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1930 - Uruguai

21 de janeiro de 2010 2

Campeão: Uruguai
Vice: Argentina
Terceiro lugar:
Estados Unidos
Quarto lugar: Iugoslávia

Para realizar o sonho do presidente da Fifa, Jules Rimet, pela primeira vez seleções de todo o mundo se reúnem para decidir qual é a melhor. A primeira Copa foi a única sem Eliminatórias. Todas as seleções afiliadas à Fifa estavam convidadas. Porém, até o fim das inscrições, nenhuma do outro lado do oceano havia se encorajado a participar. Jules Rimet precisou prometer o custeio da viagem aos europeus que viessem.

Bélgica, França, Romênia e Iugoslávia encararam a jornada de navio. Com isso, 13 países se inscreveram e os grupos ficaram desparelhos: três de três times e um de quatro, classificando apenas os campeões de cada chave para as semifinais.

Todas as partidas foram disputadas em Montevidéu, 10 delas no Centenário. Em sua estreia, no Estádio Parque Central, o Brasil perdeu para a Iugoslávia por 2 a 1 e foi eliminado, mesmo com a vitória de goleada sobre o México na partida seguinte, no Centenário.

Artilheiro do Brasil no Mundial, com três gols, o atacante Preguinho competiu em oito modalidades pelo Fluminense: futebol, vôlei, basquete, pólo aquático, saltos ornamentais, natação, hóquei e atletismo.

Países que atuaram:

Argentina
Bélgica
Bolívia
Brasil
Chile
Estados Unidos
França
Iugoslávia
México
Paraguai
Peru
Romênia
Uruguai

O que escreveram sobre esta Copa

 “John Langenus era um árbitro discreto. Apitava de terno, gravata, uma boina em tom claro. E uma passagem de volta a seu país. As condições em Montevidéu fizeram com que as autoridades da Fifa o colocassem no primeiro navio de volta a Bruxelas assim que acabasse a decisão. Argentinos desembarcavam em Montevidéu aos montes, atravessando o Rio da Prata de todas os modos possíveis. Chegavam gritando ‘Vitória o muerte!’. Contam alguns relatos que argentinos desembarcavam das barcas do Rio da Prata, eram revistados, e a polícia chegou a encontrar gente armada. A primeira decisão de Copa do Mundo foi assim, em clima de violência e corrupção.” Paulo Vinícius Coelho, em Os 50 maiores jogos das Copas do Mundo.

1934 - Itália

21 de janeiro de 2010 0

Campeão: Itália
Vice: Tchecoslováquia
Terceiro lugar: Alemanha
Quarto lugar: Áustria

A segunda Copa teve 16 participantes. O Mundial na Itália, no entanto, ficou marcado pela pressão política do então presidente Benito Mussolini. O regime fascista influenciou inclusive na definição da arbitragem dos jogos.

O campeão Uruguai boicotou o torneio, em protesto pela pequena participação europeia no primeiro Mundial, realizado no país sul-americano. Os representantes do Velho Continente em 1930 foram: Bélgica, França, Iugoslávia e Romênia.

O Brasil perdeu por 3 a 1 para a Espanha e foi eliminado nas oitavas-de-final. A Seleção atuou com desfalques, em razão das disputas entre dirigentes do Rio de Janeiro e de São Paulo. O técnico Luiz Augusto Vinhais escalou a equipe com: Pedrosa; Sylvio Hoffman e Luiz Luz; Tinoco, Martin Silveira e Canalli; Luisinho, Waldemar de Britto, Armandinho, Leônidas da Silva e Patesko.

A Itália acabou confirmando o favoritismo e conquistou o título diante da Tchecoslováquia. O jogo ficou empatado em 1 a 1 no tempo normal, mas os italianos venceram na prorrogação por 2 a 1, com um gol de Angelo Schiavio, um dos artilheiros da competição (quatro gols).

