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Após indiciamento, vereador Lamin pede para deixar a CPI mas presidência não deixa

10 de novembro de 2015 0
Foto: Davi Spuldaro, Divulgação

Foto: Davi Spuldaro, Divulgação

 

O vereador Laudelino Lamin (PMDB), pediu ontem afastamento da CPI da Codetran depois que seu nome apareceu entre os 22 indiciados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em decorrência da Operação Dupla Face, que investigou suspeitas de corrupção na prefeitura de Itajaí. Negada pelo presidente da comissão, Thiago Morastoni, a solicitação foi o ponto alto da mais longa reunião desde o início dos trabalhos da CPI, há dois meses. A sessão durou quatro horas.

Lamin, indiciado por ter, supostamente, pedido dinheiro e uma viagem de navio a uma construtora, afirmou que gostaria de deixar a comissão para evitar “atrapalhar” os trabalhos de investigação. Thiago Morastoni se disse “pego de surpresa” e afirmou que não acataria a desistência por entendê-la precipitada:

_ Devemos respeitar o processo legal. Me sentiria constrangido se o senhor não for denunciado e tomarmos o ato precipitado de afastá-lo da CPI _ afirmou o vereador, dizendo que o indiciamento ainda não passava de “informação de jornal”.

Morastoni completou a recusa garantindo que, caso Lamin seja denunciado, “entende os motivos da saída” do vereador da comissão. O inquérito, com mais de 2300 páginas e sete volumes, está nas mãos do promotor Luiz Eduardo Couto de Oliveira Souto. A expectativa é que, caso haja denúncia, ela seja apresentada à Justiça até o fim do mês.

Acareação

A reunião da CPI registrou ontem a primeira acareação, entre o dono do pátio de veículos apreendidos que presta serviço à prefeitura de Itajaí, Julio Cesar Fernandes, e o ex-secretário de Administração do município, Nelson Abraão de Souza. O motivo foi a incoerência das afirmações prestadas, entre um e outro, sobre uma suposta reunião para tratar da abertura de um segundo pátio no Centro de Itajaí.

Frente a frente, os dois mantiveram suas versões. Julio, a de que teria encontrado com o ex-secretário no dia 13 de fevereiro de 2012, e que nesta reunião Abraão teria afirmado que, para que a empresa pudesse manter o contrato com o município, vencido em licitação, precisaria abrir um novo pátio, que tivesse acesso mais fácil ao cidadão (o pátio principal da empresa fica na Rodovia Antônio Heil).
_ Se tem algo que aprendi com isso é que não faço mais nenhuma reunião sem alguém junto ou sem pedir o nome de todo mundo com quem eu falei na prefeitura de Itajaí _ disse o empresário.

Já Abraão reafirmou nunca ter encontrado Julio Cesar Fernandes até o início da CPI. O ex-secretário continua dizendo que a reunião citada pelo empresário nunca aconteceu e que a exigência de um segundo pátio fazia parte do contrato.

Irritação e ameaças

Ouvido também durante a reunião desta segunda-feira, o advogado João Jorge Fernandes, pai de Julio Cesar Fernandes, mostrou-se irritado com a posição de depoente. Representante legal do filho nas reuniões da CPI em que ele foi ouvido, João Jorge disse que não faz parte do quadro societário da empresa.
O claro incômodo do advogado fez com que o vereador Thiago Morastoni também perdesse a paciência mais de uma vez, e os questionamentos foram feitos em clima de animosidade.

Apesar disso, João Jorge confirmou alguns fatos, como o de que, até meados deste ano, quem constava como autoridade de trânsito na cidade era ainda o vereador licenciado José Alvercino Ferreira (PP). E afirmou que a empresa do filho sofria “ameaças”: caso as exigências vindas de membros do alto escalão da Codetran não fossem cumpridas, o contrato seria cancelado.

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