25 ago08:57

"Essa dor nunca vai passar", diz pai de Rafael

Por Raquel Vieira  |  raquel.vieira@santa.com.br

O policial militar Ermelino Noé Caetano, acusado de matar o jovem Rafael Mendonça, em Itajaí, vai a júri popular na próxima quarta-feira. Rafael foi morto no dia 28 de novembro de 2003 durante uma ocorrência policial no Centro da cidade.

Caetano que hoje atua no administrativo da Polícia Militar em Itajaí, não quis falar sobre o caso. O advogado do soldado, Manoel Roberto da Silva, não estava no escritório nesta quarta-feira e a secretária não forneceu o telefone celular dele.

Pai do estudante, Edson Braz Mendonça aguarda ansioso o julgamento. Quase oito anos depois de perder o filho, a família ainda vive em luto e se apega às fotografias para relembrar os momentos vividos ao lado do jovem.

Jornal de Santa Catarina – O que o senhor espera deste julgamento?
Edson Braz Mendonça – Desde que aconteceu o crime, queríamos que ele fosse levado a júri popular, o que é meio complicado por se tratar de um policial. Conseguimos. Agora queremos justiça, depois que ficamos oito anos nesta expectativa. Queremos a condenação e a expulsão do soldado da PM, porque ele não tem condições de garantir a segurança de outra pessoa. Seria um pouquinho de alívio a condenação. Este policial estragou a vida do Rafael e própria vida também, eu acho.

Santa – Nestes quase oito anos de espera, a sua esperança diminuiu?
Mendonça –
Não. Jamais. Apenas se fortaleceu. Sempre tivemos o objetivo de ir até o final. Não temos grandes poderes, não somos de família tradicional, o que uniu as pessoas foi a justiça. Hoje sabemos que temos muito apoio.

Santa – O que mudou na vida da família desde 28 de novembro de 2003?
Mendonça -
Mudou 360 graus. Hoje eu tenho cinco pontes de safena no coração, tenho diabetes e muitos momentos de choro e tristeza. A minha dor até hoje se reflete na minha saúde. Hoje vivo de lembranças. Até a semana passada, a cama e o roupeiro do Rafael ainda estavam no quarto. Voltar ele não volta, mas nós queremos que a justiça seja feita para continuarmos a nossa vida com os outros dois filhos e nossos dois netos. Minha família ficou com uma dor que nunca vai passar. Nunca vou ao cemitério, prefiro ficar com fotos e lembranças boas.

Santa – A mãe do Rafael, dona Rose, ainda não fala sobre o crime?
Mendonça –
Não. Ela falou muito, hoje não quer mais falar. Não superou ainda. A gente nota no rosto dela o sofrimento. Essa dor nunca vai passar.

Santa – O que ele estaria fazendo hoje se estivesse vivo?
Mendonça –
Ele seria um menino formado, com 28 anos. Já teria uma família, talvez, porque era muito calado, sério, não bebia, não fumava. Estaria formado em Logística e seguiria a profissão que sempre quis. Ele tinha uma bolsa de estudos na Univali e tinha pago o semestre antecipado. Era a meta dele. Conversava muito com nós. Foi uma pena acabar a vida dele tão jovem.



Rafael foi morto, no dia 28 de novembro de 2003, durante uma ocorrência policial no Centro da cidade (Foto: Artur Moser / Agencia RBS)



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Um Comentário »

  • Daniel Ramos disse:

    Foi uma grande fatalidade que ocorreu com o Rafael,infelizmente ocorreu e o 1ºBPM com certeza têm ciência disso,e por isso mesmo(acredito) tenha corregido este erro,como já faz parta da Tradição do 1ºBPM.
    Acredito que o PM deve ser punido de acordo com a lei,pois foi um erro,sim o foi e acabou com a vida de outra pessoa,nós todos sabemos e devemos ter ciência que erros podem ocorrer,mas infelizmente na carreira Policial,as vezes os erros resultam na morte do próximo,e foi o que ocorreu neste caso.
    Gostaria de prestar a minha Solidariedade(sei que é um pequeno ato,mas acredito que vale muito),ao Policial Militar,pois acredito que seja uma dor muito grande ter que sair da PM,e a toda a Família do Rafael,que acabou o perdendo.

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