Países que atuaram:
Alemanha
Argentina
Áustria
Bélgica
Brasil
Egito
Espanha
Estados Unidos
França
Holanda
Hungria
Itália
Romênia
Suécia
Suíça
Tchecoslováquia

Artilheiro: Oldrich Nejedly, da Tchecoslováquia, com cinco gols

O que escreveram sobre esta Copa
“Mussolini convocou o técnico (Vittorio Pozzo) ao Palácio Veneza, em Roma, para solicitar a presença dos jogadores da seleção em uma parada militar, em homenagem ao ministro da Aeronáutica, marechal-do-ar Italo Balbo. Pozzo explicou que seus comandados estavam treinando sob rigorosa disciplina e que tal manifestação poderia quebrar-lhes a concentração. Mussolini aceitou a ponderação, mas na despedida deixou ao técnico uma recomendação, suficiente para exprimir com perfeição do que seria capaz, caso a Azzurra não ganhasse a Copa: ‘Vocês não precisam participar do desfile, mas que Deus os proteja, se a seleção fracassar’, disse.”

Roberto Assaf, em Banho de bola: os técnicos, as táticas e as estratégias que fizeram a história do futebol

1938 - França

21 de janeiro de 2010 0

Campeão: Itália
Vice: Hungria
Terceiro lugar: Brasil
Quarto lugar: Suécia

O Mundial da França já sentia a tensão na Europa, que culminaria na Segunda Gerra Mundial um ano depois. Os 16 participantes foram definidos após eliminatórias que envolveram 36 seleções.

Na terceira Copa, o Brasil se organizou e montou um time de fato competitivo. A grande estrela era Leônidas da Silva. O Diamante Negro, então jogador do Flamengo, foi o artilheiro daquele Mundial com sete gols. A Seleção bateu a Polônia na estreia por 6 a 5. Nas quartas-de-final, a equipe passou pela Tchecoslováquia após duas partidas: 1 a 1 e 2 a 1. O time do técnico Ademar Pimenta só parou nas semifinais, ao perder para a Itália por 2 a 1. 

O Brasil terminou o torneio em terceiro (venceu a Suécia por 4 a 2). A equipe que superou os suecos tinha: Walter; Domingos da Guia e Machado; Zezé Procópio, Martim e Afonsinho; Roberto, Romeu, Leônidas, Perácio e Patesko.

A Azzurra, liderada por Giuseppe Meazza, confirmou o bicampeonato ao bater a forte Hungria por 4 a 2. Colaussi (2) e Piola (2) fizeram os gols da Itália, enquanto Titkos e Sárosi descontaram para os húngaros.

Países que atuaram:

Alemanha
Áustria
Bélgica
Brasil
Cuba
França
Suíça
Hungria
Holanda
Índias Orientais Holandesas (Indonésia)
Itália
Noruega
Polônia
Romênia
Suécia
Tchecoslováquia

Artilheiro: Leônidas da Silva, do Brasil, com sete gols

O que escreveram sobre esta Copa
“O Brasil deixou no ar a expectativa de que poderia até ganhar o Mundial de 1938, mas acabou caindo diante da Azzurra de Pozzo, que praticamente repetiu o esquema empregado na Copa anterior, utilizando-se das variações perpetradas por seu maior jogador, Giuseppe Meazza, ora médio, ora atacante. [...] O bicampeonato valeu a Pozzo a quase eterna gratidão dos italianos. Ele conservou-se como técnico da seleção até 1948, quando retomou a carreira de jornalista. Posso morreu em Turim, em 21 de dezembro de 1968″.

Roberto Assaf, em Banho de bola: os técnicos, as táticas e as estratégias que fizeram a história do futebol

1950 - Brasil

21 de janeiro de 2010 1

Campeão: Uruguai
Vice: Brasil
Terceiro lugar: Suécia
Quarto lugar: Espanha

“Vi um povo de cabeça baixa, de lágrimas nos olhos, sem fala, abandonar o Estádio Municipal, como se voltasse do enterro de um pai muito amado. Vi um povo derrotado, e mais que derrotado, sem esperança”. Assim o escritor José Lins do Rego definiu o resultado final da Copa de 50 na crônica A derrota, publicada no Jornal dos Sports em 18 de julho daquele ano. O trauma esportivo que o Brasil sofreu diante da torcida no Maracanã parecia insuperável para aquela geração, que sonhava em erguer o caneco pela primeira vez. O sonho acabou aos 34 minutos do segundo tempo, com o gol de Ghiggia.

