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Dono de pátio confirma pagamento de propina no órgão de trânsito de Itajaí

19 de outubro de 2015 0

 

Foto: Marcos Porto

Foto: Marcos Porto

 

 

Oempresário Julio Cesar Fernandes, dono do pátio de veículos apreendidos que presta serviço à prefeitura de Itajaí, confirmou nesta segunda-feira à CPI da Codetran que efetuou pagamentos mensais ao consultor técnico Willian Gervasi, na época em que ele coordenou o órgão de trânsito. Segundo Fernandes, foi a única vez que sofreu esse tipo de exigência por parte de responsáveis pelo órgão desde que assumiu o serviço, em março de 2012.

O relato dos pagamentos, de em média R$ 5 mil por mês, faz parte do inquérito que resultou na denúncia de nove pessoas à Justiça em decorrência da Operação Parada Obrigatória 2, entre elas o próprio empresário. Embora tenha confirmado que pediu a Willian que aumentasse o número de apreensões, Júlio negou ter estipulado uma meta a ser ultrapassada _ o que, no entendimento do Gaeco, foi “solucionado” com a instalação, por parte da Codetran de radares OCR, que identificam irregularidades em veículos:

_ Me foi exigido um valor, então que aumente o movimento. Mas não há meta específica _ afirmou.

O depoimento de Julio foi o mais longo registrado desde o início dos interrogatórios da CPI, há mais de um mês. Por duas horas, o empresário comentou fatos apontados pelo Gaeco no inquérito como a liberação irregular de veículos por ordem do vereador licenciado José Alvercino Ferreira (PP), que já havia sido confirmada, na semana passada, pelo funcionário do pátio Giovani Cândido. Julio Cesar Fernandes negou saber os motivos para os pedidos de liberação de Zé e disse que o pátio cumpre ordens:

_ Recebíamos a ordem da autoridade de trânsito para que fosse liberado (veículo) sem a formalidade do papel. Eu e minha empresa nunca liberamos veículo sem ordem recebida.

Questionado por que Zé Ferreira manteve interferência no pátio mesmo após ter deixado a chefia da Codetran, Júlio afirmou que, oficialmente, nunca recebeu da prefeitura documento informando que ele havia deixado de ser autoridade de trânsito no município.

_ Para nós, até agora ele é autoridade de trânsito. Não recebemos comunicação de que mudou. Aos meus olhos, Zé continuou com ingerência no Codetran.

O empresário respondeu ainda sobre o sumiço de 715 motocicletas do pátio que ficava na Rodovia Antônio Heil, em Itajaí, e que, segundo as investigações do Gaeco, teriam sido negociadas em São Paulo por Zé Ferreira. Julio Cesar Fernandes negou ter participado do esquema e disse que o boletim de ocorrência relatando o furto de 500 dessas motos só foi registrado _ pelo próprio empresário _ porque ele vinha pedindo à Codetran que a saída fosse formalizada.

Acareação

Um dos pontos polêmicos do depoimento de Julio Cesar Fernandes à CPI da Codetran diz respeito à suposta exigência feita pelo então secretário de Administração de Itajaí, Nelson Abraão de Souza, para que fosse construído um segundo pátio na região central da cidade (o original fica a 12 quilômetros do Centro), sob pena de a empresa perder o contrato.

O empresário afirmou ter participado de uma reunião com o então secretário e disse que, após aquele encontro, ficou acertado com a Codetran que não pagaria, durante dois anos, os 17% sobre o faturamento do pátio que, pelo contrato, eram devidos à prefeitura de Itajaí. Depois desse período o valor seria pago, mas com abatimento referente ao custo de operação do segundo pátio. Segundo Julio, o acordo teria sido feito porque a exigência de um pátio nas proximidades da área central da cidade não constava do edital de licitação do serviço.

Abraão, entretanto, que prestou depoimento à CPI há cerca de um mês, negou que conhecesse o dono do pátio, afirmou nunca tê-lo visto antes e disse que havia, sim, possibilidade contratual de uma nova área para apreensão de veículos _ e que isso não foi exigência sua.

A incoerência entre os relatos de Júlio e do próprio Nelson Abraão levaram os vereadores a solicitar uma acareação, que foi marcada para 9 de novembro.

A reunião da CPI terminou com o depoimento de Jorge Luiz Zunino, ex-funcionário do pátio de veículos apreendidos. Motorista de guincho de novembro de 2013 a setembro de 2015, ele afirmou que nunca teve contato com José Alvercino Ferreira e negou participação nas liberações de veículos.

CONTRAPONTOS

Willian Gervasi

Marcos José Campos Cattani, advogado do consultor técnico da Codetran, disse que prefere manter a discussão no âmbito do Judiciário e preferiu não falar a respeito da citação do nome de seu cliente durante a CPI por entender que qualquer manifestação prejudicaria a defesa.
Em relação ao não comparecimento de Willian ao depoimento, o advogado afirmou que a falta ocorreu por motivo de saúde mas que, mesmo que esse não fosse o motivo, recomendaria ao cliente o não comparecimento. Disse que respeita a CPI mas considera inoportuno discutir provas enquanto o processo ainda não começou a caminhar.

José Alvercino Ferreira

O advogado Marlon Bertol não foi localizado por telefone em seu escritório no início da noite de ontem.

Nelson Abraão de Souza

O ex-secretário de administração não foi localizado por telefone.

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