
Aos 20 anos, Júlia Visnievski Zacouteguy queria fazer intercâmbio, mas faltava dinheiro para conseguir realizar o sonho. Ela participou de um concurso nacional e ganhou uma bolsa para ser Au Pair nos Estados Unidos. Em New Jersey, fez curso de inglês e recebeu um salário para cuidar de duas crianças. A estudante de Relações Internacionais precisou se adaptar à rotina da família com costumes bem diferentes dos seus. Por isso, ela faz um alerta a quem pensa em escolher a modalidade de Au Pair para um intercâmbio:
– Tem que ter bem claro que não é um intercâmbio em que se faz festa e se viaja todo final de semana. Está muitomais relacionado com responsabilidade, maturidade e aprendizado constante. Isso não significa que ela não tenha conseguido passear e se divertir, já que o programa prevê folgas que cada um pode usar como preferir.

Júlia aproveitou para conhecer as cataratas do Niágara e a Costa Leste. Durante o ano em que esteve com a família, ela viveu uma experiência intensa. Confira o relato:
“Esses dias, participei de um processo eletivo para estágio e, em uma das fases, os candidatos tinham de escrever um parágrafo sobre o maior desafio já enfrentado. Eu escrevi sobre ser au pair. Para mim, o início do processo foi praticamente uma cruzada. A demora em achar uma família que fizesse eu me sentir bem, pelo menos via Skype, e que compartilhasse dos meus ideais resultou em muita frustração.

Depois de um ano de ligações e troca de e-mails quase que diários com o pessoal da agência, finalmente achei uma família numa cidadezinha em New Jersey. Parecia perfeito, pertinho de Nova York, duas crianças, uma mãe enfermeira e um pai que trabalhava com mídia. Eu sempre me julguei superadaptável e, afinal, quão difícil pode ser cuidar só de duas crianças?
Foi difícil. Bem difícil. Minha experiência em cuidar de crianças se restringia a creches e escolas, com estruturas voltadas única e exclusivamente para a segurança e o cuidado com os pequenos. E, então, eu estava em uma casa,
com uma família que não era a minha, com regras e costumes completamente diferentes daqueles com que fui criada
e com uma responsabilidade gigantesca em mãos: tomar conta de duas vidas. É claro que eu tinha horários, e as minhas atividades incluíam levar para escola, dar mamadeira, almoço, janta, banho, eventualmente colocar para dormir e brincar.

Eu amei a experiência, morro de saudade das minhas crianças. Além disso, tem toda a parte de absorver a cultura, as festas no porão, escolher abóboras no Halloween, pedir comida para máquina nos drive-thrus, essas coisas pequenas
do dia a dia”.
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