Como dona da casa e pela qualidade de seus jogadores, a Seleção Brasileira era a grande favorita. A equipe de Flávio Costa também começou o Mundial de forma arrasadora, aplicando 4 a 0 no México. Depois um empate em 2 a 2 com a Suíça e de uma vitória por 2 a 0 sobre a Iugoslávia levaram a equipe à fase final.

A equipe de Ademir Menezes, Friaça & Cia seguia impecável: 7 a 1 na Suécia e 6 a 1 na Espanha motivaram ainda mais a torcida. Ao Brasil bastava o empate para ficar com a taça. Tudo conspirava a favor. A Seleção, inclusive, já era chamada de “campeã” por alguns setores da imprensa.

O clima de “já ganhou” serviu de estratégia para a Celeste. Sob o comando do capitão Obdulio Varela, a equipe não se intimidou, mesmo quando Friaça abriu o placar para os brasileiros aos dois minutos do segundo tempo. Schiaffino igualou tudo e Ghiggia decretou a virada e o bicampeonato uruguaio. O dono da casa teve em campo: Barbosa; Augusto e Juvenal; Bauer, Danilo Alvim e Bigode; Friaça, Zizinho, Ademir Menezes, Jair Rosa Pinto e Chico.

Ao longo dos anos, o Maracanazo gerou debates, livros, filmes que buscaram explicações para o fracasso. Alguns jogadores daquela equipe ficaram estigamtizados, sobretudo o goleiro Barbosa, acusado de falha no gol de Ghiggia.

Países que atuaram:
Bolívia
Brasil
Chile
Espanha
Estados Unidos
Inglaterra
Itália
Iugoslávia
México
Paraguai
Suécia
Suíça
Uruguai

Artilheiro:
Ademir Menezes, do Brasil, com nove gols

O que escreveram sobre esta Copa

“Nenhum dos goleiros do Brasil teve nem terá uma experiência tão intensa como eu tive no dia 16 de julho de 1950, até porque, na era da televisão, estádio cheio como aquele nunca mais houve nem haverá, portanto, nunca mais serão tantas as testemunhas presentes ao jogo, só que esse privilégio que eu tive não desejo a ninguém”.

Depoimento do goleiro Barbosa a Roberto Muylaert no livro Barbosa: um gol faz cinquenta anos

“Alguns uruguaios acreditam que a lição de 1950 fez o Brasil prometer a si mesmo que aquela tragédia que aconteceu no Rio de Janeiro nunca mais ocorreria. Por isso, os orientais consideram que têm a ver – por vias indiretas – com a trajetória gloriosa do futebol brasileiro a partir daí, por todas as canchas do mundo, onde o Brasil chegou à gloria máxima possível, como país tetracampeão mundial de futebol, a partir da conquista de 1958, na Suécia”.

Roberto Muylaert, em Barbosa: um gol faz cinquenta anos

1954 - Suíça

21 de janeiro de 2010 0

Campeão: Alemanha Ocidental
Vice: Hungria
Terceiro lugar: Áustria
Quarto lugar: Uruguai

A Copa da Suíça marcou o retorno do torneio ao continente europeu após o fim da Segunda Guerra Mundial e a comemoração dos 50 anos da Fifa. Dezesseis seleções estavam no páreo, mas a forte Hungria, de nomes como Ferenc Puskas e Sandor Kocsis, era a grande favorita.

O Brasil avançou às quartas-de-final depois de bater o México por 5 a 0 e empatar em 1 a 1 com a Iugoslávia. Na fase mata-mata, a Seleção foi vítima do futebol campeão olímpico de 52. O time que perdeu para os húngaros por 4 a 2 tinha: Castilho; Djalma Santos e Pinheiro; Nílton Santos, Bauer e Brandãozinho; Julinho, Didi, Índio, Humberto Tozzi e Maurinho. Zezé Moreira era o técnico.

