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Posts de dezembro 2009

Vestibular da PUCRS 2010: Um dia o ENEM chega lá

14 de dezembro de 2009 0

Nos últimos dois dias, aconteceu em Porto Alegre mais uma edição do vestibular da PUCRS, a maior universidade particular do sul do país. Embora não seja possível comparar o calibre dos dois concursos (a PUCRS totalizou pouco mais de 8 mil inscritos, dos quais cerca de 7.500 compareceram), é nítida a diferença de um concurso organizado nos moldes tradicionais para o caos que fez o Novo ENEM virar motivo de chacota ao longo da última semana.

A prova de Matemática, por exemplo, foi toda elaborada, conforme consta em sua própria introdução, de um "tema integrador" constituído por elementos relacionados a uma orquestra sinfônica, o que certamente despertou a curiosidade e o interesse dos alunos mais bem preparados. A complexidade das questões varia desde o elementar até o ligeiramente avançado, mas nenhuma questão exige uma quantidade desumana de cálculos ou leituras intermináveis (exatamente como deve ser em uma prova com caráter seletivo).

Ainda não tive acesso à prova da FURG, mas assim que tiver, comento. E vem aí, ainda hoje, o início da contagem regressiva para a UFRGS. Por incrível que pareça, faltam só 30 dias corridos!

Piadinha Infame (Episódio 1)

07 de dezembro de 2009 2

Tomara que isso vire mesmo uma série, porque seria bem divertido... E eu juro que essa fui eu mesmo que inventei, especialmente lendo os fantásticos comentários do último post.

Não seria melhor se, depois dessas provas, a sede do INEP deixasse o Distrito Federal e se mudasse para Tocantins?

Ora, nesse caso a sigla do instituto seria modificada para algo bem mais apropriado: INEP-TO!

Rá!

(Se você não sabe o significado da palavra inepto, descubra aqui. E se você trabalha ou representa o INEP, não esqueça que isso é só uma piadinha infame.)

Relatório de Participação no Novo ENEM (dia 2): Nem com curso de leitura dinâmica...

07 de dezembro de 2009 12

Sobrevivi!

E, desde já, peço desculpas por não ter publicado meus comentários ainda ontem, mas acho que fui finalmente derrubado pela exaustão promovida pelo processo de resgate mental de conceitos de biologia e geografia que jaziam em meu cérebro há quase 20 anos... Enfim, antes tarde do que nunca, vamos aos comentários:

  • Quem já fez curso de leitura dinâmica se deu bem - A exemplo do que já havia acontecido no primeiro dia, na tarde de domingo os participantes do Novo ENEM foram presenteados com outras 30 páginas de texto, mas muito texto mesmo. O próprio espaçamento entre as linhas varia de questão para questão, dando a impressão a quem folheia as páginas de que resolver as 90 questões e fazer a redação é a definição de missão impossível.
  • Inédito: prova de matemática sem coluna de rascunho - Que a prova de matemática exigiria cálculos estranhos, tais como determinar a raiz cúbica de 13.824 ou aprender em tempo real o longo processo de determinação dos dígitos verificadores do CPF, não era segredo. A prova que vazou já indicava que os participantes seriam torturados. O inusitado foi perceber que, ao longo da prova, havia 3 espaços isolados identificados como "Rascunho" cujas áreas somadas não chegavam sequer a completar 2 colunas. Obrigar os alunos a espremerem seus cálculos entre um enunciado e outro só contribui para a impressão geral de que conseguir terminar uma prova nesses moldes no tempo fornecido é algo totalmente inviável.
  • Entre a resposta certa e a mais certa, fique com a última - Não são poucas as questões que despertam dúvidas quanto à existência mais de uma alternativa correta simultaneamente. Nesse caso, dizem os especialistas das diversas áreas, o importante é desenvolver a habilidade de marcar a resposta "mais certa" -- como se isso fosse aceitável em uma prova objetiva. Como há muito mais em jogo nessa edição do ENEM do que em edições anteriores, não será nada surpreendente se participantes tomarem medidas jurídicas visando anular questões que se enquadram nessa categoria.
  • Todo dramalhão precisa de um clímax: o INEP e seus gabaritos errados - A sucessão de lambanças ao longo do processo de implantação do Novo ENEM foi tão grande que merecia um gran finale exatamente como esse. O prolongamento da agonia dos participantes por mais 12 horas é apenas compatível com a pressa que o MEC demonstrou ao acelerar virtualmente todas as etapas de implantação de um exame cuja relevância se tornou sem paralelo no Brasil por iniciativa do próprio ministério.
  • Mantenha o foco no próximo concurso - Muitos dos participantes que ambicionam alcançar uma vaga em uma Universidade Federal fizeram o ENEM por ser imprescindível (caso da UFCSPA, que irá usar a nota do ENEM como critério único de seleção dos candidatos) ou por ter a chance de melhorar seu escore (caso da UFRGS). O novo exame do ensino médio provou, ao longo dos últimos dois dias, que sua aceitação, integral ou parcial, como processo seletivo das instituições federais de ensino superior irá exigir um longo aprendizado de parte de todos os envolvidos. Nesse meio tempo, procure manter seu nível de preparação e não se preocupe demais com o resultado dessa edição. Em 2010, ao que tudo indica, haverá pelo menos duas outras oportunidades para você melhorar seus escores.

