Bomba-relógio, capítulo 3: UFRGS realiza manobra evasiva e minimiza o fato, mas não convence
26 de janeiro de 2011 17Conforme publicado na edição de ontem de Zero Hora, o reitor em exercício da UFRGS, Rui Vicente Oppermann, optou por se manifestar a respeito dos potenciais problemas originados pela mudança no critério de uso da nota do ENEM apenas por intermédio de sua assessoria de imprensa. Em síntese, os pontos principais da manifestação foram:
— segundo o reitor, a decisão da universidade estaria em conformidade com o item 6.2.2 do Edital do concurso, que não especifica quais dados do ENEM seriam utilizados na composição do argumento de concorrência final;
— a Universidade levou em consideração as notas do ENEM, calculadas segundo a Teoria da Resposta ao Item (TRI), porque tais notas foram os únicos dados divulgados pelo MEC;
— a assessoria não soube responder as razões que fizeram o MEC não disponibilizar os números totais de acertos (em outras palavras, os escores brutos) dos candidatos da UFRGS optantes pelo uso do ENEM, ao contrário do ocorrido em 2010.
Os Furos do Queijo Suíço
Não é sequer necessária uma análise cuidadosa do item 6.2.2 do Edital para perceber que ele faz referência a outro item do mesmo documento:
6.2.2 - Para todos os candidatos que formularam opção pelo aproveitamento do resultado obtido nas provas objetivas do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), será calculado o escore padronizado EPE, conforme definido no item 5.15.8, com base na média e desvio padrão dos escores obtidos no ENEM por esses candidatos.
Conforme venho sustentando desde o primeiro capítulo desta série, o item 5.15.8 especifica justamente que os escores padronizados de cada uma das provas do concurso, inclusive o conjunto das provas objetivas do ENEM, deveriam ter sido calculados a partir dos escores brutos de cada uma delas:
5.15.8 - Para cada uma das provas realizadas pelo candidato, assim como para o resultado das provas objetivas do exame do ENEM, será calculado o escore padronizado da mesma, por meio da seguinte fórmula:
Na prática, voltamos à estaca zero. A questão principal, representada pelo uso de escores padronizados segundo a TRI ao invés do número total de acertos nas 4 provas objetivas do ENEM, não foi endereçada. Peço desculpas se estou me tornando repetitivo, mas é inevitável: o fato do item 6.2.2 não especificar como o aproveitamento dos resultados deveria acontecer não altera a necessidade de utilização dos escores brutos das provas, conforme estabelecido no item 5.15.8, para cálculo dos escores padronizados. Se houver uma definição amplamente aceita de escore bruto, ela deve ser respeitada precisamente nesse ponto.
A Rota Alternativa
Uma possível rota de escape para a UFRGS se confirmou no momento em que houve a revelação de que o MEC não havia disponibilizado os escores brutos. Sem entrar no mérito de um provável jogo-de-empurra envolvendo esse ponto específico, há no Edital um item importante de que a UFRGS poderia ter lançado mão diante do recebimento dessa notícia:
2.5.2- Caso o resultado do ENEM seja disponibilizado para a UFRGS em data que implique em prejuízo para os ingressantes ou para o semestre letivo da UFRGS, a opção pelo uso do resultado obtido nas provas objetivas do referido Exame será desconsiderada para todos os candidatos.
Portanto, para que os mesmos cálculos realizados em 2010 pudessem ser realizados novamente em 2011, era fundamental que o MEC disponibilizasse novamente os escores brutos, já que não houve mudanças nos pontos-chave do Edital. Diante da disponibilização apenas de escores padronizados, representados pelas notas do ENEM, em substituição aos brutos, caberia à UFRGS solicitar especificamente os números de acertos de cada candidato. Em caso de negativa, haveria previsão no Edital autorizando a UFRGS a simplesmente descartar a nota do ENEM para todos os candidatos, sob o argumento de que haveria prejuízo para os ingressantes ou para o semestre letivo.
A lógica é simples: se o resultado do ENEM foi disponibilizado em formato diferente do exigido pelo Edital, então, na prática, o resultado não foi fornecido pelo MEC. Nessas condições, o Edital estaria sendo integralmente respeitado, e a UFRGS não estaria se colocando espontaneamente em uma posição de submissão às limitações impostas pelo MEC em relação aos dados que decide fornecer.
