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A verdadeira inovação na educação

19 de agosto de 2014 2

Esse artigo foi originalmente publicado no blog da AR Live 5, agência a que estou vinculado como palestrante exclusivo. Quem acompanha meus escritos aqui no blog vai entender um pouco melhor a orientação de minha linha de pesquisa como aluno do mestrado acadêmico em Design na Unisinos – e tomara que também compreenda o que está por trás de minha falta de assiduidade por aqui. Estudar dá trabalho! Espero que gostem!

Imediação do Professor

“Desde o início da década de 80, com o advento da computação pessoal, especula-se a respeito do potencial revolucionário da informática em termos de seu impacto sobre a educação contemporânea. Mais recentemente, a miniaturização e a proliferação de dispositivos conectados levaram muitos especialistas a afirmar que estaríamos diante de um contexto sem precedentes em termos de características que favorecem a promoção da inovação.

Ao contrário do que muita gente pensa, porém, inovação e tecnologia não andam necessariamente de mãos dadas. Embora, ao longo do século XX, o desenvolvimento da eletrônica e as inúmeras possibilidades resultantes das descobertas nesse campo tenham incentivado, de forma bastante intensa, uma associação direta e aparentemente inequívoca entre os dois conceitos, nem toda inovação envolve tecnologia, e nem tampouco tudo o que é tecnológico é inovador.

De modo geral, toda instância de inovação pode ser classificada como incremental, em que os produtos, serviços ou processos são alvo de melhoramentos isolados cujo impacto é relativamente pequeno, ou radical, que se traduz em mudanças tão significativas que promovem alterações no significado que as pessoas atribuem aos elementos associados ao processo inovador.

Em educação, curiosamente, a literatura especializada não aponta evidências de uma correlação positiva entre a intensidade do uso de tecnologia em sala de aula e a observação de melhorias no desempenho dos alunos. Em contrapartida, estudos mostram que os resultados de aprendizagem podem ser potencializados a partir de incrementos no grau de proximidade entre professor e aluno – também chamado de imediação.

Contrariando o senso comum, portanto, é o foco na imediação, e não na tecnologia, que tem revelado potencial para promover a inovação em ambientes educacionais. Esse cenário pode ser melhor delineado a partir de algumas colocações:

– Alunos aprendem mais e melhor na medida em que desenvolvem sentimentos fraternais em relação a seus professores;

– Professores que desenvolvem conexões emocionais com seus alunos são mais satisfeitos profissionalmente;

– O fortalecimento da percepção de proximidade entre aluno e professor potencializa a ocorrência de efeitos de sentido positivos, tais como motivação, entusiasmo e determinação, que favorecem o sucesso do processo educacional.

A verdadeira oportunidade de inovação radical na educação, portanto, reside no resgate dos elementos de relacionamento que contribuem para a percepção de proximidade entre professor e aluno. É a partir do foco nos componentes humanísticos que teremos a chance de dar aos processos educacionais novos significados e interpretações que venham a servir como instrumentos para o combate à indiferença.”

Cuidado com o que diz nas redes sociais: o próximo idiota pode ser você

21 de junho de 2014 0

Tomo a liberdade de, à primeira vista, dar a impressão de que estou fugindo um pouco da temática geral desse blog. Mesmo assim, sinto-me à vontade porque, afinal de contas, este é também um espaço para considerações sobre educação, uma palavra formidável que, em meio a vários outros significados, admite-se como sinônimo de “bons modos”.

Especialmente durante temporadas de alta voltagem emocional como a que estamos prestes a vivenciar na campanha para as eleições de outubro, é notável a proliferação do uso de adjetivos como “burro”, “idiota”, “imbecil” e “cretino”, entre outros bem mais deselegantes, para fazer referência a quem defende ideias diferentes daquelas em que se acredita.

Eu grito mais forte, portanto tenho razão!

Eu não consigo parar de pensar que isso é muito, mas muito feio. Não raro, vejo os termos incluídos em textos assinados por professores, o que, na minha opinião (o que, por si só, é temerário, como um certo paradoxo irá deixar claro mais adiante), piora um pouco as coisas. Talvez por ter escolhido esse ofício e por reconhecer o valor que costumam ter as coisas que um professor em quem confiamos nos diz, eu tenha adquirido uma resistência um pouco maior a usar livremente termos como esses em meio a debates de ideias.

