Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts com a tag "família hospedeira"

Encontros vão tirar dúvidas sobre intercâmbio no Ensino Médio

20 de outubro de 2012 0

Como eu faço com as notas da escola? vai me atrapalhar no vestibular? posso ir para um país cuja língua ainda não domino? posso estudar no exterior por mais de um ano? e se eu não me der bem com a família? são algumas das dúvidas que aparecem para quem está pensando em fazer intercâmbio durante o ensino médio, conhecido como programa de High School.  Esta é uma das modalidades mais conhecidas e queridas pelos jovens pois se passa pelo menos seis meses em países como Estados Unidos, Austrália, Alemanha, Canadá, França e muitos outros para frequentar a escola e conviver com uma família.

Para dar uma mãozinha para quem quer fazer isso e não sabe nem por onde começar vai ocorrer em Porto Alegre uma série de encontros. Os Get Together  da STB serão realizados em todas as unidades da empresa e vão contar com orientadores explicando mais e tirando dúvidas gratuitamente. Para participar é só chegar. Confira o cronograma:

Serviço:
Data: 24/10
Unidade Bela Vista (Anita Garibaldi 1515).
Horário: às 16h

Data: 25/10
Unidade Moinhos de Vento (Quintino Bocaiuva, 267)
Horário:  às 16h

Data: 26/10
Unidade Zona Sul (Wenceslau Escobar, 3112)
Horário: às 16h

Nesta terça tem Intercambiando na Zero Hora

24 de setembro de 2012 0

O intercambiando desta terça conta a história da família Fagundes (todos em pé na foto) que já hospedou três estudantes estrangeiros aqui em Porto Alegre. A primeira foi Paulina, da Alemanha  (no centro), a segunda foi a Rebeca dos Estados Unidos (na esquerda) e agora o Fynn (da Alemanha) é o atual "filho com sotaque" deles.  Além da história deles, tem também um monte de dicas para quem quer ser família hospedeira. As dicas servem também para quem está pensando em encarar um intercâmbio ;)

Paulina, da Alemanha, virou colorada com a família Fagundes

Au Pair: um intercâmbio mais barato, mas cheio de responsabilidades

06 de setembro de 2012 2

Aos 20 anos, Júlia Visnievski Zacouteguy queria fazer intercâmbio, mas faltava dinheiro para conseguir realizar o sonho. Ela participou de um concurso nacional e ganhou uma bolsa para ser Au Pair nos Estados Unidos. Em New Jersey, fez curso de inglês e recebeu um salário para cuidar de duas crianças. A estudante de Relações Internacionais precisou se adaptar à rotina da família com costumes bem diferentes dos seus. Por isso, ela faz um alerta a quem pensa em escolher a modalidade de Au Pair para um intercâmbio:

– Tem que ter bem claro que não é um intercâmbio em que se faz festa e se viaja todo final de semana. Está muitomais relacionado com responsabilidade, maturidade e aprendizado constante. Isso não significa que ela não tenha conseguido passear e se divertir, já que o programa prevê folgas que cada um pode usar como preferir.

Júlia aproveitou para conhecer as cataratas do Niágara e a Costa Leste. Durante o ano em que esteve com a família, ela viveu uma experiência intensa. Confira o relato:

“Esses dias, participei de um processo eletivo para estágio e, em uma das fases, os candidatos tinham de escrever um parágrafo sobre o maior desafio já enfrentado. Eu escrevi sobre ser au pair. Para mim, o início do processo foi praticamente uma cruzada. A demora em achar uma família que fizesse eu me sentir bem, pelo menos via Skype, e que compartilhasse dos meus ideais resultou em muita frustração.

Depois de um ano de ligações e troca de e-mails quase que diários com o pessoal da agência, finalmente achei uma família numa cidadezinha em New Jersey. Parecia perfeito, pertinho de Nova York, duas crianças, uma mãe enfermeira e um pai que trabalhava com mídia. Eu sempre me julguei superadaptável e, afinal, quão difícil pode ser cuidar só de duas crianças?

Foi difícil. Bem difícil. Minha experiência em cuidar de crianças se restringia a creches e escolas, com estruturas voltadas única e exclusivamente para a segurança e o cuidado com os pequenos. E, então, eu estava em uma casa,
com uma família que não era a minha, com regras e costumes completamente diferentes daqueles com que fui criada
e com uma responsabilidade gigantesca em mãos: tomar conta de duas vidas. É claro que eu tinha horários, e as minhas atividades incluíam levar para escola, dar mamadeira, almoço, janta, banho, eventualmente colocar para dormir e brincar.