A essa altura, considerando a aparente "Maldição do ENEM” a que a UFRGS está sendo submetida, estou aos poucos me convencendo de que essa teria sido a saída mais honrosa.
O Caminho a Partir de Agora
Confesso que me sinto um pouco desgastado em função dos desdobramentos gerados a partir das revelações e análises dos últimos três dias. Embora eu saiba que o assunto é extremamente delicado e mexe com interesses de vários grupos que se formaram a partir da divulgação da lista de aprovados na última sexta-feira — incluindo, especialmente, candidatos aprovados receosos de perder suas vagas e seus pares reprovados que renovaram suas esperanças a partir dessa discussão —, mantive a firme iniciativa de apontar as aparentes falhas por reconhecer, em nossa Universidade, uma instituição de reconhecimento nacional compatível com sua história centenária. A tolerância a interpretações duvidosas do documento que rege o concurso me parece incompatível com a tradição de transparência e rigor técnico daquela que foi recentemente indicada pelo MEC como a segunda melhor universidade do Brasil e cujo brasão tenho a honra de exibir em meu diploma. A minimização do episódio sem o respaldo de fundamentos científicos potencializa a eventual migração dessa discussão para o campo jurídico, âmbito em que minha contribuição se tornaria imediatamente irrelevante.
Portanto, dou por encerrada aqui minha argumentação, na esperança de que as discussões geradas a partir dela sirvam para que possamos manter nossa principal Universidade permanentemente afastada de controvérsias e questionamentos tais como aqueles a que vêm sendo sucessivamente submetidas as edições do ENEM.





Gustavo, estamos diante de um novo país, o qual me envergonho de te apresentar. Não estamos conseguindo vencer a corrupção, o roubo, a maldade, a incoerência, a falta de transparência (de que os governantes tanto se orgulham), a desumanidade e isso tudo com o aval do nosso sistema judiciário. Não estou surpresa com a atitude da UFRGS, pois, se não estou enganada o ENEM foi idealizado por alguns professores desta universidade, então como atestar sua própria incompetência neste quesito? Mas é como te disse, continuo na torcida e com todo o meu apoio para que tua voz, em nome de tantos prejudicados, seja devidamente ouvida. E que estas pessoas agora assumam outro papel e entrem contudo na justiça DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO, contra o ENEM, como fiz e continuo com esperanças em obter um resultado positivo.
Acho que você tem toda a razão. Mas não há justiça no Brasil.
Redações anuladas e provas ausentes no Enem, sem direito a revisão. Alunos fora do listão da UFRGS, mas que talvez tivessem que estar lá ??????? Como acreditar neste sistema, com tantas falhas ????? É uma vergonha.
Coitado dos nossos vestibulandos.
Não dá mais para acreditar no Brasil. A esperança está acabando por culpa dos nossos \"governantes\"\", que só pensam no seu umbigo e estão sempre com a razão.
Não tem o que fazer? A UFRGS já publicou o listão, já explicou a forma de cálculo. Ponto. Arruma outra coisa mais interessante para falar.
Se o ENEM virar a única forma de ingresso ao ensino superior, quanto professor de aula particular vai morrer de fome! É engraçado que se defenda tanto uma sistemática que se baseia em \"um estudo profissionalizado para uma prova objetiva\"; ao invés de tentar acrescentar ideias ao que saiu errado no ENEM. Essas postagens são engraçadas porque parecem panfletagem, mas os tempos são tão doidos que a panfletagem, que sempre veio da esquerda burra e inoperante, agora vem da direita. Fica até meio óbvio que haja zilhões de denúncias tuas contra o ENEM, satirizando e desmerecendo a prova; ao invés de tentar acrescentar algo... se as denúncias começaram antes mesmo da prova, é evidente que o problema que tu levantas não está somente nas provas; mas também estão na tua vontade e interesse de apontá-los de forma pejorativa. Não há problema em apontar os erros do ENEM, só assim se resolverão; mas é interessante frisar o motivo desses apontamentos, a forma nada construtiva com que são feitos e o que tu perdes com a prova do ENEM.
Abraço.
Segue fazendo o teu trabalho, prestando teu \"serviço\" à educação.
