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09 mar10:12

Um mar de interrogações

Por Jornal de Santa Catarina

O acidente entre uma lancha de passeio e um banana boat na Praia Central, sábado à tarde, deixou um mar de interrogações, além da menina Tamara Dallafavera, de 11 anos, internada e sob risco de ter amputada uma das pernas.

Terça-feira, o juiz aposentado Disney Oliver Sivieri, 64 anos, piloto da lancha que atropelou o banana boat, prestou depoimento na Delegacia da Capitania dos Portos de Itajaí. Ele afirmou que o piloto que rebocava a boia deixou o brinquedo atravessado na frente da sua embarcação e ele não teria tido tempo de parar. A versão apresentada pelo juiz é diferente dos relatos de passageiros do brinquedo e de testemunhas. Em entrevista à repórter Kíria Meurer, da RBS TV, o piloto que puxava o banana boat, Carlos Barcellos, disse que o juiz desviou da lancha:

– Não sei se ele não viu ou estava fazendo outra coisa. Quando se aproximou da minha lancha, desviou e foi para cima do banana boat.

Em entrevista à RBS TV, o juiz ainda afirmou não ter consumido bebidas alcoólicas e negou que tenha se recusado a fazer o teste do bafômetro. Segundo ele, nem sequer lhe foi solicitado.

Acidente ocorreu sábado entre uma lancha de passeio e um banana boat na Praia Central (Foto: Marcos Porto)

O delegado titular da Capitania dos Portos, Alexandre Malízia Alves, garante que, logo após o acidente, as embarcações foram inspecionadas e as documentações, verificadas. O exame com bafômetro teria sido solicitado a Sivieri, pois na lancha haveria garrafas de bebidas alcóolicas.

– A equipe de resgate procurou fazer um primeiro teste do índice de alcoolimetria, mas ele se recusou – relata Alves.

Conforme o delegado, numa avaliação preliminar, a preferência para passar seria da embarcação com o reboque inflável.


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Capitania tem 90 dias para concluir inquérito

Sivieri depôs antes dos outros envolvidos depois que alegou ter que voltar para Curitiba, onde mora, por problemas de saúde. O juiz diz sofrer de hipertensão e diabetes. O piloto que puxava o banana boat deve prestar depoimento amanhã.

A Capitania tem 90 dias para concluir a investigação. Testemunhas do acidente também devem ser convocadas para depor. Ainda ontem, a Delegacia de Polícia Civil da Balneário Camboriú também abriu inquérito para investigar o acidente. Algumas pessoas envolvidas no caso foram convocadas para depor ontem e testemunhas também devem ser ouvidas hoje.

ALGUMAS DÚVIDAS
Por que o banana boat estava parado?
O condutor da lancha do banana boat, Carlos Barcellos, afirma que reduziu a velocidade e parou a embarcação quando viu que a lancha de passeio vinha na sua direção
O condutor da lancha poderia ter desviado ou parado a tempo?
Somente a investigação da Capitania dos Portos poderá explicar se era possível parar a tempo ou desviar. O capitão Alexandre Malízia Alves adiantou apenas que, em princípio, a embarcação com reboque teria preferência para passar
Por que não foi feito exame de bafômetro com os condutores?
A Capitania dos Portos afirma ter solicitado ao piloto da lancha de passeio, o juiz aposentado Disney Sivieri, que fizesse o teste mas ele se recusou. O pedido foi feito porque na lancha dele haveria bebida alcóolica. Sivieri diz que não bebe e que não foi solicitado o exame
Os ocupantes da lancha ajudaram as vítimas?
Testemunhas dizem que não foi prestado socorro. O filho do piloto da lancha de passeio, Marcus Vinícius Sivieri, que estava com o pai no momento do acidente, afirma que pulou na água para socorrer as pessoas logo após a batida
As embarcações poderiam estar navegando naquele espaço?
De acordo com a Capitania dos Portos, a lancha de passeio e o banana boat estavam a 200 metros da arrebentação das ondas, conforme regulamento


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