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02 jun08:53

Aumento de acesso à internet em Santa Catarina muda perfil da campanha

Natália Viana, Diário Catarinense
As eleições deste ano, no Estado, têm tudo para ser online e mais próxima dos eleitores. Estudo elaborado pela Fundação Getúlio Vargas e Fundação Telefônica mostra que Santa Catarina é o quarto Estado brasileiro em número de domicílios com acesso à internet, atrás somente do Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro. Já entre os municípios, Florianópolis também aparece na quarta posição, perdendo para São Caetano do Sul (SP), Vitória (ES) e Santos (SP). 

O ativista pela liberdade do conhecimento Marcelo Branco, que coordenou a campanha na internet de Dilma Rousseff (PT) na última eleição, é otimista com relação à influência das redes sociais nas eleições. Para ele, o diferencial, em 2010, foi a participação dos eleitores, já que, do volume de conteúdos postados no segundo turno, 32% vieram de empresas de comunicação, 30% dos eleitores e 20% das coordenações de campanha. 

Na avaliação de Branco, as redes sociais serão muito mais importantes nesta eleição do que em 2010: 

— Acho que será decisivo. Claro que a internet não ganha eleição sozinha, mas pode desequilibrar, consolidar candidatos que estão na frente ou dar visibilidade a uma terceira via. 

Mas nem todos são tão otimistas. O publicitário Fábio Veiga, responsável pela coordenação da campanha do governador Raimundo Colombo (PSD), afirma ter “muitas dúvidas” quanto à eficácia das redes sociais nas eleições do Brasil. Para ele, é preciso desmistificar a eleição de Barack Obama, já que o democrata não era apenas um candidato, mas “uma causa, um fenômeno”. 

O publicitário Carlo Manfroi, especialista em marketing digital, também destaca o fato de Brasil e Estados Unidos terem condições políticas, econômicas e culturais diferentes. Mas acredita que, em 2012, as redes sociais podem fazer a diferença. 

Pecados da campanha virtual 

Twitter, Facebook, YouTube, Instragram, Foursquare e até o pioneiro Orkut. Não faltam ferramentas para que os políticos se relacionem com os eleitores. E os partidos políticos já perceberam esta tendência e apontam as redes sociais como um dos destaques desta eleição. 

Independentemente do tamanho do município, a internet seduz os pré-candidatos por ser uma mídia que atende a um grande número de pessoas a um custo mais baixo do que a televisão. Mas os especialistas alertam que uma campanha feita para as redes sociais precisa seguir as características deste meio. 

Para Marcelo Branco, um pecado que não pode ser cometido é pensar a campanha da internet de forma amadora. De acordo com ele, o candidato precisa investir na contratação de profissionais. 

A coordenadora do curso de pós-graduação em Mídias Digitais da Faculdade Estácio de Sá, Luciana Manfroi, também reforça que não há mais espaço para amadorismo. 

— É imprescindível que se contrate profissionais que sejam especialistas em mídias digitais. Muitas empresas já erraram na internet, e esses erros foram divulgados pelas redes sociais, alguns virando até um viral. Se grandes empresas, com profissionais de marketing de ponta, erram, imagine o que pode acontecer com um político que acredita que poderá postar ou tuitar sozinho? — questiona Luciana. 

Fábio Veiga avalia que um erro que o candidato não pode cometer é terceirizar suas opiniões. O entendimento é de que é necessário evitar mensagens “unidirecionais”, sendo que o político precisa ouvir os internautas e interagir. 

O relações públicas Gustavo Canova, que atua na área de comunicação política, também acredita que nas redes sociais o candidato não pode ser exclusivamente político, mas ter interações típicas dos usuários, como curtir fotos e postar comentários. 

Para o publicitário Carlo Mafroi, também pega mal tentar “forçar a amizade” e também ser um “twitteiro metralhadora”, que dispara um tuite por minuto. 

— Isso ninguém tolera. É preciso saber o tom de cada rede para se comunicar com eficácia.

DIÁRIO CATARINENSE

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