Mas a verdade é que sempre proponho a mim mesmo dois questionamentos:

1) A ideia que está sendo exposta propõe alguma espécie de relação com a capacidade cognitiva, em termos mais amplos, de quem a emitiu? Eu não consigo encontrar evidências que deem suporte a essa correlação. Meu entendimento é o de que ninguém pode ser chamado de “burro” ou de “idiota” por ter opinião diferente da minha. E é justamente aí que surge o paradoxo do julgamento da opinião alheia: como essa é, também, somente uma de minhas opiniões, sua manifestação me expõe ao risco de ser chamado de “burro” ou de “idiota” justamente por quem não concorda com ela.

2) Eu conheço a pessoa? Em caso afirmativo, e desde já assumindo que, do contrário, o questionamento não faria sentido, eu diria pessoalmente o mesmo que escrevi? Isso costuma mudar muito as decisões anteriores à publicação.

Pense nisso. E boas reflexões.

Sai o vestibular da UFRGS, entra o Enem: por que nunca vai dar certo?

18 de abril de 2014 20

Em um certo exame de seleção e admissão realizado no Brasil, fiscais, supervisores e coordenadores recebem, durante seu treinamento, o “extrato de instruções orientadoras”. Trata-se de um livreto de 48 páginas que inclui recomendações bastante específicas. Aponta, por exemplo, a necessidade de que as fileiras de participantes sejam separadas por uma distância mínima de 90 centímetros. Entre as atribuições expressas dos fiscais, constam não só a verificação da condição de uso das mesas e cadeiras escolares, mas também a remoção de cartazes, tabelas ou relógios que estejam fixados nas paredes. Durante as provas, os aplicadores são orientados a coletar obrigatoriamente as impressões digitais dos candidatos e registrá-las individualmente nas folhas de respostas; essas, posteriormente, são rubricadas, para fins de autenticação, por dois supervisores.

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Em outro exame de abrangência nacional, o “manual do chefe da sala e do aplicador” tem duas páginas. Dentre as atribuições do aplicador, destaca-se o item “verificar se o número de carteiras/participantes da sala é adequado e se as fileiras de carteiras não estão muito próximas” – o que representa adequação de quantidades e distâncias, nesse caso, é de livre interpretação individual, é claro. O documento também indica que a assinatura do candidato é o único mecanismo de autenticação da folha de respostas, e não há qualquer referência à necessidade de remoção de tabelas ou cartazes do ambiente de aplicação.

O exame de seleção citado no primeiro parágrafo faz parte do processo seletivo e admissional do curso de formação de sargentos da Aeronáutica.

O tema do segundo parágrafo é o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Em novembro de 2013, a UFRGS anunciou que oferecerá, a partir de 2015, 30% de suas vagas utilizando exclusivamente as notas do Enem. Não é segredo que, desde 2009, episódios graves relacionados à segurança do Enem e, consequentemente, à sua confiabilidade se tornaram rotina. Até agora, os problemas incluem o vazamento de questões, o cancelamento de provas, a inversão de cabeçalhos na folha de respostas e a recente eliminação de centenas de candidatos por suspeita de ação fraudulenta. As perspectivas futuras não são entusiasmantes: a lista de potenciais contratempos de um exame tão imenso parece ser diretamente proporcional aos seus mais de 7 milhões de inscritos anuais.

Os argumentos mais comuns utilizados por quem defende o fim do vestibular da UFRGS vão desde aqueles que, embora pareçam razoáveis, soam contraditórios em tempos de ações afirmativas (“a universidade é federal, e as vagas devem ser oferecidas a todos os brasileiros”) até os escandalosamente mentirosos (“85% dos aprovados no vestibular passado estariam no listão caso o Enem fosse o único critério de seleção”, o que só seria verdade se os candidatos continuassem a ser os mesmos antes e depois da mudança). A utilização das notas de um exame incipiente para selecionar os calouros da UFRGS ignora um histórico recente absolutamente sofrível e surpreende a todos pela velocidade com que está sendo proposta.

