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Sobre a (i)moralidade de se pagar pelo desenvolvimento do Linux

Eu sou usuário Linux. Releia bem esta frase: sou usuário Linux. Não sei escrever – ou ler – uma linha de código sequer, e uso o terminal apenas para funções mais básicas, como instalações de pacotes. E como usuário, acolho bem a notícia, publicada na APCMag, de que 75% dos desenvolvedores do kernel (núcleo) Linux são pagos por grandes corporações interessadas no software livre.

Por que é uma boa nova?

Primeiro, vamos ao por que não gostar da notícia. Isso é fácil. Muita gente supervaloriza o aspecto político do software livre – o rompimento com tudo que seja proprietário – e esquece que é um programa de computador como outro qualquer, que requer desenvolvimento, inovação, e alguém que o desenvolva, principalmente.

É um produto, num modelo diferenciado de negócio – a colaboração. Debater ideologia é fácil. Difícil é reconhecer o que está por trás deste 75%.

Como um comentário que recebi na lista de usuários em que participo dizia: se mais empresas estão mantendo funcionários dedicados ao desenvolvimento do Linux – e pagando os programadores por isso – é sinal de que o software livre está compensando (e crescendo) de alguma forma.

Os números foram apresentados por Jonathan Corbet, um dos colaboradores do Kernel Linux. Segundo Corbet, empresas como Novell, IBM e Oracle estão entre as que mantém funcionários debruçados sobre o coração do software livre.

Algo que me chamou a atenção, enquanto usuário, na fla de Corbet:

– O suporte a hardware é quase universal, nós suportaremos tanto hardware quanto qualquer outro sistema operacional até o final deste ano – é o fim da incompatibilidade à vista?

Pagos ou não, a diferença do Linux para os outros SOs continua. Por mais ideológico que soe, a liberdade permanece. E se alguém é pago para contribuir com um projeto assim, parabéns, a quem paga e a quem recebe por isso.

Linus Torvalds critica o inchaço do Linux

Em uma mesa redonda em Portland dentro da LinuxCon (conferência promovida pela Linux Foundation), o pai do Linux, Linus Torvalds, apontou o “inchaço” do kernel utilizado nas distribuições de sistemas operacionais de software livre.

– Nós estamos ficando inchados e enormes. E isso é um problema – declarou Torvalds.

Segundo o site The Register, a queixa principal é com a engorda que o kernel sofre a cada novo release. A cada lançamento, mais recursos e mais código, afastando o Linux da ideia original.

– Às vezes é um pouco triste que nós não sejamos mais o kernel racionalizado, pequeno e hiper-eficiente idealizado há 15 anos… E cada vez que nós acrescentamos recursos, a coisa só piora.

Apesar das queixas, Torvalds enfatiza que a estabilidade não é um problema para o Linux. Além disso, segundo Torvalds, os desenvolvedores estão achando bugs e falhas num ritmo mais rápido do que a inserção delas, apesar dos acréscimos de código.

Para se ter uma ideia da “engorda” do pinguinzinho, por ocasião de seu lançamento, em 1994, o Linux 1.0 tinha 176.250 linhas de código. Na última versão (2.6.30), de junho passado, as linhas foram para 11.637.173 – 66 vezes mais que o original.

E a concorrência, você se pergunta? Segundo a PC Pro, o Windows Vista tem 50 milhões de linhas de código.

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