Eu amei a experiência, morro de saudade das minhas crianças. Além disso, tem toda a parte de absorver a cultura, as festas no porão, escolher abóboras no Halloween, pedir comida para máquina nos drive-thrus, essas coisas pequenas
do dia a dia”.

Concurso dá bolsas de estudos para intercâmbio de Au Pair nos Estados Unidos

17 de agosto de 2012 1


Estão abertas, até 22 de agosto, as inscrições para participar do concurso Au Pair 2012. Serão 32 bolsas integrais para meninas com idade entre 18 e 26 anos de todo o Brasil.  O programa Au Pair USA é uma oportunidade de trabalhar com crianças e aprimorar o inglês.

O concurso é promovido pela World Study e faz parte do Projeto Brasil Futuro. A bolsa inclui passagem aérea internacional, seguro-viagem, bolsa-auxílio semanal durante o programa, ajuda de custo para estudos e orientação com psicólogos. O programa terá duração de um ano. A ganhadora só precisa se preocupar com documentação, despesas com o visto e despesas pessoais.

Para participar é necessário preencher o formulário de inscrição no site http://www.concursoaupair.com.br.  Após isto, a candidata deverá entregar ao escritório da World Study mais próximo uma cópia do certificado/diploma de conclusão do Ensino Médio, a comprovação da sua experiência com crianças (300h) e uma cópia da carteira de habilitação e do passaporte.

Uma vez entregues os documentos no escritório da World Study, a candidata irá receber um comprovante de inscrição com local, hora e data do concurso. Este comprovante terá que ser apresentado no dia da prova com um documento de identidade.

Para ler o regulamento e ter mais detalhes do concurso acesse o site http://www.concursoaupair.com.br

Quer tirar dúvidas sobre intercâmbio no ensino médio? Não perca este encontro!

08 de agosto de 2012 2

Fazer um High School gera muitas expectativas: e como vai ser na escola? E se eu não me der bem com a família? Será que meu inglês é bom o suficiente? Será que dá muita saudade dos amigos? Às vezes a expectativa é tanta que fica até difícil de lidar com ela. Para ajudar, nada melhor do que ouvir dicas e histórias de quem já vivenciou essa experiência para se preparar para seu embarque ou ainda definir onde fazer o programa.

Para dar uma mãozinha para os nervosos e/ou ainda desnorteados, o STB promove no próximo dia 9 de agosto, em Porto Alegre, um encontro com os intercambistas que cursaram parte do Ensino Médio no exterior. Desta forma, os próximos alunos brasileiros que irão viajar sentirão um pequeno gostinho desta experiência que irá marcar suas vidas.

O programa de High School no exterior é o mais tradicional programa de intercâmbio que existe, e é uma das mais intensas experiências para jovens de 14 a 18 anos. Enquanto o estudante adquire conhecimentos durante as aulas em uma escola de ensino médio, também absorve costumes diferentes vivendo e convivendo com famílias locais.

A função toda o encontro com intercambistas que cursaram parte do Ensino Médio no exterior das ocorre 17h às 19h no Complex (Av. Protásio Alves, 3839 - esq. Rua Gutemberg). A função é grátis e só tem que confirmar presença pelo telefone 4001-3010 ou bv@stb.com.br.

Data: 09 de agosto, quinta-feira
Horário: 17h às 19h
Local: Complex (Av. Protásio Alves, 3839 - esq. Rua Gutemberg).
Confirmação de Presença: 4001.3010 ou bv@stb.com.br

Como se diz família em japonês?

20 de junho de 2012 3

A relações-públicas Laís Ribeiro curtia o feriado do Carnaval quando recebeu o pedido para acolher uma estudante japonesa que acabava de desembarcar em Porto Alegre. Minami Sato, 23 anos, veio estudar literatura rio-grandense na UFRGS e caiu de paraquedas na vida de Laís, que embarca para a Espanha para um curso de mestrado no final deste ano. Confira abaixo o relato de Laís sobre a colisão destes mundos tão distintos e as descobertas pré-viagem ao ajudar alguém na mesma situação:

"A estudante japonesa Minami Sato, 23 anos, chegou em pleno Carnaval e me pediram para recebê-la. Me formei na UFRGS, universidade onde a Minami veio estudar literatura rio-grandense, então combinamos que ela ficaria na minha casa por uma ou duas semanas para que eu pudesse ajudá-la com as – muitas – burocracias que temos por aqui. Foi assim que, no início de março, a japonesa “caiu” na minha casa. E até hoje continua lá.