Entre os profissionais do mundo da segurança de informação, existe uma regra prática famosa: as falhas mais comprometedoras não costumam ter origem nos sistemas em si, mas sim na imprevisibilidade do comportamento das pessoas que os utilizam. Logo, quanto mais participantes, maior o potencial comprometimento da confiabilidade do processo. É ingenuidade acreditar que os problemas do Enem desaparecerão à medida em que as aplicações se sucederem – pelo contrário, o mais provável é que eles se tornem cada vez mais frequentes, mais fragmentados e, portanto, de detecção cada vez mais difícil.

Considerando a decisão recentemente anunciada, é uma pena que estejamos diante de tantos indícios de escassez de bom senso.

Meu gabarito preliminar para a prova de Matemática do vestibular UFRGS 2014

08 de janeiro de 2014 6

Espartanos! Eis aí meu gabarito preliminar para a prova de Matemática do Vestibular UFRGS 2014:

26-B
27-D
28-A
29-C
30-E
31-B
32-B
33-E
34-D
35-E
36-C
37-B
38-D
39-D
40-A
41-E
42-C
43-A
44-B
45-E
46-D
47-C
48-A
49-A
50-C

Mais uma vez, a prova de Matemática do vestibular da UFRGS se distancia de seu histórico de vilã do concurso, papel esse que, em 2014, parece estar definitivamente reservado à Física. Alunos bem preparados terão desempenhos notáveis que se traduzirão em números de acertos expressivos. Estimo que a média venha a passar de 10 acertos, superando a média da edição 2013 do processo seletivo, e que o desvio-padrão continue acima de 5 pontos, a exemplo do que já aconteceu no concurso imediatamente anterior.

Confira nossa cobertura completa do Vestibular da UFRGS

03 de janeiro de 2014 0

Eis que, após longo período de silêncio, eu volto a ocupar este espaço para informar vocês sobre a cobertura completa da edição 2014 do Vestibular da UFRGS – que, aliás, já está em curso! (Andei sumido, né? Vida de mestrando não é fácil, especialmente para quem já não tinha praticamente nenhum tempo disponível mesmo antes de voltar a estudar!)

Talvez a novidade mais bombástica da temporada seja o canal de música para estudar Matemática que entrou no ar no último dia 2 de janeiro no ultra-popular site Superplayer. O processo de co-criação do playlist foi muito bacana: os alunos das turmas presenciais do Mathematica Et Cetera foram convidados a indicar as músicas que compõem a trilha sonora de seus estudos. Reunidas as sugestões, meu talentoso ex-aluno Gustavo Goldschmidt colocou seus poderes mágicos em curso e criou o canal do mathetc.tv no Superplayer, que está disponível na aba “Atividade”.

 

 

superplayer_mathetc_tv
Música para Espartanos!

Além disso, no mesmo dia 2 reunimos mais de 600 alunos virtuais durante a transmissão de estreia da Maratona Hora da UFRGS 2014, que seguramente repetirá o sucesso das edições de 2012 e 2013. A programação prossegue hoje (sexta 3/1) e se estende até dia 7, véspera das provas do último dia do vestibular da UFRGS.

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Para acompanhar as aulas ao vivo, visite http://www.mathetc.tv/horadaufrgs e junte-se a nós!

Falando em repetição de sucesso, acabou de sair da gráfica a edição de número 2 da Revista Passei!, que volta a oferecer, em versão ampliada, informação de qualidade para os participantes do maior concurso vestibular do sul do Brasil. A revista será distribuída gratuitamente em vários locais de prova na manhã de domingo, 5/1 – portanto, fique atento e peça a sua ao nosso colaborador mais próximo! Se você não encontrar nenhum, há duas alternativas: venha pessoalmente até a sede espartana buscar a sua, ou visite o site da Revista Passei! para acessar a versão digital.

passei_blogEstá na mão a edição de número 2 da Revista Passei!

 

 

 

Não sei em que curso me inscrever – e agora?

15 de setembro de 2013 0

Na próxima terça-feira, 17 de setembro, a UFRGS abrirá as inscrições para seu concurso vestibular 2014, a exemplo de como vêm fazendo muitas das universidades que ainda mantém seus processos seletivos individuais. Para muitos estudantes, essa é também uma temporada de muita ansiedade, já que não são raros os que ainda estão completamente indecisos com relação a que carreira seguir.

