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Intercambista ao cubo

03 de fevereiro de 2014 0

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Gustavo Kath, 17 anos, é craque quando o assunto é intercâmbio. Ele já esteve três vezes nos Estados Unidos. Na primeira delas, o garoto morou por três semanas na casa de uma família de mórmons em Salt Lake City. Filho único, ele ganhou mais 12 irmãos e irmãs norte-americanos.

A família grande, os bons momentos vividos e a experiência que teve em janeiro de 2012 fizeram com que ele voltasse para o mesmo lar no início de 2013, para ficar mais dois meses por lá.

— Tu descobre um mundo novo, que não é só a tua cidade, o teu colégio e a tua roda de amigos. A convivência com a família foi uma das melhores experiências, pois consegui vivenciar uma cultura totalmente diferente que a minha. E me adaptei muito bem, tanto que acabei me sentindo o 13º filho do casal, com o qual mantenho contato até hoje — conta Gustavo, que acabou indo uma terceira vez para os EUA.

De volta ao Brasil, o estudante prestou vestibular para Ciências da Computação e conquistou vagas na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e na Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Irá frequentar as aulas na PUCRS, mas não deixará de fazer cursinho durante todo o ano. Ele quer mesmo é passar na UFRGS. A convicção das escolhas é parte do resultado dos três intercâmbios:

— Tu aprende a te virar sozinho, a encarar os teus problemas. As experiências me ajudaram a me conhecer melhor. Eu saí da asa do pai e da mãe e comecei a aprender a me virar sozinho. E eles sentiram a diferença: voltei mais independente, e mais adulto.

EU QUERO!

Se sentiu motivado a viver a experiência de um intercâmbio? Confira abaixo os primeiros passos para tornar o desejo realidade

1 Converse em casa

Manifeste para a sua família o interesse em fazer um intercâmbio. Procure saber se eles estão de acordo e, caso a viagem tenha de ser paga, se existe a possibilidade de sua família assumir os custos.

2 Saiba o que você quer

Existem inúmeras bolsas, programas e tipos de intercâmbio. Tenha em mente o objetivo que você pretende alcançar com a viagem. É para aprender outro idioma? É para viver uma imersão em outra cultura? Vai a trabalho?

3 Defina o período

Você precisa avaliar com calma o período que pretende permanecer no Exterior. Será durante o Ensino Médio, antes da universidade, durante a formação acadêmica ou ainda mais tarde? Quanto tempo você dispõe para ficar fora?

4 Informe-se

A partir do aval de sua família, do objetivo traçado e da escolha do momento e período certo, é hora de buscar o programa que se adapta melhor a você, ao seu estilo de vida e as suas pretensões profissionais. Converse com jovens que já tenham tido a experiência e se informe sobre agências de intercâmbio e programas gratuitos.

Aprendizado no clima da Califórnia

19 de novembro de 2013 0
Paola Fantini, universitária de Administração, estudou durante um semestre nos Estados Unidos

Paola Fantini, universitária de Administração, estudou durante um semestre nos Estados Unidos

Aluna de Administração da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Paola Fantini, 20 anos, estudou o segundo semestre de 2012 na California State University, Long Beach (CSULB), nos Estados Unidos. Interessada em viajar e ampliar os conhecimentos adquiridos na faculdade, Paola ainda precisou aguardar um pouco, até concluir 40% do curso, para se inscrever em um intercâmbio.

— Sempre tive uma paixão por viajar e, desde que entrei na universidade, tinha em mente aproveitar os convênios que a UFSC tem com instituições de diversos países para adquirir mais uma experiência.

Hoje, Paola considera o período que passou nos EUA um “divisor de águas”, pois conheceu muitos outros viajantes e conseguiu se dar bem nos estudos.

Confira o relato da estudante.

À procura

O primeiro passo foi descobrir quais eram as universidades conveniadas com a UFSC, as cidades e os países que ofereciam o curso de Business (Administração), as diferentes culturas. Poucos meses depois, acabei escolhendo a CSULB. Dei entrada em todos os papéis que eles exigiam e recebi a carta de aprovação do intercâmbio em maio, com o início das aulas três meses depois. Foi uma correria e um nervosismo para deixar tudo pronto a tempo, mas em agosto eu estava na Califórnia!

Adaptação

Fui morar com outros dois brasileiros — um deles também era estudante de Administração na UFSC e já havia feito intercâmbio no semestre anterior. Recebi um grande apoio para me adaptar e conhecer a cidade, facilitou muito. No começo, foi um pouco complicado entender tudo o que os professores passavam em aula e até conversar com os demais alunos.

O campus

A CSULB oferece uma ótima estrutura para os alunos. O campus é muito grande e tem refeitório, lanchonetes, clínica e academia equipadíssimas, além de um centro para os estudantes. Devido a uma lei estadual, os alunos não pagam pelo transporte público, o que também é muito bom. Estudava com pessoas de diferentes nacionalidades e sotaques, mas, com um pouco de esforço, consegui me integrar e tirar boas notas nas provas e nos trabalhos. Nos quatro meses em que permaneci estudando na Califórnia, fiz duas matérias de Administração, uma de línguas e duas de esportes, sendo que todas foram escolhidas a partir de recomendações de outros estudantes. Tive ótimos professores, e as aulas interativas me impulsionavam a estudar.

Resultados

Long Beach é muito linda, fica perto de Los Angeles e demais cidades turísticas, um lugar ótimo para se morar. Tive um desempenho acadêmico bom, conheci pessoas maravilhosas, visitei lugares incríveis e adquiri bastante experiência e uma nova visão da vida. O intercâmbio se tornou para mim um divisor de águas, porque, depois que retornei ao Brasil, refiz meus planos e meu modo de pensar sobre certas situações. Hoje, me sinto mais preparada e determinada.

Intercâmbio em dupla

06 de novembro de 2013 0
Com o cancelamento de editais para Portugal, o catarinense optou por viajar para a Austrália

Com o cancelamento de editais para Portugal, o catarinense optou por viajar para a Austrália

Alunos de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Andrei Signor e Géssica Steffens, ambos de 21 anos, partiram para um intercâmbio de um ano e meio na Deakin University, em Melbourne, na Austrália, por meio do Ciência sem Fronteiras. Com o cancelamento de editais para Portugal – a primeira opção da dupla -, optaram pela terra dos cangurus, que descrevem como um país jovem, porém muito desenvolvido na área da Arquitetura.