No início, minha preocupação era apenas situá-la na cidade, que nem sempre oferece as melhores condições de transporte, moradia e segurança para alguém que vem de tão longe e fala pouco nosso idioma. Mas a verdade é que agora todos lá em casa já nos apegamos a ela, e acho que essa é a verdadeira riqueza do intercâmbio: fazer amigos muito diferentes de nós.

Estamos trocando experiências, culturas. Estamos aprendendo uns com os outros. Digo isso porque incluo meus pais nesse processo. Eles, encantados, ganharam outra filha, além de começarem a enxergar o mundo de outra maneira, mais próximo, globalizado.

Acredito que a vinda da Minami também ajuda a prepará-los para a minha ausência e para sabermos que dificuldades e experiências terei longe de casa. Eu e minha irmã também aprendemos a remodelar nossas rotinas, incluí-la na nossa programação com amigos, e principalmente a nos comunicarmos de outra maneira. Não entendemos absolutamente nada de japonês, mas o olhar de gratidão da Sra. Sato lá do outro lado do mundo, visto pela câmera do computador, transcende qualquer linguagem ou distância.

Em meio a todas as filas que pegamos, às poucas palavras que trocamos no início, aos problemas com transações bancárias, aos atrasos dos ônibus, vejo que a Minami tem gostado muito da experiência no Brasil. E eu, além de ter ganhado uma amiga, estou mais preparada do que nunca para encarar os desafios do Velho Mundo!

Percalços linguísticos com a família hospedeira em Malta

11 de junho de 2012 3

Talita com Jenny e André

A família que hospeda um estudante no exterior é peça chave no tipo de experiência que se vai ter. Quando a gente se dá bem com eles, a vida fica muito mais fácil e a adaptação não demora nadinha para acontecer. A Talita Orsolini, de 26 anos, está em Malta e deu bastante sorte com seus pais "emprestados".

A relações públicas está por lá desde fevereiro e a relação com Jenny e Andre vai deixar saudade e algumas confusões linguísticas divertidas para contar. Confira o relato dela:

"Todas as pessoas que conheço e vivem com Hostfamilies por aqui dizem que tive sorte com a que "aluguei" e confesso concordar, pois eles são maravilhosos. Literalmente se colocam como família, preservando nossa privacidade e diferenças culturais. Estão sempre dispostos a nos ajudar. Também nos convidam para assistir filmes, corrigem nosso inglês e fazem questão de tomar o café da manhã e jantar conosco para não nos sentirmos muito sozinhos e conversarmos no idioma. Jenny e André, meus pais postiços aqui em Malta, são adoráveis e essa convivência tem ajudado a não sentir muita saudade da família. Sem contar que a comida da minha  hostmother é maravilhosa: temos entrada, prato principal e sobremesa. Melhor do que nos restaurantes. Sim, nunca imaginei comer tão bem na Europa.

Normalmente somos cinco estudantes na casa. Quando cheguei havia uma japonesa, um suíço e um espanhol. Nos cursos aqui é muito comum mães de famílias asiáticas tirarem uns meses de férias para um período de seis meses estudando inglês. Mas mesmo diante desse contexto curioso sobre as mulheres asiáticas, as diversidades culturais e inúmeras outras peculiaridades, visto estar em um país com forte influência árabe. Ainda me sinto o assunto mais exótico das pessoas com quem convivo. É surpreendente a expressão de encanto e as inúmeras perguntas que fazem quando digo ser brasileira. Porém, o que realmente me deixa surpresa é a curiosidade deles para entender a política brasileira, porque o Brasil tem tanta pobreza e o que é a pobreza como são as favelas.


jpg
Malta e sua paisagem exuberante

O idioma já me proporcionou umas situações engraçadas por aqui, em especial algumas confusões com a pronúncia. Um dia estávamos conversando sobre lixo na janta. E fui fazer um comentário sobre as novas lixeiras de Porto Alegre. Errei a pronúncia da palavra e disse sem querer  disse que estava me drogando. A família e os alunos que entendem melhor inglês pararam de jantar, me olharam e disseram:  "Tem certeza que você quis dizer isso?" e eu disse "SIM, na minha cidade isso é muito comum. Aqui não?" Então, eles disseram: "Você tem certeza que sabe o que disse?" E começaram a fazer mímicas para eu entender que havia dito que estava me drogando. Que gafe.