Relatório de Participação no Novo ENEM (dia 1): É bom saber o que está na moda!

05 de dezembro de 2009 3

Voltei há pouco do colégio onde me submeti às primeiras 90 questões do Novo ENEM, sendo 45 de Ciências da Natureza (ou Biologia, Física e Química) e outras 45 de Ciências Humanas (História, Geografia, Sociologia e Filosofia). Embora minha especialidade seja, evidentemente, a Matemática, gostaria de compartilhar com os leitores do blog minhas impressões a respeito do novo exame:

  • O tempo é, realmente, um problema sério - Realizei as provas sem compromisso, mas ao mesmo tempo fiz questão de ler cuidadosamente o enunciado de cada uma das perguntas e escolher cada alternativa somente após desenvolver alguma convicção a respeito da possível resposta. Resultado: 3 horas e 20 minutos para responder às 90 questões, distribuídas em um caderno de 32 páginas. Mesmo assim, pelo que percebi, fui o terceiro participante da minha sala a completar a prova. Imagino que mesmo alunos muito bem preparados tenham tido dificuldade em responder todas as questões de hoje no prazo disponibilizado.
  • Assuntos que estão em evidência são objeto de muitas questões - Temas ligados ao meio ambiente, como sustentabilidade, biodiversidade, desmatamento e reflorestamento, efeito estufa e aquecimento global foram utilizados em muitas questões. Outros assuntos que podemos podemos classificar como recorrentes ao longo da prova incluem movimentos sociais, combustíveis de fontes renováveis e não-renováveis, clonagem e biotecnologia.
  • O lema do MEC "chega de decoreba" não pode ser levado muito a sério - É bem verdade que a prova de Ciências Humanas não exige que os alunos demonstrem que decoraram datas de eventos importantes, mas é ingenuidade pensar que alguém terá um bom desempenho na prova de Ciências Naturais, especialmente nas questões de Física e Química, sem ter memorizado algumas fórmulas. Destaco aí, especificamente na parte de Física, questões sobre cinemática, ondulatória e calorimetria que certamente pertencem a essa categoria.
  • A segurança do exame deixa muito a desejar - Se o ENEM quiser se consolidar como o exame definitivo para ingresso nas Instituições Federais do Ensino Superior (IFES), muita coisa vai ter que mudar no que diz respeito a critérios de segurança. Não há nenhuma espécie de verificação, nem mesmo de relógios digitais ou telefones celulares. Na sala em que fiz o exame, o telefone celular de um dos candidatos tocou durante a prova, e a providência foi, simplesmente, o registro em ata. Em concursos mais tradicionais e com critérios mais rígidos, um episódio como esse certamente resultaria na eliminação imediata do candidato.

E você? O que achou do primeiro dia de provas? Comenta aí embaixo e aproveita pra me adicionar no Twitter: http://www.twitter.com/profgustavoreis

Desvendando o Novo ENEM, Capítulo 4: Nada como o dia da prova!