Colegas do sétimo semestre no Brasil, o catarinense de Anchieta e a gaúcha de Severiano de Almeida seguem na mesma turma do outro lado do mundo. Neste primeiro semestre do intercâmbio de um ano e meio, Andrei e Géssica têm aulas de inglês. Nos dois semestres seguintes, voltarão aos cálculos, aos projetos e às maquetes. Confira o relato escrito em dupla sobre a experiência e enviado por e-mail.

Por que escolheram a Austrália?

A Austrália surgiu como oportunidade após os editais em que estávamos inscritos para Portugal terem sido cancelados. Ficamos muito animados com a possibilidade de escolher a Austrália. As belezas naturais e a diversidade cultural também nos animaram bastante. Lemos muitos blogs e sites de jovens intercambistas que haviam estudado aqui, e sempre nos pareceu uma experiência muito satisfatória.

Como foi a preparação para o intercâmbio?

Não tivemos muito tempo para nos prepararmos, visto que estávamos terminando o semestre na UFFS. No entanto, foram vários processos burocráticos para podermos viajar, como exames, procurações, visto, passagens, processo de mobilidade acadêmica, além de muita ansiedade. Foram aproximadamente dois meses de expectativa, tanto nossa quanto de familiares para que tudo desse certo.

Como tem sido a experiência até agora?

Incrível! A experiência está sendo realmente maravilhosa, estamos aprendendo muito, conhecendo novos lugares, fazendo amigos e aproveitando todas as oportunidades ao máximo. Precisamos estudar muito, pois somos bastante cobrados pela universidade, mas também não deixamos de lado as festas, os passeios e os momentos de lazer. É uma vida bastante intensa! Às vezes, bate aquela saudade dos amigos e da família _ nada anormal _, mas compreendemos que isso é uma fase e que logo os encontraremos novamente. Aos poucos, vamos nos encaixando no modo de vida das pessoas e trocando experiências. Melbourne é uma cidade efervescente, e tudo parece funcionar muito bem nela!

A parceria com o colega da UFFS se intensificou depois que os dois se candidataram às bolsas

Como tem sido a relação com os colegas?

Essa é outra particularidade muito interessante. Convivemos com pessoas do mundo todo. Temos colegas de países como China, Japão, Vietnã, Tailândia, Arábia Saudita, Malásia, Sri-Lanka, Índia, Peru, Turquia, Iraque _ sem falar nos australianos e nos brasileiros, que não são poucos aqui! A diversidade na escola de idioma é gigantesca. No início, foi um pouco inusitado, mas depois começamos a nos acostumar e construir amizades, afinal de contas, estamos todos aqui por motivos parecidos.

Há muitas diferenças no estilo das aulas na Austrália em comparação com o Brasil?

Um pouco. Em geral, as turmas são bem menores, as aulas ocorrem em períodos mais curtos, com horários livres para utilizar as salas de estudo. As aulas, em geral, consistem em orientação dos professores. Grande parte das atividades acaba sendo feita em casa. Um ponto notável é a infraestrutura da universidade. Temos à disposição uma grande diversidade de aparatos tecnológicos e ambientes de estudo.

Quais são as expectativas com relação ao intercâmbio?

Vemos esse intercâmbio como uma grande oportunidade. Estamos aprendendo e amadurecendo muito com ele. Nossa expectativa é aproveitar todas as oportunidades que o nosso curso oferece, aprender o idioma, fazer muitos amigos e conhecer o máximo sobre todas as culturas com que estamos em contato. A gente quer levar da Austrália, além do aprendizado, memórias maravilhosas.

A pequena Frankfurt

22 de outubro de 2013 0
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Aluno da UCPel, Guilherme Halal, que faz intercâmbio na cidade de Frankfurt (Oder), aproveita as folgas para conhecer outros lugares, como Dresden

 

O pelotense Guilherme Halal, 20 anos, partiu para a Alemanha em 20 de setembro. Estudante do sexto semestre de Administração da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), ele passará seis meses estudando Business Administration na European University Viadrina.

Guilherme diz ter optado pela Alemanha em razão da importância internacional do país. Antes de embarcar, o estudante precisou investir em cursos de línguas. Para não ter problemas na comunicação, estudou alemão e inglês por dois meses.
Morando em Frankfurt (Oder), no norte da Alemanha, diz perceber alguma semelhança na atmosfera que se cria no país durante o mês de outubro, época de Oktoberfest, com o espírito que se encontra no Rio Grande do Sul durante a Semana Farroupilha.
Confira, ao lado, o relato de Guilherme sobre como tem sido a experiência, prevista para durar um semestre.

Frankfurt o quê?

Não confunda a pequena Frankfurt (Oder) com a famosa Frankfurt am Main. A primeira, onde Guilherme estuda, é uma cidade de aproximadamente 60 mil habitantes, localizada no estado de Brandenburg, no norte da Alemanha, que faz fronteira com a Polônia. Mais de 600 quilômetros ao sul, no estado de Hesse, fica a segunda, que tem cerca de 700 mil habitantes e é um dos principais centros financeiros da Europa.

MINHA EXPERIÊNCIA

Por que a Alemanha
Escolhi a Alemanha por ser um país referência no mundo em termos econômicos e culturais. Vou trocar figurinhas com os melhores do mundo.

Preparação
Fiz dois meses de aulas de alemão, além de aulas diárias de conversação em inglês.

A experiência
Tem sido simplesmente incrível. É difícil responder e descrever a experiência que eu adquiri desde que eu cheguei na Alemanha.

Com os colegas
Estou fazendo contato com pessoas do mundo inteiro. Essa universidade é referência aqui na Alemanha e na Europa, e ela tem pessoas do mundo inteiro.

Diferente do Brasil
Há muita diferença. Aqui, temos que fazer mais por nós mesmos. Antes de irmos para a aula, já temos de saber a matéria que vai ser cobrada no dia. Outra coisa é que, aqui, marcamos quando queremos fazer a prova e o exame. Claro, tem uma data limite, mas quem marca é a gente.

Expectativas
Na minha opinião, a tendência é ficar melhor ainda. Vou conhecer mais pessoas e viajar mais, aprender mais sobre a cultura deles. Resumindo, só tem o que melhorar.

Oktoberfest
O país fica parecido com o Rio Grande do Sul na Semana Farroupilha. Vi várias pessoas nas ruas com trajes típicos e, em vários lugares, tem Oktoberfest, com muito chopp e linguiça.

Para meu futuro próximo, quero aprender bem o alemão, ficar fluente. E pretendo fazer pós, mestrado ou PhD, fora do Brasil.