Santa indecisão

O acesso fácil a grandes repositórios de informação proporcionado pela Internet contribui para essa indecisão. Hoje em dia, o número de opções de cursos tem acompanhado a criação de novos ofícios e a necessidade crescente de especialização dos profissionais que atuam em nossa sociedade. A própria UFRGS, que, em 1997, oferecia 49 opções de cursos, oferecerá, no concurso de janeiro de 2014, 89 alternativas a seus candidatos, o que representa um acréscimo de mais de 80% em pouco mais de 15 anos.

Isso tudo potencializa a ansiedade dos jovens pretendentes a uma vaga em uma universidade renomada – isso sem entrar no mérito do quão precipitado é exigir que alguém decida, antes dos 20 anos, “o que quer ser quando crescer”.

Se você compartilha desse sentimento, tenho algumas recomendações:

  • A maior vantagem de escolher cedo surge quando a escolha é errada: David Kelley, fundador da IDEO e um dos precursores do design thinking, é citado como o autor da frase “fracasse logo, tenha sucesso mais rápido”. Não há dúvidas de que é excelente acertar na escolha e descobrir em si próprio, anos mais tarde, um profissional plenamente realizado, mas isso não pode ser uma obrigação. Em um mundo com tantas possibilidades de atuação, mudar de ideia durante o curso de seus estudos não só é aceitável, mas também é, de certa forma, altamente provável.
  • Converse com pessoas que amam o que fazem: todos nós conhecemos pessoas que são absolutamente encantadas com suas próprias atividades profissionais. Essas pessoas costumam também ser as mais inclinadas a compartilhar suas impressões a respeito das nuances do dia-a-dia de suas profissões. Busque apoio em histórias de sucesso e não tome como referência pessoas que manifestam incerteza, indiferença ou, até mesmo, uma certa dose de melancolia em relação a seus ofícios.
  • Na dúvida, dê um peso maior à emoção: quem tem tantos ex-alunos quanto eu sabe que desempenho educacional não é sinônimo de sucesso profissional. Via de regra, as pessoas que têm mais destaque em suas áreas de atuação são as que descobrem e seguem suas verdadeiras vocações. Decisões tomadas a partir de imposição familiar, busca de status ou ambição financeira costumam conduzir a resultados desastrosos, especialmente a médio e longo prazo. Portanto, em caso de empate, decida conforme o que o coração mandar!

Bônus: nesse vídeo de pouco menos de 6 minutos, meu amigo Fernando Elias José, também blogueiro do ClicRBS,  compartilha alguns conselhos sobre o tema. É bom ouvir com atenção, pois esse sujeito ama o que faz!

Momento Nerd: conheça um número primo verdadeiramente imenso

08 de setembro de 2013 0

Hoje de manhã, eu estava colocando em dia algumas palestras do TED e assisti à participação do australiano Adam Spencer expondo sua paixão por números primos monstruosos (legendas somente em inglês). Para quem está afastado da nobre arte numérica, classificam-se como primos todos os números maiores ou iguais a 2 que apresentam somente dois divisores inteiros e positivos: o próprio número e a unidade. Por exemplo, o número 13 é primo porque seus únicos dois divisores naturais são o número 1 e o próprio 13. Já o número 12 não é primo porque inclui em sua lista de divisores inteiros e positivos, além do 1 do 12, os números 2, 3, 4 e 6. Números que não são primos são chamados de compostos.

Números Primos

Vamos então à parte que justifica o título desse post: em janeiro de 2013, foi anunciada a descoberta do 48º número primo de Mersenne — ou, simplesmente, [latex]M_{48}[/latex]. Os números que pertencem a esse conjunto são expressos na forma [latex]2^{n}-1[/latex], ou seja, subtraindo uma unidade de uma potência de 2. Por exemplo, o número 31 é um primo de Mersenne porque pode ser escrito como [latex]32 – 1 = 2^{5} – 1[/latex]. O nome é uma homenagem ao matemático Marin Mersenne, que viveu nos séculos XVI e XVII e dedicou parte de seus estudos à teoria dos números.