05 de dezembro de 2009 0

Parafraseando o excelentíssimo senhor Presidente da República, nunca antes na história deste país tantos brasileiros participaram de um mesmo concurso. Com seus mais de 4 milhões inscritos, o Novo ENEM é, disparado, o maior exame do Brasil -- e, também de longe, o mais controverso, antes mesmo de sua realização. De fato, para muitos, a proposta de realizar um exame único em um país de dimensões continentais, com identidades regionais tão variadas e discrepâncias educacionais tão amplas, não passa de um devaneio. As críticas à forma e, principalmente, ao ritmo imposto pelo MEC para promover a realização do novo exame ainda em 2009 ganharam combustível após o episódio fraudulento do último mês de outubro, e a capacidade governamental de realizar um concurso dessa magnitude passou a ser fortemente contestada.

A partir desse cenário improvável, que por vezes nos remete a obras do realismo fantástico, é bom lembrar que há alguns milhões de brasileiros prestes a encarar um total de 180 questões em um exame de formato inédito e, como se não bastasse, sem ter a menor ideia de que tipo de desempenho será exigido -- especialmente aqueles que pretendem usar seu escore na busca de uma vaga em uma universidade federal. Mesmo em vestibulares tradicionais, em que existe um histórico de provas, escores e índices que permitem projeções em termos de número de acertos necessário para ingresso em cada curso, é regra os candidatos se sentirem intimidados. Dessa vez, porém, a intimidação é reforçada por uma nebulosidade generalizada com relação a aspectos básicos do exame, que inclui não só a determinação de um número mínimo de acertos, mas também o próprio cálculo do escore em si. (Leia este artigo se quiser saber mais.)

Nada mais natural, portanto, do que temer o desconhecido, e a tradução de todas essas incertezas não podia ter outro resultado: ansiedade e insegurança em doses extremas

Portanto, nada mais oportuno do que algumas dicas para que você consiga, no mínimo, aliviar os sintomas do inevitável desconforto que uma situação como a que você está prestes a vivenciar propõe:

  1. Não pense que seu nervosismo é exclusividade - Por incrível que pareça, muitas vezes o simples fato de sabermos que não estamos nos sentindo intranquilos sozinhos acaba nos trazendo algum conforto momentâneo. É claro que isso não se aplica a quem estiver fazendo o exame na condição plena de franco-atirador, mas uma certa dose de desconforto é regra em se tratando de quem está levando o exame a sério.
  2. Não chore o leite derramado - É muito comum alunos dedicados e estudiosos chegarem às vésperas de uma prova importante se penitenciando por acreditar que não se prepararam tanto quanto deveriam. Nessas horas, é importante lembrar que o principal diferencial de quem é bem sucedido em concursos de grande porte é a consciência de que não é viável aprender tudo, mas apenas o suficiente para que os objetivos individuais sejam atingidos com tranquilidade.
  3. Durma bem, coma moderadamente, chegue cedo: nada supera o básico - Esses três itens possivelmente constam na imensa maioria das reuniões de dicas de última hora, voltadas a vestibulares e concursos, já publicadas nos últimos 50 anos, mas sempre há alguma dose de sabedoria nos lugares-comuns. Uma boa noite de sono contribui decisivamente para a manutenção de seu nível de atenção; uma refeição pesada pode arruinar sua tarde; e sair de casa meia hora mais cedo do que o previsto em seu planejamento inicial pode transformar uma hora de engarrafamento e acúmulo de stress em uma hora de espera confortável no local de prova.

E, aproveitando que hoje ainda é sábado, lembro a meus queridos leitores que a resolução comentada da prova de matemática do Novo ENEM que vazou e foi cancelado em outubro encontra-se aqui.

pdfProva de Matemática Resolvida - Novo ENEM 2009 (cancelado por fraude)

Desvendando o Novo ENEM, Capítulo 3: Tempo é Dinheiro!

