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02 set09:57

“A impressão que dá é que o Rafa morreu duas vezes”, diz pai

O sentimento de revolta marca o semblante de Edson Braz Mendonça, pai do estudante Rafael. Quinta à tarde, poucas horas após a absolvição do soldado Hermelino Noé Caetano, que foi levado a júri popular pela morte do jovem, ele conversou com o Jornal de Santa Catarina. Inconformado com o resultado do julgamento, o pai diz que não quer mais lutar para achar culpados pela morte do filho.

Jornal de Santa Catarina – Como foi a primeira noite do senhor após o julgamento? O senhor conseguiu dormir?

Edson Braz Mendonça – Não. Minha saúde está abalada, a pressão está alta, sinto dor no corpo. Tentamos nos deitar, mas dormir, mesmo, não conseguimos. Minha esposa está pior do que no dia da tragédia. A impressão que dá é que o Rafa morreu duas vezes. A gente tenta continuar a vida, mas pai nenhum vai aceitar a morte do filho. Dizem que Deus sabe o que é justo. Mas eu queria ver essa justiça aqui na terra, e não vou conseguir. Minha vida não tem mais alegria. Minha mulher não quer mais falar no assunto. Eu tenho que desabafar, senão meu coração vai parar.

Santa – O senhor imaginava que Noé fosse absolvido?

Mendonça – Jamais pensei. Para mim, a absolvição foi uma surpresa. Eu achava que ele seria, pelo menos, condenado por homicídio culposo, sem intenção. Existe um morto e não existe um culpado.

Santa – Uma das principais alegações da defesa do policial foi de que houve falhas na perícia. O senhor sabia disso?

Mendonça – Fizeram muita coisa errada, foi tudo mal feito. Senão, o resultado teria sido outro.

Santa – Há um outro processo correndo na Justiça, que aponta o capitão Almir Silva como culpado pela morte do Rafael. O senhor acredita que esse processo possa terminar de maneira diferente?

Mendonça – Tenho convicção de que não vai haver júri popular do capitão. Se este caso, que havia a bala compatível com a arma do policial, não deu em nada, imagine no do capitão, em que não tem prova nenhuma. Eu perdi a esperança.

Santa – Logo após o julgamento, o senhor comentou que não queria mais mexer no caso. Passou a noite, e o senhor não mudou de ideia?

Mendonça -Não quero passar por nova humilhação, relembrar tudo o que já aconteceu. Há oito anos era um crime sem resposta, e continua assim. Não adianta mais nada. Essa dor eu vou levar pelo resto da vida.

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Por Dagmara Spautz, Jornal de Santa Catarina

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