Também aconteceu um outro momento em que estava indo pra aula e derrubei no meu quarto óleo para corpo. Quando desci para pedir um pano disse que havia "vomitado" óleo por todo meu quarto. Jenny e André se apavoraram e, enquanto eu limpava tudo, ouvi uma movimentação nas escadas.  De repente, os dois bateram na minha porta, arrumados para me levar ao hospital. Pois vomitar óleo era algo muito sério!

Eu não me dei conta que ao invés de "dropped" falei "throw up". Havia estudado phrasal verbs antes de descer para o café da manhã. Eles estavam com uma expressão muito preocupada e eu não conseguia entender porque essa história de vomitar óleo. Até que pedi para entrarem no meu quarto, para olharem o que eu havia derrubado e por mímicas mostrei o que havia acontecido."

_______________________
Se você tiver alguma história com sua família hospedeira e quiser compartilhar com a gente é só entrar em contato pelo bruna.amaral@zerohora.com.br ;)


Patrícia e batalha contra a pimenta no México

12 de agosto de 2011 3

A saudade é eterna companheira de quem um dia resolveu sair de casa. Quando se está fora, é de quem ficou; quando se volta, de quem deixamos pelo mundo. Patrícia Bitencourt, de 21 anos, sabe bem disso. A estudante de Uruguaiana escolheu o México como destino de intercâmbio em 2008 e nunca mais foi a mesma.


Lembro como se fosse hoje eu preparando a minha viagem pro México, onde eu passaria todo o ano de 2008, através de um programa do Rotary. Eu estava feliz da vida porque sempre quis morar em um lugar diferente fora do país, só não imaginava que eu fosse mudar tanto assim com a experiência. Passei muito tempo me preparando pra o grande dia de me separar da minha família, sempre fui muito ligada a eles e sem dúvida nenhuma essa foi a parte que mais me fez aprender e entender coisas no meu intercâmbio.

Treinei muito a língua, mas não fiz cursinho. Quando eu tinha uns 16 anos, peguei uma gramática de jeito e fui estudar espanhol por livre e espontânea vontade, porque sempre gostei de linguagem. Fora isso, tudo que eu encontrava na internet de filme, novela ou seriado mexicanos, eu ouvia várias vezes e ia transcrevendo o que escutava até entender exatamente o que estava sendo dito e gravar bem a pronúncia das palavras. Quando cheguei lá, as pessoas ficaram espantadas porque eu me comunicava com muita clareza e até sotaque mexicano eu tinha.

Eu morava no norte do México, numa cidadezinha de 25 mil habitantes que nem aparecia no Google Earth: trata - se de Sabinas Hidalgo - hoje conhecida pela imprensa mundial como um núcleo de treinamento de narcotraficantes (quem diria). Sabinas está localizada à uma hora de carro da terceira maior cidade do país, Monterrey. E também à uma hora de carro está Nuevo Laredo (fronteira com o Texas).

Ao longo do ano morei com três diferentes famílias e tive muita sorte. Com a primeira delas, mantenho até hoje um laço muito forte, de família mesmo. Chamava (e ainda chamo) de pai, mãe, manos, tios e vó e nos devotamos um grande amor. Eles são como os brasileiros (e como a maioria dos latinos, penso eu): muito ligados às suas famílias. Acho que por esse motivo, me aceitaram não como uma "host daughter" que eu era, mas sim como uma "real daughter". Fico muito feliz por ter aprendido tanto convivendo com eles naquela terra estranha, e sempre menciono que há muito deles naquilo que eu sou hoje.

Além de batalhar horrores com a comida no começo e ter muita gastrite por causa da pimenta (você não imagina que mexicano coloca pimenta até no sorvete), me lembro da dificuldade que eu tive em aceitar as coisas que eram diferentes. Eles, como um povo super conservador principalmente em povoados pequenos como aquele, tinham regras rígidas para filhas mulheres, e claro, também se estendiam a mim. Então, perceba que quando eu tinha que voltar de uma festa à meia-noite eu ficava muito descontente. E esse é só um exemplo das coisas que eu, acho que pela imaturidade dos 18 anos, não conseguia entender. Claro que acatava ordens, mas com aquela cara de quem não gostou.

No final, eu aprendi a respeitar muito. Até pude enxergar que o México, em determinados pontos é, inclusive, melhor que o Brasil. Essa percepção, pra mim, significa um aprendizado que todas as pessoas do mundo todo deveriam ter: saber respeitar o que é diferente.