Oi João,
Leia de novo, se é que leu, os artigos. O capítulo 3 foi o final, mas você parece ainda preocupado em encerrar o assunto. O que te preocupa tanto? A possibilidade de que o cálculo, da forma como foi explicado pela UFRGS, não seja lá tão confiável?
Abraços,
Gustavo
Oi Thiago,
Acho que você devia fazer uma leitura mais atenta dos artigos. O assunto em questão não é a sucessão de problemas apresentados pelo ENEM em 2009 e 2010, especialmente no que diz respeito à sua execução. Críticas ao exame vêm sendo sistematicamente feitas por estudantes do Brasil inteiro, motivando, inclusive, sucessivas medidas jurídicas, o que tornaria redundantes eventuais “denúncias” minhas. Some-se a isso o fato de que sempre sustentei que o Novo ENEM é uma boa ideia com pouca ou nenhuma chance de sucesso de implementação nos moldes atuais e em uma realidade como a brasileira (leia o post de 8/11/2010 para se certificar de que não estou sendo simplesmente oportunista).
Os artigos expõem um problema bem específico: o descumprimento das regras do edital do concurso vestibular da UFRGS. O problema não tem seu cerne no ENEM, mas no que a UFRGS resolveu fazer com as notas do ENEM. Leia de novo os artigos. Sua divisão do mundo em destros e canhotos devia prever que, independente de onde você se posicionar, regras são regras e, portanto, devem ser cumpridas. Mas vou considerar que recentemente vivemos tempos de vistas grossas a experiências como o mensalão e o caso Erenice, assim como declarações curiosas do altamente popular ex-presidente, tais como “José Sarney não pode ser tratado como um cidadão comum” e “não podemos ficar subordinados a que um juiz diga o que a gente pode ou não pode fazer”. Descumprir um edital de concurso regional, afinal de contas, talvez não seja algo tão grave assim.
Ah, e obrigado pelo incentivo! Garanto que meu serviço continuará sendo cumprido, especialmente quando for em defesa do que é razoável e houver sustentação científica.
Abraços,
Gustavo
João e Thiago, não sou professora particular, nem funcionária federal. Sou professora do estado, concursada aprovada, mas que recebeu como prêmio de consolação um contrato de trabalho, para não inchar a folha do estado (ilegal, imoral mas foi feito) e...gastei bastante num pós-graduação de Psicopedagogia, onde atendo de graça crianças com dificuldades, mas que não podem pagar um tratamento. O principal desta história é que sou mãe de uma adolescente que estuda pra caramba e é incentivada a isso, fez o ENEM, uma prova que não mede conhecimento e sim a resistência, a paciência e a estabilidade emocional do aluno. Questões mal formuladas, questões repetidas, questões faltantes, questões que aceitavam mais de uma resposta e até uma folha de respostas onde estavam invertidas as opções. Para encerrar, temos fiscais que afirmam a falta de explicações, a falta de tempo adicional (em relação aos contratempos presenteados pelo responsável da prova) e até fiscais que não haviam sido devidamente orientados, não entendido os acontecimentos e deram informações equivocadas aos alunos (tranquilos a esta altura dos acontecimentos, pois tudo correu de acordo com o edital e a constituição). Minha filha teve as provas do segundo dia anuladas, motivo: não pintou a cor da prova E A SUSTENTAÇÃO DESTE ERRO FATAL É QUE ESTÁ ESCRITO NO EDITAL. Para quem vale as regras do edital? E mediante isto, não estou tendo o direito de comprovar esta quebra de regra do EDITAL (já que até aqui tudo foi fiel e confiável) perante os governantes, que se orgulham muito em condenar sem o direito de defesa. Minha filha nega ter feito isso, será que devo dar um voto de confiança para o ENEM ou minha filha? Acredito que nenhum de vocês, ou algum dos seus tenha sido prejudicado. Ou até possam ter sido beneficiados, mas mediante o posicionamento de vocês me preocupo com a construção do caráter e da personalidade dos filhos que deixaremos e também do mundo que estamos ajudando a construir para eles. Obs: Minha filha ficou na suplência de Odonto/diurno, ainda pode entrar sem ter a nota do ENEM, mas sinto e luto também, pelos tantos que na transparência e justiça poderiam estar lá.
Thiago!!!