O número mais recentemente adicionado a essa lista é [latex]2^{57.885.161}-1[/latex]. Não, você não leu errado: 57.885.161 é o expoente do 2, o que significa que, antes de subtrair a unidade, você deve multiplicar o número 2 por ele mesmo quase 60 milhões de vezes.

Para representar esse número, são necessários 17.425.170 dígitos. Para visualizar o [latex]M_{48}[/latex] em páginas com 40 linhas e 60 caracteres por linha, seriam necessárias mais de 7.200 páginas.

(Meu Deus, isso é verdadeiramente fantástico. Acho que vou desmaiar de euforia. Já volto.)

Voltei: é claro que você deve estar pensando na pergunta inevitável: “mas por que procurar por números primos cada vez maiores?“. A Universidade do Tennessee mantém um site excelente sobre números primos que inclui uma página com uma lista de justificativas para a descoberta de novos números primos gigantescos. Seja por tradição, pela glória, pelo dinheiro ou simplesmente para aprender mais sobre sua distribuição, uma coisa é certa: os números primos têm fascinado gerações de matemáticos e de curiosos ao redor do mundo desde bem antes de Euclides provar, há mais de 2 mil anos, que eles são infinitos.

E você? Já parou para pensar em quantos números primos conhece? 2, 3, 5, 7, 11… até onde vai a sua lista?

Horário de Estudo: instruções para montar o seu

25 de agosto de 2013 138

À medida em que o Enem e os principais vestibulares de verão se aproximam, o número de consultas que recebo a respeito de métodos de estudo aumenta de maneira expressiva. É claro que, na maioria das vezes, os alunos estão em busca de técnicas infalíveis que permitam uma conjunção quase sobrenatural entre aprendizado rápido, revisão eficiente e, lógico, desempenho espetacular nas provas. Mas garanto que vocês ficariam surpresos com o número de pessoas que acredita que o sucesso no Enem e nos diferentes vestibulares depende de uma rotina rígida em que o aluno dedique o maior número possível de horas aos livros. Já vi horários de estudo – acreditem: endossados por professores! – em que um total de 84 horas semanais de estudo era proposto aos alunos. É isso mesmo: são 12 horas de estudo por dia, 7 dias por semana. Respeito a opinião de quem acredita nesse modelo, mas a minha é bem clara: considero propostas como essa insanas, desumanas e de eficiência altamente questionável.

Está chegando a hora

Desde 2008, já elaborei centenas de horários de estudo para os alunos de minha escola de Matemática. Até hoje, porém, muitos deles se surpreendem ao perceber algumas características comuns a todos os horários que proponho:

  • Cada sessão de estudo tem duração mínima de 1h20min e máxima de 1h40min. É muito importante que o aluno não exceda a duração máxima de cada sessão, pois a probabilidade de perda de rendimento aumenta muito à medida em que a duração se aproxima de duas horas.
  • As sessões de estudo não têm horário específico de início nem de término. O mais importante não é a rigidez dos horários, mas sim a observação da duração de cada sessão dentro do intervalo proposta, sua realização de maneira ininterrupta e a conclusão das sessões agendadas para o dia com tranquilidade e mantendo a concentração em alta.
  • Todos os horários que monto incluem duas sessões de estudo por turno (manhã, tarde e noite). Para candidatos a cursos menos concorridos, elimino uma das duas sessões noturnas. Isso representa um total diário de 5 ou 6 sessões de estudo. Considerando a duração média de 1h30min por sessão, isso totaliza entre 7,5 e 9 horas de estudo diárias.
  • Entre as duas sessões de estudo de um mesmo turno, insira intervalos com duração média de 20 minutos. Esses intervalos são baseados no conceito de “descanso ativo” recomendado pelo psicólogo especializado em provas, vestibulares e concursos Fernando Elias José, nosso amigo de longa data e também blogueiro do ClicRBS. Segundo o especialista, é durante esse intervalo que se maximiza a assimilação dos conceitos estudados no período imediatamente anterior.
  • Normalmente, eu opto por bloquear completamente os domingos, a menos que o aluno tenha alguma razão específica para usá-lo como dia de estudo. A manutenção de um dia livre tem consequências altamente positivas e pode, inclusive, ser tratada pelo estudante como recompensa pelo cumprimento de todos os seus compromissos semanais.

