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31 ago08:48

Caso Rafael: Júri popular começa hoje

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O julgamento do policial militar Hermelindo Noé Caetano inicia às 9h30min, no Fórum de Itajaí. A audiência não é aberta ao público e à imprensa. A juíza Sônia Moroso decidiu que fossem distribuídas 150 senhas, com prioridade para os familiares. Conheça os envolvidos no caso e as posições de defesa e acusação.


DEFESA

O advogado Manoel Roberto da Silva é o responsável pela defesa de Hermelindo Noé Caetano, 41 anos, na audiência de hoje. Há semanas ele trabalha em cima do caso, no processo que ultrapassa as 1,3 mil páginas e está no quinto volume. Manoel disse que está bem entrosado com o processo. Ele evita falar dos detalhes da defesa, mas garante que a estratégia deve seguir na linha dos depoimentos já prestados por Noé ao longo do processo, desde 2003.

VIDA DE NOÉ

Hermelindo Noé Caetano é tido como um exemplo de policial pelos colegas, conta o advogado de defesa Manoel Roberto da Silva desde 2003.

– A vida dele parou desde o dia em que Rafael morreu. Preocupado com a situação, pesaroso com a morte do menino, preocupado porque pode ser condenado e vir a perder a função ou ser preso e assim por diante – afirma o advogado.

A CARREIRA

Noé sonhou em ser policial militar. E, por isso, tinha sonhos de construir uma carreira um pouco mais promissora. No decorrer dos anos de trabalho recebeu elogios e condecorações. Em abril de 2003, recebeu medalha de 10 anos de serviço categoria bronze, concedida a policiais com comportamento exemplar. Depois, em agosto de 2007, foi condecorado com o brasão de mérito pessoal terceira categoria. A insígnia é entregue pelo comando a policiais que apresentam boa conduta e profissionalismo. Noé também recebeu elogios por ato de serviço por desempenho no atendimento de ocorrência e por bons serviços prestados.

TRANQUILO E BEM QUISTO

Hoje comandante do 1º Batalhão da Polícia Militar em Itajaí, o coronel Atair Derner Filho conheceu Noé na primeira vez que trabalhou na cidade, há 15 anos. Ele diz que o policial é uma pessoa correta, tranquila e querida por todos:

– Sabemos quando é ele quem está de serviço porque é muito dedicado. É alguém que gosta do que faz.

O JULGAMENTO

– Tenho fé que a vida de Noé volte ao normal. Estou confiante no resultado do julgamento – afirma Silva.

A VERSÃO DA DEFESA

A versão defendida pelo advogado é a de que Noé não foi o autor do disparo que tirou a vida de Rafael. Para o advogado, onde a bala pegou é detalhe. A defesa sempre assumiu no processo que o tiro pode ter partido da arma de Noé, pego na calçada e então, num efeito chamado de ricochete, ter atingindo a vítima.

OUTRO ACUSADO

Segundo o advogado, a juíza Sônia Moroso, ao pronunciar Noé, disse que havia indícios de que outra pessoa também participou do crime. Em vista disso, houve translado do processo. O MP analisou e denunciou também este outro policial. O processo segue tramitando paralelamente.


ACUSAÇÃO

Dois homens dividirão a bancada de acusação no julgamento de hoje. O advogado da família de Rafael, Fernando Hugo Praun, contará com o promotor Isaac Newton Belota Sabbá Guimarães, da 5ª Promotoria, para defender sua tese. Procurado pela reportagem ontem à tarde, Praun disse já ter conquistado uma vitória ao conseguir que o caso fosse para júri popular. Ele não quis, porém, revelar quais os argumentos que usará para convencer os jurados. O promotor não foi localizado.

FILHO, IRMÃO E AMIGO

Rafael era o filho do meio do casal Edson Braz Mendonça e Rosinalda Rodrigues Mendonça. Ele morava com os pais e o irmão mais novo, Leandro, no Bairro São João, em Itajaí. No ano em que foi morto, foi quando se aproximou do amigo Rodrigo Rocha, com quem conviveu com mais frequência os últimos meses de vida.

– Nós nos conhecíamos há cerca de quatro anos. Foi bem difícil superar a dor da perda – conta.

O FUTURO

O jovem deixou para trás o sonho de se formar na universidade e a vontade de ser tio. A irmã do estudante estava grávida na época do crime. Rafael seria padrinho. O menino, hoje com sete anos, possui traços do tio, que nunca conheceu.

– O Rafael seria um menino formado, com 28 anos. Já teria uma família, talvez, porque era muito calado, sério, não bebia, não fumava – fala o pai Edson.

A CENA DO CRIME

Por volta das 12h30min do dia 28 de novembro de 2003, quando passava em frente ao Porto de Itajaí no horário de almoço, o jovem se viu em meio à movimentação de policiais e bandidos que haviam assaltado uma agência do Banco do Brasil. Levou um tiro na axila e morreu pouco depois. A bala teria partido do soldado da Polícia Militar Hermelindo Noé Caetano.

O JULGAMENTO

Para a família de Rafael, o julgamento do caso, oito anos depois, representa a esperança de Justiça. Para o pai do jovem assassinado, Edson Braz Mendonça, a condenação do policial seria um alívio. Familiares e amigos vão usar roupas brancas durante o julgamento, pedindo paz.

A VERSÃO DA ACUSAÇÃO

A denúncia entregue à Justiça pelo Ministério Público diz que Rafael, ao perceber a ação policial em frente ao Porto de Itajaí, escondeu-se atrás de um carro para se proteger. O jovem teria levantado os braços pedindo que os policiais não atirassem, pois não era bandido.

A SENTENÇA

Se o policial militar Hermelindo Noé Caetano for condenado por homicídio doloso (com intenção de matar ou assumindo o risco de matar), como deseja a defesa, o Código Penal prevê de seis a 20 anos de prisão.

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Por Jornal de Santa Catarina

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