Minha primeira aventura no Chile começou no Parque Nacional Torres del Paine, parte da patagônia chilena onde fiz um circuito de trekking de quatro dias conhecendo os pontos principais do local, como as próprias torres e o Vale Francês. A impressão que tive é de que essa parte do país ainda não é muito explorada por brasileiros, pois, em cinco dias de estadia no parque, não encontrei nenhum. Mas tive a oportunidade de caminhar junto a um cara de Londres e um guia da Patagônia. Falei inglês boa parte do tempo e ainda aproveitei para, volta e meia, tirar dúvidas sobre espanhol com Tadeo, o guia.

Depois de passar bastante frio e me apaixonar pela Patagônia, fui para a capital, Santiago. Onde estudei uma semana da língua. Por lá, não foi difícil encontrar pessoas a dizer que aprender o espanhol falado pelos chilenos não é tarefa fácil. Os mais jovens, principalmente, falam muito rápido e têm suas gírias, isso é indiscutível. Mas, em geral, as dificuldades são com quem precisa passar mais tempo no Chile ou se propõe a morar por lá. No meu caso, como foi um curso intensivo de uma semana, minha convivência era 80% do dia com professores do curso _ que, obviamente, falavam claro e devagar _ e com colegas na mesma situação de aprendizado. Nos outros 20% do tempo, pegava jornais para ler, ia em lojas e supermercados, prestava bastante atenção nas falas do metrô, TV e rádio, ou mesmo na fala das pessoas nas ruas. E me sentia o máximo cada vez que eu entendia o que eles diziam, por mais rápido que fosse.
Minhas despesas com curso, que incluía uma hora e meia de aulas particulares por dia, mais três horas de aula em nível intermediário (já estudo há um ano e meio em Porto Alegre) e atividades no turno da tarde, foram de 350 dólares. Era possível ficar em um albergue, mas a escola que escolhi ainda oferecia estadia em casa de família ou de um professor por mais 140 dólares. Embora fosse bem mais barato ficar em um hostel, achei que valia a pena a máxima tentativa de imersão e fiquei na casa de uma professora muito legal, que me explicou vários costumes dos chilenos e falava muito da cultura e da história do povo. Foi na casa dela, inclusive, onde comi pela primeira vez pão com abacate puro (sim, eles adoram e acham muito estranho que a gente coma com açúcar).
Tirando as desvantagens das gírias e do falar rápido, pelo menos os gaúchos têm uma vantagem ao aprender espanhol em terras chilenas. Enquanto na Argentina e no Uruguai é muito disseminado o uso do "vos" para conversas informais, no Chile o "tu" é o mais usado no papo informal.
Turisticamente, Santiago é uma cidade que pode ser vista em uma semana, aproveitando o intervalo das aulas. É bastante cosmopolita, mas também bastante povoada, com muito trânsito e poluição. Mas tem um sistema de transporte público que funciona bem e é relativamente segura.

Meu problema maior era com a conversão de moeda. Um real estava por volta de 270 pesos chilenos em abril deste ano. Eram muitas casas decimais para pensar e calcular a cada despesa. E, por oferecer tanto para se ver, nem tudo é muito barato no Chile, especialmente em pontos como a Patagônia e São Pedro de Atacama, meu destino final depois do curso. Já os preços em Santiago são equivalentes aos de Porto Alegre.
O "formato" do Chile, extenso como é, ainda proporciona paisagens bem diversas, de sul a norte, devido a sua extensão. Um cenário mais fantástico do que o outro. Dá, tranquilamente, para juntar o útil (no caso, estudar) ao agradável (passear muito).
Todos os chilenos que conheci foram muito amáveis e se esforçavam em me fazer compreendê-los quando precisei. Não sei se tive sorte, mas não me arrependo de ter escolhido Santiago para aprender um pouco mais de espanhol."
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