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Posts de dezembro 2010

Estudar games do outro lado do mundo

31 de dezembro de 2010 2

Se ir para um país cuja língua você pouco sabe é complicado, acho que a complicação pode  ser multiplicada por dois quando o alfabeto também é diferente. Pouco se importando com as barreiras que isso pode impor, 21 alunos do curso de jogos digitais da Universidade Feevale, de Novo Hamburgo, embarcam no próximo dia 14 para um intercâmbio de três semanas na Coreia do Sul. Eles terão aulas na Universidade de Busan e farão estágios em áreas relacionadas ao curso.  Bernardo Benites, de 19 anos, contou pra gente quais as expectativas em relação à viagem:

Bernardo Benites, um descontraído fanático por games desde a infância


"Minha paixão por games sempre foi algo que transparecia em mim! Sempre fui apaixonado por desenhar e jogar video-game! O mais engraçado é que, como todos os viciados, meus pais viviam me falando: "Isso é perda de tempo!", "Vai viver a vida!". Eles chegavam ao ponto de desligar os disjuntores da casa pra me proporcionar um pouco de sol nas tardes de domingo quando eu era guri.

Quando ingressei na Feevale, optei por Jogos Digitais. No início de 2010, surgiram boatos sobre um possível intercâmbio entre universidades, porém não era nada certo. Boatos aqui e ali, acabou se concretizando que haveria uma oportunidade voltada ao curso e seria na Coreia do Sul.

Fiquei dando atualizar na página de internet da universidade e na caixa de entrada de e-mail pra me inscrever primeiro! Todos se perguntavam no msn pelo menos uma vez por dia: "Eaí cara, abriu lá a inscrição?!"

A expectativa de ir estudar na Coreia era além do que eu podia imaginar. Era pura euforia só de pensar eu poderia ir para o outro lado do mundo estudar jogos!!! Depois de um tempo, eu já havia até desistido, afinal, ninguém me ligou e muitos colegas meus já tinham sido contatados sobre interesse na vaga no intercâmbio. Eis que, certo dia, me ligam perguntando se eu ainda estaria interessado. Minha felicidade não cabia em mim!

Porém, como foi meio em cima da hora pra mim, tive que fazer mais do que possível pra conseguir reservar minha passagem. Tinha muita expectativa, mas estava curto de grana. Então, eis que um colega de trabalho me deu a ideia de fazer um "Livro-Ouro", um livro onde eu descrevo uma nota de abertura, com meu objetivo, e, quem quiser, doa uma quantia em dinheiro qualquer. Minha tia me deu a ideia de realizar uma rifa para arrecadar fundos também! E tudo foi dando certo aos poquinhos! As pessoas apostando em mim, me dando credibilidade, isso me apoiou muito na corrida pra ir!

Tinha dias que eu chegava em casa e pensava: "Não vou conseguir... será que devo desistir?!"
Mas a proporção que esse intercâmbio foi tomando dentro de mim foi aumentando a cada dia que passava. E eu não podia desistir de jeito nenhum!

E aqui, hoje, estou com quase tudo pronto pra ir à Coreia do Sul com meus colegas e amigos do curso.

E a expectativa?! É gigantesca! Enorme! Pois não seremos apenas nós lá na Universidade Internacional Dongseo. Outros intercambistas de toda o mundo também estarão lá! Não consigo nem imaginar o quanto de contatos conseguiremos lá. Quanta experiência vamos adquirir! Vou aproveitar o máximo possível! Estudar o máximo possível! Assimilar o máximo de cultura, aprender, conhecer pessoas, lugares e ideias novas.

E isso não tem dinheiro que pague!"

Já pensou em aprender russo?

30 de dezembro de 2010 0


A Universidade Estatal de Moscou - Lomonosv, na Rússia


Estão abertas até 31 de janeiro as inscrições para cursos de língua russa na Universidade Estatal de Moscou - Lomonosv, na Rússia. A capital russa, que tem temperaturas baixíssimas no inverno e clima mais ameno no verão, tem mais de 10 milhões de habitantes e é o centro cultural e econômico do país. As aulas iniciam em julho e têm duração de um mês. Qualquer pessoa, a partir dos 15 anos, interessada em aprender a língua e a cultura de Dostoiévski pode se inscrever. A Aliança Russa de Ensino Superior, além do curso, oferece auxílio para obtenção e visto e o resto da documentação. Valores das aulas, da acomodação e outras informações podem ser obtidas aqui.

