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Entrevista: coronel Claudio Roberto Koglin fala sobre os desafios do comando da 3ª região da PM

04 de fevereiro de 2016 3
Foto: Divulgação / Polícia Militar de Balneário Camboriú

Foto: Denício Rosa / Divulgação Polícia Militar de Balneário Camboriú

A 3ª Região da Polícia Militar tem novo comandante desde ontem: o coronel Cláudio Roberto Koglin. Ele substitui o coronel Amarildo de Assis Alves, promovido comandante da 5ª região da PM, em Joinville. Com 53 anos e 32 de profissão, Koglin é natural de Blumenau e anteriormente era subcomandante da 3ª Região. Também já passou pelo comando do 12º Batalhão da PM em Balneário Camboriú, entre 2010 e 2012, e foi comandante do 10º BPM em Blumenau até 2015.

O coronel terá a responsabilidade de comandar três batalhões com abrangência de 25 cidades do litoral. Em entrevista nesta quinta-feira, Koglin falou sobre os desafios e prioridades à frente da 3ª RPM. Também abordou o esquema de segurança para o Carnaval e destacou a preocupação da PM com o Navegay. Confira:

 

- O senhor já conhece bem o 12º BPM, do qual foi comandante. Isso contribui no desafio de assumir a 3ª RPM?

Contribui bastante. Tive a oportunidade de comandar durante dois anos o 12º BPM, além da proximidade que a gente tem com Itajaí, onde trabalhei no início da carreira, e com a região de Penha e Piçarras, onde veraneio. A experiência me dá uma segurança maior para assumir o desafio. Além disso, desde julho do ano passado eu já ocupava o subcomando da 3ªRPM.

- Como comandante da região já elencou suas prioridades e desafios?

Eu sou uma pessoa extremamente prática na questão de policiamento, me considero um policial de rua e tenho foco voltado para a atividade operacional. A população espera uma pronta resposta da PM nas dificuldades de segurança que vem enfrentando. Vamos vocacionar todos os esforços, que estão bastante esgaçados, e dar um novo enfoque à questão operacional para que continuemos a reduzir os índices de homicídios, que vêm diminuindo desde ano passado em Navegantes, Itajaí e Camboriú, por exemplo. Temos uma incidência bastante alta desses crimes e a região, junto com Joinville, é a que mais preocupa o comando geral.

Acho que o primeiro grande desafio será atender as expectativas da comunidade em relação à segurança e obter um melhor equilíbrio entre o número de policiais por habitantes. Mas enquanto esse número não se torna mais equilibrado temos que fazer melhor com a mão de obra existente. Acho que esse é um desafio muito grande para qualquer comandante.

Além disso, precisamos construir uma consciência coletiva de segurança pública. Haja visto que pequenos delitos são frequentemente cometidos, como dirigir embriagado ou estacionar em vagas para deficientes. Isso acaba trazendo uma negligência com a segurança. Não podemos creditar tudo aos órgãos públicos.

- Há previsão de reforço para a região?

Em junho ou julho o Estado deve incluir 1,2 mil funcionários na área de segurança pública, sendo 680 para a Polícia Militar. A expectativa é que a região seja contemplada, já que temos reforçado constantemente essa carência com o comando. Porém, não me conformo em apenas fazer essa reivindicação, preciso trabalhar com os policiais que temos, mantê-los motivados e dispostos a cada vez mais contribuir com a segurança.

- Para o Carnaval, como funcionará o esquema de segurança na região? Haverá reforço?

Todo esse trabalho já foi planejado pelos comandantes de área. O efetivo disponível para reforço foi alocado para os locais em que existe programação carnavalesca, não só aqui como no Oeste de SC também. O que nos preocupa na região é o carnaval de rua em Navegantes, o Navegay. Para isso, estamos concentrando todos os esforços possíveis de policiamento, pois a expectativa é que entre 200 mil e 250 mil pessoas possam circular nesse dia pela cidade — no ano passado, 48 mil pessoas passaram pelo ferry boat.

Teremos apoio da cavalaria, batalhão aéreo durante o dia, canil, batalhão de choque e batalhão de operações especiais, além de outras unidades. No momento mais crítico da festa, que é das 20h até 3h ou 4h, teremos 120 policiais atuando. Antes disso já vai ter policiamento reforçado e após vamos prevenir o retorno pelo ferry boat e em Itajaí. Esperamos que o que ocorreu no ano passado não se repita, seremos tolerantes com as festas de Carnaval, mas existem limites que serão repreendidos com rigor.

Para dar conta de todos esses eventos, a atividade administrativa está suspensa a partir de sexta-feira e será retomada na quinta, porque todo efetivo estará centrado nas atividades carnavalescas.

- Tem alguma cidade na 3ª RPM que enfrenta mais problemas com segurança?

Temos comportamentos parecidos no quesito criminalidade aqui na região e alguns bolsões específicos em periferias e bairros onde o crime se instalou por muitos anos. Observando a relação policial militar por habitante, hoje os pontos mais sensíveis são as cidades de Navegantes, Penha e Piçarras, seguidas por Itajaí e alguns municípios do 12º BPM.

- Qual tipo de crime o senhor considera que mais atinge nossa região?

Acredito que uma coisa puxa a outra. Tráfico e consumo de entorpecentes acabam puxando o índice de homicídios e também os índices de furtos e roubos na região. Se nós conseguirmos diminuir a questão do tráfico e do consumo de drogas teremos reflexo imediato nesses crimes. Não é possível pensar segurança pública sem atender todas as suas nuances.

- Está nos planos trazer o helicóptero Águia para o litoral?
Estamos trabalhando com a possibilidade de criar-se aqui na região uma base permanente para o Águia. Temos planos para isso e o sinal verde do secretário de Segurança e do Comando geral. A intenção é fazer uma parceria, como já ocorreu em Lages, para viabilizar a parte financeira da aeronave.

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comentários

Comentários (3)

  • Rodrigo B. diz: 4 de fevereiro de 2016

    Entra ano, sai ano, entra gente, sai gente e a coisa continua sempre a mesma. Blá, blá, blá…
    Com esse efetivo medíocre e essa aparelhagem antiga não há polícia que resolva nada. Apenas “cosméticos” pra dar a sensação de segurança, porque segurança de verdade ninguém tem.

  • Rodrigo B. diz: 4 de fevereiro de 2016

    Falando-se “680 policiais para o Estado” parece grande coisa.
    Vamos calcular?
    680 divididos para 295 municípios = pouco mais de 2 soldados por município.
    2 soldados a mais para policiar um município inteiro?

  • Claudio Milagres diz: 5 de fevereiro de 2016

    Precisamos copiar o que há de melhor no Brasil e no mundo para a área de segurança, e a população precisa se reunir e aprender a não deixar as coisas fáceis pros bandidos.. alarme e cerca elétrica são o mínimo hoje em dia… ficar desfilando de celular caro também facilita… como dizia aquele samba =quem não se comunica, se trumbica…

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