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Vereador Zé Ferreira admite possibilidade de renúncia em entrevista

01 de dezembro de 2015 0
Foto: Lucas Correia

Foto: Lucas Correia

Envolto em polêmica após o retorno conturbado à Câmara de Vereadores de Itajaí, e prestes a subir no plenário pela segunda vez desde que deixou a prisão, o vereador José Alvercino Ferreira ( PP) não se importa em tratar dos assuntos espinhosos que pautaram a Operação Parada Obrigatória, responsável por mantê-lo por quatro meses atrás das grades.

Em entrevista exclusiva ao blog, Zé admite ter usado de influência para “ ajudar as pessoas” e garante inocência em relação à venda de motocicletas apreendidas que estavam depositadas no pátio da prefeitura. Comenta a polêmica frase “bandido bom é bandido morto” e diz que não falaria isso novamente.

Pela primeira vez admite a possibilidade de renúncia, mas garante: não deixará o posto até que seja condenado em última instância.
Na CPI da Codetran algo que se repete é que você teria influência no órgão de trânsito mesmo fora do comando. Como explica isso?
Se uma ligação para conversar e para pedir alguma ajuda para um amigo, se ligar pra um órgão público pedindo que agilizasse um alvará, se isso for ter influência, então não sou só eu que tenho. A grande maioria que trabalha em administração pública, que é político, tem.
Estou sendo acusado de advocacia administrativa, que é esse tipo de trabalho. Se isso for ter influência, então eu tinha.

Foram liberados veículos do pátio irregularmente a teu pedido?
Não tinha como eu liberar o veículo. Eu ligava para o funcionário, que por sua vez ligava para o dono do pátio e quem liberava ou não era ele. Eu não tinha essa condição.

Mas reconhece que pediu?
Pedi sim, está lá nas ligações. Mas sempre fui muito direto, ( pedia pra) ver se o veículo tá em dia, se não tem problema de liberação.
Alguns não foram liberados porque tinham problema.

Por que houve mudança no que as testemunhas disseram no decorrer do processo?
Eu não tive influência, porque estava encarcerado. Duas testemunhas haviam sido coagidas financeiramente pra me acusar. Uma não aceitou e outra diz que se arrependeu. As pessoas acabam tendo que falar a verdade.

Por que alguém teria interesse em te acusar?
O delator tinha que contar e depois provar o que contou. Estamos pedindo que seja revista essa delação porque está sendo provado que não havia envolvimento meu com as motocicletas.

O senhor voltou à Câmara aplaudindo, e isso provocou os manifestantes. Acha que esse comportamento foi adequado?
Esse tempo na prisão também faz refletir, pensar que às vezes eu falava demais, poderia ter outra postura Eu estava de frente, no meu lado direito estava o meu pessoal e no lado esquerdo o pessoal que está em todas as manifestações. Que não gosta de mim, ou que são candidatos a vereadores e estão se aproveitando da situação. Quando dei tchau e mandei beijo, mandei pro meu pessoal, agradecendo principalmente a minha família, que não me abandonou em momento algum. Se eu imaginasse que as pessoas achariam que era uma afronta, eu não teria feito.

 

 

Há dois processos pedindo a sua cassação. Você vai continuar na Câmara?
Estou reavaliando o que vou fazer. Não tenho ainda em mente se vou continuar na Câmara, se vou sair. Mas uma coisa é certa, se eu renunciar hoje estarei sendo covarde, assinando uma sentença de culpa. E eu sou inocente.

Mas descarta a possibilidade?
Não descarto a possibilidade de renúncia. Mas também não confirmo. Vou aguardar os acontecimentos pra ver o que posso fazer. Não fui nem condenado ainda, o processo está correndo. A partir do momento em que eu for condenado em primeira e segunda instância, vou renunciar.

Houve apoio do partido para tua permanência na Câmara?
O partido esteve sempre comigo porque eles me conhecem, sabem quem eu sou e têm absoluta certeza da minha inocência. Tenho quase certeza de que será provada minha inocência. Digo quase porque se ajudar as pessoas for crime, talvez cometi algum crime nesse sentido. Se levar alguém pra ajudar na prefeitura, de alguma forma, for um crime, talvez eu tenha cometido. Mas se tem um crime que não cometi foi quanto à venda das sucatas de motocicletas.
Isso tenho certeza absoluta que não fiz, não faria, e ninguém do órgão público sabia.

Que medidas foram tomadas em relação à foto que vazou, que o mostrava vestido com a roupa do presídio?
Minha defesa vai acionar o governo estadual, não se sabe ainda ao certo de onde saiu o vazamento. O presídio tem acesso a uma senha, a Polícia Civil, a Polícia Militar e a Polícia Federal. Saiu de um desses quatro órgãos. Vão descobrir quem vazou.

Você chegou a dizer na Câmara que bandido bom é bandido morto. Ainda pensa assim?
Essa frase é do saudoso Carlos Ely, e eu talvez tenha falado algumas vezes sim. Não mudou nada. Tem pessoas que estão lá que realmente têm que pagar pelo que fizeram. Mas outras não tinham necessidade de estar lá, podiam estar em prisão domiciliar. Talvez agora eu olhe com outros olhos, nem todos que estão lá são bandidos.

Mas bandido bom é bandido morto?
Não sei se nós temos direito de tirar a vida de alguém, seja bandido ou o que for. Esse tempo na prisão também faz tu refletir, pensar que às vezes falava demais, poderia ter outra postura. Não sei se hoje eu falaria essa frase. Quem errou tem que pagar, mas muitos poderiam ter outro tipo de tratamento.

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