Muitos escorregões para 2011

29 de dezembro de 2010 1

Berlim e seus -11ºC na semana do ano-novo de 2008

Depois do meu primeiro intercâmbio para a Alemanha em 2003, todos sempre perguntavam "e aí? quando vai voltar?" Eu só dava aquele sorriso amarelo e respondia "ah, quando der". A vontade de voltar a fazer intercâmbio lá sempre existiu.  Queria muito morar lá mais uma vez, mas naquela época eu não podia imaginar que tudo aconteceria tão rápido e, muito menos, tão cedo. Tudo naquele ano de 2008 se encaixou de uma maneira tão inesperada, que em 29 de dezembro, quando desembarquei no aeroporto de Tegel, em Berlim, com uma mochila e o meu amigo Marcelo para oito meses em terras germânicas, admito que respirei fundo e tremi.

Nós dois estudávamos alemão juntos e passamos todo o verão daquele ano arquitetando nossa inscrição para um programa de mobilidade acadêmica na Universidade de Tübingen. Ao mesmo tempo, me inscrevi para uma vaga de estágio no Rio de Janeiro, que eu queria muito. Assim, foram diversas idas à cidade para dinâmicas e provas. E, lá por agosto, quando eu já estava perto das etapas finais na seleção do estágio, nos inscrevemos também para as bolsas de curso de inverno (Winterkurs) do DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico).  Naquele ano, eu estava completamente no pique de concursos e seleções, devo ter me inscrito até para concurso de intercâmbio em Alvorada. Então, como o esforço foi grande e alguma coisa tinha de dar certo, no fim de setembro, fui selecionada para um programa  inédito da Embaixada Americana no Brasil. Eles levaram 20 brasileiros para observar as eleições daquele ano nos EUA. Coincidência ou não, enquanto via o Obama ser eleito, recebi a notícia de que eu e o Marcelo havíamos conseguido a bolsa para Winterkurs, mas para cidades diferentes (eu fui pra Essen, ele para Freiburg), e também vaga na universidade de Tübingen.

Assim que cheguei dos EUA, começamos a organizar a viagem. Entre a universidade e o curso do DAAD, teríamos quase dois meses de intervalo e não seria financeiramente interessante voltar para o Brasil. Assim, resolvemos que nosso roteiro seria: uma semana na capital alemã no ano novo, os dois meses de curso de cada um, o tempo entre o Winterkurs e a universidade em Berlim e depois rumaríamos para a cidade onde faríamos o semestre universitário de verão. Isso tudo, se eu não passasse no estágio no Rio de Janeiro, é claro. Caso eu fosse selecionada, poderia ser chamada no primeiro ou no segundo semestre de 2009. Ou seja, um risco de que tudo desse certo junto, no entanto, na hora errada, existia.

Início de dezembro fiz a última entrevista na seleção e eles prometeram uma resposta antes do Natal. Comprei minha passagem para a Alemanha de coração apertado, desejando que me ligassem pra dizer que eu seria chamada para trabalhar lá em agosto do ano seguinte. Sim, o mundo estava me esperando, mas eu queria algo legal para quando estivesse de volta. Por que eu, que já tinha estado fora antes, sabia que voltar nunca é a coisa mais fácil.

O Natal passou e o Papai Noel me trouxe presentes, mas nenhum telefonema. Fui para a Alemanha e, na segunda semana de janeiro, quando estava em Essen, me chamaram para começar o estágio em fevereiro no Rio. Foi difícil escolher porque eu realmente queria muito aquele trabalho, mas preferi ficar por lá. Fazer intercâmbio é isso, conviver com o fato que o tempo todo você vai ter de fazer escolhas e abrir mão de coisas que você quer e gosta. "Intercambiar" é estar ciente de que quando estiver fora, você  vai ser o único a decidir pela sua própria vida.

Há dois anos atrás, naquele 29 de dezembro de 2008, quando botei o pé no aeroporto de Berlim, mal podia esperar que a continuação daquele ano incrível seria tão inesquecível quanto. Mais estranho que isso, eu nunca imaginaria que o melhor daquele oito meses fora estaria em todas as pequenas coisas que fugiram do plano inicial, em todos os escorregões que tornaram aquela experiência uma das coisas mais legais que já fiz na vida.