Como professor de História, te digo duas coisas:
- Corrupção não depende de posicionamento político (DIREITA E ESQUERDA);
- Professor só morre de fome se quiser, acredito que deves agradecer aos teus \"profes\" por te ensinar a ler e escrever.
Cordial Abraço
Prof. João Mauricio.
não querendo lavar roupa suja; só respondendo ao que foi dito e ao João, basicamente. Não estou falando de corrupção, estou falando de interesses ao apontar erros. Eu também não disse que todos os professores vão morrer de fome, disse que existem pessoas que sobrevivem da diferença entre o nível técnico que a ufrgs cobra e a qualidade da educação. Diga-se de passagem, totalmente desencontrados, os dois níveis. Eu não critiquei professor nenhum, critiquei uma máquina de fazer dinheiro baseada na ineficácia da educação brasileira... bem sabes que cursinho é tapa-buracos, só existem porque algo deu errado no ensino básico. Se disseres algo contrário a isso, não deves entender nada do que fazes ou deves ser muito hipócrita. Quanto mais técnica for uma prova, mais cursos aparecem, pois maior é a dificuldade de ingresso na universidade. E, me desculpa a sinceridade, mas os teus argumentos são, no máximo, sendo muito benevolente contigo, infantis. \"Professor te ensinar a ler e escrever\"... e daí??? Eu sou professor também, jamais falei nada contra professor algum, falei contra uma máquina técnica que todo ano só coloca privilegiados dentro da federal. Por favor, meu querido, vai estudar interpretação de texto... se isso fosse uma prova, tu terias rodado. E se tu não sabes quem está à direita ou quem está à esquerda, não sei como conseguiste teu diploma de historiador.
Só para fechar... Gustavo, baita jogada de marketing aquela do \"passar em medicina\". Estás abrindo um curso para ENEM utilizando esse discurso do \"ter passado\"... é uma grande ideia. Tenho que admitir que és um cara perspicaz. Não estás tão bem no mercado à toa.
PS: Gustavo, não estou defendendo fraude de governo, tu bem sabes para onde se direcionaram as minhas críticas, pois, ao contrário do João, tu és um cara perspicaz.
Abraço.
Oi Thiago,
Teu comentário mais recente, embora endereçado ao João, promoveu o surgimento de alguns pensamentos curiosos:
- Você parece mais preocupado em identificar os supostos interesses que me fizeram apontar um erro da UFRGS do que em verificar o erro em si, assim como têm feito os poucos críticos que se manifestaram a respeito do assunto. Insisto que, até agora, não surgiu nenhum comentário cientificamente fundamentado oferecendo um contraponto às ideias apresentadas nos três artigos. A partir do momento em que o questionamento das razões que levaram alguém a romper o silêncio diante de um fato grave se tornar mais importante que o fato em si, estaremos diante do ingrediente básico que serviu, e serve, como alicerce de muitos regimes ditatoriais espalhados ao redor do mundo.
- Sempre que leio críticas aos \"cursinhos\", percebo que elas têm características comuns e quase que invariavelmente buscam desqualificar, em diferentes aspectos, os profissionais que tiram deles seu sustento. O curioso é que não é incomum os alunos terem ótimas lembranças de seus professores de \"cursinho\", ao contrário do que costuma acontecer, com raras exceções, em outras esferas educacionais. Além disso, nenhuma alternativa apresentada até agora pelo MEC ou qualquer outra organização indica que o vigor do mercado de cursos preparatórios irá diminuir, e isso independe da manutenção dos vestibulares geograficamente distribuídos ou da adoção de uma prova nacional nos moldes do ENEM. Mas talvez isso seja assunto para psicólogos ou psiquiatras, já que uma discussão mais aprofundada exigiria que visitássemos departamentos um tanto sombrios do inconsciente humano, responsáveis por sentimentos como inveja, soberba e, eventualmente, ira.
- Muito obrigado pelo comentário a respeito da jogada de marketing, excetuando-se a evidente dose de ironia. Identificar e explorar novos mercados é uma característica importante do empreendedorismo. E quando se é proprietário de uma microempresa, com todas as limitações orçamentárias que o prefixo \"micro\" sugere (embora haja quem acredite no contrário), criatividade é fundamental.
Abraços,
Gustavo
Thiago!!!
Quanto ao meu diploma, posso te certificar que o conquistei na base de muito suor, esforço e dedicação aos meus estudos e trabalhos (quem me conhece sabe o que digo).
