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Lava Jato: Negociação da Dalçoquio faz parte de documento entregue por Cerveró à Justiça

19 de janeiro de 2016 1

Atualizada

 

A transportadora Dalçoquio e a ex-ministra catarinense Ideli Salvatti (PT) foram citados em depoimento do ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, que relatou uma suposta renegociação de dívida de R$ 90 milhões. A informação foi publicada no blog do jornalista Fausto Macedo, do Estadão.

De acordo com a reportagem, Cerveró afirmou que a negociação teria ocorrido em uma reunião entre Ideli e o ex-deputado João Paulo Cunha (PT/SP). A dívida seria entre a Transportes Dalçoquio, que tem matriz em Itajaí, e a BR Distribuidora, um dos braços da Petrobras. Cerveró, de acordo com o texto, disse “imaginar que a ministra Ideli e outros políticos” tenham recebido propina na ocasião.

As informações fazem parte de um documento entregue pela defesa de Cerveró à Procuradoria-Geral da República antes do acordo de delação premiada, assinado em novembro de 2015.

Ainda segundo o blog, o ex-diretor teria dito que a Dalçoquio é a maior transportadora da BR Distribuidora, “muito antiga”, que “já foi ajudado na época do Fernando Henrique Cardoso” e “apoiava políticos de diversos partidos”.

O texto destaca que a frota da Dalçoquio passou de cinco para 50 caminhões desde que começou a prestar serviço para a Petrobras, na década de 1970.

No ano passado a empresa foi vendida a Laércio Tomé, do Grupo Tomé, de São Paulo. Ouvida pelo Estadão, a defesa de Tomé afirmou não poder comentar fatos anteriores ao período em que passou a comandar a empresa (as reuniões a que se refere o ex-diretor teriam ocorrido antes de 2014).

Já a ex-ministra Ideli disse, através da assessoria, não recordar do suposto encontro com Cerveró.

O ex-deputado federal João Cunha e a assessoria do ex-presidente FHC não foram localizados pelo Estadão.

Nesta terça-feira, procurado pelo blog, o ex-proprietário da Dalçoquio, Augusto Dalçoquio, disse que não tinha conhecimento da reportagem e das afirmações de Cerveró. O advogado indicado por ele não foi localizado.

A atual administração da Dalçoquio emitiu nota oficial: 

“Laércio Tomé, atual e único administrador da empresa Transportes Dalçoquio Ltda, vem a público, em esclarecimento à reportagem publicada neste periódico, informar que os fatos noticiados se inserem em um contexto de conotação política, e em nada desabonam ou vinculam a empresa em qualquer ato ilícito.

A Transportes Dalçoquio, empresa com 1.200 colaboradores diretos, com 48 anos de atividade, teve seu controle acionário alienado em março de 2015 a Laércio Tomé, acionista e controlador do Grupo Tomé.

O Grupo Tomé é um conglomerado de empresas que atuam em diversos segmentos de prestação de serviços ao mercado de infraestrutura, não tendo nenhuma vinculação na aquisição da Transportes Dalçoquio.

Por fim, esclarece que os fatos veiculados na imprensa, se supostamente ocorreram, uma vez que não há indício de sua veracidade, devem ser reportados aos antigos sócios e administradores da empresa Transportes Dalçoquio, pois não compete a esta atual administração falar de assuntos pretéritos à aquisição da sociedade, relacionados a matérias publicadas recentemente em órgãos de imprensa, das quais não tiveram nenhuma participação”.

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comentários

Comentários (1)

  • Sérgio Lamarca leite diz: 19 de janeiro de 2016

    Nunca confiei em dedo duro, pois o caráter é deformado. Mas achar que os outros ganharam propina e não provar e ser publicado? isso é uma escárnio. Uma destruição de reputação em par. Jornal sério não pode produzir esse tipo de assassinato de reputação.

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