Em 2011, vou contando essas histórias todas em alguns posts. Mas aproveito a proximidade do fim do ano para desejar um ano novo cheio de boas notícias e planos que dão certo mas, é claro, também alguns escorregões pra tornar tudo mais emocionante.


"Guten Rutsch ins neue Jahr", literalmente "um bom escorregão no novo ano" em alemão, mas é só um dos jeitos de desejar feliz ano-novo, mesmo :)

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28 de dezembro de 2010 0

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Os primeiros dias da Paula no Texas

27 de dezembro de 2010 3

Depois dos primeiros dias de desespero sem a filha única, Silvia Guimarães, a mãe da Paula, que está no Texas, se acostumou melhor com ideia de ter a filha longe.  Não que a saudade tenha diminuído drasticamente, mas depois de ver a felicidade dos filhos nas fotos e ouvir o ânimo na voz deles pelo telefone, os pais se tranquilizam e relaxam.  O tempo que sobra acaba servindo para fazer outras coisas, antes deixadas de lado.  Não, a saudade não diminui, mas se aprende a viver com ela. Até porque os pais têm de ser fortes para quando receberem a primeira ligação chorosa, que pode até demorar, mas sempre vem.

Acompanhe o relato da Silvia sobre as primeiras semanas sem a filha Paula, que está fazendo high school em Austin, nos EUA:


Paula (na esquerda) com a "irmã", Heidi, e o "tio" em casa

"O mais difícil é voltar para casa sem eles, é encontrar a cama ainda desarrumada que eles deixaram. O quarto naquela bagunça tradicional (este levou um mês para eu organizar), é tirar o resto da roupa suja que ficou no cesto e lembrar que vai levar muito tempo até você ver as roupas deles penduradas no varal. É o banheiro que fica arrumado,  a casa que não tem mais coisas atiradas pelos cantos. É um prato a menos na mesa. É o banco do carona no carro que fica vazio.... É um rombo no seu coração, é um silêncio na casa, é o computador do lado do seu que não toca mais aquelas músicas doidas.

Tudo muda e, quando não se tem outros filhos, a gente volta toda a atenção e a frustração para o coitado do marido. Ele ouve tudo, o que quer e o que não quer. A pobre criatura tem que ter uma paciência de Jó e você nem percebe que ele também tá sofrendo, mas caladinho. Acho que esta é a única hora que mãe é egoísta. Me perdoem os pais, mas não dá pra ser diferente.

E aí passa um mês, e você tá ali, comendo, dormindo, falando com a filha uma vez na semana e achando ótimo, porque sobrou dinheiro na conta. Depois de tanto tempo, sobrou tempo para você, sobrou tempo pro casal, e vocês começam a viajar mais, a sair mais para comer fora, a ver outras pessoas mais vezes. Você começa a viver e achar que a vida é bela, e que tudo é lindo e que você tem um filhote maravilhoso que teve coragem de bater as asas e voar pra bem longe do ninho e você proporcionou isto.

Você se empenhou para isto! E agora a filhota tá lá, feliz, na rotina dela, com as outras amigas dela. Até a hora em que ela liga chorando e, então, você apóia, dá força e diz que ela é forte, é linda é inteligente e que isto tudo vai passar e vai ficar uma lição de vida maravilhosa. E, por incrível que pareça, você não despenca, não chora nem faz feio. Nesta hora você é exatamente aquilo que ela espera de você: o seu porto seguro, o lugar pra onde ela sabe que vai voltar.

A saudade é enorme e aumenta a cada dia que passa. Mas, ainda assim, tudo é muito lindo e muito válido e a gente já está planejando a festa do retorno dela, com tudo o que tem direito. Só que antes disso, temos de sobreviver ao Natal, ao Ano Novo, à Páscoa, às férias e ao próximo dia das mães sem ela. Me correspondo uma vez por mês com Mary, a host mom dela. Eu a amo desde o primeiro dia, pelo carinho e atenção que tem dado a minha filha. Já enviei presentes para eles e arroz e feijão para a Paula, afinal, ela sente saudade das nossas comidas daqui.