Gostou do modelo? Que tal usá-lo para fazer seu próprio horário de estudos? Então mão na massa! Faça aqui o download de uma grade em branco e leve em consideração as seguintes dicas adicionais:

  • Se você frequenta um curso preparatório tradicional, bloqueie o turno correspondente nos dias em que tem aula. Se é aluno de grupos de estudo com aulas semanais, indique as disciplinas na grade no horário em que as aulas acontecem e trate-as como sessões de estudo.
  • Procure distribuir o número de sessões de estudo de acordo com os pesos das provas em seu curso específico, se for o caso, mas sem exagerar na dose! Não esqueça que muitas universidades, incluindo a UFRGS, adotam a média harmônica para classificar os candidatos, o que privilegia, evidentemente, a harmonia dos escores e torna perigosas estratégias de estudo excessivamente focadas nas disciplinas de maior peso.
  • Procure também não realizar mais de uma sessão de estudo da mesma disciplina em um mesmo dia. Isso vale para a hipótese de você frequentar grupos de estudo – não agende a sessão de estudo da disciplina em questão para o mesmo dia. É importante você distribuir as sessões de estudo ao longo da semana para não ficar tempo demais afastado de cada disciplina, especialmente as de menor peso.
  • Insira dois ou três “curingas” em seu horário semanal. “Curingas” são horários reservados para o estudo de qualquer disciplina conforme a necessidade, evitando, assim, a ansiedade promovida ao percebermos que certos conteúdos estão atrasados. Eu tenho o hábito de incluir um curinga no meio da semana, preferencialmente nas quartas-feiras à noite, e pelo menos mais um no sábado à tarde.
  • Recomendo fortemente a utilização de um timer programável (há várias versões gratuitas disponíveis para computadores Windows e Mac e também para smartphones Android e iOS). No início de cada sessão de estudo, programe o timer para que o alarme seja acionado em uma hora e vinte minutos. Assim, quando ele soar, você saberá que dispõe de vinte minutos para encerrar a sessão atual. Se o momento em que você concluiu a leitura de um conteúdo específico ou terminou de resolver uma questão ficou próximo do limite mínimo de uma hora e vinte minutos, não fique ansioso: é melhor encerrar a sessão dentro do intervalo sugerido do que correr o risco de estourar o limite máximo de sua duração.

Se você precisar de algum esclarecimento adicional, use o espaço de comentários. E não esqueça de vir me contar se teu horário de estudos estiver dando bons resultados!

O que aprendi no ENEJ 2013

15 de julho de 2013 4

Na última quinta-feira, 11 de julho, estive na FIERGS para ser um dos palestrantes da 20ª edição do Encontro Nacional das Empresas Juniores, ou, simplesmente, ENEJ 2013. Tive a honra de ser o primeiro palestrante convidado – e confirmado, é claro – ainda em janeiro, quando recebi a visita dos meus ex-alunos Gustavo Lembert e José Bianchin, ambos estudantes de Administração de Empresas na UFRGS, que gentilmente fizeram questão de fazer o convite pessoalmente.

ENEJ 2013

Depois de comparecer a dois dos quatro dias de evento, posso afirmar, com plena convicção, que participei de algo grandioso. Gostaria, portanto, de pedir licença para compartilhar algumas coisas que aprendi.

