"É uma oportunidade de se descobrir e se refazer", conta jovem sobre intercâmbio na África
19 de dezembro de 2012 7No verão de 2012, a estudante Maíne Guerra trocou as férias com os amigos de Santa Maria por uma oportunidade de trabalhar com crianças em uma escola de periferia. Seria um voluntariado normal se a tal periferia não fosse em Nairóbi, capital do Quênia, na África. De janeiro a março, a jovem de 25 anos deu aulas de inglês para crianças em um dos bairros mais pobres da cidade. A escolha não foi por acaso. Maíne queria algo que a tirasse da zona de conforto:
– A África sempre me provocou curiosidade e até medo. Deu uma vontadezinha de viver algo que mexesse comigo, que doesse de verdade. Aprendi um novo jeito de viver, de ser. É uma oportunidade de se descobrir e se refazer. Pesquisei oportunidades de trabalho voluntário em países africanos, cujo idioma fosse o inglês, e o Quênia tinha boas oportunidades.
Além da adaptação em um continente diferente, ela teve de se enquadrar no estilo de vida da nova família. No Quênia, a estudante brincava com uma irmãzinha, lavava sua roupa à mão, ajudava a "mãe" na cozinha e discutia política e as últimas notícias com o novo pai.
– Passei alguns sábados em turno integral na igreja deles, mesmo sendo diferente da minha religião. E tudo isso foi uma opção. Essa convivência me impactou muito. Sei que também causei um impacto naquela família. Mais tarde, meu irmão queniano me contou que a família não conversava durante as refeições e passou a fazer isso por minha causa _ relata.
Maíne teve de aprender a comer com a mão, tomar banho de caneca e a fazer xixi no chão. A casa onde ela morava não tinha eletricidade na maior parte do tempo. O maior desafio foi dar aulas, não só por ser em outro idioma, mas porque a pobreza gritante aos olhos doía, do despertar ao adormecer. Mas a maior
dificuldade e, por consequência, o maior aprendizado, foi ter uma boa convivência familiar.
– Aprendi a aceitar e me esforcei para ser aceita. Quando não consegui, tive uma nova lição: a de compreender. Sofri, sim, com as diferenças e, muitas vezes, me senti discriminada. Mas aprendi a compreender que é tudo uma questão cultural.
Em Nairóbi, ela dava aulas de inglês e matemática do maternal até a 8ª série. Durante os dois meses na cidade, além de fazer safári e conhecer gente de todo o mundo, ainda conseguiu executar um projeto para trazer melhorias à escola onde trabalhava. Com doações, Maíne e outros voluntários fizeram uma pequena biblioteca, compraram uniformes e material escolar para todos os estudantes. Além disso, eles conseguiram reformar a escola e criar um espaço para os bebês, com colchões e brinquedos. Todo o trabalho e as descobertas feitas por lá serviram para que a jovem se tornasse mais flexível:
– Aprendi a não ter medo, me sinto mais segura. Tomar decisões parece mais simples. A gente cria uma coragem para absolutamente tudo. Acho que amadureci alguns anos nesses dois meses.


















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