E se eu ainda choro?  Mas é claro, quando eu cheiro a blusa dela que eu deixei sem lavar para ficar com o cheirinho dela (você faz isso sim...), só não me desespero. Na verdade, eu choramingo, e só um pouquinho. E olhem que ela andou se machucando por lá, torceu o pé e está usando uma bota por um mês, deve tirar nas vésperas do Natal e o seguro pagou tudo. Por favor, não deixem de fazer o seguro, é fundamental para a segurança da saúde de seu filho no exterior!

Paula de pé machucado com o irmão americano, o Charles

Homesick.

Guardem esta palavra. No literal:  doença de casa. Mas é como se chama saudade de casa em inglês. Todo intercambista sabe no coração o significado dela e a família do intercambista também. Coloquei a Paulinha no avião e sei que vou buscá-la de volta, minha filhotinha, que vai voltar de lá, com ares de mulher e mais dona da vida dela.
É por isso que eu concordei em deixar ela fazer este intercâmbio, só que naquela primeira semana sem ela, eu não lembrava disso."


Intercambista da redação

26 de dezembro de 2010 0

Ainda no clima natalino, hoje, temos o post de uma intercambista da redação da Zero Hora. A Marcela Duarte, editora de produção do site aproveitou o espírito das festas de fim de ano pra remexer nas fotos antigas e contar da experiência dela nos Estados Unidos em 1995.  Coincidência ou não, ela morou numa fazenda de árvores de Natal.


"Como é Natal, resolvi dividir com os leitores do Intercambiando um pouco da minha experiência (e algumas fotos) de quando fiz um intercâmbio para uma fazenda de árvores de Natal. Era a Pagac's Christmas Tree Farm, que ficava em Pitsboro, no interior de Indiana, nos Estados Unidos.

Os pinheirinhos da fazenda em Indiana, nos Estados Unidos


Isso foi nos idos de 1995, quando eu tinha 16 anos. Outros 16 anos se passaram desde então, ou seja, muitas lembranças já se apagaram.

Marcela na neve

Como diz o ditado que rege todos os intercambistas que conheço (inclusive eu), "tudo vale a pena se a alma não é pequena". Aproveitei a oportunidade para pesquisar um pouco sobre a Pagac's Christmas Tree Farm. Encontrei dois posts nos blogs dos meus "irmãos" norte-americanos, ambos contando a experiência de escolher o pinheirinho com suas famílias.

Marcela (no canto esquerdo de branco) com amigas nos Estados Unidos em 1995

Clique aqui e veja o post que Brook Rieman escreveu no seu Babbles by Brook, com fotos dela, da pequena Lily e de Corey (marido).

Aqui, voce lê o post de Zack Pagac no The Pagac Report. Estrelando Lexi, Hunter (bebê) e Monica (esposa). "

Feliz Natal em diferentes idiomas

25 de dezembro de 2010 1

Intercambistas Miriam Spritzer, Marcelo Müller e Bruno Peroni enviaram vídeos com mensagens de Natal. Confira abaixo:


ps: o Marcelo estava tão empolgado que até "feliz aniversário" ele desejou na mensagem :)


e um Feliz Natal para todos vocês!

A outra família

23 de dezembro de 2010 0

Uma das coisas que mais tira o sono de intercambistas antes da viagem é a espera pela definição da família hospedeira. Afinal de contas, é com eles que você vai morar por seis meses ou ano. Ser recebido por uma família bacana ajuda muito para se ter uma experiência legal. Não é por nada que muita gente volta chamando essas pessoas de sua "outra família". Hoje o Marcelo Müller, nosso intercambista que colabora com o Intercambiando lá da França,  conta da convivência com  seus novos pais e irmãos.


 

Marcelo e sua família hospedeira na França

"Antes de partir, todas as minhas expectativas estavam ligadas a minha família hospedeira. Esse é o aspecto mais importante para uma boa experiência, diziam os meus amigos que já tinham viajado. Eu recebi as informações somente uma semana antes de embarcar, já estava quase pirando.

