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23 mai09:23

Presídio da Canhanduba: Aqui, celular não entra

Por Dagmara Spautz, Jornal de Santa Catarina

A descoberta de 105 celulares para 250 detentos no Presídio Regional de Balneário Camboriú após uma operação pente-fino, na semana passada, trouxe à tona mais uma vez a incapacidade do Estado em controlar o que entra nas unidades prisionais. A falta de estrutura, a suspeita de facilitação por parte dos agentes e as brandas punições para quem é flagrado com celulares ou drogas dentro das cadeias são algumas das causas para que ocorrências do tipo sejam tão comuns. Na contramão, o Presídio da Canhanduba, inaugurado em março em Itajaí sob gestão privada, encontrou um jeito de deixar os equipamentos eletrônicos do lado de fora.

Em 60 dias de funcionamento, nenhum aparelho foi encontrado na unidade, que é administrada pelo Departamento Estadual de Administração Prisional (Deap) em parceria com a Montesinos, de Joinville. A empresa é responsável pela segurança, alimentação e prestação de serviços médicos. A entrada em Canhanduba só é permitida após revista que inclui detector de metais. O aparelho sinaliza até mesmo a presença de detalhes metalizados nas roupas e sapatos.

Bolsas, celulares e canetas que não sejam transparentes ficam numa sala, sob a guarda de um agente de segurança. Objetos de valor são colocados em malotes, com os nomes dos donos, para serem retirados na saída. Semana passada, a equipe de reportagem do Santa presenciou o mesmo rigor na revista da equipe que trabalha no presídio. Advogados, promotores e juízes, quando em visita, também precisam se submeter ao ritual de checagem.

Veículos de funcionários e fornecedores do Presídio da Canhanduba, inaugurado em março, passam por dois portões trancados e vistoria na entrada e saída (Foto: Marcos Porto)

Dentro, há portas trancadas e agentes em todas as alas. Para quem vai ficar frente a frente com um preso, a inspeção continua em salas separadas, para homens ou mulheres, onde o visitante se despe para a revista íntima. Quem leva crianças, precisa trocar a fralda do bebê na frente dos agentes. É mais uma maneira de evitar que drogas, celulares, chips ou armas entrem escondidos.

Cada um dos 300 presos tem direito a três visitantes, duas vezes por mês, de domingo a quinta-feira, numa sala equipada com mesas e cadeiras, sob o olhar dos vigilantes. Os familiares podem trazer alimentos, mas a entrada é limitada a frutas, uma barra de chocolate, biscoitos sem recheio e refrigerante, em embalagens transparentes. Uma funcionária é encarregada de abrir os recipientes, picar as frutas e beber um gole do refrigerante. A medida evita a entrada de bebidas alcoólicas ou inflamáveis.

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