A decisão entre a Hungria e a Alemanha Ocidental tinha clima de partida jogada. Quando todos pensavam que a preocupação maior dos alemães seria não levar uma goleada, o técnico Sepp Herberger armou um esquema que conseguiu a vitória, de virada.

Os húngaros abriram o placar logo aos seis minutos, com Puskas. Dois minutos depois, Czibor balançou as redes e parecia que um novo placar elástico se desenhava aos comandados de Gusztáv Sebes. No entanto, Max Morlock descontou aos 10 minutos e  Helmut Rahn deixou tudo igual aos 19.

Na etapa complementar, a Hungria desperdiçou muitas chances, mas Rahn não. O atacante marcou aos 39 minutos e confirmou o primeiro título mundial da Alemanha. O feito ficou conhecido como o Milagre de Berna.

Países que atuaram

Alemanha Ocidental
Áustria
Bélgica
Brasil
Coreia do Sul
Escócia
França
Hungria
Inglaterra
Itália
Iugoslávia
México
Suíça
Turquia
Tchecoslováquia
Uruguai

Artilheiro: Sandor Kocsis, da Hungria, com 11 gols

O que escreveram sobre esta Copa

“Tivemos pelo menos meia dúzia de outras boas chances para marcar, mas as perdemos. Então relaxamos e tentamos manter a bola no meio-de-campo. Achamos que tínhamos ganhado o jogo. Perdemos porque esquecemos que o jogo dura noventa minutos”.
Depoimento de Puskas no livro A dança dos deuses: futebol, cultura, sociedade, de Hilário Franco Júnior

“Aquele jogo foi perdido por nós, não foi ganho pelos alemães”.
Depoimento  do goleiro Grosics no livro A dança dos deuses: futebol, cultura, sociedade, de Hilário Franco Júnior

1958 - Suécia

21 de janeiro de 2010 0

Campeão: Brasil
Vice: Suécia
Terceiro lugar: França
Quarto lugar: Alemanha

Oito anos depois do Maracanazo, o Brasil conseguiu enfim vencer sua primeira Copa do Mundo. O Mundial da Suécia marcou a aparição de um jovem de 17 anos, Pelé. O título do site da Fifa resume assim o evento: “Nasce o Rei do Futebol no primeiro título do Brasil”.

Vicente Feola montou um inovador 4-2-4, que substituiu o “W-M”, sistema consagrado pela Hungria em 1954, baseado no posicionamento rígido e na marcação individual. Com um esquema consolidado e os gênios Pelé e Garrincha na frente, a partir do último jogo da primeira fase, o Brasil cresceu de produção e foi arrasador na fase decisiva. Os surpreendentes anfitriões chegaram à final e saíram na frente, mas levaram uma goleada de 5 a 2, mesmo placar que o Brasil havia imposto à França na semifinal.

Também nesta Copa o francês Just Fontaine se sagrou artilheiro e estabeleceu uma marca que até hoje nunca foi batida: 13 gols em um Mundial. Pela primeira vez, o torneio recebeu cobertura televisiva internacional.

O primeiro 0 a 0 em uma Copa ocorreu em 1958, na partida entre Brasil e Inglaterra. Aliás, a edição de 1958 foi a única com a participação de todas as nações representantes do Reino Unido: Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte.