Fazer parte de uma família estrangeira é uma experiência completamente diferente de qualquer viagem ao exterior: se entra realmente dentro da cultura local. Não adianta esperar, por outro lado, uma família "clichê", exatamente no que seria uma "média nacional", por que isso não existe. A família que te recebe tem com certeza as suas particularidades. A minha mãe hospedeira, por exemplo, é belga (da Wallonie, parte Bélgica francófona) e meus irmãos tem dupla nacionalidade, o que com certeza dá uma mudada nos hábitos da casa. Uma coisa legal, que algumas instituições como o Rotary fazem, é trocar de família durante o ano, duas ou três vezes, para se ter uma ideia das diferenças. No meu caso, eu fico na mesma família pelo ano inteiro. Isso pode ser ótimo como desastroso: terei que conviver com as coisas que gosto e detesto até o fim. Mas de qualquer forma, ficar um ano dá a certeza de que farei relações fortes com o pessoal daqui.

O momento em que se encontra os familiares pela primeira vez é sensacional. A minha cabeça fez um super giro tentando conectar tudo aquilo que imaginei que ele seriam e o que realmente são. As primeiras semanas são de muita adaptação. Intercambista faz atenção para tudo que os outros fazem, se imita as pessoas o tempo inteiro, até um nível meio paranoico. O momento que mais se passa com a família é o das refeições, e o momento que mais rende situações engraçadas. Nas primeiras semanas, sempre pensava coisas do tipo "e agora que o pai pegou mais um pedaço de pão, será que vou me arriscar?" ou "que tamanho deve ter a bola de sorvete que eu vou me servir?". Eu me divertia demais pensando, depois. Por agora, já me sinto totalmente a vontade, mas de vez em quando eu ainda me pergunto se não sirvo cereal demais de manhã.

O que eu acho que há de mais legal é tudo que se aprende sobre o estilo de vida de uma família diferente. É difícil de traduzir em palavras uma experiência dessas, mas por exemplo, nós não temos televisão na nossa casa. E não faz nenhuma falta. Por outro lado, se come super bem e preparar as refeições é um ritual diário que envolve toda a família. Esse tipo de conceito se leva para a vida inteira, e é nessas horas que eu percebo a importância que esse ano na França terá no meu futuro. Além disso, eu começo a tomar gosto por coisas que não serão muito acessíveis no Brasil, o que me trará qualquer problema. Esses gostos refinados por bons queijos e vinhos dos franceses, sei que isso não passará desse ano…"

Se você tem interesse em contar como é a sua "outra família", escreva pra mim no bruna.amaral@zerohora.com.br!  E o convite vale também pra quem já voltou há bastante tempo!

Ainda dá tempo de fazer intercâmbio nas férias

22 de dezembro de 2010 0


O Natal já está batendo na porta, mas quem não conseguiu se organizar antes, ainda pode fazer intercâmbio nessas férias. A Information Planet oferece pacotes para quem pretende aproveitar o nosso verão para aprimorar o inglês no Canadá, Austrália ou Nova Zelândia.

No Canadá, os pacotes incluem cursos de inglês e acomodação. Na Austrália, além do estudo, os programas podem incluir até prática de surfe ou mergulho. No país, também há a possibilidade de trabalhar, em algumas cidades. Assim como na Nova Zelândia, a terra dos esportes radicais, também é possível desenvolver trabalhos remunerados dependendo da cidade.

Datas dos embarques e informações sobre preços podem ser obtidas no site da empresa.

O que dar de presente para quem está indo viajar?

21 de dezembro de 2010 0

Junto com as festas de fim de ano chega também a hora do embarque de muitos intercambistas. A proximidade do Natal trouxe algumas dúvidas para minha caixa de e-mails. Então, para ajudar pais, tios, amigos e namorados de viajantes preparei uma listinha de presentes legais e úteis (para diferentes tipos de bolsos)  para quem está prestes a viajar.


Fones de ouvido:

Passar horas e mais horas em aviões, trens e ônibus é bem mais divertido quando se está acompanhado de música. Além disso,  alguns dos fones modernos, que são super estilosos com diversas opções de cor, não servem apenas para ouvir bom som: eles isolam do barulho exterior. Só não esqueça que eles devem ser resistentes e, de preferência, dobráveis. Afinal, quando eles não estiverem sendo usados, passarão muito tempo na bolsa/mochila.


Guias de viagem:


Parece óbvio, mas não é! Por mais que a internet esteja cheia de dicas ótimas e atualizadas, os guias impressos são muito úteis. Afinal de contas, nem sempre você vai ter um computador ou internet no meio de uma viagem. Dê preferência aos leves e com mapas, que podem ser carregados facilmente. Para quem vai para e Europa, no entanto, é quase obrigatório comprar um completo, daqueles grandões mesmo, que inclua todos os países. O preço das passagens aéreas por lá vai fazer você querer conhecer o continente inteiro, acredite!


