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24 mai09:23

Construção Civil avança sobre a hotelaria em Balneário Camboriú

Dagmara Spautz, Jornal de Santa Catarina

Entre os milhares de edifícios que se erguem na orla, o mercado da construção civil parece ter encontrado um novo espaço para crescer. Nos últimos cinco anos, hotéis têm sido derrubados para dar lugar a residenciais. O fenômeno atinge a rede hoteleira mais antiga, que enfrenta um dilema: ou investe em modernização, apesar da sazonalidade das hospedagens, ou resiste ao apelo dos construtores.

O negócio mais recente envolveu o Hotel Camboriú Palace, com 45 anos de história, e a construtora Embraed. Desde o início do mês, o prédio vem sendo desocupado e os 32 empregados foram demitidos. Mário Sieverdt, ex-proprietário do hotel, diz que cansou do negócio:

– De 20 anos para cá, surgiram hotéis demais. Há muita oferta, e a procura não é tão grande. Ter hotel não é mais tão rentável.

A falta de mão de obra e os custos com pagamento de impostos e manutenção estão entre os principais motivos que levam os proprietários a cederem às propostas dos construtores. Segundo o Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Sindisol), pelo menos oito hotéis deram lugar à construção civil nos últimos cinco anos.

Construído na década de 1950, o Hotel Fisher, na Avenida Atlântica, é um deles. O prédio, adquirido pela Construtora Procave, começou a ser demolido há cerca de 10 dias.

– A valorização imobiliária em Balneário Camboriú é muito alta, diferente de qualquer outro lugar. Recebo propostas toda semana, inclusive do exterior – diz Dirce Fistarol, gerente de hospedagem do Sindisol e proprietária de um hotel.

Se para os hoteleiros a venda pode ser uma boa alternativa, para os construtores é a oportunidade de conseguir um terreno grande, bem localizado, e de proprietário único.

– Sai mais caro porque não se compra só o terreno, mas o prédio. Muitas vezes é o hoteleiro quem procura o comprador – diz Carlos Haack, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Balneário Camboriú (Sinduscon).

Empresário defende investimento e renovação

Rogério Rosa, proprietário da construtora Embraed, que nos últimos anos negociou três hotéis para transformá-los em residenciais, não pensa que a mudança na rede hoteleira impactue no turismo. Ele acredita na necessidade de renovação para manter a visitação na cidade.

– Balneário Camboriú assistiu nos últimos anos à morte silenciosa da figura do turista. Hoje temos veranistas, que têm apartamento na cidade. Para atrair os turistas precisamos de equipamento turístico e hotéis em locais aprazíveis – avalia.

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