Países participantes:

Alemanha Ocidental
Argentina
Áustria
Brasil
Escócia
França
Hungria
Inglaterra
Irlanda do Norte
Iugoslávia
México
País de Gales
Paraguai
Suécia
Tchecoslováquia
União Soviética

Artilheiro: Just Fontaine, da França, com 13 gols

O que escreveram sobre essa Copa:
“Embora coberta das melhores intenções, a comissão técnica ainda confiava na tese apresentada pela revista France Football, segundo o qual os brasileiros, especialmente os negros, ‘eram emocionalmente vulneráveis, de difícil adaptação a ambientes de competição, despreparados enfim para grandes disputas’. O Brasil estreou com um time de brancos. (…) Na véspera do jogo contra a URSS, que decidiria classificação às quartas-de-fina, Feola recebeu as visitas do capitão Bellini e do veterano Nilton Santos. E aceitou de pronto a proposta de mudanças. Saíram Dino Sani, Joel e Mazzola. Entraram Zito, Garrincha e Pelé. O Brasil venceu os russos por 2 a 0 e começou a caminhar com as suas botas de sete léguas: 1 a 0 em Gales, 5 a 2 na França e 5 a 2 na Suécia.”

Roberto Assaf, em Banho de Bola – os técnicos, as táticas e estratégias que fizeram história no futebol

1962 - Chile

21 de janeiro de 2010 0

Campeão: Brasil
Vice: Tchecoslováquia
Terceiro lugar: Chile
Quarto lugar: Iugoslávia

Quatro anos depois do seu primeiro título, o Brasil embarcou para o vizinho com praticamente o mesmo time que foi campeão na Suécia. Até o piloto do avião, por razões de superstição, era o mesmo. A lesão de Pelé no início da competição forçou mudanças na equipe, e Garrincha foi o grande nome da Seleção.

Os chilenos, que venceram os argentinos na disputa para sediar o Mundial, chegaram à semifinal, quando foram eliminados pelos brasileiros. Mesmo assim, após a vitória sobre a Iugoslávia na disputa de terceiro lugar, a torcida local cantava apoiando a seleção do mesmo continente que decidiria o título no dia seguinte, contra a Tchecoslováquia: “Hoy Chile tercero, mañana Brasil primero”.

Na final, outra vez o Brasil saiu perdendo, assim como na partida contra a Suécia em 1958. Mas outra vez virou com autoridade. Reza a lenda que, depois da vitória por 3 a 1, Garrincha não comemorou porque achava que o torneio ainda não havia terminado. Foi a primeira Copa vista pelo povo brasileiro em videoteipe. As fitas chegavam de avião e eram exibidas nos dias seguintes aos jogos.

Países participantes:

Alemanha Ocidental
Argentina
Brasil
Bulgária
Chile
Colômbia
Espanha
Hungria
Inglaterra
Iugoslávia
Itália
México
Suíça
Tchecoslováquia
União Soviética
Uruguai

Artilheiros: Garrincha e Vavá (Brasil), Sánchez (Chile), Jerkovic (Iugoslávia), Albert (Hungria), Ivanov (União Soviética), todos com quatro gols

O que escreveram sobre essa Copa
“Na partida decisiva os tchecos surpreenderam, jogando de igual para igual, abrindo o placar logo aos 15 minutos, em chute do estilista Josef Masopust. O gol, digamos, relâmpago, fez os tchecos retomarem o velho estilo, recuando para garantir o resultado. Aí o grande erro dos gringos. Amarildo empatou no primeiro tempo. Zito e Vavá fixaram o placar em 3 a 1. Mané, o maior jogador da Copa, sofreu com os 38 graus de febre e fez partida discreta. E Aymoré, com sua fala mansa, seu jeito conciliador, deixava o Mundial rasgado de elogios.”

Roberto Assaf, em Banho de Bola – os técnicos, as táticas e estratégias que fizeram história no futebol

1966 - Inglaterra

21 de janeiro de 2010 1

Campeão: Inglaterra
Vice: Alemanha Ocidental
Terceiro lugar: Portugal
Quarto lugar: União Soviética

Cem anos depois de sua criação, o futebol estava em casa. A Copa em solo britânico era a oportunidade perfeita para os inventores do esporte vencerem seu primeiro título mundial. Com três gols na final contra a Alemanha Ocidental, Geoff Hurst foi o herói da conquista, que nunca mais foi repetida pelos ingleses.