Cadernos e blocos de nota:

Quando se está sozinho e longe de casa, muitas vezes, o papel e a caneta viram melhores amigos. Tê-los sempre por perto é interessante seja para anotar o nome de um restaurante legal, ou para rabiscar enquanto se pensa na vida. Escolha os menores e mais leves.  Eu, particularmente, prefiro os com folhas sem pauta. Eles são mais bacanas pra soltar a imaginação.


Pijamas:

Não, eu não estou maluca. Por mais que seu filho/amigo/namorado adore dormir vestido com a roupa mais velha do armário (ou sem roupa nenhuma), é interessante levar um traje apresentável para dormir. Uma camiseta e calça/short de algodão resolvem. Você nunca sabe com que tipo de família ou companheiros de de quarto vai morar. Então,  não arrisque, escute a sua mãe (a minha também disse isso um milhão de vezes)  e leve uma roupa decente para dormir.


Se você tem dúvida sobre qualquer assunto relacionado a intercâmbio, escreva para mim no bruna.amaral@zerohora.com.br!

Choque cultural no Marrocos

20 de dezembro de 2010 2


Tem gente que tem 'o viajar' no sangue. Esse parece ser o caso da Júlia Mello Schnorr de Cruz Alta. Ela pegou o gosto por viajar desde pequena com as empreitadas do pai. Hoje, ela é formada em história e se prepara para embarcar para o Marrocos, onde vai trabalhar numa ONG. Apesar da jovem de 24 anos nunca ter ido ao país africano, ela já consegue imaginar os choques culturais com que vai se deparar por lá. Vamos esperar pra saber!


Júlia em Barcelona em 2008, quando ficou hospedada na casa de um Mexicano


"Acredito que já nasci na estrada. Sou filha de um pai viajante e me acostumei com as viagens realizadas com pouco orçamento. Quando eu tinha três anos minha família realizou uma longa viagem que durou 40 dias e chegamos ao nordeste brasileiro, sendo que saímos de Santa Catarina. Minha primeira viagem sozinha foi para o Uruguai e embora eu tivesse 17  anos, consegui planejar a viagem de forma independente. Depois dessa viagem, eu hospedei mochileiros em minha casa e utilizei-me do serviço da rede social Hospitality Club para conhecer Barcelona. Atualmente as pessoas me procuram quando vão realizar alguma viagem, seja para escolher locais, saber as furadas ou saber onde se hospedar. E eu gosto bastante disso.


A próxima viagem vai ser um tanto mais ousada: vou ficar 6 semanas vivendo com uma família marroquina na cidade de Rabat, capital do Marrocos. Irei trabalhar numa ONG que ajuda adolescentes a discutir a AIDS. A minha participação será fazer com que grupos de jovens vençam o tabu de falar sobre a doença. O destino africano não foi minha escolha, mas sim do meu amigo Ramon, que adora países exóticos. Ele vai fazer um intercâmbio de três meses no interior da Rússia e Polônia e me indicou o país africano. O pouco que conheço do Marrocos me foi representado pela novela ''O Clone'', mas acredito que a realidade que irei encontrar vai ser um tanto distinta, até porque investiguei na internet e descobri bastante coisa sobre esse país.



Como não sei falar árabe, vou investir no francês, espanhol, inglês, português, ou seja, no que der e precisar. Me avisaram que os comerciantes marroquinos falam muitas línguas e que é imprescindível pechinchar, e sem vergonha alguma. O Marrocos é um país com bastante diversidade. A maioria dos habitantes fala árabe, mas há uma grande ocidentalização, já que o país foi um protetorado francês durante anos'. A geografia é exuberante: praias, deserto do Saara, montanhas e gelo. No inverno deles, a previsão é que faça de 10 a 20ºC, então estou tranquila em relação ao calor, embora tenha que tomar cuidado com outros aspectos, como a água da torneira.

O aconselhável, embora seja o mais caro, é comprar água engarrafada. Há choques culturais que irei enfrentar, como a proibição da homossexualidade. No Marrocos, a diversidade sexual é crime e dá cadeia. Acredito que parte principal das viagens não é o turismo e sim a convivência. Irei me esforçar para conviver com os habitantes e aprender seus costumes e parte da sua cultura."

