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Funcionário de pátio confirma liberação irregular de veículos ordenadas por Zé Ferreira

14 de outubro de 2015 1
Foto: Davi Spuldaro, Divulgação

Foto: Davi Spuldaro, Divulgação

 

Ouvido pelos vereadores que integram CPI da Codetran nesta quarta-feira, Giovani Cândido, funcionário do pátio que prestava serviço à prefeitura de Itajaí, confirmou que liberou veículos apreendidos irregularmente a mando do vereador licenciado Zé Ferreira (PP). Segundo ele, as ordens de liberação ocorriam com frequência e teriam continuado mesmo depois que Zé deixou a chefia do órgão de trânsito para assumir o posto de vereador. Foi o primeiro entre os fatos graves apresentados na denúncia do Ministério Público à Justiça, envolvendo a Operação Parada Obrigatória, a ser trazido à tona na CPI.

A confirmação ocorreu após um questionamento do vereador Laudelino Lamin (PMDB) sobre os mais de 1600 veículos liberados de forma irregular no ano de 2012, quando ocorreram as últimas eleições municipais. Lamin perguntou se ele reconhecia os números e se a liberação ocorria em troca de votos:

_ Não sei de números, mas José Alvercino me ligava e pedia que liberasse esses veículos _ afirmou Cândido.

O funcionário afirmou que em algumas situações a autorização para liberação tinha intermédio de Julio Cesar Fernandes, dono do pátio, e em outras o pedido lhe era feito diretamente por Zé Ferreira, que “disse que quem controlava entrada e saída do pátio era ele”, segundo o depoimento. Questionado se isso continuou a ocorrer depois de Zé ter assumido a cadeira no Legislativo, Cândido respondeu que a relação teria se mantido:

_ Ele ainda se apresentava como autoridade para mim.

Segundo o funcionário do pátio, não havia regularidade nos pedidos de Zé, mas “em algumas semanas eram todos os dias”. Giovani Cândido negou, porém, ter presenciado a retirada de peças e de motocicletas do pátio, e também disse nunca ter ouvido falar em metas de apreensões de veículos.

Expectativa

Esses questionamentos devem voltar à tona no aguardado depoimento do empresário Julio Cesar Fernandes, que deveria ter ocorrido nesta quarta-feira mas foi cancelado porque o advogado dele não poderia estar presente. Julio compareceu à reunião, assinou um termo de comparecimento e chegou a assistir parte do depoimento do funcionário aos vereadores.

Ele será chamado novamente na próxima segunda-feira, junto com Willian Gervasi, consultor técnico licenciado da Codetran. Será a quarta vez que Julio é  intimado. Na primeira ele não compareceu à CPI e na segunda disse que estava impedido judicialmente de falar.

A expectativa é que, na segunda-feira, ele enfim responda à extensa lista de questionamentos dos vereadores. Por exigência do acordo de colaboração premiada que assinou com o Ministério Público, o empresário comprometeu-se a falar e a auxiliar nas investigações que envolvem a Operação Parada Obrigatória.

O advogado de Zé Ferreira, Marlon Bertol, não foi localizado no fim da tarde desta quarta-feira.

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comentários

Comentários (1)

  • Fabiano diz: 15 de outubro de 2015

    Deveriam questionar porque as liberações regulares eram efetuadas mediante o pagamento de valores em espécie diretamente no pátio, sem o recolhimento de nenhuma guia de pagamento ou expedição de recibo.

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