Sem africanos, que boicotaram a competição ao saberem que o campeão do continente ainda precisaria disputar uma repescagem para se classificar, a Copa teve 16 participantes: 10 europeus, quatro sul-americanos, um da América do Norte e Central, e um da Ásia. Setenta times haviam participado das Eliminatórias.

Em uma de suas piores participações, o Brasil estreou vencendo a Bulgária por 2 a 0, mas perdeu Pelé, machucado, e acabou eliminado logo na primeira fase após ser derrotado pela Hungria e Portugal. Mas a maior zebra se deu no Grupo 4, em que a Coreia do Norte venceu a Itália e eliminou os então bicampeões mundiais. O português Eusébio foi uma das sensações da Copa, mas seu time perdeu para os anfitriões nas semifinais e acabou com o terceiro lugar.

Países participantes

Alemanha
Argentina
Bulgária
Brasil
Chile
Coreia do Norte
Espanha
França
Hungria
Inglaterra
Itália
México
Portugal
Suíça
União Soviética
UruguaI

Artilheiro: Eusébio, de Portugal, com nove gols

O que escreveram sobre esta Copa
“Pelé estava de volta ao time do Brasil. Eusébio nunca tinha saído da equipe de Portugal. Pelé não estava na sua melhor forma física. Eusébio voava como se fosse uma pantera negra. Pelé ainda tinha marcadores no auge da forma e dispostos a tudo para pará-lo, especialmente fazer faltas seguidas e violentas. Eusébio foi o maior beneficiário da mais bagunçada Seleção Brasileira da história. Mesmo que Vicente Feola tenha decidido barrar Bellini, porque o capitão da Suécia já não exibia o mesmo vigor, oito anos mais velho, Brito também não era zagueiro capaz de deter Eusébio. Muito menos de evitar que o terceiro jogo fosse também o último daquele Mundial.”

Paulo Vinícius Coelho, em Os 50 maiores jogos das Copas do Mundo

1974 - Alemanha

21 de janeiro de 2010 0

Campeão: Alemanha
Vice: Holanda
Terceiro lugar: Polônia
Quarto lugar: Brasil

A dona da casa Alemanha era uma das favoritas e acabou confirmando, ganhando o bicampeonato diante da sensação Holanda. A Laranja Mecânica, comandada pelo técnico Rinus Michels, tinha nomes como o craque Johan Cruijff. Inovadora, a equipe contava com atletas que trocavam de posição em campo.

Já o Brasil não tinha o mesmo brilho do Mundial de 70. Na primeira fase, empatou em 0 a 0 com Iugoslávia e Escócia e bateu o Zaire por 3 a 0. A Seleção avançou à segunda fase, onde derrotou a Alemanha Oriental por 1 a 0, a Argentina por 2 a 1, mas não superou o Carrossel Holandês. O time verde-amarelo foi batido por 2 a 0. A escalação que o técnico Zagallo levou a campo tinha: Leão; Zé Maria, Luiz Pereira, Marinho Peres e Marinho Chagas; Paulo César Carpeggiani, Rivellino e Dirceu; Valdomiro, Jairzinho e Paulo César Lima (Mirandinha).

Na decisão, a Holanda abriu o placar contra a dona da casa com um gol de pênalti logo aos dois minutos, convertido por Neeskens. Os donos da casa não baixaram a guarda: Breitner, também de pênalti, igualou, e Gerd Müller virou. O bicampeonato germânico estava determinado.

Países que atuaram

Alemanha Ocidental
Alemanha Oriental
Argentina
Austrália
Brasil
Bulgária
Chile
Escócia
Haiti
Holanda
Itália
Iugoslávia
Polônia
Suécia
Uruguai
Zaire

Artilheiro: Grzegorz Lato, da Polônia, com sete gols

O que escreveram sobre esta Copa

“Quem levou a fama foi Rinus Michels, ao conduzir a seleção da Holanda ao vice-campeonato mundial na Copa de 1974, na Alemanha. Para muitos analistas, o esquema apresentado pela equipe de camisa cor abóbora, apelidada de Laranja Mecânica [...], empreendeu a última revolução tática da história do futebol. Liderava o time Mchels Johann Cruyff, um dos gênios da história do futebol, talvez o maior jogador multimídia de todos os tempos, descoberto casualmente pelo inglês Vic Buckingham, antes de passar o cargo a Michels no Ajax, em 1966″.

