
Confusão todo o esporte tem/Montagem feita por Rafael T. Mattos
Confesso que estive muito inclinado em abandonar de vez o jornalismo e guardar minhas idéias e análises para minha própria vida, mas existe uma bela frase que prega o seguinte: “Guardar rancor é como beber veneno e querer que o outro morra”. Assim resolvi fazer o inverso. Vou “falar” pelos cotovelos, nos meios disponíveis, tudo o que achar conveniente.
Dito isto, resolvi romper o silêncio e explicitar alguns aspectos que rondam (ou rondaram), minha vida. Alguns deles foram históricos ou foram marcos para a sociedade, só que o mais significativo, pra mim, foi, sem dúvida, visitar o Canadá no único ano em que a NHL esteve em greve em toda a história do esporte! Pode!
Foram 10 anos praticando hockey in line e sonhando em ir ao núcleo principal, no mundo, deste esporte, e quando consigo, foi justamente num marco histórico da modalidade (pejorativamente falando).
Além deste, existe outro fato que me incomoda um pouco mais. Justamente no ano em que me formei jornalista foi o ano da queda da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. Sinceramente, não vejo isso como algo que realmente possa atrapalhar minha vida profissional, porque o mercado da comunicação sempre vai procurar os detentores da técnica para compor seus quadros de colaboradores, mas que é ligeiramente revoltante, isso é!
O que é extremamente revoltante é a imprensa esportiva do Brasil. Isto sim! Afirmo isso sem o mínimo peso na consciência, pelo simples fato que não há imprensa esportiva no Brasil. Na real, neste país, só existe imprensa futebolística. Sério! Pode parecer meio radical num primeiro momento, mas parando para analisar irão ver que estou 100% certo. Isto porque, todos os esportes no Brasil são narrados, comentados e “comparados” com o futebol. O brasileiro se acha “dono” do esporte que foi criado pelos ingleses (sempre vale a pena lembrar).
Há muito tempo estou tentado a escrever sobre essa área do jornalismo, mas, por corporativismo, talvez, nunca o fiz. Porém, chegou a hora e meu alvo é o Globo Esporte e a Glenda Kozlowski que protagonizaram fatos irresponsáveis (isso para não ser tão incisivo na crítica), quando noticiaram coisas sobre o hockey no gelo na semana passada.
Parece que o que querem é evitar a concorrência com o esporte que é a “paixão nacional”. E até entendo o porquê. Qualquer um consegue jogar futebol, mas hockey requer mais atributos cognitivos do praticante (o que não é o caso falar agora).
Bom, primeiramente é a falta de conhecimento do que estão falando (quando não é futebol), que é simplesmente irritante. Depois, por sempre “passarem a mão por cima” de qualquer “estouro de raiva” dos “chutadores de bola” (falando como uma mãe quando mima seus filhos delinqüentes). Além disso, sempre, ao se referirem ao hockey, falam como sendo o esporte mais violento de todos e responsável por protagonizar “cenas lamentáveis” (palavras da própria Glenda).
Sério leitores, como profissional da área da imprensa esportiva, uma jornalista não ter o mínimo trato com modalidades que não sejam a que ela gosta é, no mínimo, incompetência profissional.
Falo isso devido ao fato de que só mostram hockey na televisão brasileira quando acontece alguma briga “feia”. Existem gols e lances plásticos no hockey, também (sabiam, Chefes de Redação!?!?). Ora, mas se as brigas são comuns no hockey (e estão previstas na regra), não são nada comparadas com as brigas que acontecem no futebol. Basta ver a quantidade de envolvidos. No hockey quando há brigas, no geral, são dois jogadores no mano a mano, sem tacos e até o momento que eles caem no chão ou perdem os equipamentos de proteção (capacete).
Já no futebol, são 11 contra 11 mais técnico, massagista, reservas, seguranças, torcedores invadindo e ainda a polícia com cassetetes, gás de pimenta e etc. Uma zona completa e com quesitos de covardia, porque, não raro, os jogadores atingem e são atingidos pelas costas, no chão, por dois ou três contra um e ainda somente os dois protagonistas iniciais são expulsos do jogo. Para piorar, o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), ainda alivia a suspensão automática, quando a equipe em questão, está disputando alguma etapa importante de alguma competição.
Por essas e por outras, que não me surpreende, mais, que a impunidade apareça com uma incidência preocupante neste país. Tudo aqui é feito de maneira equivocada e sempre há dois pesos e duas medidas no julgamento do brasileiro.
Mas esporte violento é o hockey e o futebol é alegria o pagode e a “arte” merecedora da crônica esportiva mais emocionada. Viva a imprensa brasileira! Viva o futebol! Viva!
Rafael T. Mattos – Jornalista – colaborador do blog inline
* artigo publicado simultaneamente no blog www.oquenaosediscute.blogspot.com
Postado por bluetreps