Pra quem tá indo se aventurar fora do país, entenda que não importa o lugar que você for, algumas coisas não mudam: você vai chorar muito de saudade da sua mamãe. No meu caso, isso se refletiu na minha saúde e eu tive um feliz ano de gripes e enfermidades uma atrás da outra, pura saudade.

Tenha em mãos sempre uma câmera fotográfica, não importa aonde vá; e mantenha um diário de bordo. Quando se completa seis meses fora, há muita vontade de voltar (em geral, todo o pessoal do programa teve/tem vontade de desistir nessa época), mas não abandone o barco porque a melhor parte o intercâmbio é o final. Esteja ciente de que, quando você voltar ao Brasil, terá um segundo choque de realidade: você vai achar que tudo aqui é estranho, vai flutuar na conversa dos seus amigos e seu pensamento estará por, cerca de um mês, bem longe daqui.

E principalmente, aproveite todos os instantes do seu intercâmbio. Porque depois só ficam a lembrança e a saudade. E que saudade enorme! Eu há muito quero voltar lá pra visitar, mas noticiam todos os dias muitos problemas com o narcotráfico local, especialmente na região onde eu vivi. Então, prefiro esperar a poeira baixar. Mas quando eu voltar lá na "minha terra" (como eu costumo dizer) vai ser, com certeza, muito emocionante. Meu intercâmbio é, até hoje, uma coisa que mexe muito comigo.  

Intercâmbio sem sair de casa

14 de julho de 2011 3

Norueguesa Tuva (direita) passou um ano em Porto Alegre vivendo com uma família brasileira

Quem abre as portas de sua casa para um participante de um programa de intercâmbio, abre as portas para um mundo de possibilidades. Receber um estudante de fora é uma maneira de conhecer uma nova cultura e criar um vínculo de amizade com uma pessoa de outro país sem sair de casa. Famílias interessadas em hospedar intercambista podem se inscrever nos comitês da AFS Intercultura de todo o Estado.

Como o processo envolve muitas dúvidas, tanto do estudante que vem quanto da família que recebe, a organização dá toda orientação e suporte necessários antes e durante o intercâmbio. O recebimento de um participante estrangeiro é voluntário, uma decisão a ser tomada pela família, e não requer nem assegura uma futura participação em outro programa de envio para o exterior. Interessados podem receber jovens de dois programas de intercâmbio da AFS: do escolar, para jovens com idade entre 15 e 18 anos; do programa de voluntariado, para para maiores de 18 anos. Em ambas modalidades, a família hospeda o estudante de cinco a 12 meses.

As famílias que desejarem se candidatar para participar do programa devem entrar no site para se informar e se inscrever. O programa é voluntário. Os estudantes devem ser acolhidos na família como se fossem parte dela. Eles não pagam aluguel, mas devem obrigatoriamente ter condições de arcar com suas despesas pessoais.

Minha outra família

17 de janeiro de 2011 0

A espera pela chegada da definição da família hospedeira tira o sono de muitos intercambistas - e dos pais também. Afinal de contas, qualquer um fica apreensivo pelo fato de não saber com quem vai morar pelos próximos seis ou 12 meses.  Ser recebido por pessoas bacanas é meio caminho andado para ter uma experiência legal no exterior, no entanto, não é esse fator sozinho que vai definir tudo. Por isso, existem programas em que trocar de família é obrigatório a cada três meses. O que pode ser muito bom, caso você não se adapte, ou muito ruim, caso você goste tanto daquela família que comece a chamá-la de sua.

Eu e a Maren,  em 2009, quando estive na Alemanha pela segunda vez e fui vistá-la

Diálogo, respeito e paciência são fundamentais para que o relacionamento funcione. Vale lembrar sempre que aquelas pessoas estão abrindo sua casa para um total desconhecido. Então, os medos delas são bem parecidos com os seus. No meu primeiro intercâmbio, em Düsseldorf, na Alemanha, aos 17 anos, lembro que depois de um mês na casa da família Daniel, composta pela mãe, a Cláudia, e a filha, Maren, meus pais receberam um email dizendo que eu estava tão adaptada que parecia que eu tinha vivido com elas minha vida inteira. Ao final dos dez meses, óbvio que algumas coisas já começaram a incomodar e criar atritos. Até porque todas nós éramos estreiantes em intercâmbio. Nós nos relacionávamos bem, mas tínhamos poucas coisas em comum, o que dificultava um pouco o relacionamento em alguns momentos.