“A exemplo da idealista Hungria de 1954, a Holanda de Michels também ficou a ver navios. Roubou-lhe a cena a anfitriã Alemanha, dirigida por Helmut Schön. [...] Schön, é inegável, contou com a sorte: assumiu a equipe quando começava a despontar a mais brilhante geração de jogadores do país. Mas também teve méritos: esbanjou personalidade ao rejeitar o “futebol total” que se espalhava pela Europa e mostrou toda a sua habilidade no aproveitamento de craques como Franz Beckenbauer, Paul Breitner, Uli Hoeness, Raines Bonhof, Wolfgang Overath, Jürgen Grabowski e Gerd Müller”.

Roberto Assaf, em Banho de bola – os técnicos, as táticas e as estratégias que fizeram a história do futebol

1982 - Espanha

21 de janeiro de 2010 2

Campeão: Itália
Vice: Alemanha Ocidental
Terceiro lugar: Polônia
Quarto lugar: França

Pela primeira vez, a Copa teve 24 participantes, o que possibilitou a estreia de cinco países: Argélia, Camarões, Honduras, Kuwait e Nova Zelândia. Há quem diga que nenhum dos cinco times campões mundiais do Brasil foi melhor que o de 1982, que não levou o título. Com Falcão, Zico, Sócrates e outros craques, o Brasil encantou o mundo, mas parou na Itália, nas quartas-de-finais. A derrota por 3 a 2 surpreendeu o mundo, tanto que hoje o texto sobre este Mundial no site da Fifa é intitulado: “Brasil brilha, mas Rossi conquista o ouro espanhol para a Itália”.

Com o caminho livre, os italianos não tiveram dificuldades para superar a Polônia na semifinal (2 a 0) e a Alemanha Ocidental na final (3 a 1). Paolo Rossi, carrasco brasileiro, terminou a Copa como artilheiro, com seis gols.

Antes da tragédia do Sarriá, como ficou conhecida a partida contra a Itália, a Seleção Brasileira encantou o mundo com seu futebol. E conseguiu dar o troco nos argentinos pela eliminação suspeita em 1978. Na partida das oitavas-de-final, o time de Telê Santana simplesmente passou por cima dos rivais sul-americanos. A superioridade foi tanta que no fim do jogo o jovem Maradona perdeu a cabeça e foi expulso por acertar um pontapé no volante Batista. “Até hoje me perguntam sobre aquele lance”, lembra Batista.

Países participantes

Alemanha Ocidental
Argélia
Argentina
Áustria
Bélgica
Brasil
Camarões
Chile
El Salvador
Escócia
Espanha
França
Honduras
Hungria
Inglaterra
Irlanda
Itália
Iugoslávia
Kuwait
Nova Zelândia
Peru
Polônia
Tchecoslováquia
União Soviética

Artilheiro: Paolo Rossi, da Itália, com seis gols

O que escreveram sobre esta Copa
“A Seleção Brasileira ressuscitou a Itália, dada como morta depois de empatar três vezes, contra Polônia, Peru e Camarões, na primeira fase. Ressuscitou Dino Zoff, excomungado pelos fiéis à Azzurra depois de tomar um gol de Nelinho – justamente contra o Brasil – na decisão de terceiro e quarto lugares quatro anos antes. ‘E foi o jogo da ressurreição de Paolo Rossi’, lembra Marcos Zunino, do Guerin Sportivo. Envolvido no escândalo da loteria esportiva italiana, em 1980, suspenso por dois anos, só voltou a chutar uma bola em abril, dois meses antes de aniquilar o Brasil com três gols”.

Paulo Vinicius Coelho, em Os 50 maiores jogos das Copas do Mundo