No universo londrino da moda

17 de setembro de 2013 0
Em seis meses, Mariana (à esquerda na foto) fez dois cursos e conferiu tendências da moda nas ruas e nos pubs londrinos

Em seis meses, Mariana (à esquerda na foto) fez dois cursos e conferiu tendências da moda nas ruas e nos pubs londrinos

Formanda de Jornalismo na PUCRS, a assistente de conteúdo de Zero Hora Mariana Moraes, 25 anos, fez cursos de moda em Londres, no ano passado. A cidade é apontada como a capital da moda pela Global Language Monitor.

— O primeiro lugar se deve muito ao sucesso do estilista Alexander McQueen e ao novo ícone fashion inglês, Kate Middleton. Além disso, Londres reúne todas as características das demais cidades do ranking: a elegância e a tradição de Paris, a ostentação e o glamour de Milão e as fast fashions e marcas bem comerciais de Nova York — explica a jovem.

Confira o relato de Mariana sobre a experiência.

Uma instituição, um curso

Pensando em tudo isso, decidi passar um semestre estudando moda e comunicação na cidade. A escolha pela University of the Arts London foi fácil. É uma instituição que conta com várias unidades na cidade.

O primeiro curso que fiz foi o de Introdução ao Mercado da Moda, na London College of Fashion. Minhas colegas e eu aprendemos como funciona o mundo fashion, quais as publicações mais influentes, como trabalhar o posicionamento de marcas, as funções do relações públicas na moda etc. O curso é objetivo e esclarecedor para quem ainda não sabe como se inserir no mercado.

Dica da professora

Uma dica da professora Fiona Agyemang: “É importante ter experiência, mas, na moda, o principal são os contatos. Se forem a algum pub, levem seus currículos.”

Outra instituição, outro curso

Após esse curso, iniciei o de Jornalismo de Moda, na badalada Central Saint Martins, considerada a melhor instituição de moda do mundo e por onde passaram nomes influentes como Stella McCartney, John Galliano, Zac Posen e Alexander McQueen.

A estrutura da escola é maravilhosa, e as salas de aula são muito bem equipadas. O interessante é que ali é possível ver alunos de teatro ensaiando suas falas e experimentando figurinos e ouvir os barulhos das furadeiras e marteladas dos alunos de design. Lá, pude ter aula com Hywel Davies, jornalista e escritor inglês que já trabalhou na Vogue, na Elle e no Guardian, e é referência em moda masculina.

Inglês avançado

Para atender às demandas exigidas em aula, é necessário falar inglês fluentemente, pois, além do entendimento do professor, é preciso produzir artigos, resenhas e entrevistas. Os dois cursos de que participei eram bem teóricos — não tenho habilidades práticas para corte e costura — e discutíamos muito sobre a moda nos países de cada um dos alunos. Ao término das aulas, saía maravilhada com tudo! A troca de experiência e os pontos de vista de diferentes culturas sobre o mundo fashion me acrescentaram muito!

A aula está nas ruas

O mais legal de estudar moda em Londres é ter uma grande aula de tendências ao passear pelas ruas. Uma das capitais mais cosmopolitas do mundo, a cidade respira moda em todos os lugares! Os estilos que estarão nas semanas de moda podem ser vistos primeiro ali.

Dica da intercambista

Imperdível para quem gosta de moda e está em Londres? Camden Town, com seus inúmeros estilos e influências; os arredores de Brick Lane, coração dos artistas independentes; e o Soho, o melhor lugar para fazer contatos, ver e ser visto pelos fashionistas influentes.

Conexão Canadá-Brasil

11 de setembro de 2013 0

Museu

O Canadá é o destino mais procurado por brasileiros que vão estudar no Exterior. Considerando cursos de idiomas, Ensino Médio, graduação e pós-graduação, o país mais setentrional das Américas recebeu aproximadamente 25 mil alunos do Brasil em 2012 — e está em busca de mais. Em setembro, o governo canadense promove, em Porto Alegre, São Paulo e Recife, a feira Imagine Estudar no Canadá.

Motivado pela excelência acadêmica e pelo histórico familiar, o estudante Rodrigo Kreutz, que passou um ano na Universidade de Toronto, relata parte de sua experiência.

Intercâmbio na terra natal

Nascido em Edmonton, na província de Alberta, no Canadá, o acadêmico de Engenharia Elétrica na PUCRS Rodrigo Kreutz retornou ao país de origem para estudar, depois de cerca de 15 anos no Brasil. Filho de médicos gaúchos, o jovem de 20 anos foi um dos cerca de 25 mil brasileiros que buscaram cursos no Canadá em 2012. Por meio do Ciência sem Fronteiras, estudou na Universidade de Toronto, onde também participou de pesquisa na área de programação. Além da influência familiar, ele diz ter escolhido o destino pela qualidade do ensino:

— A Universidade de Toronto está entre as melhores do mundo. Além disso, meu pai me recomendou a cidade.

Adaptação

Alfabetizado em inglês, Rodrigo diz não ter enfrentado grandes dificuldades com a língua.

— Em um mês, eu já estava adaptado. Estudei inglês no colégio e em cursos. Ainda sabia bastante porque fui educado no idioma. Os canadenses te recebem bem. Até são um pouco fechados, mas isso não é uma barreira.

Temperatura negativa

Na pior onda de frio que enfrentou no Canadá, a temperatura chegou a 29°C negativos. Contudo, Rodrigo afirma não ter sentido tanto:

— Ao sair na rua, era bem frio. Mas em casa, na universidade ou mesmo no ônibus, não sentia frio algum. Tenho até a impressão de que passo mais frio em Porto Alegre do que passei lá. Acho que é uma questão de infraestrutura. Não cheguei a perder aulas por causa da neve. Toronto não fica numa região que costuma ter nevascas.

Na universidade

Além dos dois semestres de aula, Rodrigo também se dedicou à pesquisa por mais quatro meses na faculdade.

— Eu mexia com programação, lidando com transferência de memória. Era uma pesquisa de caráter bem acadêmico, voltada para o aprendizado.

País é um dos destinos favoritos de jovens

Em 2012, o Canadá recebeu mais de 265 mil estudantes internacionais. Destes, 25 mil eram brasileiros. Uma pesquisa da Brazilian Educational & Language Travel Association (Belta) aponta que o país é a primeira opção de destino para 91% dos estudantes. Entre os brasileiros que foram fazer curso de idioma no Exterior, 60% viajaram ao Canadá.

O chefe do escritório comercial do Canadá na região Sul, Paulo Orlandi, enumera motivos para o país atrair tantos brasileiros:

— O custo de vida e o valor da passagem não são caros em comparação com países como EUA, Austrália e Inglaterra. Além disso, o Canadá é um país seguro, multicultural e receptivo.

