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Fernando Gabeira: "Na oposição não temos bandido de estimação, quem caiu, caiu"

23 de março de 2016 0
Foto: Divulgação Conasa

Foto: Divulgação Conasa

 

O jornalista, escritor e ex-deputado federal Fernando Gabeira participou nesta quarta-feira da Conferência “Água, Desenvolvimento e Futuro”, promovida pela Conasa – Águas de Itapema no Itapema Plaza Resort. No palco, Gabeira falou sobre o “Brasil das águas” _ discorreu sobre a importância do saneamento e da consciência ambiental. Mas, nas perguntas abertas ao público, não escapou dos inevitáveis questionamentos sobre o momento político brasileiro.

Em entrevista ao Grupo RBS, logo após o evento, o ex-deputado voltou a analisar o contexto político, falou de sua relação com o PT e garantiu que se houver culpados na oposição, também não serão poupados.

Como vislumbra o futuro do país?
A impressão que tive na semana passada, quando vi a formação da comissão que ministra os trabalhos, é que existe uma tendência muito forte pró-impeachment na Câmara dos Deputados, e acho também que o Senado não conseguirá detê-la caso ela se consume. Até o momento é visível a tendência pró-impeachment na Câmara dos Deputados. Inclusive caminhando para uma decisão já nas primeiras semanas de abril. O caminho que estou vislumbrando ainda é um caminho institucional. Se a presidente sofre o impeachment no lugar dela fica o vice, que compõe um governo de transição que deve durar até 2018.

O que o Brasil ganha com isso?
Tenho sido favorável ao impeachment há cerca de um ano já. Na minha opinião é a melhor forma de solucionar o impasse político e tentar recuperar o controle da economia, que está vivendo um momento de crise muito sério, com repercussões terríveis para o nosso povo, sobretudo com desemprego.

Concorda com as comparações do momento atual com o clima pré-ditadura?
Não concordo, porque é a situação é muito diferente. Em primeiro lugar, não existe disposição dos militares de dar um golpe. É uma disputa através do impeachment. Considero a situação mais parecida com o clima anterior à queda do Collor.

Como essa disputa nas ruas vai terminar?
Tende a amainar uma vez sanada a crise política. Não creio que depois a gente vá ter muitos conflitos. A experiência que a gente tem é que os conflitos sempre se dão em função de uma expectativa. Dificilmente você terá conflitos enormes em função de alguém que perdeu o governo, ou está preso. Com o tempo, tende ao esquecimento. Eu não vejo grandes possibilidades de conflito no futuro caso haja impeachment e caso haja prisão do Lula. Vejo sim conflitos imediatos, iniciais, mas que tendem a desaparecer. Não vai se lutar tantos anos para se tirar alguém da cadeia a não ser que esse alguém represente uma esperança e seja um líder moral, que é o caso do Mandela.

O que te fez sair do PT no primeiro ano de governo?
Naquele momento eu até falei que tinha saído pelo conjunto da obra. Ficou bastante claro ali que o PT estava disposto a fazer acordos com seus financiadores de campanha, e que estava disposto a trabalhar como um partido convencional. Tivemos um conflito naquela época, eu era contra a importação de pneus usados, achava que representavam um perigo para a vida das pessoas e para o meio ambiente, e na época já havia dengue. O PT concordava, mas quando chegou no governo começou a mudar sua política, e que me pareceu mudada por influência econômica. Compreendi que não era o meu caminho, eu tinha que saltar fora mesmo, e antes de terminar o primeiro ano eu já estava fora, na oposição.

Na época, você disse que sonhou o sonho errado. Já encontrou outro sonho?
Talvez seja melhor trabalhar mais com a realidade. Como é um sonho de transformação muito profundo, muito longo, o melhor é a gente ter expectativas mais modestas e tentar ir mudando a realidade no dia a dia, sem grandes projetos de futuro. Acho que a política, ao contrário do que parecia, não trouxe mudanças profundas. Apenas contribui para que a sociedade avance.

O combate à corrupção é seletivo?
Essa é a afirmação defensiva destinada a proteger o governo. Mas é evidente que o combate à corrupção tem que ser maior em lugares onde as pessoas tenham instrumentos para serem corrompidas. O governo tem poder sobre as empresas estatais, sobre toda a máquina. A repressão à corrupção não está sendo seletiva, está sendo exata. Está batendo mais naqueles que estão mais envolvidos no momento, que são os que estão no governo. Se gente da oposição aparecer também, deve ser condenada e investigada como qualquer outra. Na oposição não temos bandido de estimação: quem caiu, caiu

Quem vai despontar neste cenário?
Acho uma incógnita. Não vejo ainda nada que eu possa dizer que vai despontar. Acho que vai despontar sim uma concepção, uma tentativa de um programa econômico que possa recuperar a credibilidade do Brasil e progressivamente recuperar o crescimento. O mais importante nesse momento é um consenso em torno desse programa.

Volta a disputar as eleições?
Não pretendo. Por quê? (Risos) Vamos ver como as coisas ficam.

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