Falando da minha possível \"hipocrisia\", te garanto uma coisa: conheço bem a realidade do Ensino Público e Privado, pois leciono nas duas esferas. Além disso, trabalho há 5 anos com pré-vestibulandos (pouco, perto dos anos de trabalho do Gustavo Reis e de outros professores que conheço). Os anos de trabalho que tenho me certificam cada vez mais a respeito de minhas concepções em Educação e ideologia Política. Fico feliz que és também um Professor, mas lamento que desconheça as novas concepções Educacionais, como a que dita nossa época, onde a palavra \"Reprovação\" esta sendo discutida nos meios acadêmicos. Sendo assim, e como prova disso, o ENEM não \"roda em português\", mas serve para te classificar ou não.
Para finalizar, também sou favorável ao ENEM, porém os meios de avaliação até agora estão obscuros. Lastimo que a nossa Universidade Federal tenha entrado nesse \"embalo\". Acredito, sim, em um exame nacional, desde que seja bem organizado!! (Tudo isso sempre respeitando opiniões contrárias)
E também ratifico os parabéns ao Professor Gustavo Reis, que poderia muito bem ser só um professor - como tantos outros - mas também é conhecido como um gestor de oportunidades!!!
Cordial Abraço
Professor João Mauricio
Gustavo, evidentemente, não concordo contigo; mas percebi nesse último comentário que realmente temos concepções diversas da educação. Poderíamos prolongar nossas argumentações (e admito que eu adoro argumentar) até o infinito e não chegaríamos a conclusão alguma ou não conseguiríamos fazer o outro ficar suficientemente convencido. Percebo, de forma explícita, apenas nesse último comentário, o que já estava implícito. Tua visão é a de gerar empreendimentos a partir de problemas, e, claro, bem sabes que não são todos podem usufruir dessas \"maravilhas\" que ofereces. Também acreditas que oferecer uma boa educação básica e pública é coisa de regime ditatorial, e que o que conta é realmente deixar o mercado correr por si. Não condeno tua visão, é uma visão bastante comum da educação; mas da qual não compartilho. \"Todos\" vão lembrar de cursinhos porque havia um pagamento de mensalidade que garantiu um serviço, mas te aviso que a maioria das pessoas sequer lembra de um cursinho, até porque boa parte da população sequer consegue pagar um cursinho. Cuidado com a classe de onde pinças as tuas amostragens e do patamar de onde observas as tuas \"verdades\". Meu argumento não parece científico porque só enxergas o número como expressão da verdade, e respeito a tua visão, é inerente à tua área... como bem dizia Sartre, nos tornamos marionetes daquilo que fazemos. E Gustavo, fechando, porque acho que temos tantas outras coisas a debater, acho que nenhuma proposta surge para melhorar a educação básica porque as grandes cabeças pensam mais em \"empreender no mercado\" do que realmente se preocupar com a educação de base.
Respeito tua trajetória; mas não concordo com a tua visão de mundo... mesmo respeitando (pois não faço parte de um regime ditatorial, como tu mesmo falaste).
Abraço.
Foi um bom diálogo.
Bom, só para completar, sou humilde o bastante para seguir os conselhos...
Portanto vou estudar INTERPRETAÇÃO TEXTUAL....
THIAGO: quanto professor de aula particular vai morrer de fome!
JM: Professor só morre de fome se quiser
Conclusão : Eu não citei todos os professores, apenas afirmei que o professor \"morre de fome se quiser\", pois cada vez mais oportunidades surgem!!!
Quanto a infantilidade dos meus argumentos, caro Thiago, te pergunto algo: em que fase da vida aprendemos a ler e escrever???
Na infância, não? Por isso propus essa frase (acredito que deves agradecer aos teus “profes” por te ensinarem a ler e escrever). Pois, agregada a isto está uma série de coisas, como os baixos salários dos nossos colegas do Ensino Básico, que como tu mesmo disseste é defeituoso. Mesmo assim, com muita luta, os colegas conseguem nos alfabetizar!!!
Pena que, ao ler tuas críticas aos meus artigos, estejam escancarados o teu preconceito em relação aos colegas pedagogos que ganham pouco e os professores de \"cursinho\", que na tua concepção ganham muito. Infelizmente não comungo das tuas ideias.