Em busca de brasileiros

No dia 24, o governo canadense promove, em Porto Alegre, a feira Imagine Estudar no Canadá. O evento reunirá cerca de 60 instituições de ensino, entre escolas de idiomas, escolas de Ensino Fundamental e Médio, institutos tecnológicos (colleges) e universidades.

Com visitação gratuita entre as 15h e as 20h, a feira ocorre na Associação Leopoldina Juvenil (Rua Marquês do Herval, 280). O objetivo é colocar os estudantes em contato direto com representantes das instituições e fornecer informações sobre processos de seleção, documentação exigida e possibilidades de bolsas de estudo.

Interessados em participar devem se inscrever no site imagineestudarnocanada.com

Intercâmbio pela paz social

29 de agosto de 2013 0

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Depois de usar a arte para gerar cidadania em comunidades carentes do Rio de Janeiro, o porto-alegrense Marcelo Andriotti, 35 anos, viajou a Nova York (EUA) para apresentar suas ideias e conhecer o que está sendo feito em outras dezenas de países em busca da promoção da paz e da cooperação.

Radicado na capital carioca desde 1999, Andriotti foi um dos cem jovens líderes selecionados ao redor do mundo para o workshop UNAOC — EF Summer School, uma parceria da Education First com a Aliança das Civilizações das Nações Unidas. O evento, iniciado no domingo passado, terá uma semana de debates e seminários sobre desafios globais relacionados ao desenvolvimento social e às diversidades cultural, racial e religiosa.

Coordenador da ONG Favela Mundo, que já atendeu mais de 500 crianças e jovens desde a fundação, em 2010, Andriotti diz que a troca de experiências começou antes mesmo da viagem:

— Semanas antes, já conversava bastante com uma representante da Austrália, um rapaz do Egito, além de outros da Espanha, da Suécia, do Peru, da Venezuela e da África do Sul. Falamos das realidades e das culturas de cada país, abordando assuntos raciais e de religião.

Mesmo que o Brasil seja, ao menos aparentemente, um ambiente agregador, questões étnicas e religiosas podem se tornar motivos de segregação, verificados em maior ou menor clareza, em comparação a outros países.

— O encontro será mais para levantarmos semelhanças dentro das diferenças — explica Andriotti.

Quem é

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Bacharel em Artes Cênicas, pela UFRGS, e em Turismo, pela PUCRS, Andriotti também se licenciou em Artes Cênicas pela UniRio. Há cerca de 14 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro para trabalhar como ator, pois, relembra, o mercado carioca oferecia mais oportunidades. Integrou, em 2012, o elenco da Cia Circense Up Leon, da Suécia.

Além dos palcos, trabalha como arte-educador, produtor e caracterizador. Representou o Brasil, como convidado, em eventos culturais e pedagógicos, apresentando o Favela Mundo em Cuba e no México.

O Favela Mundo

Criada em 2010, em Vargem Grande, no Rio de Janeiro, a ONG Favela Mundo oferece, gratuitamente, atividades artísticas, como aulas de teatro, violão, dança afro, de salão e de rua e maquiagem, para estudantes entre seis anos e 18 anos, além de cursos de capacitação profissional para jovens a partir dos 16 anos.

Em agosto, a ONG deu início a uma parceria com a Brigham Young University, de Utah (EUA). No programa Favela Hope, voluntários americanos ministram aulas de inglês para jovens de 16 a 24 anos. Segundo Andriotti, a ONG já beneficiou 506 crianças de 42 comunidades diferentes do Rio de Janeiro.

O workshop em Nova York

A United Nations Alliance of Civilizations (UNAOC) selecionou Andriotti baseada em seu trabalho na Favela Mundo. Na sede das Nações Unidas, em Nova York, ele participa, com outros jovens que lideram projetos de transformação social, de seminários, palestras e encontros sobre discriminação racial, religiosa e social, igualdade, segregação e extremismos.

— A arte trata de respeito e diversidade. Embora existam problemas distintos entre os países, nossos trabalhos buscam a mesma coisa. Vamos elaborar um documento com propostas para conciliar diferenças — diz Andriotti.

Uno no es de dónde nace, sino de donde pace

30 de julho de 2013 0

Amanda às margens do Rio Bernesga, em León


Depois de um intercâmbio social no início de 2012, a estudante de Relações Internacionais da UFSC Amanda Caroline Nunes de Avelar, 21 anos, decidiu que havia chegado a hora de investir mais na vida acadêmica. Apesar de a decisão ter parecido um pouco precipitada na época, ela tinha uma certeza: faria um intercâmbio acadêmico para a Espanha. Por meio de um convênio bilateral entre e a Universidade de León e a UFSC, ela passou o primeiro semestre deste ano estudando na cidade ao noroeste da Espanha. Confira o relato de Amanda:

Escolha do país

A decisão foi muito fácil: meu objetivo principal era aprimorar o idioma espanhol e conhecer o país que desde pequena me encantava. Entretanto, escolher a cidade parecia um empecilho. As universidades conveniadas à UFSC não ofereciam o curso de Relações Internacionais ou disciplinas afins que eu pudesse agregar ao meu currículo. Encontrei, então, a Universidad de León, que oferecia o curso de Comercio Internacional.

A escolha das disciplinas foi um pouco difícil, mas ao fim eu estudaria matérias que me acrescentariam conhecimentos mais aprofundados sobre a Economia e Integração Europeia, Investigação de Mercados Cross-Cultural, Direção Internacional da Empresa e Teoria e Política do Comércio Internacional.

Incorporando a vida leonesa

Viver em León me encantou. É uma cidade pequena, muito bem estruturada e que pode ser cruzada de um lado a outro em 30 minutos caminhando. Ao redor de sua catedral imponente, muitos bares e restaurantes servem as famosas “tapas”, tradicionais porções de petiscos servidos quando se pede um corto ou caña de cerveja e outras bebidas. Quanto à comida, nada como um bom feijão e arroz! Em León as pessoas costumam comer muitos derivados da carne de porco, como presuntos e bacon, além da tradicional paella (valenciana). E tudo vem acompanhado de pão! Depois da refeição rica em proteínas e carboidratos, toda León pode desfrutar da sesta. O comércio fecha e os serviços públicos param de funcionar para que o povo leonês possa descansar tranquilamente. Ao final da tarde nada como um passeio no bairro Húmedo. Bairros das tapas, da reunião com os amigos e das festas. Festas que começam a partir da 1 da manhã e terminam só quando o sol já está alto!

