Há algumas semanas, recebi um e-mail da Embaixada Americana me pedindo para gravar um vídeo. Eles estão produzindo um material para a divulgação do programa Jovens Embaixadores 2012, cujas inscrições já estão abertas e seguem até dia 7 de agosto. A minha humilde parte nisso seria contar como foi participar do programa em 2003, na primeira edição, e como isso afetou a minha vida. Ainda não consegui gravar o vídeo, mas a ideia de ter de falar sobre o JE (ou Youth Ambassadors Program, no original) me trouxe muitas lembranças.
A primeira neve a gente nunca esquece
Soa como um clichê furioso dizer que o concurso mudou muito a minha vida, mas é a mais pura verdade. Tudo teria tomado um rumo bem diferente sem esse programa. Hoje, o JE é super conhecido, tem milhares de inscritos no país inteiro, tem parcerias com empresas enormes e uma divulgação massiva. Em 2002, quando eu vi um cartaz colado na porta da minha sala de aula do curso de inglês eu nem fazia ideia de que tipo de programa era aquele e nunca tinha ido além de Santa Catarina ou viajado de avião.
Faceirice da pessoa no campus da universidade em Tuscaloosa, no Alabama
Como dá para ver nas fotos, eu era uma sorridente cabeluda de 16 anos. Eu queria muito fazer intercâmbio, mas parecia uma coisa bem distante. Faltava um pouco mais de informação, faltava grana suficiente, mas vontade e empenho sempre tive de sobra. Por isso, toda vez que aparecia um concurso dando viagem como prêmio, lá estava eu, inscrita e disposta a participar.
O processo de seleção para o Jovens Embaixadores, em 2002, foi simples comparado com o que é hoje: avaliaram minhas notas na escola, fiz uma redação em inglês, preenchi um monte de formulários. Um belo dia, recebi uma ligação para avisar que eu precisava fazer um passaporte, pois tinha sido selecionada. Eu, que até então nem conhecia o aeroporto Salgado Filho, iria pegar um avião com outros 11 adolescentes para passar três semanas nos Estados Unidos.
Os 12 Jovens Embaixadores de 2003, mais a nossa goup leader e o secretário de estado Collin Powell
Nos primeiros sete dias, ficamos em Washington, DC visitando museus, teatros, órgãos governamentais, pontos turísticos e escolas. Duas dessas visitas marcaram a viagem: o encontro com o então secretário de Estado Collin Powell no Departamento de Estado e a visita à escola Woodrow Wilson High School. A reunião com Mr. Powell fez a gente se sentir as pessoas mais importantes do mundo naquele dia (relevem, tínhamos só 16 anos) e o dia na escola americana me rendeu um amigo para a vida inteira, o Sam.
Sam, o americano mais brasileiro que o mundo já viu
As últimas semanas do programa, foram em Tuscaloosa, no Alabama. O grupo, que em sua maioria era formado por jovens ainda no ensino médio, teve duas semanas de aulas na universidade. Então, imaginem o deslumbre das 12 criaturas tendo aulas, morando e vivendo em uma universidade americana. A gente se sentia num filme da sessão da tarde obvia e inevitavelmente.
Foto oficial para o "Year Book" do English Language Institute da University of Alabama
E, foi essa a grande coisa que o concurso fez pela minha vida. Pois, assim como nesses filmes bobos, em que só no final a mocinha descobre que o poder está com ela - é só ter coragem para usar - me dei conta que só eu mesma poderia dizer qual era o limite. Então, era só essa injeção de ânimo que faltava para eu perceber que com persistência, dedicação e um pouco de cara de pau eu poderia chegar em qualquer lugar. Afinal, boa parte dos meus amigos na época tinha capacidade suficiente para ganhar esse concurso, mas eu ganhei. E por um simples motivo: nenhum deles ao menos tentou.
Então, não percam tempo. As inscrições vão só até 7 de agosto!
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