O que você sabe sobre a Estônia? Como a maior parte das pessoas, muito pouco ou nada, até. No leque de possibilidades do administrador de empresas Bruno Bruel, o país entrou por conta de uma intercambista vinda de lá. O país, entretanto, está entrando no roteiro (pelo menos turístico) de muitos viajantes.
Eles recentemente adotaram o euro e recebem os famosos vôos de baixíssimo custo da Ryanair. Tallinn, a capital da Estônia, é a Capital Cultural da Europa 2011, com muitos eventos acontecendo. Mas se nem esses fatos tornam este pequeno país báltico situado entre a Suécia, a Finlândia, a Letônia e a Rússia, polo de TI e berço do Skype, conhecido no mundo, vale a pena das uma lida na experiência que o porto-alegrense teve por lá. Nessa temporada, ele descobriu algumas curiosidades e "semelhanças" bem peculiares, eu diria...
Bruno com esculturas de gelo em Vabaduse Valjak, a praça da independência
"Em 2009, a Estônia trouxe a Porto Alegre um dos pouco mais de um milhão de seres humanos originados neste remoto país do nordeste europeu. Seu nome era Maris e ela veio realizar um intercâmbio pela Aiesec Porto Alegre, escritório do qual era e ainda sou membro. Ficamos amigos e ouvi muitas coisas interessantes sobre a Estônia, dentre as quais eu destacaria o hábito estoniano de se entrar em saunas sem roupa. Mas não sozinho, como entramos no banho: com parentes ou amigos, como uma forma de socialização. Seria mais ou menos o equivalente à nossa roda de chimarrão, mas com todo mundo pelado. Foi meio difícil de acreditar e todo mundo aqui fez piadas com este fato, mas alguns meses mais tarde eu teria a oportunidade de comprovar sua veracidade.
Já tinha feito dois intercâmbios de Work and Travel nos EUA, mas agora queria trabalhar na minha área e, de preferência, em algum lugar bem diferente e que me proporcionasse muito mais descobertas do que obviedades. Me candidatei para vagas em vários lugares do mundo, até que apareceu uma vaga somente para brasileiros em Tallinn.
Blocos de gelo no mar báltico, que banha a Estônia
Chegando lá, me deparei com um país que ainda guarda muitos resquícios da forçada ocupação soviética que sofreu no passado recente, mas que por outro lado possui uma história que remete à Idade Média e tem na sua capital um dos centros históricos medievais mais bonitos e bem conservados da Europa, o que é o principal atrativo turístico do país.
O povo estoniano, até por sua homogeneidade (quase todos os habitantes são de origem estoniana ou russa, de forma que quase não há imigrantes no país) é extremamente receptivo a estrangeiros e muito, muito fãs do Brasil. Acho que o sonho de todo estoniano é vir para o Brasil, nem que seja só para fugir do inverno longo, extremamente frio (pode chegar a -30ºC) e, principalmente, escuro: no inverno, poucas são as horas de luz solar. Mas eu cheguei lá às vésperas do verão, quando ocorre o fenômeno oposto, e, apesar de já estar avisado disso, me surpreendi com o número diário de horas de luz natural: em torno de 20, 21h.
celebrando o Jaanipäev, feriado nacional em homenagem ao dia mais longo do ano
Na realidade, no auge do verão, o sol não chega a se pôr totalmente: ele apenas se esconde no horizonte, de forma que o céu permanece cinza e nunca preto. E em questão de 3 ou 4 horas, lá está o sol brilhando novamente. Quanto à temperatura, ficou acima de 20ºC na maior parte do verão, chegando aos 30º às vezes, o que tornou meu verão lá muito agradável e ativo.
A Estônia tem outras vantagens em relação a certos países europeus, além da receptividade a estrangeiros e do verão de dias eternos: o custo de vida é baixo e o inglês é dominado sem dificuldades pela população de meia idade para baixo, até por uma questão de sobrevivência: se eles não falassem inglês, estariam fadados ao isolamento, pois quem no mundo iria fazer esforço para aprender estoniano? Por fim, destacaria o uso inteligente de tecnologia para fins públicos, quesito no qual a Estônia é case mundial (pesquise, por exemplo, sobre o ID estoniano no google, ou o número de pontos Wifi gratuitos no país).
Após seis meses pude aprender bastante sobre comércio internacional e sobre mim mesmo nesse intercâmbio. Ao final do trabalho, decidi que não era hora de voltar para o Brasil ainda e resolvi me jogar pelo mundo. Da Estônia fui para a Dinamarca, onde trabalhei em um projeto em escolas, e depois para Maurício, na África, onde participei de um projeto sobre sustentabilidade. Mas essas são histórias pra outro dia.
Mas e por que este título? a bandeira da Estônia consiste em três listras horizontais nas cores azul, preta e branca, e foi adotada oficialmente como símbolo nacional em 1918, quando o país obteve sua independência pela primeira vez. Após, portanto, a fundação do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, que ocorreu em 1903.
Resultado: quando eu presenciava manifestações patrióticas, especialmente no Dia Nacional da Bandeira, me sentia como se estivesse na Geral do Grêmio, e, portanto, não tão longe assim de casa.
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