“Somos Erasmus, no pasa nada”

Os intercambistas de fora do continente europeu que vêm à Universidad de León são chamados de “amicus”. Mas a verdade é que todos somos Erasmus (programa de cooperação e mobilidade universitária Erasmus Mundus, da União Europeia)! Os Erasmus se reúnem tradicionalmente às terças-feiras para ir à Delicatessen, pub que oferece os melhores serviços para intercambistas no bairro Húmedo. E essa tradição é responsável pela melhor parte da vida de Erasmus: o intercâmbio cultural!

Conhecer pessoas de todas as partes do mundo, conhecer outros idiomas, outras maneiras de se levar a vida, conviver com o igual e o diferente e ver florescer amores e amizades. Tudo na vida do intercambista favorece a formação de pequenos e grandes grupos de amigos, que se tornam nossas famílias. E a verdade é que, de tudo que fez parte do meu intercâmbio, o mais importante são as amizades que fiz por aqui.

O resultado de 6 meses vividos em León

Ao frequentar as aulas, adquiri muitos conhecimentos em relação às disciplinas que estudei. Disciplinas que não poderia cursar na minha universidade no Brasil. Em relação ao idioma, pude praticar o espanhol com espanhóis e outros intercambistas, de tal forma que tenho agora um vocabulário muito mais amplo. Ao viver “sozinha” desenvolvi responsabilidades, como cuidar da casa, cozinhar e cuidar do meu orçamento. Ao conviver com outras pessoas, tanto brasileiros como de outras nacionalidades, aprendi a respeitar ainda mais as diferenças e preservar o espaço do próximo. E, acima de tudo, ao viver em León aprendi que “uno no es de dónde nace, sino de donde pace”, proverbio espanhol que significa que as pessoas não são de onde nascem, mas de onde constroem suas vidas.


Itália de meus antepassados

24 de julho de 2013 0


Lucas Facciuto Roschel passou um semestre universitário em Milão

Lucas Facciuto Roschel, 23 anos, está na última fase do curso de Ciências Contábeis na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Em outubro do ano passado, ele participou de um intercâmbio no Politécnico de Milão (Polimi), na Itália. Ficou lá um semestre e cursou disciplinas ligadas às áreas de contabilidade e administração. Abaixo o relato do universitário sobre a experiência.

Descêndencia italiana

A ideia do intercâmbio surgiu quando eu ainda estava na metade do curso. Sempre pensei que viver uma experiência no exterior seria algo muito proveitoso e que agregaria tanto em conhecimento quanto no currículo. Mas, na mesma proporção que aumentava a minha vontade de viver esta experiência, aumentavam também minhas dúvidas para a escolha do país e da faculdade que frequentaria.

Assim como muitos brasileiros, sou descendente de italianos. Meu avô materno veio ainda pequeno para o Brasil com seus pais e mais uma irmã. Eles Fugiam da Segunda Guerra Mundial e encontraram aqui a paz que lhes faltava em sua terra natal. Seguramente, impulsionado pelo “sangue italiano” que corre em minhas veias, acabei escolhendo ir para a Itália. Sempre tive a vontade de estudar a língua italiana, conhecer melhor a cultura e quem sabe morar um tempo no país de meus antepassados.

Dois anos de planejamento

Como fiz um planejamento com bastante antecedência, foram aproximadamente dois anos (e a todos que pretendem um dia realizar um intercâmbio aconselho fazer o mesmo), pude fazer aulas de italiano por um ano e meio, preparar com calma a documentação necessária e programar tudo que pretendia fazer enquanto estivesse por lá. Isso me possibilitou ter menos dificuldades com a fala e a compreensão da língua, não ser pego de surpresa com a falta de documentos, ter em mente tudo que deveria fazer para não voltar frustrado e, como resultado, aproveitar ainda mais esta grande experiência de estudar em outro país.

Crescimento

Após voltar ao Brasil, posso dizer que o intercâmbio me fez crescer em vários aspectos. No lado acadêmico, tive o privilégio de estudar em uma das melhores universidades da Itália. No lado pessoal, realizei o sonho de viver no país que mais amo, depois do Brasil, claro! No lado cultural, não somente vi o Coliseu, a torre de Pisa e outros locais impressionantes, mas também adquiri a vivência daquela cultura.

E por fim, no lado humano, hoje me vejo mais responsável, melhor preparado para lidar com as pessoas e para me adaptar às situações. Estar em um ambiente de cultura diferente à que estamos habituados nos faz desenvolver a necessidade de adaptação ao meio em que estamos inseridos. Comigo não foi diferente, vivi isso na pele! Se voltasse no tempo, faria tudo da mesma maneira. Acredito que acertei em escolher o país que mais tinha vontade de ir. Isso me proporcionou um sentimento de realização, que certamente fez com que tivesse a mente mais aberta para reter os aprendizados e viver mais intensamente as emoções.

Imprevistos

Claro que nem tudo sai como planejado. Também é preciso dar um espaço para o improviso. Mas é bom lembrar que quando o planejamento é bem feito, fica mais fácil tomar decisões. Às vezes surpresas acontecem, mas elas servem para deixar a experiência ainda melhor! Meu último recado é: se você sonha em realizar um intercâmbio não deixe esta oportunidade passar! Além de ser interessante no currículo, é uma experiência inesquecível que proporciona um aprendizado único, que só tem quem já foi!


Frio alemão

17 de julho de 2013 0


Caroline Oswald escolheu Berlim por ser uma cidade grande e cosmopolita


Caroline Batistim Oswald está no último semestre de Ciências Biológicas na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mas desde o início da graduação pensava em ter uma experiência acadêmica no exterior. A vontade foi ficando de lado por causa da rotina atribulada, mas no começo de 2012 ela decidiu encarrar a aventura. Por intermédio da Secretaria de Relações Internacionais da UFSC, se inscreveu em uma universidade na Alemanha.

Ela conta que escolheu primeiro o país, pois sempre teve vontade de conhecer e vivenciar um pouco da cultura e da realidade da Alemanha, além de desejar aprender de fato o idioma, que já conhecia um pouco. Entre as opções de universidades que mantêm convênio com a UFSC, optou pela Technische Universität Berlin, na capital do país. Por Berlim ser uma cidade maior e cosmopolita, Caroline achou que se adaptaria mais facilmente durante os seis meses que ficaria por lá.

Estudar…

Cursei disciplinas bem diferentes das oferecidas no Brasil. Com certeza adquiri um grande conhecimento na área de engenharia-biológica (tradução literal), ecologia animal e vegetal e economia ambiental, mesmo que com enfoque em acontecimentos e história europeus.

