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Opinião: A morte de Fetiere e o ódio nosso de cada dia

21 de outubro de 2015 9

As suspeitas de que a morte de Fetiere Sterlin possa ser resultado de um crime de xenofobia são assustadoramente plausíveis. Cultuamos o ódio. Fechados em nosso estereótipo de receptividade, nós, brasileiros, mantivemos o preconceito que ronda nossas ruas quase que “escondido” do resto do mundo. Desnudo, apenas, para quem o sente na pele. Mas presente e latente.

Estivemos de braços abertos para os imigrantes que fugiram da miséria e da guerra na Europa, décadas atrás. Mas não temos a mesma boa vontade para com os irmãos que, agora, nos batem à porta em busca de uma vida mais digna.

Tive a missão de reportar, em 2011, a chegada dos primeiros haitianos ao Estado, contratados por uma empresa de Navegantes (a mesma cidade que vitimou Fetiere no fim de semana). Ouvi relatos de dor, sofrimento, e alegria pelo encontro, enfim, de um “p0rto seguro”.

De lá para cá a imigração cresceu e a receptividade parecer ter reduzido na mesma proporção. Embora trabalhos dignos de registro como o que tem sido feito pela Univali garantam direitos e cidadania aos novos brasileiros, é inegável que existe uma sombra de preconceito, alimentada pelo ódio criminoso daqueles que acusam os imigrantes de terem vindo ao país para formar exércitos (acredite!) ou “roubar” (sub) empregos.

Os disseminadores do ódio, principalmente nas redes sociais, pareciam inofensivos. Não o são.

Segundo o relato da esposa de Fetiere, o imigrante ouviu um “volte pra terra de vocês” enquanto era atacado. Talvez os adolescentes que, segundo a polícia, seriam responsáveis por essa atrocidade, não sejam os mesmos que espalham esse discurso. Mas certamente foram atingidos e motivados pela xenofobia que nos ronda.

Aos irmãos haitianos, só podemos pedir desculpas. E nos comprometer a garantir que situações como essa nunca mais se repitam.

 

 

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comentários

Comentários (9)

  • marina diz: 21 de outubro de 2015

    Sabe o que chama mais a atenção? Passados vários dias, só agora a mídia local começa a dar visibilidade a este crime bárbaro … por que será?
    Ainda bem que no caso do Ricardinho surfista a imprensa não poupou esforços para manter a opinião pública informada.

  • Ivone diz: 21 de outubro de 2015

    É inacreditável que ainda agem desta forma. Quando os encontro sempre procuro conversar. Saber o que os levou a vir para o nosso pais e nosso estado. Como foram recebidos e como estão. É nossa responsabilidade como ser humano acolher quem mais precisa.

  • Fernando Pacheco diz: 21 de outubro de 2015

    A geração “Bolso Mito” está aí, mostrando a que veio. Existem personalidades e políticos que influenciam, com o seu comportamento cheio de fúria e ignorância, as pessoas a terem ódio de minorias, de ideologias partidárias, de prostitutas (como o caso do jornalista catarinense, uma vergonha para a classe), ou seja, tudo que foge ao que a “socidade da família de bem” estipula como o certo. O único remédio pra isso é os pais educarem seus filhos para não serem preconceituosos e ignorantes, pois restringir a liberdade de expressão em redes sociais é impossível.

  • x diz: 21 de outubro de 2015

    cara mariana,

    como assim a imprensa nao deu visibilidade? tao logo o crime ocorreu ja foi noticiado aqui, e eu que te pergunto qual o seu misterioso interesse em espetacularizar essa morte? te pergunto pois voce parece ter um certo desejo de que tenha sido um crime por motivações raciais, quando na verdade NAO FOI. Caso voce nao saiba estamos no Brasil, um país que vive uma guerra civil transvestida de normalidade onde 60 mil são mortos todos os anos e crimes assim são até bastante comuns. talvez voce nao saiba mas foram menores de idade que agora poderao aos 18 ter sua ficha totalmente limpa desse crime tao barbaro, talvez voce devesse apoioar o fim da impunidade para menores assassinos