Clipes para você querer fazer as malas

17 de dezembro de 2010 0

Bons motivos para querer aprender uma língua no país onde ela é falada não faltam. Mas para atiçar mais um pouquinho a coceira embaixo do pé de quem deseja viajar, a Education First (EF) lançou quatro vídeos para a campanha "Live the Language" (Viva a Língua, em tradução livre). São clipes curtinhos em Barcelona, Paris, Londres e Beijing, cada um com coisas típicas e peculiares de cada lugar.  Achei todos muito legais, mas olha meus dois preferidos:

Paris

Beijing

(achei lindo, mesmo não entendendo nenhuma palavra :) )

Todos os quatro vídeos da campanha podem ser vistos aqui


Vai dizer que não dá aquela vontade de fazer as malas e cair no mundo?

"Mundo aqui vou eu"

16 de dezembro de 2010 1

Para realizar os sonhos dos filhos, os pais fazem de tudo. Até ficar um ano sem eles. Foi isso que a Silvia Guimarães, de Pelotas, fez em agosto deste ano. Apesar da choradeira e do medo, ela mandou a filha única de 15 anos, Paula Guimarães Marques, para os Estados Unidos. Hoje, a Silvia vai contar do turbilhão de sentimentos que toma conta de uma mãe antes do filho ir embora. Nas próximas semanas, ela vai seguir com a gente contando das descobertas da estudante em Austin, no Texas. Confere aí:


Paula (no centro, de casaco preto, atrás da menina de amarelo) em São Paulo com os outros brasileiros antes do embarque

"Minha filha saiu de casa há quatro meses, mais exatamente há 117 dias. Sim, mãe de intercambista conta os dias e não meses. A Paula pegou um avião para realizar o seu sonho mais ousado até então: ser uma brasileira fazendo high school nos EUA, morando em casa de família.

Na verdade este processo já vinha se desenrolando no mínimo  há dois anos, quando ela percebeu que iria se formar no inglês e desejava dar o seu primeiro vôo para o mundo. Não sei onde é que eu estava com a cabeça quando concordei, foi exatamente assim que eu pensei na primeira semana que ela se foi.

Todo processo é demorado, tivemos todos os tramites facilitados pela agência que contratamos para organizar a saída dela, e durante um ano, tivemos contagens regressivas, reuniões com psicólogos, viagem para conseguir o visto. Enfim, tudo passou voando, mas a maior expectativa dava-se com relação a família. Quem iria aceitar o aplication da Paula? (aplication é uma espécie de formulário com várias perguntas pessoais, como se fosse um currículo sintetizado, que é enviado pela agência e  fica à disposição das família que desejam receber intercambistas). Ela teve sorte, pois quatro meses antes da data prevista para seu embarque, uma família se habilitou para recebê-la, ou seja, alguém queria a minha Paula com eles. Mas isto não é muito comum, alguns intercambistas só sabem das suas famílias às vésperas da viagem.

Outra coisa que consideramos positiva neste processo foi que ela foi designada para uma cidade grande, que também não costuma ser comum, ela foi morar em Austin, no Texas, uma cidade três vezes maior que a nossa. Era tudo o que ela queria. Minhas angustias de certa forma se amainaram quando soube que a Paula seria a quarta intercambista recebida por esta mesma família, ou seja, eles já tinham experiência com a coisa, mas eu não. Nenhuma e isto pesa muito quando sua filha tem somente 15 anos.

Nas reuniões de preparo, encontrei outros pais, e outros filhos, descobri que eram muitos, e que eu não era a única mãe que chorava por antecipação.  Sim, eu chorei muito mesmo ainda antes de ela ir e ela me consolava, acreditem. Eis que o dia 20 de agosto chegou, invariavelmente o dia sempre chega.  E aí foi pra matar. Na véspera, eu dormi no quarto com ela, estávamos as duas muito ansiosas. Parecia algo surreal, eu ainda choro quando lembro disto.

Minha filhinha amada não ia mais estar ali na noite seguinte, eu não ia dar o beijo nosso de boa noite, não ia cheirar o pescocinho dela no outro dia de manhã, como eu sempre fazia quando era eu que a acordava. Ela simplesmente não estaria mais ali. E isso dói, ai como dói, e sei que com mães de mais filhos (que não é meu caso) dói igual, porque cada filho é único e deixa um vazio quando se vai.