O curso de graduação na Alemanha é bem diferente, pelo menos em relação ao meu curso na UFSC. Você não precisa ir um dia sequer às aulas, basta ir na primeira e fazer a prova final. Isso foi um grande complicador para mim, já que ter a disciplina em alemão não estava sendo fácil. Ter apenas um prova no final do semestre, depois de duas semanas de férias, foi mais difícil ainda!

…e conhecer outras culturas

O intercâmbio na Europa traz outras oportunidades além das acadêmicas, como poder conhecer outros países com certa facilidade. Fiquei em Berlim de setembro de 2012 a março de 2013 e pude aprender muitas coisas. Apesar de todas as dificuldades por estar fora de seu país de origem, o intercâmbio acadêmico é uma experiência que deve ser vivida, sempre que possível.

No meu caso, vivi em um lugar onde faz realmente frio, com uma língua, comidas e modos muito diferentes dos meus. Mas essa pequena experiência foi fundamental para a construção de planos futuros, como a realização de uma pós-graduação, ou pelo menos parte dela, em ambiente internacional. Acredito que os seis meses em que estive na Alemanha serão um grande diferencial para a minha vida pessoal e para minha carreira.


Intercâmbio em Paris: sonho de menina

17 de julho de 2013 0


Camila Macedo, aluna de Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), já nutria o gostinho por conhecer outros países quando fez a opção pelo curso. Quando, no início de 2013, se mudou para nada menos que Paris para lá viver e estudar por cinco meses, ela já havia feito um intercâmbio durante a graduação. No entanto, da primeira vez não havia estudado em uma universidade, e o choque cultural e a experiência como um todo foram muito mais marcantes.

Neste relato ela aponta as maravilhas de se viver em Paris e conta algumas dificuldades de se estudar fora do país (sim, elas existem!).

Sorbonne

As universidades francesas são bem diferentes da brasileiras, pelo menos no caso da Sorbonne Nouvelle e da UFSC. Desde o modo como são ministradas as aulas, até os critérios de avaliação e de aprendizado, passando pela relação entre corpo docente e discente e pela maneira como são escritos e apresentados os trabalhos acadêmicos. Apesar das dificuldades, a experiência de estudar em uma universidade é inestimável.

Em Sorbonne Nouvelle, fiz algumas disciplinas do curso de Etudes Européennes (estudos europeus), que não existe na UFSC. Pude estudar economia e história da integração europeia, o espaço social europeu e história das nações europeias entre 1914 e 1945. Assim, meu semestre em Paris foi um importante complemento para minha formação acadêmica.

Escolha da universidade

Escolhi estudar em Sorbonne Nouvelle porque desde a primeira vez em que fui a Paris, quando tinha 13 anos, alimentava o sonho de morar lá. Na verdade, minha primeira opção era o Institut de Études Politique, mas, por razões que desconheço, o contrato bilateral entre essa Grand École e a UFSC foi revogado. Minha dúvida ficou entre o Institut de Études Politique de Grenoble ou escolher alguma universidade em Paris. Acabei ficando com a segunda opção.

Escolhi a Sorbonne Nouvelle porque a instituição oferece o curso de estudos europeus e é membro fundador de Sorbonne Paris Cité. No entanto, minhas aulas não eram ministradas no prédio histórico de Sorbonne no Quartier Latin, mas sim em uma sede mais recente ao sul de Paris|.

Idioma

Durante os cinco meses em que fiquei na França, eu só falava em francês, (exceto com os amigos brasileiros, claro!). As aulas eram ministradas em francês e todos os trabalhos e provas deveriam ser realizados na mesma língua. Já estudava francês há aproximadamente quatro anos e sabia falar a língua, mas poder colocá-la em prática diariamente fez com que eu melhorasse minha compreensão da fala e da escrita, e aprendesse novos vocábulos e expressões.

Relações Internacionais

Outra oportunidade incrível que o intercâmbio me proporcionou foi uma viagem acadêmica para Bruxelas, a capital da união europeia, que fica a apenas 300km de Paris. Com um grupo de outros estudantes intercambistas e franceses da graduação e do mestrado, pude visitar os principais órgãos da União Europeia, como o Parlamento Europeu, a Comissão Europeia, o Comitê das Regiões e o Comitê Econômico e Social Europeu. Estivemos em contato com funcionários públicos da União Europeia, eurodeputados e membros da Comissão.

Cidade das luzes

Morar em Paris é uma experiência inesquecível. A cidade oferece muitas opções de cultura e entretenimento, principalmente para estudantes, que não pagam a entrada de vários museus e monumentos históricos e ainda têm desconto em inúmeros eventos e espetáculos. O sistema de transporte público é eficiente e com o passe mensal pode-se andar pela cidade toda por um preço fixo.

A localização de Paris no continente europeu facilita o deslocamento para outros países, seja por trem, avião ou ônibus. Como cheguei no segundo semestre do ano letivo francês, não havia mais vaga em alojamento estudantil. Depois de muita pesquisa, consegui alugar um apartamento no centro da cidade, de apenas 13m²! Mas foi ótimo, pois foi a primeira vez que morei sozinha.

Vale a pena

No geral, fazer intercâmbio em uma universidade estrangeira é uma experiência que enriquece o estudante tanto pessoalmente como academicamente. Em minha opinião, é uma oportunidade que deveria estar ao alcance de todos os alunos de Relações Internacionais, mas como o curso não está incluído no programa Ciências Sem Fronteira, a dificuldade em conseguir uma bolsa de estudos pode ser um empecilho. Eu mesma não teria ido se não fosse pelo apoio financeiro da minha família, já que conseguir um emprego em um Europa em crise não é uma tarefa simples.

Rascunhando pelo mundo

25 de junho de 2013 0



Gabriel Fronza tem apenas 21 anos, mas já é cidadão do mundo


Gabriel Barbosa Fronza, tem 21 anos, estudou durante seis meses em Portugal e hoje vive em Brno, na República Tcheca. Conhecer novas culturas e aprender novas línguas sempre estiveram nos planos do estudante. Quando cursava o ensino médio, ele morou em Toronto, no Canada.

— Foi uma das melhores experiências da minha vida e mudou o jeito que eu vejo o mundo — confessa. Na volta, ele encarou o vestibular da UFSC e conseguiu uma vaga no curso de Design de Animação.

— Penso em trabalhar com animação em 3D, seja para games, vídeos ou filmes. No meu curso sempre trabalhei com o meio digital, mas acho interessante me aprofundar em conteúdos mais tradicionais. Foi aí que surgiu a oportunidade de estudar na Universidade do Porto, em Porto, Portugal. O curso de Belas Artes da universidade é muito renomado e por meio da UFSC Consegui um semestre de estudos gratuitos — comemora o estudante.

