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02 set09:03

Caso Rafael: Dia após julgamento foi de alívio e dor

Por Patrícia Auth, Jornal de Santa Catarina

Hermelino Noé Caetano folgou nesta quinta-feira. Depois de sentar no banco do réus por 13 horas e meia quarta-feira e ser absolvido pela morte do jovem Rafael Mendonça, em 2003, o soldado da Polícia Militar passou o dia ao lado da família. Comandante do Batalhão da Polícia Militar em Itajaí, o tenente-coronel Altair Derner Filho afirma que, por enquanto, Noé permanecerá na função de atendente das emergências no Copom, onde faz um bom trabalho, segundo o comandante.

– Eu avalio o resultado do júri como uma decisão soberana. O Noé foi inocentado pela justiça dos homens. Claro que, como em qualquer julgamento, uma parte sai satisfeita e a outra não. Respeito a dor da família – acrescentou Derner Filho.

O advogado do soldado, Manoel Roberto da Silva, que apontou no julgamento a inconclusão do exame de balística e falhas no processo, não foi encontrado ontem para comentar o resultado do júri. Quarta-feira, logo após a sentença, ele disse que, por enquanto, Noé não se manifestará. Somente após a transcrição do prazo de recurso, que é de cinco dias.

Apesar do pai de Rafael, Edson Braz Mendonça, afirmar que não pretende recorrer da decisão, o assistente de acusação, advogado Fernando Hugo Praun, ainda vai conversar com a família sobre a possibilidade.

– Vou explicar a eles como funciona o processo de recurso. A decisão do júri, ao meu ver, foi motivada pela dúvida gerada pela existência de outro processo do mesmo caso.

O tenente-coronel Almir Silva, que na época do crime era capitão em Itajaí, responde pela mesma acusação feita ao soldado Noé. Os dois estavam juntos na ocorrência que levou o estudante Rafael à morte.

– O processo contra o policial Almir está em fase de interrogatório. Como não mora aqui, ele será interrogado por meio de carta precatória – explica a juíza responsável pelo caso, Sônia Moroso.

O tenente-coronel deve ser ouvido pela Justiça este mês em Florianópolis, onde vive.

No julgamento, Noé citou o tenente-coronel Almir. Disse que, na época, foi o capitão quem ditou as informações que constam da ficha da ocorrência policial envolvendo Rafael. O conteúdo do relatório foi questionado pelo Ministério Público, já que as informações não eram as mesmas do depoimento prestado pelo soldado.

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CONTRAPONTO
O que diz Ana Claúdia Colatto, advogada do tenente-coronel Almir Silva:
A advogada diz que o fato Almir ter sido citado no julgamento do soldado Noé não preocupa. Para ela, foi uma estratégia da defesa que não prejudica seu cliente. Ana Cláudia afirma que não há provas suficientes no processo para indicar de quem partiu o tiro que matou Rafael. Ela afirma que o tenente-coronel tem absoluta certeza de que atingiu um assaltante e que nunca apontou na direção do estudante.


ENTENDA O CASO

- Dia 28 de novembro de 2003, dois assaltantes armados roubam o Banco do Brasil junto ao Porto de Itajaí
- Os bandidos tentam fugir, mas são surpreendidos pela chegada da polícia. Confundido com criminosos, o universitário Rafael Mendonça, 20 anos, é baleado e morre
- Um dos assaltantes também é ferido. Ele e o comparsa são detidos
- A perícia feita no local indica que a bala que atingiu Rafael é compatível com a munição 9 milímetros. O soldado Noé, que usava esse tipo de munição, é acusado do crime
- Uma nova versão surge, apontando o então capitão Almir Silva como o autor do disparo. O policial também é processado
- Quase oito anos depois, a Justiça encaminha o soldado Noé a júri popular pela morte de Rafael. Ele é absolvido das acusações

- O processo contra Almir segue em tramitação e não há data marcada para julgamento. A ação contra ele também pede júri popular

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