02 de dezembro de 2009 2

Dizem por aí que o Novo ENEM está sendo elaborado com base no SAT, o famoso teste padronizado para admissão em universidades americanas. O exame, cuja primeira aplicação data de 1901, é subdividido em três seções principais:

  • Leitura Crítica (algo que, no Brasil, traduziríamos como interpretação de texto, mas que inclui adicionalmente questões que testam o vocabulário do aluno ao propor que ele complete frases)
  • Matemática (incluindo tanto questões de múltipla escolha quanto questões abertas, em que o aluno deve indicar o valor correspondente à sua resposta)
  • Escrita (inclui a questão de redação e também questões de múltipla escolha subdivididas entre identificação de erros, melhoramento de frases e melhoramento de parágrafos)

No total, o exame é composto por 170 questões, sem contar a questão de redação, que devem ser respondidas em inacreditáveis 3 horas e 45 minutos. Além disso, o teste é dividido em um total de 10 seções que devem ser completadas em tempos específicos -- não mais que 25 minutos por seção! Obviamente, o que está em jogo é não só a capacidade do aluno de demonstrar que está habilitado a frequentar os bancos acadêmicos, mas também, e talvez principalmente, sua habilidade em reagir rapidamente diante dos problemas que se oferecerão a ele nesse novo contexto.

Voltando ao nosso contexto tupiniquim, implementado às pressas e com 108 anos de atraso: no próximo final de semana, mais de 4 milhões de alunos serão submetidos a um total de 180 questões divididas em 4 blocos com 45 perguntas cada. No sábado, os candidatos terão 4 horas e meia para responder as primeiras 90 questões; no domingo, irão dispor de 5 horas e meia para responder as derradeiras 90 questões e elaborar a redação. Se a situação não é comparável à dos alunos que se submetem à cadeira elétrica do SAT, ela é, no mínimo, preocupante em um universo de alunos que se acostumou, ao longo dos últimos anos, a dispor, ano após ano, de ambos, mais tempo e menos questões nos principais vestibulares do sul.

A partir disso, apresento 4 dicas que podem ser úteis para quem vai fazer a prova essa semana e não quer correr o risco de se surpreender ao se dar conta de que o tempo está acabando!

  1. Faça as questões na ordem em que são apresentadas - A prova que vazou deixou claro que há a intenção de se preparar uma prova cujas questões sugerem um nível de dificuldade crescente. Portanto, se você respeitar a ordem crescente das questões, possivelmente vai economizar o precioso tempo que as perguntas mais complicadas do final de cada prova certamente exigirão. Sugiro que você divida cada prova em blocos de 15 questões e as resolva alternadamente conforme o esquema abaixo:
    • as primeiras 15 questões da primeira prova
    • as primeiras 15 questões da segunda prova
    • as 15 questões intermediárias da primeira prova
    • as 15 questões intermediárias da segunda prova
    • as últimas 15 questões da primeira prova
    • as últimas 15 questões da segunda prova
  2. Tente antecipar o nível de dificuldade de cada questão - Antes de dedicar tempo a uma questão, certifique-se de que você tem familiaridade com o assunto, de que é capaz de enxergar um caminho preliminar para seu desenvolvimento e de que vale a pena investir imediatamente em sua resolução. Caso você não se sinta imediatamente confortável, talvez seja melhor circular a questão, passar para a próxima e voltar a ela mais tarde, depois que todas as questões imediatas tenham sido resolvidas.
  3. Leia cuidadosamente o enunciado de cada questão - Algo que, à primeira vista, pode parecer uma obviedade é, sem dúvida, o motivo principal que leva alunos bem preparados a errarem questões fáceis. É fundamental você ter certeza de que está respondendo o que foi solicitado, e não o que você resolveu responder baseado em uma leitura apressada do texto da questão.
  4. Tenha à disposição rotas alternativas de resolução - Nem sempre o caminho formal de resolução de uma questão, por mais elegante que venha a ser, é o mais adequado para provas que são realizadas contra o relógio. Caso os cálculos necessários para resolver um problema se revelem complicados demais, não hesite em lançar mão de métodos alternativos. Substituir as informações de cada alternativa na pergunta em questão é a estratégia mais comum. Outra opção é eliminar alternativas absurdas -- por exemplo, o tempo necessário para que um móvel realize um deslocamento jamais pode ser negativo. Uma versão aprimorada dessa eliminação sugere que você verifique se a aceitação de uma alternativa não acabaria forçando o descarte de outra. Para ilustrar o caso, imagine uma questão de classificação numérica em que constassem as respostas (A) "x é inteiro" e (B) "x é real". Como todo número inteiro é real, a opção (A) não pode ser a resposta certa, já que, nessa hipótese, a opção (B) também estaria!