Cidade histórica

Admito que não conhecia nada de Portugal. O país é muito diferente do que eu imaginava. Até mesmo a língua portuguesa deles consegue ser muito diferente da nossa. A cidade do Porto é muito histórica e dá para ver que os portugueses são orgulhosos do seu país. Apesar da crise que se instala por lá, eu os achei muito simpáticos, e me senti bem recebido. Fiz muitas amizades e achei muito fácil me socializar. A cidade é cheia de intercambistas e me surpreendi como grande parte dos portugueses falam inglês.

Arte para todos os lados

A faculdade de Belas Artes é magnifica, enorme e cheia de arte espalhada por todo o campus, com trabalhos de mais de 200 anos. Tive apenas três disciplinas. Nas aulas de Desenho do Corpo, o professor era muito sábio, mas um pouco ranzinza. Em toda aula havia um modelo nu para desenharmos por quatro horas. Em Práticas em Escultura, escolhíamos um projeto para fazer em um semestre e tínhamos que termina-lo tanto em gesso, pedra ou madeira. E na disciplina de Escultura, aprendi muito com o professor alemão, cheio de ideias abstratas. Para mim foi de extrema importância o conhecimento tradicional que ganhei, conheci pessoas que são verdadeiros mestres em escultura, pintura e desenho e compartilhamos muito conhecimento.

Viajando pela Europa

Em Porto, tive mais amigos intercambistas do que portugueses. Na universidade, existe um grupo chamado ESN, que organiza as festas e viagens. Foi assim que conheci minha atual namorada, Gabriela Pacasová, que vinha da Republica Tcheca. Passei o Natal com a família dela, me apaixonei pelo seu país também e fui superbem recebido pela sua família e amigos. Por fim tive de voltar ao Brasil, mas um mês depois vim morar com ela na Republica Tcheca e estou trabalhando aqui. Há varias oportunidades para designers como eu. Voltarei para o Brasil apenas em dezembro para apresentar meu TCC e depois estarei aqui na Europa novamente. Me desejem sorte! Em poucas palavras, intercambio vale muito a pena, é uma experiência para mudar a vida.


Estetoscópio e dicionário na mala

12 de junho de 2013 0

Bruna acredita que experiência de intercâmbio após o Ensino Médio ajudará nos seis anos de curso na Rússia

Bruna acredita que experiência de intercâmbio após o Ensino Médio ajudará nos seis anos de curso na Rússia

A estudante gaúcha Bruna dos Santos está de malas prontas, prestes a cruzar meio mundo para estudar Medicina em um lugar ainda pouco desbravado por estudantes brasileiros: a Rússia. Nascida em Parobé, a jovem de 17 anos, que embarca na próxima quinta-feira, escolheu o destino por ser pouco usual.

— E é bem mais barato do que fazer Medicina em uma universidade particular no Brasil — completa Bruna, que também cogitava estudar na Argentina e em Cuba.

Ela admite não saber muito sobre Kursk, cidade a cerca de 500 quilômetros ao sul de Moscou onde vai viver pelos próximos seis anos. Além do mais, não tem qualquer noção sobre o idioma local. Mas isso não a assusta, pois, antes de iniciar a graduação, passará três meses em um curso preparatório de russo, física, química e biologia (as três em inglês — idioma em que será ministrada a graduação).

— Sei que só vou ver minha família uma vez por ano, mas não vou ter problemas de adaptação, porque já fiz intercâmbio na Irlanda logo que terminei o Ensino Médio — projeta Bruna.

Por que a Rússia?

Optei pela Rússia para aprender sobre outra cultura e outra língua, o que é mais desafiador, e pela qualidade da universidade, que está entre as 10 melhores do país e tem uma excelente infraestrutura. Além disso, a carga horária é maior do que a das universidades oferecidas na Argentina, com aulas de segunda a sábado.

Saiba mais

De acordo com a Aliança Russa de Ensino Superior, entidade responsável pelo Programa de Estudos Universitários da Rússia, não há reajuste no valor da semestralidade até o fim do curso. Os novos alunos deverão investir US$ 2,3 mil para cobrir as taxas escolares e US$ 300 pela moradia. Informações em www.aliancarussa.com.br

Detalhe ZH

O sistema russo

O sistema de ensino a que Bruna será submetida na Rússia é diferente do brasileiro. Lá, não há acúmulo de conteúdo, pois, em um programa organizado em diárias, o estudante faz uma avaliação depois de cada assunto visto em aula. Se, no semestre, forem 16 encontros, por exemplo, o aluno fará 16 avaliações antes do exame final do período. Caso perca uma aula ou uma avaliação, terá de marcar, com o professor, uma nova data para recuperar o que ficou para trás.

Espanha e muita cultura

11 de junho de 2013 0



A estudante de jornalismo morou em Madri no primeiro semestre de 2012


Em janeiro de 2012 a estudante de Jornalismo Milena Lumini deixou sua rotina na Universidade Federal de Santa Catarina para fazer intercâmbio de um semestre na Universidad Autónoma de Madrid (UAM), na Espanha. Ela diz que sonhava com essa experiência desde o ensino médio, quando procurou algumas empresas que ofereciam o programa highschool para o Estados Unidos.

Milena acabou adiando a viagem para a faculdade, e acredita que assim tenha sido melhor. Além de estar mais madura, ela pôde escolher o país e a cidade onde queria estudar. Madri foi o destino, opção motivada pela vontade de aprender o idioma espanhol e de viver onde o clima fosse agradável (quase não chove na cidade e o frio não é tão rigoroso, conta Milena), e pelo fato de a cidade estar localizada na Europa, o que permitiria viajar bastante. Leia um pouco sobre as lembranças da estudante daquele semestre na Espanha.

Amigos e viagens

Nesse mesmo mês, há exatamente um ano, eu e outros amigos brasileiros, chilenos, mexicanos e argentinos nos reunimos na Casa de Campo, parque de Madri, para fazer um piquenique de despedida. Em breve, cada um de nós faria uma viagem diferente pela Europa e os momentos que passamos juntos, estudando ou fazendo festa pelas ruas da cidade, ficariam para trás. Fazia cinco meses que eu havia deixado a minha rotina universitária na UFSC para fazer intercâmbio na Espanha.