Com a família Martensen em fevereiro de 2009

Já na minha segunda experiência na Alemanha, em 2009, foi um pouco diferente. O curso que eu estava fazendo ofereceu a oportunidade de passar duas semanas na casa de uma família e eu aceitei na hora. Acabei ficando duas semanas em Flensburg, no extremo norte do país. Não sei se foi o fato do tempo ser muito mais curto, de eu já ser um pouco mais velha ou de eles já terem bastante experiência com estrangeiros, mas foi incrível como eu me dei bem com os Martensen. A família era composta pelos pais e um casal de filhos um pouco mais velhos que eu. Criamos um vínculo tão bacana que até hoje trocamos cartas (sim, aquelas enviadas pelo correio) e presentes em datas especiais.

Foram duas oportunidades pra viver com pessoas bem diferentes. O mais legal de tudo é olhar para trás e pensar que, apesar de não existir família que eu goste mais que a minha, tenho em dois lugares diferentes da Alemanha as minhas outras famílias.  Se você também tem alguma história legal - ou de algum desastre - que aconteceu com você e sua família hospedeira escreva pra mim no bruna.amaral@zerohora.com.br!

A outra família

23 de dezembro de 2010 0

Uma das coisas que mais tira o sono de intercambistas antes da viagem é a espera pela definição da família hospedeira. Afinal de contas, é com eles que você vai morar por seis meses ou ano. Ser recebido por uma família bacana ajuda muito para se ter uma experiência legal. Não é por nada que muita gente volta chamando essas pessoas de sua "outra família". Hoje o Marcelo Müller, nosso intercambista que colabora com o Intercambiando lá da França,  conta da convivência com  seus novos pais e irmãos.


 

Marcelo e sua família hospedeira na França

"Antes de partir, todas as minhas expectativas estavam ligadas a minha família hospedeira. Esse é o aspecto mais importante para uma boa experiência, diziam os meus amigos que já tinham viajado. Eu recebi as informações somente uma semana antes de embarcar, já estava quase pirando.

Fazer parte de uma família estrangeira é uma experiência completamente diferente de qualquer viagem ao exterior: se entra realmente dentro da cultura local. Não adianta esperar, por outro lado, uma família "clichê", exatamente no que seria uma "média nacional", por que isso não existe. A família que te recebe tem com certeza as suas particularidades. A minha mãe hospedeira, por exemplo, é belga (da Wallonie, parte Bélgica francófona) e meus irmãos tem dupla nacionalidade, o que com certeza dá uma mudada nos hábitos da casa. Uma coisa legal, que algumas instituições como o Rotary fazem, é trocar de família durante o ano, duas ou três vezes, para se ter uma ideia das diferenças. No meu caso, eu fico na mesma família pelo ano inteiro. Isso pode ser ótimo como desastroso: terei que conviver com as coisas que gosto e detesto até o fim. Mas de qualquer forma, ficar um ano dá a certeza de que farei relações fortes com o pessoal daqui.

O momento em que se encontra os familiares pela primeira vez é sensacional. A minha cabeça fez um super giro tentando conectar tudo aquilo que imaginei que ele seriam e o que realmente são. As primeiras semanas são de muita adaptação. Intercambista faz atenção para tudo que os outros fazem, se imita as pessoas o tempo inteiro, até um nível meio paranoico. O momento que mais se passa com a família é o das refeições, e o momento que mais rende situações engraçadas. Nas primeiras semanas, sempre pensava coisas do tipo "e agora que o pai pegou mais um pedaço de pão, será que vou me arriscar?" ou "que tamanho deve ter a bola de sorvete que eu vou me servir?". Eu me divertia demais pensando, depois. Por agora, já me sinto totalmente a vontade, mas de vez em quando eu ainda me pergunto se não sirvo cereal demais de manhã.

O que eu acho que há de mais legal é tudo que se aprende sobre o estilo de vida de uma família diferente. É difícil de traduzir em palavras uma experiência dessas, mas por exemplo, nós não temos televisão na nossa casa. E não faz nenhuma falta. Por outro lado, se come super bem e preparar as refeições é um ritual diário que envolve toda a família. Esse tipo de conceito se leva para a vida inteira, e é nessas horas que eu percebo a importância que esse ano na França terá no meu futuro. Além disso, eu começo a tomar gosto por coisas que não serão muito acessíveis no Brasil, o que me trará qualquer problema. Esses gostos refinados por bons queijos e vinhos dos franceses, sei que isso não passará desse ano…"

Se você tem interesse em contar como é a sua "outra família", escreva pra mim no bruna.amaral@zerohora.com.br!  E o convite vale também pra quem já voltou há bastante tempo!