Na hora que estava estipulada para ela adentrar pelo portão de embarque ela se foi, neste momento ninguém conseguiu falar, nem ela. Nos abraçamos forte, sem dizer nada, nadinha, e ela pegou o rumo do mundo, bem como dizia na camiseta que ela recebeu da agência: "Mundo aqui vou eu!!!!"

E ela foi, simplesmente ela foi e eu fiquei, meu marido ficou, todo mundo ficou, só ela foi... pro mundo."

Gap year na Irlanda

15 de dezembro de 2010 2

Ao terminar o Ensino Médio, todo jovem se depara com inúmeras dúvidas e inseguranças desconhecidas até então. A separação dos colegas, que muitas vezes acompanham desde a infância, a angústia de escolher uma profissão e a pressão de passar no vestibular são momentos que assombram quase todos os jovens de 16, 17 anos. Mas não é em todo lugar que há essa necessidade imediata do ingresso na faculdade. Em muitos países da Europa e nos Estados Unidos, é muito comum que estudantes recém  saídos da escola tirem um "gap year" (ano sabático, em tradução livre), um período para pensar e experimentar outras coisas antes de entrar na universidade.

Durante esse 'ano sabático', jovens viajam o mundo, fazem voluntariado, trabalham, fazem intercâmbio ou tudo isso junto.  Anna Caroline Pontel, de Vacaria, resolveu fazer isso também. Aos 17 anos, a menina está prestes a tirar um ano para morar em Dublin, na Irlanda. No seu depoimento, ela conta como tomou essa decisão:

 

Anna Caroline Pontel, de 17 anos, em Vacaria, sua cidade natal

"Desde que me conheço por gente quero fazer um intercâmbio, e a oportunidade surgiu nesse ano. Terminei o colégio e não tenho a mínima ideia qual profissão seguir, e também não me sinto preparada para ingressar em uma universidade.  Afinal, tenho apenas 17 anos.

Minha primeira opção sempre foi a Inglaterra, mais especificamente Londres. O problema é a burocracia do país. Se alguém aí já tentou fazer um intercâmbio para a terra da Rainha, então sabe do que estou falando. Eis que surgiu a Irlanda.  Meus pais e eu decidimos que Dublin seria o melhor lugar para ir, considerando que um primo do meu pai mora lá há algum tempo.  Ele nos ajudou a escolher a escola e tudo mais.

De lá para cá foram fortes emoções. Imaginem a minha euforia quando abri meu e-mail e a Joan, minha hostmother, tinha entrado em contato comigo; ou quando a carta da escola chegou!  Não consigo descrever ao certo o que senti, foram tantos sentimentos de uma só vez que achei que iria sofrer um AVC. S em exageros. Frequentarei uma escola de inglês chamada Eddie Collins Hughes College. Vou ter seis meses de aula e seis meses de férias.  Ainda passarei um mês em uma casa de família e, depois, posso alugar um apartamento ou continuar na família mesmo.

Estou contando os dias para ir, um mês e 15 dias, e a ansiedade está cada vez maior! Depois de tanto tempo convencendo meus pais, planejando e realizando, descobri que vale a pena acreditar e correr atrás do que se quer, porque a sensação de ver seus sonhos se tornando reais é indescritível."

Estudar fora durante as férias escolares

14 de dezembro de 2010 0
Nem todo mundo quer ou pode ficar por um longo período fora. Hoje, isso não é mais um impedimento para que se possa fazer intercâmbio. Diversas empresas oferecem modalidades mais curtas, que podem ser realizadas durante as férias escolares.  A Central do Intercâmbio (CI) tem o programa "Intercâmbio Teen", voltado para estudantes com idade entre 12 e 17 anos. Não é necessário ter alto nível de conhecimento da língua inglesa e o estudante pode escolher entre ir para Canadá, Inglaterra ou Estados Unidos.


Os cursos variam de duas a oito semanas e os jovens ficam em casa de família ou alojamento da própria escola de idiomas.  No programa, estão incluídas diversas atividades culturais e passeios nos fins de semana. Boa dica para aprimorar os conhecimentos do inglês e ter o primeiro gostinho de cidadão do mundo.