Já sabia andar por toda a cidade sem me perder (pegava metrô e trem todos os dias para ir da estação Marqués de Vadillo à Universidad Autónoma de Madrid), os vendedores nas lojas entendiam o meu espanhol recém aprendido e eu tinha me acostumado à indelicadeza sutil dos espanhóis, entre outros pequenos choques culturais. Ainda sorria cada vez que escutava alguns turistas brasileiros conversando no metrô, mas já começava a sentir saudade, por antecipação, da minha rotina madrileña.

Estudos

Cada uma das disciplinas que fiz eram de cursos diferentes, pois a UAM não oferece graduação em jornalismo. Às terças feiras, tinha aulas de espanhol junto com outros intercambistas e, três vezes por semana, comia um delicioso bocadillo salmão defumado antes das aulas de vôlei. Tinha aulas ótimas de Comunicación Intercultural e Historia Contemporánea e outras nem tanto, de Retórica y Agumentación e Música en los medios audiovisuales. No caminho de volta pra casa, fazia questão de descer na estação Sol e caminhar até a La Latina pra evitar uma baldeação e ver um pouco da vida no centro de Madri. Artistas de rua de todos os tipos em busca de atenção na Plaza Mayor, turistas alvoroçados pelas ruas e lojas, espanhóis impacientes saindo do trabalho, promoters de festas.

Experiências culturais valiosas

Viver em outro país é encontrar a todo momento algo novo e encantador, seja um prédio com arquitetura charmosa, um novo prato típico ou pessoas especiais. Era pra isso que eu queria fazer intercâmbio! Madri não me decepcionou em nada, é super animada e rica em vida noturna e cultural. As viagens, muito menos.

Estive em um total de 10 países e 20 cidades diferentes, onde tive experiências inesquecíveis. Passei uma noite de carnaval em Cádiz e outra sem dormir em Valencia, durante a festa das Fallas. Fiquei perdida à noite em Bruxelas sem saber uma palavra de francês. Tomei chuva e passei a noite mais fria da minha vida em um chalé de madeira em Veneza. Visitei um campo de concentração em Berlim. Vi o castelo de Praga e tomei a melhor cerveja da Europa. Conheci o hospital subterrâneo e os bares ruínas de Budapeste. Dormi na cama mais desconfortável que já vi em um albergue sujinho de Londres…

Tenho certeza de que, depois dessas experiências, hoje sou uma pessoa muito mais madura e aberta para as diferenças culturais. Fiz amizades ótimas com pessoas completamente diferentes de mim_gente da Itália, França, Alemanha, Holanda, Bélgica… Morei em um país onde o transporte público funciona bem e não se paga caro pela conta do celular. Mas também descobri porque, apesar de não termos os padrões de um país desenvolvido, gosto tanto do Brasil e da nossa gente.

Aprendendo palavras (quase) impronunciáveis

11 de junho de 2013 0

Pietro vai estudar por um semestre em uma cidade no oeste da Alemanha

Pietro Bertuzzi, 21 anos, saiu de Florianópolis para estudar em uma cidade de nome praticamente impronunciável para os brasileiros. O estudante de Engenharia Civil da Universidade Federal de SC vai passar um semestre matriculado em uma universidade em Kaiserslautern. A cidade no oeste da Alemanha tem aproximadamente 100 mil habitantes. Pietro estava na nona fase do curso quando decidiu arrumar as malas e estudar na Technische Universität, pelo programa do governo federal Ciência sem Fronteiras. A experiência, para ele, tem valido a pena. Confira o relato de Pietro.

Paixão em comum

Talvez algo que assemelhe a cidade Kaiserslautern ao Brasil seja o fato de que ela também respire futebol! O time 1.FCK, apresenta números incríveis de torcedores para uma equipe que está hoje na 2ª divisão da Bundesliga, campeonato nacional alemão. Os jogos movimentam a cidade inteira e só se fala sobre isso. Por muitos anos, o time era um dos únicos destaques da cidade no cenário nacional. Porém, nos últimos anos a boa reputação da universidade tem sido a responsável por colocar o nome Kaiserslautern novamente no mapa.

O curso

Pelo fato de eu ser um aluno de intercâmbio, pude escolher livremente as matérias de meu interesse que eu iria cursar. Contudo, todas as disciplinas são lecionadas na língua alemã, uma vez que o curso de Engenharia Civil nessa universidade é oferecido apenas nesse idioma. Outros cursos disponibilizam disciplinas em inglês, além de alemão. Penso no idioma diferente não como uma barreira, e sim como um desafio. Para aprimorar meu alemão, fiz um curso intensivo de dois meses, entre fevereiro e abril, antes de viajar.

Frequento as cadeiras de planejamento e administração da construção, urbanismo, construção de pontes e dinâmica das fundações e ação de terremotos. Além disso, estou elaborando aqui a primeira parte do meu trabalho de conclusão de curso. Também faço parte de um projeto do laboratório de Engenharia Civil da universidade, voltado para projetar e testar construções populares, utilizando-se novos materiais e método inovadores de construção.

Estrutura do campus

A estrutura do campus é incrível! Com moradias estudantis, transporte gratuito. Também há coisas curiosas como bares dentro da própria universidade. Moro em uma das moradias estudantis que fica a apenas três minutos de caminhada das minhas salas de aula. O restaurante universitário (mensa, em alemão) oferece uma variedade incrível de opções, considerando o baixo preço. Já comi desde Schnitzela, Paella a Burritos, pagando apenas 2,15 euros por refeição!

Pé na estrada

O sistema de transporte alemão é bastante desenvolvido e prático, na minha opinião. Uma infinidade de linhas ferroviárias conecta as cidades da Alemanha, com trens regionais e de alta velocidade. Uma dica interessante, para quem pretende viajar pela Alemanha, pagando pouco, é o tíquete de trem chamado schönes Wochenende (tradução ao pé da letra: “bom fim de semana”).

Com este, cinco pessoas podem viajar com um único passe por toda a Alemanha com trens que não sejam de alta velocidade. O tíquete tem validade durante algum dia do fim de semana e custa 42 euros. Essa é uma opção acessível, que permite a viagem de Kaiserslautern até Berlim em 11 horas, por apenas 8 euros por pessoa. Por isso, costumo estudar durante a semana e nos fins de semana juntar um grupo de amigos e viajar por aí.

Por que a Alemanha?

Escolhi o país pela qualidade das universidades, pela tecnologia de ponta dos equipamentos fabricados, por eu já possuir algum conhecimento do idioma e ainda pela infinidade de lugares interessantes para se visitar. Posso dizer que me surpreendo positivamente a cada dia com a vida e estudo aqui na Alemanha. E afirmo que o intercâmbio foi uma das melhores invenções da atualidade para se conhecer a si mesmo e mais um pedacinho do mundo.