Neste domingo, no Beira-Rio, sem Damião, Juan e Kleber, e atrasado na tabela, mas ainda com boa chance de faturar uma vaga na Libertadores de 2012, o Colorado enfrenta o ameaçado Atlético-MG, habitante do Z4, num jogo em que defende as honras de favorito e tem a obrigação dos três pontos, mas que está longe de ser uma barbada.
Dentro da sua casa, empurrado pelo seu povo, é a hora decisiva para o time do técnico Dorival Júnior mostrar que pode superar ausências decisivas, cumprir seu papel e dar a esperança de que pode terminar o ano com um prêmio que, nesta altura do campeonato, é quase uma medalha de ouro.
O batismo
Após encher a cara num boteco longe de casa, Tonico pegou o rumo. No meio do caminho, ao passar por um rio, encontrou um grupo orando e cantando e não pensou duas vezes: parou, desceu no carro e intimou o primeiro que viu.
– O que está acontecendo aqui? – questionou.
– Um batismo nas águas! Você também deseja encontrar o Senhor? – perguntou-lhe o religioso.
– Quero! – emendou Tonico, enrolando a língua, fedendo a álcool.
Minutos depois, quatro integrantes do grupo vestiram-no bêbado de branco e o levaram à fila.
Enquanto aguardava a vez, Tonico notou que um pastor pegava os fiéis, mergulhava a cabeça deles n'água, retirava e depois perguntava:
– Irmão, viste Jesus?
– Eu vi, sim! – respondiam os crentes.
E eram saudados:
– Aleluia! Aleluia!
Já sem ter a mínima ideia de onde estava, Tonico foi chamado pelo pastor, que pegou a cabeça do bêbado, enfiou-a na água, esperou uns segundos e foi direto ao questionamento:
– Irmão, viste Jesus?
– Não! – respondeu Tonico, sem pestanejar.
O pastor, surpreso, enfiou a cabeça de Tonico na água, de novo, e mandou bala:
– E agora, irmão, viste Jesus? – questionou.
– Não! – respondeu o bebum, ofegante.
Já nervoso, o pastor colocou de novo a cabeça do homem sob a água, por dois minutos:
– E agora, irmão? Conseguiste ver Jesus? – perguntou o pastor.
– Já disse que não! Vocês têm certeza de que Ele caiu aqui?
Reação
Na Ressacada, domingo, com duas derrotas consecutivas na bagagem, cinco gols sofridos e nenhum marcado, o Grêmio encara o quase condenado Avaí, penúltimo na tabela, naquele "jogo de seis pontos", quando está proibido de fracassar se não quiser voltar a viver o drama de um possível rebaixamento.
Mesmo fora de casa, onde costuma mais apanhar do que bater, o time do técnico Celso Roth tem chance de provar que é capaz de superar obstáculos, de buscar um resultado indispensável, se afastar do indesejável Z4 e, de uma vez por todas, acalmar seu povo, que tem passado os dias com o coração na mão.