Cordial Abraço
João Mauricio.
Oi Thiago,
Muito obrigado pela oportunidade de encerrar essa conversa! Porém, confesso que nutri, ao longo das idas e vindas, a esperança de que você fosse, mais cedo ou mais tarde, apresentar argumentos -- já que adora argumentar -- que endereçassem a questão original: o cálculo do argumento de concorrência dos candidatos do concurso vestibular 2011 da UFRGS em desacordo com o estabelecido no edital. Talvez você tenha preferido se manter distante do ponto focal da discussão proposta pelos artigos simplesmente por ser professor de outra área do conhecimento, optando por manifestar seu desconforto com a atividade a que me dedico lançando mão de recursos, no mínimo, incompatíveis com tua própria condição de professor, já que imagino que seja dela que você tire o próprio sustento. Mas talvez isso não seja tão surpreendente assim, considerando o desfile de ironias ilustrado pelas inúmeras \"aspas\" utilizadas em tua argumentação. Para ser mais específico, tua tentativa de inversão de papeis, sugerindo que eu compactuo com a associação entre educação básica e pública e regimes ditatoriais, é, no mínimo, mal intencionada. Leviandades à parte, porém, tentar atribuir diretamente a mim a responsabilidade de promover essa mesma educação universal e multifacetada a que você se refere é esquecer a Constituição Federal. Quem paga impostos deve exigir de seus governantes essa universalização ao invés de condenar quem trabalha duro para oferecer um serviço de qualidade, mesmo que ele seja na área de educação. Aliás, é por isso que chamamos as atividades de apoio à população, promovidas pelos governos, de \"serviço público\" -- afinal de contas, elas são remuneradas por mim, por ti e por todos os brasileiros que ganham a vida honestamente e, direta ou indiretamente, recolhem seus tributos. E se, eventualmente, a educação de qualidade a que você se refere se tornar uma realidade unânime, sentirei enorme satisfação ao concluir que tais tributos foram empregados com o mais nobre dos propósitos, mas garanto que continuarei a oferecer meus serviços em diferentes níveis, como, por exemplo, já faço em meus cursos de Cálculo e Álgebra Linear. Nesse aspecto, não sou diferente de nenhum outro profissional liberal, mas talvez você acredite que essa não é uma prerrogativa válida para quem trabalha com Educação, e essa crença é um direito teu.
Aproveito para lembrar que esse é um blog de Matemática e vestibulares, mas ainda assim me coloco à disposição para esclarecimentos adicionais por intermédio de meu email pessoal (gustavo@gustavoreis.com). Afinal, é a partir do desenvolvimento da tolerância a ideias divergentes das nossas que se constroi uma verdadeira democracia.
Abraços,
Gustavo
Lí todos esses comentários e tenho uma pergunta a fazer.
Como ficam as pessoas que ganham salário minimo e não tem condições de fazer um cursinho, nunca poderão entrar na faculdade?
O ensino básico é pobre, as pessoas não tem base para sair de uma escola publica e entrar na UFRGS, o que elas devem fazer, já que o ENEM é ruim?
Você fez o enem e conseguiu vaga para medicina, mas me diz, você estudou em escola publica, você é um assalariado?
Acho que não né.
As pessoas pobres tb tem direitos.
Abraço
Oi Luiza,
O que está em questão não é a justiça social do sistema. O sistema em implantação desde 2009 a partir do novo ENEM tem se mostrado tão injusto quanto o vestibular tradicional. Os artigos versam sobre um erro de cálculo que pode ter tido impacto sobre todos os candidatos da UFRGS, independentemente da classe social a que pertencem.
Com relação às insinuações que você faz especificamente em relação a mim, considero elas inapropriadas e fortemente desvinculadas do propósito dos artigos. Acho que o ideal, nesse caso, é acompanhar blogs de sociólogos credenciados a construir sensos de juízo sobre a realidade da educação brasileira.
Um abraço,
Gustavo
Realmente, Gustavo, o cálculo obscuro da UFRGS afeta toda ordem de candidatos. O problema é que alguns têm uma tendência natural a escapar do assunto (aliás, de suma importância) e novamente choramingar as injustiças de um país que claramente eles mesmos ajudaram a erigir. O principal é: sim, há erro evidente; sim, há retratação não convincente; e no CV 2012?