do pátio e o controle dos contratos, enquanto exercia cargo de diretor no órgão de trânsito _ época em que a Codetran era comandada por Willian Gervasi.

Disse ainda não saber se a secretária de Segurança, Susi Bellini, tomou alguma medida para evitar que os fatos investigados ocorressem.

O momento mais delicado do depoimento ocorreu quando Gama foi questionado sobre o fato do pai dele trabalhar no pátio de Julio Cesar Fernandes. O coordenador de trânsito disse que o pai foi contratado por indicação de um caminhoneiro, e que não teve interferência nisso.

Os vereadores também quiseram explicações sobre uma interceptação telefônica de Julio Cesar Fernandes em que o empresário afirma que precisaria de 480 veículos apreendidos no mês para chegar ao “ponto de equilíbrio”, e afirma que as apreensões _ que estariam abaixo da média _ voltariam a crescer após a Volvo Ocean Race.

_ (O número de apreensões) é oscilante. Ele pode falar o que é bom para ele, mas não é porque ele falou que eu vou cumprir _ disse Gama, negando que cumprisse uma meta estipulada pelo dono do pátio.

Por fim, o coordenador de trânsito pediu apoio dos vereadores para ajudar os agentes de trânsito a enfrentarem a enxurrada de críticas que têm recebido nas ruas:

_ As pessoas não merecem passar pelo que estão passando. Se o Codetran parar, a cidade vai parar.

Empresário chamado

Apesar da falta de documentos e das respostas evasivas, os membros da CPI estão satisfeitos com a concordância dos convocados em falar. Até agora o único que se recusou a prestar depoimento foi Julio Cesar Fernandes, dono do pátio de veículos apreendidos, alegando impedimento legal.

Como o acordo de colaboração premiada que ele firmou com o Ministério Público foi aceito pela Justiça na semana passada, o empresário _ considerado testemunha-chave do suposto esquema de ilegalidades envolvendo o órgão de trânsito de Itajaí _ será convidado, novamente, a se manifestar. Julio foi convocado para a próxima reunião da CPI, que devido ao feriado será transferida para a próxima quarta-feira.

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comentários

Comentários (3)

  • vinicus renzi diz: 6 de outubro de 2015

    Como diz o velho ditado “quem não deve, não teme”, entretanto é de estranhar a Prefeitura demorar tanto para enviar os documentos solicitados pela Câmara para dar andamento a CPI. É isso aí vereador, solicite os documentos via judicial, a população está esperando resposta e punição aos envolvidos nesta vergonha que aconteceu na Codetran em Itajaí.

  • Jean Reinert diz: 6 de outubro de 2015

    Uma das coisas que eu ACREDITO piamente é na probidade do Coordenador Ewerson Gama. Se existe um modelo de probidade, o dele pode ser invejado. Apesar de todos os defeitos que ele possa ter, a lisura com que executa seu trabalho, é fenomenal. Sabemos que recebemos ordens superiores, mas coerência com a probidade também é da sua natureza.

  • Elio Costta diz: 7 de outubro de 2015

    Trás pensando o que? Tas tolo, nego?? Sem duvida eh um teatro muito fajuto… Ei, compadre, fizeste algo errado? Eu não, eu não… Ah, então tá bom, vocês viram, né, ele disse que não fez nada… Acham que somos bobos, mas o promotor não eh….

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