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3 observações sobre a prova de Matemática do ENEM 2012

05 de novembro de 2012 0

Enem 2012Encerrada mais uma edição do ENEM, chega o momento de analisar a prova de Matemática aplicada na tarde de ontem em aproximadamente 4,17 milhões de participantes. A abstenção nacional representou 27,9% dos inscritos, patamar que se manteve praticamente inalterado em comparação aos 27,6% de ausentes do ano de 2011. Hoje, ofereço a vocês um conjunto preliminar de observações relacionadas à prova; uma avaliação mais detalhada, classificando cada questão quanto à respectiva competência e ao nível de dificuldade, será publicada ainda essa semana.

(A propósito, estou usando como referência os números de questões da prova cinza!)

1) Cada vez mais, a essência da prova de Matemática do ENEM se aproxima do modelo tradicional de provas de vestibular

Em comparação com a prova de ontem, as primeiras edições do chamado "Novo ENEM", em 2009 e 2010, pareciam revelar uma preocupação mais nítida em "cotidianizar" as questões e deixar de lado toda e qualquer exigência de memorização. As questões de ontem deixaram bem claro aos participantes que não é seguro confiar exclusivamente nos elementos fornecidos pelos enunciados para resolver cada questão. A exigência de que o aluno demonstrasse conhecer conceitos como variância e desvio-padrão, princípio fundamental da contagem e combinação, área do trapézio e comprimento da diagonal do quadrado dá amplo respaldo a essa constatação.

2) A falta de rigor formal exige presunções inadmissíveis em uma prova de Matemática

Infelizmente, já é tradição questões do ENEM obrigarem os participantes a realizar leituras de enunciados com base em interpretações presumidas. Na última prova de Matemática, não foi diferente: na questão 171, presume-se que uma sala "de dimensões 4m x 5m" seja retangular, quando poderia muito bem ter a forma de um paralelogramo não-retângulo; na questão 149, o participante é conduzido a alternativas distintas ao especular sobre a duração de cada viagem de trem realizada pelo maquinista, informação que não consta no enunciado; e na questão 142, o aluno deve presumir que a pirâmide em questão é quadrangular, regular e reta. Como se não bastasse, tais presunções têm o agravante de prejudicar tão somente os bons alunos, pois só eles costumam realizar leituras altamente cuidadosas das informações oferecidas pelos enunciados e, portanto, constatar a ausência de dados importantes.

3) A ausência de conteúdos tradicionais, tais como Trigonometria e Logaritmos, compromete o valor da prova em certos casos

Se considerarmos que o ENEM vem sendo incrementalmente adotado como ferramenta única de seleção para ingresso em instituições federais de Ensino Superior, uma prova como a de ontem é altamente ineficaz para selecionar candidatos a cursos tradicionais da área de exatas, tais como Engenharia, Arquitetura e Computação. A opção por deixar de lado assuntos clássicos como Trigonometria, Logaritmos e Geometria Analítica irá, fatalmente, fazer com que, a curto e médio prazo, esses tópicos sejam deixados de lado no Ensino Médio. Isso seguramente criará uma legião de alunos ainda mais despreparados para seguirem carreira em áreas altamente estratégicas em um país que vive um intenso ciclo de crescimento.

E você, participante do Exame? O que achou das provas? Divida comigo sua opinião usando os comentários!

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