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600 hectares para reinventar Porto Alegre

01 de novembro de 2013 1

Participei ontem da apresentação do trabalho pro bono feito pelo profissionais da SAP em Porto Alegre durante os últimos 30 dias.

Incrível a seriedade do que foi feito por esses profissionais, que, ao invés de saírem de férias, resolveram dedicar um mês de suas vidas tratando de nossos problemas. Para quem como eu é sempre tão crítico ao “mundo Dilbert” das corporações pelo seu descolamento da vida como ela é, conhecer o trabalho dos voluntários da IBM em Abril e da SAP agora, ambos dedicados a ajudar sociedades distantes de suas bases (nesse caso Porto Alegre), me faz pensar mais polianamente. Sempre dá para ver as coisas pelo lado positivo.

Dessa vez, todo o trabalho foi voluntário e financiado pela empresa que bancou deslocamento, estadia e salários. E, é claro que os profissionais que vem, voltam melhores, mais despojados, flexíveis, melhor informados, socialmente mais hábeis…

Vamos combinar que é uma troca super vantajosa para os dois lados. Em particular para Porto Alegre, que ganhou de graça uma consultoria de classe mundial.

Turma da SAP, os três à esquerda na fotoO Grupo com quem tive o prazer de interagir, foi formado por executivos “high potential” e focou-se em entender e desenhar uma agenda para o Quarto Distrito de Porto Alegre. Eram três pessoas: Sarah, que nasceu no Iowa a e mora em Chicago; Peter, que nasceu na Polonia e mora na costa leste dos US; e Senta, um etíope que mora em Shanghai.

Se conheceram em Porto Alegre, buscando um desafio, um caroço grande, para tentar deixar a sua contribuição para a cidade. E realmente deixaram uma contribuição que, para mim, pode se provar histórica.

Pessoalmente tenho observado o Quarto Distrito a uma distância segura. Não sei bem o que propor no detalhe, mas leio, observo, reflito, me informo e sinto que há ali um magnífico desafio que pode ser o “turning point” que muitos buscamos para a cidade.

SAP quarto distrito

Ao que tudo indica trata-se um uma área com enorme potencial imobiliário que pode ser tanto o laboratório da mudança da cidade como uma sucessão enfadonha de micro intervenções voltadas ao passado. Isso sem falar no risco burocrático de ser retaliada por alguma aventura urbanística deflagrada por burocratas brincando de “planejamento”.

Como em quase tudo que não é doença, temos opção de pensarmos grande e “fora da caixa” ou adotarmos uma postura de “bola para o lado”.

Pelo mundo afora existem dezenas de modelos, bons e ruins. Claro que a mobilização dos atuais ocupantes da área é importante. Mas, honestamente, tenho dúvida se a vocalização desses ocupantes é o elemento mais importante. Afinal, trata-se da Cidade pensando como crescer e expandir sua ocupação e não de atender a um grupo de interesses representados pelos já ocupantes.

Por outro lado, como premissa, considero razoável que se respeite os interesses e direitos dos  moradores na mais ampla extensão possível.  Parece haver consenso no urbanismo moderno de que bons projetos respeitam as pessoas. Expansão que desaloje moradores tradicionais é “gentrification”, um erro comum do passado que acaba por ameaçar o próprio dinamismo das mudanças urbanas, prejudicando, assim, o sucesso dos negócios.

Então, para ser claro, qualquer projeto para o Quarto Distrito deve ser includente e deve ser desenhado sem perdedores. Todos devem ganhar, de A a Z.

Isso, entretanto, não significa cair no “seguidismo” fundamentalista que sempre tenta inventar portadores da virtude. Moradores do Quarto Distrito devem ser respeitados, mas não protegidos. Garantir interesses não é a mesma coisa que criar direitos ou ser “sócio” de quem especula.

Para servir como motor da mudança e alavancar a imagem da cidade, o Projeto do Quarto Distrito precisa ser ajustado “botton-up” ouvindo, prestigiando e incluindo os atuais ocupantes, mas precisa também estar fortemente conectado aos melhores padrões mundiais, incorporar os mais bem sucedidos benchmarks, atrair players que tragam suas próprias agendas e criem a dinâmica da mudança como uma espiral permanente. Isso tem que ser “top-down”.

quarto distrito

A apresentação feita ontem à tarde pode ser acessada no link http://goo.gl/SP92DU. Para mim, superou as expectativas e fiquei feliz comigo mesmo por ter podido agradecer pessoal e publicamente a esses novos amigos da nossa cidade.

Vem muito mais por aí. O Quarto Distrito contem o melhor futuro de Porto Alegre.

Nota: cabe mencionar que quem gerencia esses programas PRO BONO para empresas multinacionais como SAP, IBM, John Deere, Pfizer, Pepsico, é a PYXERA Global (http://newglobalcitizen.com/). É uma ONG americana com sede em Washington DC  e presença em mais de 90 países.

Comentários (1)

  • Reflections on #SAP Social Sabbatical, Brazil | 4º Distrito de Porto Alegre diz: 8 de maio de 2014

    [...] account of our input to the project in the eyes of one of our stakeholders posted here says a lot. (It’s in Portuguese, need to use a translate tool for an English version – [...]

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