08 jun09:56

Vai dar tainha!

Patrícia Auth – Jornal de Santa Catarina | patricia.auth@santa.com.br

Elas estão praticamente em todas as bancas do Mercado do Peixe de Itajaí, mas não com tanta fartura. A época é de tainha, que hoje assusta pelo preço: R$ 7 sem ova e R$ 12 o quilo da ovada mais difícil de ser encontrada por conta da retirada da ova para exportação. Mesmo com o valor pouco atrativo, o pescado continua sendo o mais procurado do inverno. A boa notícia é que o frio previsto para junho pode aumentar a oferta e, por consequência, provocar a redução nos preços.

– Nessa época é difícil um peixe que concorra com a tainha, mas a gente percebe que a procura ainda está baixa. Quando existe muita tainha para a venda, a notícia se espalha e as pessoas procuram mais. Por enquanto, as vendas estão tímidas – diz Auri Manoel Noaves, 63, que há mais de 45 anos trabalha em uma das bancas do Mercado do Peixe.

Há quem fale em escassez da tainha, assunto sem fundamento, de acordo com o mestre em Oceanografia Biológica, doutor em Ciências Naturais e membro do Grupo de Estudos Pesqueiros da Univali (GEP), Paulo Ricardo Schwingel.

– Até o momento, não há nenhum dado que indique a escassez da espécie. O que existe é uma flutuação natural na quantidade capturada. Em Santa Catarina, nos últimos quatros anos, a média anual da pesca industrial vem se mantendo entre três e quatro mil toneladas – afirma.

Schwingel explica que os fatores climáticos são os principais impulsionadores da safra. A tainha não é nativa, vem do Uruguai e Argentina (veja mapa). Quando as temperaturas caem e o vento sul bate por lá, as espécies procuram as águas brasileiras – mais quentes – para se abrigar. É durante o período de migração que os pescadores aproveitam para capturá-las.

– A duração e intensidade da frente fria são fatores muito importantes para uma boa safra. Não tivemos muito frio em maio e capturamos mais tainha este ano do que em maio do ano passado aqui em Santa Catarina – conclui o especialista.

Segundo os dados do GEP, entre 2008 e 2011, junho sempre foi o mês recorde de captura de tainha no Estado. No ano passado, a quantidade chegou a 2,7 mil toneladas. Em 2012, a expectativa é superar, ou pelo menos atingir, os números anteriores. A safra da tainha começou em maio e segue até o final de julho.

Armadores reclamam das licenças para pesca

Nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, desde 2008, quando passou a valer a Instrução Normativa 171 do Ibama, o número de licenças para a pesca em traineira, embarcação que captura tainha, não mudou. Somente 60 barcos possuem a permissão para a atuação durante a safra. Deste total, 22 são da região de Itajaí. Os outros são das demais localidades do Estado, do Rio Grande do Sul e São Paulo.

– O setor pesqueiro de Itajaí e região, que é o maior polo do Brasil, está em crise. A mão de obra está cada vez menor. Muitos pescadores estão trocando a pesca por outras profissões – diz o Secretário da Pesca de Itajaí, Agnaldo Hilton dos Santos.

Além disso, os armadores reclamam que nos últimos quatros anos, nenhum novo estudo foi feito para que os limites de pesca sejam revistos. Conforme a instrução normativa, em Santa Catarina, as embarcações só podem pescar se estiverem cinco milhas náuticas distantes da Costa. No Rio Grande do Sul, a distância estipulada é de 10 milhas náuticas.

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Um Comentário »

  • Rodrigo disse:

    R$ 12 ta caro com tanta tainha no mercado…isso não é ter lucro, isso já é exploração =/…enqto em alguns lugares vendem a menos de 5 reais o kilo, n entendo pq vendem a 7 e 12 reais o kilo…

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