  • Rafael diz: 22 de outubro de 2015

    Sinceramente…xenofobia ? ate pode ter sido este o motivo, mas porque tanta repercussão ?
    O que 99,9% dos brasileiros fazem por exemplo com um argentino ? todos sabemos…estão somos todos xenófobos…sem hipocirsia por favor !
    Estamos num país perdido em todos os sentidos…a começar pela polícia !
    Será que não está na hora do país rever os conceitos quanto a imigração ? Sirios ganhando bolsa-família, angolanos, cubanos, haitianos etc etc etc…e nós, brasileiros como ficamos ?
    Já temos problemas demais neste país e uma pergunta que não cala: o que essa gente tanto faz aqui no Brasil ? 999% não sabem sequer falar o português e fazer absolutamente nada !!! Convivi com alguns no meio da construção civil e é triste…será que eles sabem trabalhar melhor que um pai de família brasileiro que está desesperado procurando emprego ??? EU DUVIDO !!!
    Porque temos que aceitar tudo que a imprensa e o governo joga na mídia ?
    Sinceramente estes povos “forasteiros” não estão contribuindo em nada para o Brasil…que definitivamete já era !

  • Guilherme diz: 22 de outubro de 2015

    Não é só a geração “Bolso Mito”. É a geração “Mauro Iasi”, “Jean Wyllys”, “Lula”, “Rui Falcão”, “Marco Feliciano”, “Tico Santa Cruz”… entre outros. Tem muitas personalidades e políticos por aí incentivando o ódio. Cada um da sua maneira.

    Só tem que provar que esse realmente foi um crime de ódio por conta do grupo étnico do rapaz. São várias mortes que ocorrem dessa forma no Brasil, não é de hoje essa intolerância. Já faz tempo que estamos vivenciando isso.

  • João diz: 22 de outubro de 2015

    Muitos esquecem que, fora os índios, todos somos imigrantes nesta terra brazilis.Fomos formados pelos indesejáveis desterrados para o arquipélago dos Açores, pelos degredados de Portugal e também, pelas primeiras levas de imigrantes europeus, que esvaziaram as prisões da Europa. O negro foi trazido à força como escravo. Depois disso, recebemos outras correntes migratórias. Os haitianos pertencem o pequeno grupo que veio voluntariamente e com objetivo de ascensão social através do trabalho. Temos milhares deles na nossa região nenhum deles nas nossas prisões. São pessoas ordeiras que se dedicam ao trabalho, regra geral. No Balneário não são poucos os brasileiros que já falam a língua crioula. As autoridades deveriam orientar esses imigrantes para não se instalarem próximo aos bolsões de crime, onde medra entre hordas de desordeiros o tráfico, o roubo, e outras patologias sociais.

  • Israel diz: 22 de outubro de 2015

    O Jornal Folha de São Paulo publicou dia 20/out matéria sobre o crime. Os comentários dos seus leitores foram todos de repúdio. Fatos como esse envergonham a nossa terra e a nossa gente. Espero que o grupo que praticou o assassinato seja efetivamente preso e apuradas as suas culpas. Aos haitianos, vindos de um país devastado, que escolheram nosso estado por imaginarem ser um oásis social, devemos desculpas. Lá eles sofreram pelas intempéries, aqui estão sendo vítimas da nossa deterioração social. As pessoas esquecem que a maioria dos haitianos fala pelo menos três idiomas e muitos deles têm curso superior. A sua penúria é momentânea. Não vieram para viver encostados em bolsas, aposentadorias ou seguros como muitos dos nossos, mas para se reinventarem em um país distante chamado Brasil, que se supunha hospitaleiro e acolhedor.

  • Miguel diz: 22 de outubro de 2015

    Se fosse um brasileiro no lugar do haitiano, não tinha vindo 10 cabeça armado até os dentes pra espancá-lo.

    Com certeza rolou uma conversa: “vai deixar esse haitiano vir pra cá e te xingar?” “quem esse haitiano pensa que é”
    COM CERTEZA, se não fosse um imigrante, não tinha rolado nada além de meia dúzia de tapa
    Foi crime de ódio sim, diferente do que o delegado diz!

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