  • Aprendi que os jovens da geração digital, nascidos a partir de 1990, não colocam em primeiro lugar a segurança e o sucesso financeiro; para eles, trabalho tem que ter significado, propósito e senso de responsabilidade;
  • Aprendi que a energia dos participantes é verdadeiramente ilimitada;
  • Aprendi que tem muita gente – mas muita gente mesmo – querendo fazer a diferença e ser o exemplo;
  • Aprendi que, felizmente, há ouvidos que valorizam o que um José Pacheco e um Barry Schwartz têm a dizer, mesmo eles pertencendo a uma geração totalmente analógica e, portanto, aparentemente antagônica em relação à atual;
  • Aprendi que educação, sustentabilidade e responsabilidade social não são simplesmente palavras da moda, mas sim preocupações autênticas da imensa maioria dos integrantes dessa geração;
  • Aprendi que, assim como a minoria de vândalos cujas ações ameaçaram a legitimidade das manifestações que recentemente tomaram conta do país, desvios isolados de comportamento, totalmente incompatíveis com a formação educacional dos participantes, acontecem – mas os bons são maioria e, felizmente, condenam energicamente tais atos;
  • Aprendi que quem realiza um evento desse porte, mesmo com tão pouca idade quanto a da ampla maioria dos organizadores, é capaz de conquistar qualquer coisa na vida.
  • Aprendi que o Hino Nacional Brasileiro, quando cantado por quem quer fazer desse país um lugar melhor, é um gatilho de emoção dos mais impressionantes e faz, até mesmo, os céticos da minha geração e das anteriores acreditarem que é possível;
  • Aprendi que, em um mundo que contabiliza um número cada vez maior de impacientes, desinteressados e indiferentes, ainda posso nutrir a esperança que me move e continuar ajudando um aluno de cada vez.

Mais uma vez, muito obrigado ao Gustavo, ao José e a todos os integrantes da comissão organizadora por terem me oferecido a chance de participar de um evento verdadeiramente lindo. Sigam em frente, cultivem a emoção, mantenham a alegria… e não desistam nunca!!!

Mentira tem perna curta: se a UFRGS adotar o Enem, o prejuízo é inevitável

28 de junho de 2013 19

Senhoras e senhores, o mais tradicional concurso vestibular do estado do Rio Grande do Sul está com os dias contados. Estamos diante do início da nacionalização das vagas da UFRGS, replicando, silenciosamente e em suaves etapas, o processo análogo da UFCSPA deflagrado em 2009 – cujo resultado mais amplamente divulgado revela que gaúchos vêm representando cerca de 30% dos candidatos aprovados ao curso de Medicina, fato revelado ainda em 2010 neste mesmo blog.

Uma notícia publicada hoje na edição online de Zero Hora alerta os leitores com relação à iminente análise, por parte da comissão de graduação (Comgrad) da UFRGS, de uma proposta segundo a qual 30% de seu processo seletivo passariam, já em 2014, a ser disponibilizadas por intermédio do Sistema de Seleção Unificada (SiSU). O SiSU vem sendo usado desde 2009 para ingresso em um grande número de instituições federais de Ensino Superior, classificando os alunos através das notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Eu mesmo já havia alertado os leitores, no último mês de abril, quanto à possibilidade de incorporação de mudanças ainda em 2014.

Vestibular da UFRGS pede socorro

Quem participa do universo de cursos preparatórios e acompanha as decisões do Ministério da Educação, reconhecidamente pautadas por intenso viés ideológico, sabe, há algum tempo, que a extinção do Vestibular da UFRGS pode até não ser iminente, mas é inevitável. Não chegam a surpreender, portanto, declarações como as atribuídas ao pró-reitor de graduação da UFRGS, Sérgio Franco, ao tentar minimizar o impacto da adoção do Enem no processo seletivo de nossa principal universidade. Conforme a reportagem publicada em Zero Hora, “fizemos uma correlação e verificamos que 85% dos aprovados no vestibular passado estariam no listão caso o Enem fosse o único critério de seleção.

Entretanto, é importante deixar claro que afirmações como essa são, evidentemente, mentirosas.

Uma correlação (termo cujo significado estatístico vou me abster de definir para não tornar a declaração ainda mais frágil) conforme a sugerida pelo pró-reitor só faria sentido se considerássemos, apenas, os candidatos que, efetivamente, participaram do último concurso Vestibular da UFRGS. O que ele ignora, porém, é o fato de que a reserva de 30% das vagas da UFRGS via SiSU as torna imediatamente disponíveis para o universo de participantes do Enem – que acumulou mais de 7 milhões de inscrições para a edição de outubro próximo.

Seria muita ingenuidade pressupor que os interessados nessas vagas seriam tão somente os cerca de 40 mil inscritos no Vestibular da UFRGS. Descartada essa hipótese, só nos resta acreditar em má fé, o que não seria surpreendente em se tratando de algo vinculado ao Enem e aos nebulosos mecanismos que vêm sendo colocados em prática pelo Governo Federal para impor sua adoção universal.

O pior ainda está por vir. Quem viver, verá.